Believe Your Eyes
1 Our Darkest Day
Notas iniciais
POV's Merlin
Já era noite. Arthur se preparava para deitar, mas algo o chamou a atenção e ele foi em direção a janela. Observei-o atentamente. Apesar do frio, não usava a habitual camisa vermelha, apenas uma calça marrom.
—Merlin
— Q-que? Parece que viu um fantasma! Sua expressão mudou instantaneamente de alegria para um leve grau de susto.
— Morgana está caminhando em direção à floresta. Vamos atrás dela.
— Hã?, hesitei. Não vou, é tarde e estou cansado. Você sabe o que fiz hoje? Limpei suas botas, lavei suas roupas, sua armadura, sua...
— Cala a boca Merlin, vamos logo.
— Está bem, Sir. — Ainda confuso, assenti.
Ele vestiu a camisa vermelha e olhei pela última vez seus braços nus. Ajudei-o a colocar a armadura e, por fim, entreguei sua espada. Durante o trajeto, imaginei mil teorias relacionadas à Morgana (todas tramando algo contra Camelot), mas decidi não pensar muito nisso.
Meus pensamentos foram interrompidos por um rugido forte que ecoou na floresta. No mesmo instante, Arthur desembainhou a espada e observou todos os movimentos da floresta escura, em busca de qualquer movimento brusco. Acabei tropeçando em um galho e derrubei Arthur no chão de maneira desajeitada.
Nossos olhos se encontraram por um pequena fração de segundos, e, por impulso beijei seus lábios rapidamente. Meu corpo não pertencia mais a mim, estava refém de um impulso momentâneo e esquisito. O beijo pareceu durar uma eternidade. Não soube o motivo, mas fiquei extremamente feliz pelo beijo. Mas sempre gostei de m-u-l-h-e-r-e-s!... Até ontem era disso que eu gostava.
E beijei logo o ARTHUR! Esse demônio, irritante, chato, irritante, egoísta, irritante e irritante. Se eu tivesse beijado o Gwaine teria sido melhor, mas o Arthur? Calma Merlin.... você está tendo um sonho! Tentei me beliscar para que o maldito sonho virasse pó sob as minhas mãos. Porém nada aconteceu, continuávamos na floresta e Arthur ora gritava ora sacudia meu corpo magro.
— Seu pervertido, filho da mãe! Você tem minhocas no seu cérebro, Merlin? Você está bêbado???? Que loucura é essa. Acorde, você está sob feitiço ou o quê? — Ele deu tapas no meu rosto, pois acreditava que os tapas me “acordariam”. Pouco me importei com sua reação violenta, a verdade é que não parava de olhar aqueles lábios. Arthur percebeu meus olhares nada convidativos e deu um chute na minha parte íntima.
— M-Mas o que é isso? Praticamente cuspi as palavras. A dor estava muito forte e não tive mais forças para continuar em pé. A dor que me fez cair nas folhas úmidas não era o cansaço ou os chutes de Arthur, mas uma flecha que havia acertado minha panturrilha.
Morgana. Ela estava distante e sorria, com glória nos olhos.
— Merlin! Merlin! Volte para mim, está me ouvindo? Arthur gritou ao meu lado, caminhando em minha direção.
— E-e-e-eu
— Você o quê?
— Eu e vo-vo-vo-cê me be-be-bei...
— Quer que eu te beije, é isso?, acenei fracamente. A dor consumia meu corpo cada vez mais. Suspirei longamente devido ao veneno, que provavelmente estava na flecha lançada por Morgana.
Arthur veio de encontro a mim. – Não entendo... Juro que não entendo. Eu apaixonado por meu servo, não é possível! Preciso me matar, como fui me apaixonar por você Merlin? Seu inútil. Queria esconder esse sentimento, mas é inevitável. Arthur envolveu suas mãos nas minhas, e, foi reconfortante. Se eu morresse naquele instante, morreria feliz. Em seguida, ele me beijou. Um beijo desesperado e longo.
Arthur estava chorando, senti as lágrimas dele em minha pele. E essa foi minha última visão antes de adormecer.
— Eu te amo, ouvi por fim.
***
A morte era assim então? Não senti nada, tudo foi tão rápido e feliz. Não, espera... O que Gaius está fazendo aqui? Será que ele morreu também? Lancelot também? Algo está errado.
— Ele abriu os olhos, gritou Lancelot animadamente. Sua expressão estava cansada, como se não dormisse há meses.
— Até que enfim! Escutar aquela voz foi maravilhoso, achei que o tinha perdido para sempre. — Ai está você, Merlin! Ele tocou em meu rosto com suas mãos frias. – Daqui uns dias já poderá voltar a trabalhar.
— Não, sir. A flecha envenenada tirou todas as forças dele. Merlin precisa repousar, comentou Gaius, interrompendo os planos do príncipe.
— Me deixe a sós com ele, ordenou Arthur ao se dirigir à Gaius e Lancelot. — Está bem, sir. Qualquer coisa grite, disse o cavaleiro, antes de fechar a porta.
Arthur veio em minha direção e cochichou em meu ouvido: – Pensei que tivesse morrido. Fiquei com medo de não poder vê-lo mais.
— E-eu também, Arthur. Te amo também. Ele sorriu e nos beijamos calorosamente como se fosse a última vez.
Fale com o autor