Believe It Or Not
2 Capítulo I
Notas iniciais
Eu estava finalmente voltando para aula e para minha rotina, depois de duas semanas da morte de Jennifer, mas as coisas ainda estavam agitadas. Winny voltou de viagem assim que soube, porém ficou na casa do namorando por uma semana. E eu que não ficaria em casa (ainda mais porque nos primeiros dias era a cena do crime), fiquei na casa do meu melhor amigo, Derek, assim como também fui quando briguei com Jenn pela ultima vez.
Não tive chance de dizer ''tchau'', foi burrice brigar e deixar-la sozinha, eu sei. Não pude dizer que ela era importante e nem pedir desculpa por me estressar com facilidade. Eu faria isso em seu discurso fúnebre, só que eu não consegui falar, comecei a chorar desesperadamente... Ela era minha amiga de infância, eu fiquei feliz por praticamente toda escola ter participado do enterro dela, tinha muita gente que eu não falava, tinha pessoas que também não era da escola, inclusive um cara que nunca vi na vida, mas Jennifer era muito conhecida.
Tive que ir varias vezes à delegacia dar depoimentos, repetir a história da briga e para onde eu fui. Os vizinhos, que escutaram gritos quando ela foi morta e chamaram a policia, também foram interrogados, e Winny também, mesmo ela estando viajando no dia em que aconteceu. Também fomos perguntados sobre quem poderia ter feito isso. Como eu já disse, Jennifer era muito conhecida, mas também era motivo de raiva de muitas pessoas, por varias aspectos, além de ser uma garota muito bonita, ela era digamos... Metida, não metida de nariz em pé, mas metida que faz questão de passar por cima de algumas pessoas. Mesmo com tudo isso, ela foi uma ótima amiga.
Eu queria muito saber quem a matou e o porquê, porém isso não era uma das minha maiores preocupações. Eu tinha medo, não só por mim, mas que isso acontecesse com outros que amo, porque foi uma coisa totalmente sem explicação.
Fui dormir pensando nisso.
***
Acordei com o despertador tocando Animals de Nickelback. Tomei banho e me arrumei, comi, tudo rapidamente, não queria chegar atrasada na escola depois de ter faltado duas semanas. Olhei meu celular e havia uma mensagem de Derek avisando que estava indo para a escola e fui acordar Winny, esperei ela ficar pronta e fomos.
Caminhamos o mais rápido possível, conversado sobre a investigação da morte de Jenn, era o assunto mais falado ultimamente.
Cheguei na escola e fui para sala que seria horário de Matemática, e Winny foi procurar seu namorado, até ai tudo O.K.
Quando cheguei na sala, Derek já estava lá, sentei ao lado dele.
– Tá tudo bem? – Derek disse assim que sentei, mas não esperou eu responder – Desculpa, eu sei que não tá, mas eu nunca sei o que falar em relação a isso.
– Que tal se não tocarmos no assunto? Seria ótimo, e seria uma coisa diferente dos últimos dias – Acho que soei meio grossa, então sorri, e ele fez o mesmo.
As aulas se passaram rápido, eu não estava prestando atenção, já estava quase no final do ano, e a única matéria com que tenho que me preocupar é Química. Quando estava na troca de horários, aí o coordenador me chamou. Alguns policiais queriam me levar para delegacia. Droga.
Os acompanhei e muitos alunos me observaram sair com policiais. Todos olhavam curiosos, ou seja, eu seria alvo de fofocas e historias mentirosas, provavelmente vão dizer que eu estou vendendo droga, as pessoas são maldosas na escola, aprendi isso desde pequena quando os coleguinhas me apelidavam. Parece que se divertem com sua tristeza.
Quando cheguei na delegacia, recebi a pior noticia de todas.
– Espero que você não esteja pensando em sair da cidade – Bruce, que é investigador do caso, disse assim que entrei numa sala onde estava ele e mais um policial.
– O quê?
– É, você é a principal suspeita da morte de Jennifer Williams, então acho bom você tomar cuidado onde pisa, estamos investigando bem afundo, provavelmente policiais vão monitorar alguns lugares onde você vai.
– Não, tá me dizendo que vou ser escoltada?
– Não – Ele coçou a barba, que estava mal feita – Só estou dizendo para não se surpreender quando vi alguma viatura por perto.
– Droga, vocês são idiotas? Estão perdendo tempo com isso, o assassino está por ai rindo de tudo isso e vocês vão me investigar? Meu Deus! Acho que terei que contratar um detetive particular – Eu nem sabia se detetives existiam mesmo igual aos filmes, eu também não tenho dinheiro para contratar um, só estava nervosa com a situação.
– Faça o que quiser, mas estaremos de olho.
***
– Não acho que seja uma boa ideia – Derek respondeu ao telefone.
Eu havia contado tudo para ele e ainda disse que eu mesma quero investigar quem a matou, mesmo sendo perigoso e tal, não me importava muito, agora estou determinada. Esse seria meu pedido de desculpa pelas brigas à Jennifer, meu adeus.
– E o que eu vou fazer? Sentar e esperar que eles resolvam que sou a culpada e me prendam ou sei lá o quê?
Pude ouvir ele suspirar.
– O.K., então eu te ajudo, eu acho... Vou desligar, beijo.
– Beijo.
Abri um sorriso, Derek sempre me apoiava em tudo, ele era uma pessoa ótima, pena que ele não era meu álibi, afinal, quando eu fui para casa dele, ele estava na casa da namorada.
Por que ele tinha que ter namorada mesmo? Não existem mais homens legais, bonitos, héteros e solteiros hoje em dia? E a quem eu iria enganar, é obvio que sou meio a fim dele, ele foi um dos poucos que nunca me decepcionou, e eu o amo, amo como amigo e algo mais. É muito idiota ficar a fim do melhor amigo, eu sei, quem nunca?
Enfim, eu ainda não tive coragem de abrir o quarto de Jennifer, e não pretendo. Estava no meu quarto quando Winny chegou em casa.
– Fiz lasanha de microondas – Sorri de lado para ela.
– Oba, to morrendo de fome – Ela se sentou e tirei metade da lasanha que estava no microondas e dei para ela.
Sentamos na mesa enquanto Winny comia e conversamos sobre algumas coisas que não envolvia morte.
– E aí? você pretende continuar nas lideres de torcidas? Sei que você só estava lá por Jenn ter insistido muito – Winny começou.
– É, provavelmente não irei mais, a nova chefe de torcida será a vaca da Pricilla, então não.
– Sabia que diria isso – Ela deu um sorriso – Pricilla deu uma idéia, uma homenagem a Jennifer no grande jogo dessa semana, na sexta.
– Oh, parece que ela não é tão vaca assim.
Rimos, muito fraco, meu senso de humor deu uma pausa esses dias.
– Pricilla vai vim aqui mais tarde, já que somos amiga de Jenn, ajudaremos a ela bolar as idéias da homenagem.
***
Ouvi uma buzina e Winny, que estava no banho, pediu para que eu atendesse a porta, era Pricilla. Só que não era só ela.
Ela estava dentro de um carro preto, e os vidros estavam apertos, deu para ver quem mais estava com ela. Ryan Walter. Isso mesmo, ex-namorado de Jennifer, eles terminaram um pouco antes da morte dela (o que agora me parece suspeito). Eles estavam num beijo longo.
To vendo que essa vaca mal esperou Jenn morrer para pegar o ex dela, ridícula, como eu pensei. E ainda quer fazer uma homenagem!
Vejo que Ryan também nunca se importou com o termino do namoro, para estar assim agora! Na verdade nenhum dos dois se importavam, estavam ali se agarrando na frente da casa onde Jenn morou como se ela nunca tivesse existido, isso me deixou com muita raiva, sem pensar fui até o carro. Pigarrei e os dois olharam para mim.
– Sinto muito informar que na frente da minha casa não é motel – Sorri, e Ryan gargalhou. O que me fez ter vontade de soca-lo, Pricilla estava com a cara de cínica de costume.
– Ta, relaxa, já estou de saída – Ele falou para mim e depois virou para a loira desbotada que estava com um sorriso estampado no rosto – Volto para buscar você quando o ensaio da banda acabar.
Ela sorriu de orelha a orelha como se a companhia dele fosse algo de outro mundo.
– Nossa – Interrompi – Lembra que a Jennifer sempre ia nos ensaios dessa sua ''banda"? – Fiz aspas com as mãos. – Você não deve lembrar, porque não se importa.
– Claro que lembro – Ele fez uma cara como se tivesse pensando – Lembro também do fato de ela me trair com Luke, baterista da ''banda'' – Ele fez aspas com as mãos me imitando.
– Ta bom Ryan, até depois. – Pricilla o cortou o assunto antes que acabasse numa briga. Ela desceu do carro.
– Vá na fé – Sorri para ele.
Ryan apenas revirou os olhos e foi embora.
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