Notas iniciais
Espero que gostem deste capítulo!Escrevi de coração e espero que gostem!!!! Obrigada pelos lindos comentários que recebi. Fiquei muito feliz!

No dia seguinte Emma acordou com sua cabeça latejando. Não havia tido uma noite tranquila e o sonho que tivera com Regina mexeu com todas as suas emoções. Sentia amor e ódio ao mesmo tempo pela ex-prefeita. Será que isso era possível? Sentimentos tão distintos pela mesma pessoa. A verdade era que Regina mexia com todas as estruturas de Emma. Seu coração queria respostas e ela não conseguia encontra-las de maneira nenhuma.

Preferiu tomar um banho gelado para que assim pudesse despertar por completo. O cansaço a acompanhava há dias, mas sempre quando se deitava para dormir o sono desaparecia e quando finalmente conseguia adormecer tinha pesadelos muito estranhos com Regina. Por quê? Era apenas o que Emma conseguia se perguntar. Por que Regina? Por que tinha que se apaixonar justamente por ela?

Passou na Granny para tomar o seu café da manhã. Resolveu que não ia incomodar Mary Margareth que parecia ter tido uma noite bem movimentada com David. Era estranho demais para Emma ter uma família depois de passar tantos anos solitária e tomando decisões erradas em sua vida. Agradecia imensamente ter reencontrado Henry dez anos após tê-lo dado para adoção. Nunca imaginaria que encontraria o amor através do filho que havia abandonado. Chegando lá pediu um café preto bem forte. O cansaço continuava a persegui-la mesmo depois do banho quase congelante que tomou em sua casa. Precisava de uma cafeína para encarar a exaustiva jornada de trabalho que ainda a esperava.

Foi trabalhar, mas não conseguia parar de pensar em Regina. O sonho da noite anterior continuava a assombrar a sua cabeça e a preocupação que sentia com a ex-prefeita tirava toda a paz de seu coração. Sentia que Regina não estava bem, mas não tinha ideia de como encontra-la. Se arrependimento matasse, Emma não teria dito o que disse para Regina. Palavras machucam e suas palavras feriram profundamente a ex-prefeita. Antes da morena desaparecer naquela fumaça roxa, Emma conseguiu ver as lágrimas que surgiram nos olhos de Regina. Foi quando Emma percebeu que havia falado demais. Havia ferido demais e aberto uma ferida no coração despedaçado de Regina. Estava com raiva quando disse para a morena que Henry não era seu filho. Mas a verdade que ele era o seu filho sim. A ex-prefeita o criou por dez anos, quando ela vivia recolhendo os frutos de suas más escolhas. Com aquelas palavras a loira havia negado toda a maternidade que a morena tinha direito.

Mais uma noite sem dormir bem. Será que noites assim virariam uma constante na vida de Emma? Seu corpo pesava mais do que nunca e o cansaço psicológico parecia querer não a abandonar. Ela só ficaria bem quando estivesse perto de Regina. Será que ela matou Archie? Emma estava em conflito. Sua intuição dizia uma coisa e as evidências apontavam outro caminho. Qual caminho seguir? Em qual lado acreditar? Ela queria se prender a uma esperança que inocentasse a pessoa que ela amava. Mas estaria fazendo o certo? Emma não se perdoava por não conseguir desvendar a mente de Regina. Era uma incógnita e de certa forma isso sempre a instigou. Querendo saber mais sobre Regina foi quando acabou se apaixonando pela pessoa que deveria ser sua inimiga.

Sem perceber lágrimas escorriam no rosto da xerife. Tudo contribuía para o desespero que a loira estava sentindo. Paradeiro de Regina? Como iria educar Henry? Como iria investigar a morte de Archie? Como lidaria com o amor que sentia pela ex-prefeita? Como cuidar de toda a cidade? Afinal, ela era a salvadora e todos da cidade dependiam de Emma. Ainda tinham os seus pais. Como lidar com a descoberta de seus pais biológicos depois de 28 anos? Emma nunca tivera muito que pensar na vida e de repente tudo acontecia ao mesmo tempo com ela. Como ela faria para ter a sua vida normalizada? Num acesso de raiva jogou todas as folhas que estava preenchendo no chão. De alguma forma ela tinha que colocar para fora tudo o que sentia. Logo em seguida se arrependeu de seu ato, já que teria que organizar o que tinha bagunçado. A vida parecia mais fácil quando ela não tinha tantas responsabilidades em suas costas. Quando sua vida era ela e mais ninguém.

– Mas havia tanta solidão! – Emma se permitiu murmurar.

– Talvez seja essa mesma solidão que acompanha Regina também.

Emma logo tratou de afastar a morena de seus pensamentos. Pensava mais uma vez em Regina e isso certamente não a ajudaria na parte burocrática de seu trabalho.

X*X*X*X

Uma Regina deprimida caminhava sem rumo pela floresta. Mais uma vez Emma Swan a havia ofendido com palavras. Quando viu o ódio, o nojo, a indiferença e o repúdio nos olhos de Emma, Regina ficou triste. Doía perceber que ninguém da cidade acreditava em sua inocência e ter que andar sem rumo pelas ruas da cidade a deprimia cada vez mais. Parecia que estavam enfiando uma adaga em seu coração. Regina tinha muitas cicatrizes da vida dentro de seu peito, mas a cicatriz que atendia pelo nome Emma Swan era de longe a que mais doía.

Quanto mais tentava agradar as pessoas quem mais amava era quando mais feria o seu coração. Sua vida sempre foi assim, querendo carinho e aprovação de todos e nunca conseguia nada além de dor e sofrimento. Sempre quis que sua mãe a olhasse de uma maneira diferente, mas parecia que nada do que Regina fazia merecesse um elogio da mãe. Pelo contrário, tinha como resposta sempre um olhar de desaprovação. Queria apenas que sua mãe a compreendesse. O que acabou nunca acontecendo.

Depois veio Daniel com quem teve um período de breve felicidade. Depois de sua morte Regina sentiu que havia perdido toda a sua capacidade de amar. E de fato deixou o ódio e sua sede de vingança entrar em seu coração. E fez coisas erradas, que a machucam só de lembrar. Fez atrocidades e matou para conseguir atingir os seus objetivos. E conseguiu o que? Apenas ser mais infeliz do que já era.

Henry um bebezinho que entrou em sua vida a fez amar novamente. Por ter passado tanto tempo sem amar e sem receber qualquer tipo de amor, a morena fez tudo da forma errada. E quando foi perceber estava ficando igual sua mãe. Estava se espelhando naquilo que mais desprezava para poder criar o seu próprio filho. Ia o fazer sofrer da mesma forma que havia sofrido sua vida inteira. Foi quando demonstrou o maior ato de amor que uma mãe poderia fazer. Com o coração doendo viu o seu filho ir embora de casa. Preferiu ir viver com sua família verdadeira.

E Emma? Regina não saberia descrever o que sentia pela xerife. Amor e ódio ao mesmo tempo? Será possível? Mesmo depois de todas as palavras de ódio que escutou Emma dizer ela não conseguia inteiramente sentir raiva da loira. Só sabia que se sentia diferente perto de Emma. Seu coração disparava e a vontade de sorrir era enorme, mesmo seu coração estando tão despedaçado.

Não ia negar que estava sentindo raiva de Emma. Depois de todas aquelas palavras que teve que escutar. Não fazia ideia como Emma tinha conseguido a encontrar no lago e só de pensar naquela conversa lágrimas caíram no rosto de Regina. E por que afastava todos que amava? Emma a odiava profundamente. Precisava ver Emma. Precisava dizer umas verdades para ela.

X*X*X*X

Os olhos de Emma pesavam e ela necessitava de um banho quente e de uma cama para tentar dormir durante a noite. Terminou de preencher os últimos relatórios do dia quando se surpreendeu com uma fumaça roxa que se materializou no ambiente.

– Regina! – exclamou Emma.

– O que está fazendo aqui?

– Minha querida! Achou que eu não iria vir rebater o nosso encontro da noite passada. – respondeu Regina tentando ser confiante.

– Encontro da noite passada? Do que você está falando Regina?

– Ah, minha querida! Não venha se fazer de desentendida. Não sei como conseguiu me achar, mas você sinceramente achou que eu ia deixar para trás e esquecer tudo o que disse para mim. – disse Regina fuzilando Emma com o olhar.

– Eu passei a noite inteira em minha casa cuidando do meu filho que estava deprimido porque a mãe adotiva é uma assassina. – disse Emma.

Não era o que Emma queria dizer, mas quando percebeu já havia falado o que não devia.

– A assassina! Agora é assim que meu filho me conhece. – diz Regina com uma única lágrima escorrendo pelo seu rosto.

– Desculpe-me! Não era o que eu queria ter dito.

– Mas foi o que disse! Não sei por que eu enfiei na cabeça que todos iriam acreditar que pelo meu filho eu escolhi não usar magia. Pode ser sincera e admitir que tudo o que me falou ontem é o que realmente você pensa sobre sim.

– Regina, eu já te disse que eu não te procurei ontem.

– Ah, então você deve ter uma irmã gêmea! Você tem que procurar a bastardinha– diz Regina sendo sarcástica.

– Onde então eu estava?

– Não se lembra? Esqueceu de tudo? – pergunta ironicamente.

– Pois eu não me esqueci de nenhuma daquelas palavras. Nenhuma. – disse Regina num tom triste.

– Eu estou sendo o mais sincera possível. Eu não te encontrei ontem. Mas quero que saiba que eu estava pensando em você.

– Provavelmente pensando em uma forma de me prender. Afinal a rainha má tem que ficar distante de todos. Você não imagina como isso dói senhorinha Swan.

– Eu sei como isso dói Regina. Eu já fui presa. Henry nasceu quando estava cumprindo minha pena. E eu mudei e eu tinha que ter te dado uma chance. Mas eu não te dei.

Regina tentou parecer forte perto de Emma, mas não conseguiu. As lágrimas escorriam pelo seu rosto. A loira se aproximou de Regina e limpou as lágrimas que escorriam no rosto da ex-prefeita. Foi quando Regina levantou o seu rosto, e os olhos das duas se cruzaram. A verdade de cada uma estava estampada no brilho dos olhares. Regina tentou desviar seu olhar, mas Emma a puxou para si e beijou a morena. O beijo começou de uma forma tímida e foi avançando conforme cada uma se reconhecia na outra. Elas se desejavam e aquele beijo estava selando o que elas sentiam. Regina interrompeu o beijo e perguntou para Emma.

– Por que não me tratou assim ontem no lago Miss Swan?

Notas finais
E aí, gostaram?? Comentários?? Sim, né ! Preciso saber o que acharam do capítulo.