Believe In Me
51 Epilogo — Acreditar em mim
Notas iniciais
Porcaria. Merda. Cacete. Avião idiota.
Pronunciei uma serie de palavrões durante toda minha estadia dentro daquela maldita maquina voadora. Meu estômago se contorcia, reclamando da viagem nada legal. Devia mesmo ter me dopado como Caroline sugeriu.
— Droga.
Esfregando o estômago, desci as escadas do avião e caminhei para dentro do aeroporto, grata por estar em terra firme novamente. Aos poucos fui esquecendo a vontade de vomitar e senti minhas veias queimarem em excitação. Ao encontra minhas malas e mochila na esteira, puxei-as e comecei arrastá-las até a multidão de pessoas com cartazes com nomes decorados e pintados.
Precisei subir em cima de um banco para encontra a pessoa que segurava o cartaz com meu nome. Meu coração se inflamou com saudades.
— Ivy! —A pequena de cabelos escuros estava em cima dos ombros de Carter, rindo ao balançar o papel de um lado para o outro. Linnea tentava mantê-la quieta logo ao lado, vestida em um longo e perfeito vestido verde. Ela estava tão linda; — Linnea! Carter! — Ambos ergueram a cabeça ao finalmente me ouvir, e ao me encontrarem abriram sorrisos grandes e estreitos.
Ivy deixou as cartas cair e estendeu as mãos.
— Jojo! — Pulei do banco, arrastando as malas e colocando a mochila nas costas. E sem outra reação compatível ao que eu sentia, comecei a correr para eles.
Carter havia soltado a filha, pois a mesma corria até mim com toda sua fofura e animação. Eu me abaixei, não acreditando que ela estava mesmo correndo e não engatinhando como no dia em que fui embora. Estava tão crescida.
— Venha garota — chamei sorrindo, ela veio, pulando em meus braços gargalhando — Eu não acredito. Você está andando!
— Papaizinho sinou. Ivy sabe andar bonito — Ri, não aguentando tanta meiguice. Beijei sua bochecha.
— Sim. Ivy sabe andar muito bonito.
— Jodie, minha querida — Virei o rosto e sorri me aproximando de Linnea e Carter. A mulher me envolveu com força — Oh meu amor, senti tantas saudades.
— Eu também senti Linnea. — falei. Ela tocou em meu rosto, me analisando de perto.
— Está tão de frente. Meu anjo! Está sem maquiagem. E cortou o cabelo! — Senti minhas bochechas esquentarem.
— Meu psicólogo achou que seria bom para mim mudar o visual — Dei de ombros — Acho que funcionou.
— Está linda — Carter entoou sorridente — E seja bem-vinda filha. —Eu quase ri quando ele me chamou de filha, pois a palavra saiu tão acentuada, que me fazia perceber o que ele queria ouvir.
— Obrigada, pai. — Pensei que ele fosse chorar ali mesmo, mas não deu muito tempo para ver qual seria seu próximo passo, pois Ivy tomou a atenção ao emburrar e cruzar os braços. Os lábios se formando em um biquinho birrento.
— Papai é meu. Eu sou filhinha. Jojo, não!
— Querida, não fale assim — Linnea fez uma cara feia — Lembra-se da nossa conversinha? Jodie é como sua irmã. Nós a adotamos, portanto tem que dividir o papai — Arregalei os olhos, surpresa por esse assunto surgir, mas percebi que Carter parecia adorar ser disputado.
Ivy piscou para ele ressentida.
— Papai não gota mais da Ivy — Lágrimas cresceram em seus olhos e só então, Carter derreteu totalmente. Eu achei graça na forma como ele amparou a filha, aflito por suas lágrimas.
— Claro que eu gosto de você meu amor. Hey! Olha para mim. — A garotinha olhou o pai, emburrada, Carter sorriu, mostrando as covinhas escondidas — Jodie é sua irmã mais velha, e irmãs mais velhas brincam. Isso não é legal também? — A expressão da pequenina mudou, e ela me olhou interessada.
— Vai binca comigo? — sorri de lado.
— Pode apostar — Ela então abriu um sorrisão grande, e voltou a estender as mãos para mim — Voar! Ivy quer voar! — Eu não entendi aquilo, mas Carter e Linnea gargalharam.
— Mais tarde meu anjo, mais tarde nós ensinamos Jodie a brincar de voar. — prometeu Linnea, e depois a mesma passou um braço sobre meus ombros. — Agora, temos que conversar com sua irmã. Deve nos contar tudo que aconteceu enquanto estava fora.
Eu suspirei.
— Existe tanta coisa.
— Pois então vamos andar, estamos ansiosos para saber — E como prova disso, Linnea e Carter me levaram quase correndo, Ivy foi passada para a mãe para que Carter pudesse carregar as minhas duas malas. Ao chegarmos ao carro eu não pude deixar de olhar a minha volta, não acreditando que estava mesmo de volta.
Depois que Carter terminou com as malas, Ivy foi posta na cadeirinha e finalmente, todos nos acomodamos nos bancos. Sorri para a garotinha ao sentar-me ao seu lado.
— E então querida, como foi estar no Arizona? Dizem que é bem calor por lá — Linnea comentou logo à frente, enquanto Carter movia o carro para a estrada. Eu sorri.
— Sim. É bem quente mesmo, no começo eu não gostava, mas acabei me acostumando — Linnea assentiu, e com um sorriso empolgado, virou-se no banco para me olhar nos olhos.
— Você está tão diferente Jodie. E desculpe falar, mas não achei que viveria para um dia vê-la dentro de um vestido — Surpresa com sua fala, olhei para minha roupa com um pouquinho rancor.
Era um vestido preto bem colado ao corpo e eu usava uma jaqueta de couro como destaque. Nos meus pés minhas botas favoritas e nos braços pulseiras de todos os tipos. Alisei meu cabelo, sabendo que eu estava mesmo bem diferente da velha Jodie.
— Eu estou tentando me acostumar com vestidos e sandálias mais... Femininas — Estremeci um pouco, fazendo o casal rir.
— Isso foi uma decisão imediata? Pois eu garanto que aprovo! — Eu tentei sorri, mas foi um pouquinho difícil.
— Na verdade e eu mudei o estilo depois que eu tive uma recaída — Ambos ficaram receosos de perguntar, mas Linnea se inclinou e segurou minha mão, alisando-a com um carinho que eu senti falta.
— Bem, acho que devemos ir pelo começo. Vejo que existe muita coisa a se contar — falou, e eu não pude deixar de concordar. Pensei um instante por onde começar, e achei que seria apropriado começar por minha colega de quarto.
— Quando cheguei a Pheoxis, eu me sentia mais perdida que um peixe fora da água. Não tinha um lugar para morar e muito menos um emprego para poder me sustentar. Eu só tinha a herança que minha mãe deixou, porém não queria gastá-la de uma vez só — Distraidamente, olhei além da janela, contando tudo devagar — Por certo tempo, dormi em um Motel até que consegui encontrar uma garota que desejava dividir um apartamento. Seu nome é Caroline, e ela faz faculdade de advocacia. Quando nos encontramos, logo percebi que ela não esperava alguém como eu para dormir de baixo do mesmo teto que ela, pensei que não fosse me aceitar de forma alguma. — Suspirei, esfregando as mãos juntas — Ela não fez isso, aceitou meus termos e passamos a dividir um apartamento e as despesas. Acho que no começo ela teve medo de mim, pois nunca estava no meu caminho ou falava comigo... Eu também não fazia questão, estava ocupada demais trancada no quarto, pensando em vocês, nos meus amigos... — Hesitei, sentindo o coração martelar só por causa de um nome —... Em Liam.
— Tudo que eu fazia, era permanecer calada, olhando a janela do meu quarto e pensando em tudo que aconteceu em minha vinda. Durante um mês, fiquei assim... Parada. Mas as coisas pioraram no próximo mês quando resolvi ligar para vocês querendo noticias de todos, principalmente de Ethan e Liam — Um frio avançou lentamente através de seu peito até que me encontrei ofegando pelo feio e familiar sentimento. Era sempre assim quando falava do passado, porém não era mais tão tolinha a ponto de recorrer à ajuda de antigamente.
Com a voz fortificada, continuei:
— Quando soube que Ethan ainda estava em coma e que Liam tinha ficado com sequelas feias do que acontece naquela noite por causa do meu pai... Eu de alguma forma quebrei mais um pouco, eu quis me punir.
— Oh minha querida — Linnea alisou meu rosto — Mas não era culpa sua.
— Eu não pensava assim. E por isso, comecei a ter pesadelos durante as noites — franzi o cenho, atordoada com as lembranças — Acordava gritando. Suada e em pânico. Caroline começou a ficar atordoada com minhas noites mal dormidas e tentou conversar a respeito, eu me recusei, continuei sofrendo sozinha. Sonhava que ele estava vivo — sussurrei — Que ele me machucava, e quando os pesadelos tonaram a ser sobre Michelle, eu comecei a entrar em uma forte depressão. Edgar estava sempre ferido ela, mas depois mudava e um homem deitado em uma maca cirúrgica aparecia — Senti o medo circular meu coração — Era Liam. Edgar o torturava e eu não podia fazer nada.
— Deus, Jodie! Como conseguiu se ajudar?! — Carter estava pálido. Eu suspirei.
— Não vou negar que foi apenas isso Carter. Quando entrei na depressão, eu não tinha mais nada, a não ser minha própria dor... Comecei a me cortar novamente. — disse, abaixando a cabeça, envergonhada — Mas às vezes os corte não era o bastante, pensava que se meu coração ainda sofria, era porque o corte não era profundo o suficiente. Foi só ai que eu fui mais além, e cortei meus pulsos... E dessa vez, o corte foi profundo o suficiente para me fazer apagar — Não olhei no rosto dos dois, com medo do que achariam sobre isso, mas continuei a falar sem empecilhos. —Caroline me encontrou, e eu acordei no hospital. Ela não compreendia o porquê de eu ter feito aquilo, quis me ajudar. Os médicos havia me examinado e contado a ela sobre como eu, nas palavras dele, fora judiada. Aquela atenção me irritou, e garanti a ela que não faria mais aquilo, e pedi para que me deixasse em paz. Relutante, ela o fez. Voltamos as nossas vidas no apartamento normalmente, mas eu comecei a parar de dormir, não querendo acordá-la mais com meus gritos... Evitava me encontrar com ela durante a noite e acabei por gravar as horas que ela ficava em casa e quando saía para a faculdade. Como era de se esperar, às vezes eu não conseguia aguentar e dormia, e por isso eu me cortava mais, em um lugar discreto para Caroline não ver. Quando penso nesses dias, imagino que se não fosse por minha mãe... Eu teria me afundado completamente.
— Como assim querida? — Linnea indagou em confusão. Eu sorri.
— Em uma das noites de pesadelo, eu estava sozinha no apartamento... No escuro. Aquela vez pareceu a pior de todas as outras, eu não conseguia parar de tremer. E no meio de tudo, notei que estava tendo um ataque de pânico. Eu senti medo, e estava pronta para acabar com aquilo, e dessa vez não seria nos pulsos — Carter e Linnea se inclinaram quando puxei a jaqueta levemente, e revelando o começo de um corte no pescoço.
— Cristo! — Carter tinha os olhos arregalados presos no retrovisor, e Linnea parecia sem fala.
— Queria acabar com a dor, mas antes que terminasse o corte, eu vi em cima da escrivaninha, a carta que minha mãe me deixou. Aquela que eu nunca li — Ajeitei a jaqueta novamente, olhando para as mãos — Eu deixei a lamina de lado e comecei a ler. A carta me ajudou a abrir o os olhos, me fez perceber como estava agindo de forma insana. Eu estava de fato, enlouquecendo. Eu chorei a noite toda, me punindo por não estar cumprindo a promessa que fiz a Liam... E no dia seguinte fiquei mais aterrorizada ao olhar no calendário e ver que havia se passado dois meses e dez dias, e eu nem mesmo notara — Sacudi a cabeça, afastando a emoção que começara surgir. — Resolvi dar um basta.
— Deixando o orgulho de lado, liguei para a doutora Clarice. Lembram-se dela?
— Mas é claro que sim! — Linnea tinha olhos cheios de lágrimas e um sorriso orgulhoso no rosto avermelhado — Fico tão aliviada que tenha ligado para ela.
— Sim. Eu o fiz, mas ela não podia deixar seu consultório para ser minha psicóloga, portanto, ao me ver tão transtornada, ela me cedeu uma hora de conversa pelo telefone e um nome. O nome de um amigo dela, que também era psicólogo. Disse que era confiável. Mas eu fiquei insegura quanto a ir até ele, tanto que pela primeira vez eu pedi ajuda para Caroline. Só não esperava ver como ela ficou contente ao me ter pedido a ela que me acompanhasse até o consultório de Daniel. Foi difícil no começo, mas nos entendemos.
— Isso é maravilhoso filha. Conseguiu se erguer daquela solidão e dar um passo — Carter sorria com emoção pelo retrovisor —Estou orgulhoso Jodie.
Senti minhas bochechas esquentarem, e sorri satisfeita que ele estivesse feliz comigo. Linnea deu uma risadinha.
— Ela realmente foi perfeita. Mas conte-nos, sua recuperação demorou? — bufei, exasperada.
— E como. Eu tinha tendência de ter uma recaída ao ligar para vocês — suspirei tristemente — Doutor Daniel notou que falar em Liam e nos outros alterava meus sentimentos, e pediu que eu acabasse com as ligações, pelos menos até que estivesse mais estável.
— Então foi por isso que ficamos sem noticias durante dias! — Linnea teve os ombros caídos em lamento. Eu concordei.
— Isso mesmo. Era complicado para eu explicar a você, portanto deixei como estava. Depois de minha última recaída Daniel optou por me distrair, e assim, sugeriu as compras — Virei os olhos com irritação — E pior. Ele sugeriu isso a Caroline, que quase furou meu cartão de créditos com compras. Ela tem uma coisa com essa história de comprar para se acalmar.
— Precisamos agradecer essa menina — Linnea murmurou sorridente. Eu ri. — Quando foi que resolveu entrar para faculdade e fazer aquela arte no jornal, mocinha? — Mais uma vez, quis me esconder dos seus olhos, lembrando o que eu escrevera para o jornal publicar.
— Bem... Quando Daniel me deu a garantia de que estava pronta, fiz a prova para ser bolsista na Universidade de Phoexis. Eu ganhei 89% dela e o resto teria que pagar sozinha. Foi ai que comecei a procura em prego nos jornais... Passou dias, e consegui uma oportunidade de ser redatora de um renomado jornal. Fui convocada para uma reportagem que servia como uma grande chance para tornar-me repórter: E essa era procurar adolescentes para uma grande história. Foi ai que me dei conta de que tinha uma história, e essa seria impactante o suficiente para chamar a atenção do meu chefe e do publico... Eu escrevi, e também conversei com umas pessoas. Pensei que o artigo ficaria em uma coluna reservada para aprendizes, mas quando perguntei, meu chefe dissera que a história era digna de primeira pagina... Isso deixou um brilho e tanto no meu currículo. Uma estudante de apenas 18 tem sua reportagem na primeira pagina! Foi absolutamente brilhante para minha carreira, e hoje mesmo recebi ligações de vários outros jornais, mas o que me interessou veio diretamente daqui.
— Oh Deus, então quer dizer... — Linnea choramingava olhando-me emocionada. Eu ri.
— Sim. Eu consegui um emprego aqui e uma nova vaga na Universidade de Princeton. — dei uma risadinha quando Linnea começou a choramingar, sorrindo como uma criança bobinha. Carter a olhava cheio de amor e para mim mandava aquele olhar orgulhoso, repleto de carinho e felicidade.
— Em que área trabalhara Jodie? — Ele perguntou, e eu sentia que brilhava de ansiedade. Ele pareceu perceber, pois riu — É tão bom assim?
— O cara que me ligou hoje cedo me propôs três anos como sua aprendiz, alegando que eu deveria aprender muito sobre seus turnos de reportagem... Porém ele não esperava que a área dele também fosse a minha área — Ele ergueu uma sobrancelha curiosa. Eu gargalhei, mais do que feliz — Cobrir as reportagens com lutadores da MMA.
E isso gerou o riso deles também, absorvido pela grande e magnifica noticia. Linnea se inclinou, segurando o meu rosto para enchê-lo de beijos.
— Oh meu anjo, meus parabéns!
Aquele sentimento de enfim estar em casa espalhou-se por meu peito, e quase tive vontade chorar, eu sorri e permitir que eles me mimassem com sorrisos e olhares carinhosos. Sentira faltas deles, e ver que eles também sentiam a minha fazia-me mais do que contente.
— Obrigada. —falei, me ajeitando no banco novamente. Carter me olhou de canto com um sorriso malicioso e arteiro.
— Mas vamos... Você não voltou para casa somente por causa do trabalho não é? — Agora eu não pude impedir-me de estremecer enquanto meu coração pulava, achava até que fosse possível eles estarem ouvindo as batidas loucas que meu coração dava no meu peito, como se quisesse que alguém abrisse a porta para atendê-lo.
— Eu fiz uma promessa uma vez. Chegou a hora de cumprir — murmurei como resposta, eles entenderam, pois sorriram um para outro de forma cumplice.
Olhei pela janela a tempo de ver por onde passávamos, eu ofeguei, me inclinando sobre a janela para ver melhor. Sim. Lá estava ela. Minha antiga e abandonada casa, onde passei minha vida chorando e orando por uma salvação... Salvação essa que veio através de apenas um garoto. Garoto esse que se tornou tudo e muito mais em minha vida.
Curiosamente, enquanto eu olhava a casa, percebi duas coisas. Primeira, ela estava uma porcaria só; Com porta arrombada indicado roubo, o jardim mais morto que antes, e comparado as casa ao lado, ela parecia uma área insignificante que ninguém gostaria de pisar.
A segunda coisa que percebi, é que não existia aquele peso em minhas costas enquanto olhava para ela, não tinha raiva, temor e nem sequer rancor. Talvez porque eu tenha aprendido que cultivá-los, me levava cada vez mais para baixo. Apesar disso, estava feliz que enquanto olhava, pensava que um dia, eu voltaria naquela casa, e faria o que minha mãe sempre sonhou fazer dela. Ela seria a minha casa. Não permitiria que Edgar maculasse o desejo de minha mãe de fazer aquele lugar um lar. O passado era passado. Estava na hora de criar meu futuro.
— Então está pronta? — Confusa, olhei Linnea, não entendendo sua pergunta.
— O que?
— Está pronta para cumprir sua promessa? — Arregalei os olhos, e percebendo onde eles estavam me levando, olhei para fora novamente, tremendo.
— Puta que pariu! — Eles riram enquanto eu tentava recuperar o fôlego.
Estou em frente a casa. Caralho. Estou mesmo, mesmo na casa dele! O que eu faço? O que eu faço?
— Vá até lá — Minha nova mãe traiçoeira falou, como se tivesse lendo meus pensamentos. — Não acha que já demorou o suficiente? — Minha garganta deu um nó de nervosismo.
— E se ele não me quiser mais? Eu sumi por um ano! Ele deve estar com rancor e...
— Não pense negativo, querida — Carter havia parado o carro e agora me olhava nos olhos —Tenho visto aquele rapaz lutar com a tristeza só pelo fato de que você não está aqui. Ele não se moveu, não foi a lugar algum. Apenas esperou você.
Lágrimas toldaram nos cantinhos dos meus olhos.
— Sério?
— Sim. E acho que está na hora de você fazer a espera dele se encerrar. — Ele sorriu amável — Vá garota. Não perca mais tempo aqui. — sorri largamente para eles.
— Obrigada. Muito obrigada, aos dois. — E dando um beijo neles, eu pulei do carro, e comecei a correr até a varada da casa.
Tensa, evitei a campainha e resolvi apenas abrir a porta. Não havia ninguém na sala, e se tivesse que ficar quieta ia ter a cabeça cheia de tranças. Sacudi as mãos afoitas e escolhi uma direção aleatória. Quando percebi o som de vozes ao longe, segui o ruído até uma porta de metal e vidro. Abri um lado devagar e a atravessei.
O jardim era grande, estava lotado. Nunca pensei que um dia ficaria emocional dessa forma, mas ao olhar os rostos alegres passando a comida um para o outro, — ao ver tantos sorrisos e olhares familiares — eu quis chorar. Meu avô estava bem ali, sorrindo para minha irmãzinha, que parecia tão bonita quanto da última vez que a vi. A sua esquerda, estava seu irmão Mick e Lilah, ambos alheios dos outros, mais preocupados em beijarem e sorrirem um para outro.
Minhas pernas bambearam de alivio ao ver Ethan na ponta da mesa, sustentando sua mulher, Amara, sobre sua perna. Já havia lágrimas escorrendo quando direcionei a atenção para Jack e Stefany, que tentava enfiar um pepino na boca de Jimmy. Ao lado, Lizze e Harlow matavam-se de rir, enquanto Jonah gritava incentivos para Stef e Jack.
Conduzida com insegurança, passei olhos mais atentamente por todo local, procurando, ansiando encontrar e... Deus querido. Choque me atravessou ao olhar para o homem sentado na cadeira, afastado de todos. Ele tinha o tronco baixo e os cabelos caiam por seus ombros cobrindo-lhe o rosto. Eu não precisava de confirmação para saber que aquele, era meu novato.
Infernos, ele estava enorme! Um homem alto e musculoso, vestindo camisa regata preta e um moletom cinza. Os braços tencionados de uma forma que achei desconfortável, e as mãos ásperas seguravam um jornal.
Eu congelei naquele lugar no mesmo instante, me encontrando ofegante e sem palavras. Estava tão distraída que deixei a porta escapar da mão. Ela fez um clique quando se fechou, chamando atenção de todos a volta.
Meu estômago embrulhou tanto quanto estava no avião ao ouvir os suspiros e os ofegos surpresos. Olhos arregalados na minha direção. Por um breve momento de lucidez, percebi duas coisas. Alguém ali fazia aniversário. E segunda, Liam havia erguido a cabeça e estava me olhando com perplexidade.
Coloquei uma mão sobre boca em espanto. Sua face estava cheia de cicatrizes, como se alguém tivesse a queimado com um atiçador de ferro. As grossas linhas tomavam sua bochecha e nariz, acabava ao lado de sua boca, deformando seu lábio superior. Os olhos, azuis e escuros como a noite, acolheram-me e depois se arregalaram levemente. Ele pareceu perdido, seu grande corpo imóvel exceto pelas inspirações profundas que fazia.
—Beth! BETH! — Minha atenção foi para o chamado choroso de Michelle, eu não consegui segurar as lágrimas quando a mesma se adiantou correndo, para me abraçar. A apanhei, apertando contra meu corpo em um abraço forte. — Elizabeth.
— Mitchie... Que saudades de você irmã — Alisei seu cabelo, sentindo-a fungar. Ao se afastar, ela esfregou os olhos com lágrimas.
— Eu também estava com muitas saudades. — Sorri, e olhei então para a figura que se colocou atrás de Michelle. Fuguei.
— Vovô! — O abracei, fechando os olhos e deitando sobre seu ombro. O velho sorriu, alisando minhas costas. — Ah vovô, como senti sua falta.
— Bonequinha! Minha netinha linda — ri, sentindo seus beijos em minha testa. — Eu também senti sua falta querida. — Ele secou minhas lágrimas, e mais uma vez, eu não pude resistir olhar para Liam.
Deus. Ele estava tão bonito e grande. Sua pele era dourada até sob as luzes fluorescentes Havia perdido tudo isso?
O efeito que ele teve sobre mim era como uma droga, uma combinação tentadora de necessidade sexual e desafogo profundo. Como se estivesse tendo um orgasmo e caísse em um sono tranqüilo ao mesmo tempo. Não era nada do que eu houvesse sentido antes.
Ninguém interrompeu o estranho silêncio entre nós, pelo contrario, eles até mesmo se afastaram quando Liam resolveu dar o primeiro passo. Um calafrio passou como um relâmpago por mim, absorvendo o calor de seu corpo. Sentindo meus joelhos fracos, apoiei-me contra a porta de vidro, inclinando a cabeça para trás querendo olhar em seus olhos. Engoli em seco, nunca me sentindo mais submetida aos seus encantos.
— Oi — arrisquei falar, baixo e hesitante.
Ele suspirou, fechando os olhos de uma forma que fosse possível me fazer pensar que ele estava apreciando o som da minha voz. Ao abri-los, fogo azul saltava de suas orbitas.
— Você demorou em voltar — acusou. Comecei abrir a boca para me desculpar um bilhão de vezes, optaria até pelo famoso drama do choro, mas ele me surpreendeu terrivelmente ao se aproveitar da minha pequena deixa.
Eu abri a boca e ele me beijou. Estava feliz que me segurasse, porque meus joelhos cederam. Seu braço forte me impediu de desmoronar no chão quando cambaleei para a porta.
A língua de Liam varreu dentro, forçando minha boca a abrir mais e grunhiu. A paixão me atingiu em segundos. Derreti-me contra ele, meus dedos segurando sua nuca para depois apertarem o material de sua regata, apenas para ter algo para me agarrar. Fazia um ano desde que o toquei, meu corpo se lembrava dele e me perdi em seu toque e tudo desapareceu, exceto Liam.
Por um momento eu pude ouvir os risos à volta, mas não demorou e eu estava sendo carregada para dentro da casa, com Liam me beijando daquela forma avassaladora. Eu gargalhei me pendurando nele como uma gata com unhas expostas. Mordi sua orelha, sentindo-o estremecer com toque ousado, e suspirando acariciei seu cabelo quando ele rolou os lábios em meu pescoço. Nem ao menos me dei conta quando chegamos a um cômodo da casa, olhei em volta, admirada ao constatar que estávamos em seu quarto. Os livros e pôsteres na parede me fez ver de quem pertencia. Era a primeira vez que vinha ao seu quarto.
Olhei em seus olhos, sorrindo de lado.
— Você é rápido novato — Um olhar de alívio passou por seu rosto de repente, fazendo-o me abraçar com força ao sentar na cama.
— Porcaria. Eu senti tantas saudades de ouvir você me chamando assim. — Alisei seu cabelo, apreciando o novo comprimento. Beijos foram distribuídos por minha mandíbula até que ele alcançou a boca — Deus, eu nunca mais quero você longe de mim! — E dito isso, virou-me e me jogou na cama, cobrindo meu corpo com seu. Eu não reclamei, não mesmo.
Na verdade foi eu quem começou a parte boa. Estava avida demais por ele para pensar em vergonha, portanto puxei sua camiseta regata para cima e o beijei, pensando em como eu nunca tinha tentado explorar o corpo desse homem quando tive a chance. Liam pareceu se impressionar com meu ato, pois estava dividido entre sentir meu toque e me olhar surpreendido.
— Caralho! Como isso é possível?! — Me indignei o olhando e alisando-o. Ele ergueu uma sobrancelha em confusão — Você está mais gostoso que antes — falei, olhando seu amplo peito. Liam arregalou os olhos, e em seguida gargalhou, me puxando para cima dele.
Em seguida mirou meu minhas pernas, apalpando com uma escuridão cheia de paixão nos olhos.
— Você não fica atrás doçura... Vejo mais curvas aqui — Ele passou as por meu quadril, depois tirou minha mochila das costas e desceu minha jaqueta para baixo, jogando-a longe — E mais volume aqui — Corei quando suas mãos apertaram minha bunda.
Apertei os olhos para ele.
— Está mais descarado também — Apontei, ele sorriu maliciosamente, subindo a barra do meu vestido.
— Não. Estou é excitado — E então ele me teve de calcinha e sutiã em cima dele, enquanto me beijava. Eu adorei. Adorei mesmo. — Seu cheiro... Sonhei tanto em tê-lo de volta — Ele afundou em meu pescoço, aspirando profundamente. Estremeci, sentindo uma pressão crescer contra meu sexo. Fique ofegante. — Você é meu grande presente de aniversário — Grogue, o olhei pasma.
— Hoje é seu aniversário?! —Ele sorriu, assentindo e voltando a me beijar. Praguejei— Eu não comprei nada para você. Não sabia que era seu aniversário, porra! — Ele riu, me apertando contra si e disse.
— Eu vi seu artigo e ele foi meu presente também— Estreitei os olhos, ficando tensa.
Liam tocou meu rosto com os lábios.
— Fiquei louco quando percebi que não podia dizer que te amava também. Tentei me contentar em somente esperar sua chegada — Me beijou lentamente, deixando aquele gostinho de quero mais na ponta da língua. Não permiti seu afastamento e aprofundei mais um beijo, terminando-o com uma mordida em seu lábio inferior. — Em segundos eu pensei em você chegando, depois eu pensei no que faria com você em segundos assim que tivesse minhas mãos sobre seu corpo. Tem ideia no que pensei quando percebi que poderia fazer tudo agora? — Estiquei um sorriso, me senti mais quente ao abraçar seu pescoço.
— E o que você vai fazer comigo agora? — Sua expressão tornou-se tão séria e sexy, que quase podia ver suor descendo minha testa. Com certeza escorria algo parecido para minha calcinha, e eu não via hora de tirá-la.
— Eu quero tocar cada parte sua — Ele sussurrou a voz sexy embargada com tensão ao arrastar o nariz por meu ombro. — Posso fazer o que quiser com você, e isso parece tão real. Tenho medo que seja sonho e que eu acorde... Deus! É como se meu corpo precisasse demais estar ao seu lado — Revirei os olhos, sentindo meu coração bombear em uma rapidez irreal. Senti sua língua percorrer meu pescoço e agarrei sua nuca, inclinando-me para trás — Tenho medo de falar que te amo e tudo acabar... Era assim que tudo terminava em meus sonhos.
—Bem. Isso é real e estou aqui, tocando você para provar isso — falei, emocionada com suas palavras e o olhando profundamente nos olhos — Então agora você pode falar — disse, respirando rápido.
Ele sorriu o mais radiante possível.
— Sim eu posso — Ele se aproximou, alisando minha pele, respirando nela até chegar ao ouvido — Amo você. Amo você minha Jodie. — As lágrimas voltaram, e eu o abracei, apreciando seu aroma másculo e os músculos duros. Suspirei totalmente em casa.
— Eu amo você também novato. — Liam foi teve sua última gota de paciência gasta, atacou com fúria, queimando ante a paixão de ambos. Ele me deitou enquanto eu fazia o possível para me livrar das botas. Ele desceu meu corpo, lambendo, chupando e beijando, uma adoração que esquentou não só meu coração, mas meu corpo inteiro.
~*~
(Pov’Liam)
Estava perdendo a cabeça. Estava na porra do abismo prestes a cair, mas não me importava coisa nenhuma. Queria me jogar. Se era para tocar Jodie por inteira, se era para estar daquela forma com minha marrentinha, eu atiraria na pessoa que ousasse me salvar de saltar do abismo.
Desci pelo corpo dela, notando as diferenças e novas cicatrizes por toda parte, não dei atenção a elas, por mais que meu peito se apertasse com medo de saber como havia as conseguido. No entanto, não pode ficar indiferente quando cheguei a seu quadril. Arquejei alto e horrorizado.
— Meu doce... — Jodie ergueu a cabeça, olhando-me tocar a grande queimadura em seu quadril. Ela olhava-me suavemente, e fiquei surpreendido mais uma vez por sua mudança em olhar.
—Está tudo bem— murmurou — Você não foi o único a conseguir uma recordação daquele dia — Ela tocou meu rosto, e fiquei com medo que se incomodasse com as cicatrizes em meu rosto, mas ela não demonstrou nojo e muito menos incomodo. Na verdade ela parecia curiosa.
— É menos aparente do que pensava — falou. Beijei seus dedos com ternura.
— Fiz uma cirurgia. Meu rosto estava mesmo em uma situação bem feia — Franzi o cenho e olhei sua queimadura, alisando-a devagar — Você não tentou uma, não é?
— Não achei que fosse preciso — disse, brincando com as mexa de meu cabelo — Achei que se você aguentava uma cicatriz no rosto, eu poderia muito bem aguentar uma queimadura no quadril.
Aquela sensação de estar me apaixonando de novo voltou, e eu a quis naquele mesmo instante. No entanto hesitei, para então beijar a queimadura levemente, mostrando que eu não me importava com ela, e que eu ainda a desejava apesar de tudo. Ela suspirou, parecendo aliviada, e incrivelmente me puxou para cima, tomando minha boca. Eu estava maravilhado com essa nova Jodie, tão segura de si e ousada.
Sorri entre aquele beijo, livrando-me da calça e boxer rapidamente, eu queria arranjar mais um tempo para prova-la, aproveitá-la, mas a tensão sexual se apossava de meu corpo e eu não conseguia manter o controle. Eu precisava estar dentro dela. Agora!
Ficando por cima, de algum modo consegui lhe arrancar a calcinha e me livrar do maldito sutiã, fiquei tonto com sua visão, salivando. Circulando e de seus seios com a boca, impulsionei-me dentro dela com força.
— Foda-se! — Jodie gemeu. Eu ri, movimentando-me.
— Estou trabalhando nisso doçura.
Afundei-me mais, quase perdendo o juízo ao ser apertado pelos músculos vaginais. A sensação de Jodie me circulando era a melhor coisa do mundo. Pressionei abaixo até que sabia que tinha a tomado completamente, estava confortavelmente instalado a sua conexão completa. Movi-me para cima e para baixo para me ajustar, a tomando lento no início e foi uma tortura. O desejo de meu corpo para gozar me exortou a montá-la mais rápido.
— Porra... Jodie... — grunhiu, na ponta do prazer. Mas algo fez com que minha garota se sacudisse e quando a olhei, ela tinha uma expressão irritada. — O que? — perguntei.
— Será que você esqueceu meu nome? — Sorri para sua pergunta, e quase cedi ao momento para gargalhar sobre cama. No entanto estava em uma situação um tanto precária.
— Eu sabia que gostava de me ouvir falar seu nome — provoquei. Ela apertou os olhos do jeito que somente ela podia fazer, pronta para brigar, mas não permitira, estava na hora da coisa ficar séria. — Vamos acabar com isso minha Elizabeth.
Ela ronronou, fazendo sons eróticos que fizeram essa paixão crescer. Minha mão desceu, agarrando sua perna e o polegar deslizou entre suas coxas abertas. Rocei seu clitóris, desenhando círculos com pressão suficiente para fazer os músculos vaginais apertarem em torno de minha grossura. Jodie gemeu mais alto.
— Liam...
— Elizabeth...
Ambos nos perdemos, nos movemos com rapidez, com descontrole. Levando toque a lugares que antes foram privados de atenção. Não poupamos disposição, apenas nos envolvemos e nos amamos depois de dias, meses, noites sem o carinho um do outro. Entendi naquele instante, que apesar da espera ter sido longa, tudo valerá a pena. Tinha Elizabeth de volta, e ela estava em baixo de meu corpo, gemendo e chamando meu nome. Não podia me encontra mais feliz do que naquele instante.
~*~
(Pov’s Jodie)
Sufoquei um gemido quando Liam depositou um beijo leve abaixo de minha orelha, os lábios dele eram suaves e a língua quente passava por toda minha pele. Um arrepio desceu pela espinha quando os dentes pressionaram contra a garganta; ele não mordeu, mas ao invés disso, usou-as para trilhar um caminho mais baixo para a curva do meu pescoço.
Seu quadril comprimiu-se contra os meus com mais pressa, usou a língua e os dentes para explorar a minha garganta e os ombros. Foi maravilhoso e o meu corpo respondia quando ele arqueava me preenchia completamente. Liam era febrilmente quente, eu poderia estar fria, mas ele a aqueceria. Entendi naquele instante, que nunca, jamais, sairia de dentro daqueles enormes e musculosos braços.
Horas mais tarde, eu me encontrava deitada em cima de um grande homem nu e muito gostoso, e tentando recuperar o ar que ele tinha expulsado de meus pulmões. Quando consegui um botão de desligar, um riso borbulhou para fora da minha garganta, enquanto me jogava ao lado de Liam.
— Por que está rindo? — Ele perguntou, sorrindo tentadoramente. Eu ri mais.
— Eu não faço ideia... Mas algo nisso é muito engraçado. Como fato de eu ter te escorraçado no colégio e agora estar exausta na sua cama — Ele sorriu, puxando-me para perto dele.
— Te disse que cederia a mim. Você que não acreditou — sorri de lado.
— Metido e modesto. Tão idiota — Ele gargalhou. — Mas talvez tenha razão. Quem não cairia de amores por um corpinho sexy como o seu? — Ele riu mais, arrastando-se sobre mim como uma cobra.
— Se continuar a falar assim, não sairá mais da minha cama. — Abracei seu pescoço, afundando os dedos em seu cabelo.
— Eu acho que eu gostaria disso. Com tanto que esteja comigo e sem nenhuma roupa — Ele se espichou, roubando-me um beijo lento.
— Minha marrenta atentada — riu ele e continuou me beijando. Pelo menos até eu ficar sem ar. — Agora, por que não temos “A conversa”?
Gemi em frustração.
— Por que estragar esse clima novato? Poxa, você está nu em cima de mim e quer ter “A conversa”? Depois não gosta que eu te bata — Ele pareceu se divertir comigo, pois sorria radiante.
— Eu quero saber o que aconteceu com você enquanto estava longe de mim. — Ele afastou uma mexa de meu cabelo, me olhando com carinho — Por favor, doçura. — Eu suspirei, vendo que eu realmente não escaparia, então o empurrei de leve e me sentei na cama, puxando o lençol para cobrir minha nudez.
— Okay. Mas é muitas coisa, então vamos do começo. — Ele assentiu, e então eu comecei contar a mesma história que contei a Carter e Linnea, ampliando em detalhes quando Liam exigia. Quando chegou a parte dos pesadelos, não quis olhá-lo nos olhos, sentia-me envergonhada por ter me submetido ao terror daquela forma e optado por me matar, não conseguia me sentir bem enquanto falava que segurava uma lamina contra o pescoço.
— Ah, Jodie — Ele me embalou, lamentando meu sofrimento, abrançado-me tão forte que pude esquecer um pouco da vergonha; — Queria tanto ter estado ao seu lado.
— Não foi sua culpa não ter estado — Nós dois sabíamos disso, tanto que ele nem mesmo retrucou. — Como estava dizendo. Eu encontrei a carta da minha mãe na última hora, ela me salvou. Na carta ela pedia para eu ser forte, dizia que compreendia que minha vida com Edgar gerou traumas, pois foi o mesmo que aconteceu com ela... Pediu-me para seguir em frente, pois ela me amava e acreditava que eu conseguiria dar a volta por cima. Aquela confiança me fez abri os olhos sabe — Alisei seu braço, olhando para um ponto especifico na porta do quarto — Percebi como eu estava me afundando na tristeza e que não estava conseguindo cumprir a promessa que eu fiz para você. Eu não queria aquilo, juro que não, mas a solidão era tão forte — Me prensei mais contra seu peito, querendo sentir seu calor.
A mão de Liam foi para meu rosto, sua expressão um pouco triste.
— Como conseguiu passar por isso meu anjo?
— Com a ajuda de Caroline e Daniel. — O corpo do novato se enrijeceu, a mão em meu rosto caiu e ele tinha uma carranca na cara.
— Quem é esse Daniel? — Ergui uma sobrancelha, divertida quando seus olhos brilharam com ciúmes.
— Meu psicólogo. Clarice me passou seu nome para que eu pudesse conhecê-lo. — Liam estreitou o olhar.
— Por que um homem? Não gosto de saber que andou conversando sobre coisas pessoais com um homem. — Foi impossível não sorrir para isso.
— Não seja bobo novato. Ele é meu psicólogo. — Ele ainda não parecia confortável.
— Hmm. — ri, e balançando a cabeça, continue:
— Daniel me ajudou em muitas coisas e...
— Estão se tratando pelo primeiro nome? Essa intimidade é permitida entre os pacientes? — Não aguentei, gargalhei escandalosamente em seu braço.
— Liam, por favor...
— Isso não é engraçado! — Ele estava emburrado. Segurei seu rosto com as mãos totalmente feliz.
— Você está com ciúmes! — Liam me olhou, as orelhas e bochechas corando levemente, mas depois ele sorriu, me levantando de encontro com sua boca.
— É claro que estou. Você é minha. De mais ninguém.
— Possessivo.
— Provocadora.
— Gostoso — Ele rosnou com o olhar carregado de paixão e me beijou.
— Agora será que posso continuar? — Ele assentiu, mas ainda não tinha esquecido Daniel.
Voltei a falar, explicando como depois eu sofri várias recaídas e como depois Caroline quase furou meu cartão de créditos. Liam insistira em conhecê-la para agradecer por me ajudar, tanto que me fez prometer chamá-la para passar um tempo aqui. Eu concordei, e recomecei o relato, tornando-o animado ao falar do artigo. Ele sorria orgulhosamente para mim.
— Você é tão cheias de surpresas, doçura.
— E espero que você se acostume, pois elas não param por aqui. — Ele me olhou com curiosidade e eu sorri, animada por contar para ele. Me remexi em seu enlaço, e quando ele me liberou, eu pulei da cama e corri até minha mochila no chão. Liam me olhava com atenção, mais focado ao fato que eu não vestia coisa alguma.
Quando me abaixei, ele fez um ruído que mais pareceu um gemido.
— Faça isso de novo, e vou esquecer completamente dessa surpresa. — Me ergui com a mochila e olhei por cima do ombro, virei os olhos com sua expressão faminta.
— Acho que vai querer saber dela — falei, e retirei um envelope de dentro. Caminhei de volta para a cama e me ajoelhei a sua frente, olhando no fundo de seus olhos. — Quando você estava no hospital, eu fiz a promessa de que quando eu voltasse, eu nunca mais o deixaria. Que ficaria a seu lado para sempre. E essa é a prova de que vou conseguir cumprir a promessa. Basta olhar e entendera.
Entreguei-lhe o envelope, assistindo a confusão em seu rosto enquanto abria. Ele leu o conteúdo em silêncio, e então seu rosto se iluminou, ele olhou para cima e tinha os olhos arregalados com esperança.
— Está mudando de universidade? — Assenti, colocando uma mexa do cabelo atrás da orelha ao olhá-lo.
— Consegui uma vaga aqui e Linnea me garantiu um teto de novo. E, além disso, o artigo que publiquei no jornal redeu falatórios, fazendo meu nome ser comentado entre jornalista de boa índole... Fui chamada para quatro propostas, mas só uma me interessou. — Liam estreitou os olhos, como se esperando uma bomba.
— Onde?
— Em um jornal aqui em Princeton. Serei aprendiz por três anos até me adaptar — Liam transbordava de alegria, e achei até que lágrimas queriam escorrer de seus olhos.
— Não vai mais embora? Vai ficar aqui comigo? — Ele deixou o envelope de lado e veio para mim, atravessando a curta distancia na cama. Sorri também, pega por um pouco de emoção.
— Sim. Terá que me aguentar lhe infernizando para o resto de sua vida novato. Será que você aguenta? — Ele respondeu da forma mais doce. Me agarrou com os braços e me sentou sobre seu colo, beijando-me desesperadamente e me tirando o raciocino.
— Ah Jodie, eu te amo. Te amo, te amo — Eu ri, retribuindo o carinho com beijos, me submetendo as suas mãos que me acarinhavam de cima para baixo. — Você faz meu mundo melhor Jodie. E eu também tenho uma surpresa para você — Dessa vez eu que arregalei os olhos sem saber o que falar, ele sorriu e se levantou, eu admirei meu homem andando pelo quarto até chegar a uma porta, seu closet.
Minha boca caiu quando de lá, ele tirou um cinturão de ouro e caminhou para mim. Estendeu uma mão, e quando eu levantei, ele o passou para mim, me deixando sem falas.
— Liam, o que...
— Eu o ganhei para você hoje — revelou, me deixando petrificada — Assim como muitos outros. Tinha esperança de um dia, quando você voltasse, eu pudesse mostrar que eu não estava parado deixando minha vida correr. Queria que se orgulhasse de mim como estou agora de você — Alisou minha bochecha, a ternura em seu toque e no seu gesto me trouxe lágrimas — Estão na academia, que em breve vai ser reaberta. Eles vão ficar lá para todos verem, e quando perguntarem, eu direi que todos eles... São seus. Pois o meu único troféu é você.
— Oh Deus... — Funguei, horrorizada que eu tivesse mesmo soluçando. Coloquei a mão sobre a boca.
Sorri, colocando o cinturão de lado e engolindo as lágrimas.
— Eu sabia que você seria minha perdição — murmurei. Ele riu, e eu não esperei mais para chegar mais perto dele, agarrei seu pescoço e sorri maliciosamente — Agora, antes de voltarmos a desarrumar aquela cama, preciso que me faça um favor.
— O que quiser doçura. — Contornei seu peito com dedo, rindo um pouco.
— Bem, é que eu vou trabalhar como aprendiz, e nesse caso... Precisarei da sua ajuda com umas lições extras. — Ele franziu a testa.
— Que lições? — pisquei.
— Eu cobrirei a área de luta livre na MMA — E pela sei lá que vez, eu deixei o novato pasmo, com a boca escancarada de perplexidade.
— Está falando sério?
— Muito serio — garanti. Ele praguejou.
— Porra. Você definitivamente é minha alma gêmea — murmurou, e eu ri, gostando quando ele nos derrubou de volta a cama, me deixando por cima.
— Teremos uma longa jornada pela frente novato. Acredite nisso.
— Acha que não sei? E sabe, tenho uma ideia de qual vai ser nosso primeiro desafio nessa incrível jornada — Ele riu, e eu ergui uma sobrancelha.
— E qual seria? — Ele me olhou com a mais pura diversão.
— Enfrentar todos lá em baixo, que obviamente escutaram a maior parte do nosso “Reencontro” — Congelei, olhando-o embasbacada e caindo na real. Ele tinha razão. Nós não fomos muito silenciosos aqui.
Apertei os lábios, vacilando em um riso.
— Uma missão terrivelmente perigosa... E acho que você deve andar afastado do meu avô a partir de hoje — Liam gargalhou mais, se elevou até capturar meus lábios.
— Eu estou totalmente morto.
— Sim. E já que estará morto quando descer, que tal providenciarmos uma breve despedida? — Beijei seu ombro, descendo sobre o peito. Liam suspirou, segurando meu quadril.
— Eu acho uma ótima ideia, minha Elizabeth. — Eu sorri, e absolutamente envolvente com meu garoto, voltei a beijá-lo, esquecendo que em breve teríamos que cuidar de um desastre ao descer. Afastei qualquer pensamento ruim e me dediquei somente a aquele homem, que com tanto amor e compreensão entrou no meu coração daquela forma tão intrusa. Eu o abracei e me movi contra ele, gemi seu nome, absorta por finalmente conseguir poder fazer isso sem nenhum ressentimento.
Eu estava bem, na verdade estava ótima, e queria estar daquela forma sempre, batendo o pé, sendo arrogante, petulante e ousada. Permaneceria no claro, olhando para meu novo eu, que depois tudo, finalmente se achará. A sensação era boa, e bem lá no fundo, percebi que acreditar em mim mesma, não era nada difícil, pelo contrário, era coisa mais fácil e espetacular de todas.
“Em meio à solidão, acredite em si mesmo, pode ser sua única saída”
—Tessa Herondale (Joice F.)
FIM.
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