Believe In Me
7 Capitulo 7 — Helen
Notas iniciais
— Cara, você é muito louca — disse Liam rindo enquanto eu pegava meus livros na prateleira. A biblioteca estava vazia e quieta — Você não tem medo mesmo daqueles idiotas, não é?
Fiz careta e me sentei na cadeira em frente à ele.
— Por que eu teria medo deles? São uns bebês.
— Mas são maiores que você. E se eles quiserem te pegar? — ri abrindo o livro.
— Eles vão se foder legal, só isso — falei e me mexi na cadeira incomodada com os machucados na cintura.
— Você é bem confiante para uma garota — levantei a sobrancelha para ele.
— Isso foi machista. E você tem motivos de sobra para saber que para uma “garota,” eu estou no topo da daquelas que não são confiantes — Ele suspirou e puxou uma mão minha para perto.
Franzi a testa quando ele começou a subir a mão até a gola da minha jaqueta. Só fui sacar o que ele queria ver quando seus olhos se arregalaram para a mancha roxa no meu ombro.
Bati na mão dele e subi a gola para cima.
— Jodie, eu não entendo como deixa isso acontecer— disse com raiva e passando mão pelo o rosto — Você disse que estava bem.
— Na verdade, eu disse que não tinha me machucado muito — corrigi.
— Não, você disse as duas coisas só para se livrar de mim — acusou.
— Liam por favor...
— Por favor, digo eu Jodie — esbravejou tomando cuidado para não gritar — Seu pai precisa ser preso por isso.
Deixei o livro cair na mesa e soltei o ar irritada.
— Acha que não quero isso? Edgar me tem para tudo que quer desde que nasci — falei e isso fez ele fechar a boca e perder a cor do rosto.
— Para tudo? — Ele engoliu em seco — Ele já… Tocou em você de outra forma Jodie? Além de bater? — franzi a testa tentando entender o que ele queria dizer.
E então eu saquei o que ele estava pensado e sorri pela preocupação.
— Não. Isso está fora de cogitação — Ele relaxou — Pelo menos ainda — Ele me olhou tristemente e eu suspirei odiando isso.
Não devia está me importando com o que ele pensava, era inútil e eu não era assim.
— Liam, escute — Me ajeitei, colocando os braços na mesa e o encarando — Obrigada por ser tão bom comigo, por tentar ser meu amigo, mas eu não tenho como fugir disso.
— Sim, você tem — disse apertando minhas mãos — Mas você não tenta.
— Para que tentar se é em vão? Isso só ia me fazer ficar pior — Ele balançou a cabeça em negação.
Sua face era uma mistura de esperança e aflição. Era como se ele vivesse para me salvar mais que tudo.
— Deixa eu te ajudar — pediu — Eu falo com meus pais, eles são advogados há anos. Vão saber como lidar com isso.
— Você não entende? Isso não tem haver comigo e sim com a minha irmã — Meus lábios tremeram — Ele pode ir atrás dela por isso. Eu não quero arriscar.
— E onde está a sua irmã? — Abaixei a cabeça.
— Está segura — falei — É o que importa.
— Eu entendo que queira proteger sua irmã, eu faria o mesmo pela minha — sorri e voltei a olhá-lo.
— Tem irmã? — sorriu.
— Sim. Também tenho um irmão mais velho, como sabe.
— Quantos anos?
— Micthie tem 12 anos e Michael tem 20. Não mora conosco, tem seu próprio apartamento por causa da faculdade.
Sorri e suspirei.
— Minha irmã também tem 12 anos — falei com pensar.
— Que interessante — Uma de suas sobrancelhas se ergueu e lábios tencionaram. Olhei para ele curiosa.
— O que?
— Eu vi o nome da sua irmã no seu braço… É Michelle, não é? — confirmei — Então é que o…
— Com licença — O Novato foi interrompido de falar por uma voz feminina extremamente irritante, viramos o rosto para o lado e encontramos uma garota alta, ruiva com olhos escuros.
Sabe aquelas meninas que serve para ser modelo de capa de revista?
É isso que quero dizer.
— Helen? — arquei a sobrancelha quando Liam falou o nome e a menina sorriu — O que faz aqui? — Ele perguntou indo até ela e depois a abraçando como se fossem melhores amigos.
Virei os olhos para essa cena e voltei para meu livro.
— Ah, eu vou estudar aqui agora — Ouvi a garota falar.
— Oh. Seja bem-vinda então. Devia ir conhecer o colégio, eu mesmo não me acostumei com esse labirinto — Liam falou.
— Tem toda razão — disse a tal de Helen, e pelo canto do olho a vi acariciar o rosto de Liam — Vai ser legal voltar a estudar com você Li — Estremeci morrendo de vontade de vomitar.
— Com certeza Helen — A voz do garoto tinha mudado uma polegada mais acima, e mesmo que não os olhasse, sabia que tentava sorria forçadamente para ela —Você já conhece alguém daqui?
— Apenas você… E espero que me faça companhia, não gostaria de ficar sozinha — Pelo amor de Cristo. Eu não podia aguentar isso.
Não querendo ouvir mais esse papo chato, juntei os livros que tinha pegado e os coloquei de volta na prateleira. O novato nem percebeu que eu estava me afastando, o que não me impressionou.
Bufando segui para fora da biblioteca. Não tendo outra opção, fui para a aula de ciência, a única aula que Liam não participava comigo hoje, como se realmente me importasse.
A aula como sempre foi chata, mas notava alguns garotos do time me olhando com sorrisinhos arteiros.
Se eles soubessem mesmo o que é fazer arte, eles me deixavam em paz, pode apostar.
Com os fones nos ouvidos no último volume. Foi como passei pela as duas ultimas aulas e o intervalo — já que o novato não apareceu para encher meu saco hoje, com certeza por estar com a tal de Helen — Fiquei brizando o tempo todo, mas tive mesmo foi uma surpresa na hora da saída, pois assim que coloquei do pé fora do colégio, fui bombardeada por abraços e gritos.
— MAS QUE PORRA É ESSA? — Berrei no meio daquela cambada, e só quando eles se afastaram que eu reconheci os rostos de Jack e Jonah, e no lado esquerdo estava Jimmy, Eloise e Harlow.
— O que fazem aqui? — perguntei e eles sorriram.
— Estávamos preocupados com você e resolvemos fazer uma visita — Explicou Harlow.
Eu estava feliz por eles terem feito isso, mas é óbvio que nunca confessaria isso. Meu orgulho era muito grande.
— E precisavam me atacar assim? Eu estou meio dolorida— Certo, foi burrice falar esse finalzinho da frase, notei isso quando todos me olharam preocupados de cima baixos.
Eloise foi a primeira a começar com a revisão em mim.
— Ah meu Deus, aquele mostro te machucou? — perguntou virando o meu rosto em busca de hematomas, o que ela achou rapidinho, pois seus olhos se apertaram —- Infeliz. — murmurou.
Jimmy olhou meu pescoço e assim como os outros, xingou horrores.
A expressão de nenhum me aninou muito.
— Filho da puta — Jonah xingou passando a mão pelo seu cabelo azulado. — Você não devia permitir isso Jodie.
— Pensa que não tentei convencê-la? — A voz de Liam veio de trás de mim grossa e raivosa.
Olhei para ele com a sobrancelha erguida.
— Acabou de paquerar garanhão? — Ele repetiu o gesto para mim e ergueu a sobrancelha, mas acompanhado de um sorriso torto.
— Eu não estava paquerando ninguém — Se defendeu.
— Opa, explica essa historia direito Li. — Harlow interferiu na conversa — Quem é a felizada?
Liam virou os olhos
— Não tem felizada nenhuma. É só a Helen que mudou para esse colégio — Os amigos dele ficaram todos quietos apenas o encarando com a cara de que dizia.
“Se ferrou”
— A Helen aqui? No mesmo colégio que você? — perguntou Jack meio rindo e Liam assentiu — Se fodeu cara — Eu sabia!
— Não é para tanto vai, Helen ela é...
— Sua ex-namorada grudenta e que ainda é caidinha por você desde que você deu um fora nela no meio de todo mundo no aniversário de 19 anos da irmã dela — Minha boca se abriu com as palavras de Eloise, olhei para Liam e ele olhou para mim.
Seus olhos eram fendas em completo desconforto, e acho que eu era a causa disso. Desviando os olhos dos dele, desci um degrau da escada e olhei para os outros.
— Bom, eu vou indo, não quero dar motivo para Edgar se zangar — Olhei cada um lentamente e sorri — Obrigada por se preocuparem, agradeço de verdade, nunca soube como era ter amigos. — Suspirei — Pelo menos agora eu sei — Eles sorriram e vieram para perto de mim.
— Que bom ouvir isso gatinha — Jonah falou e depois para minha surpresa, me abraçou, com mais delicadeza do que da última vez — Pode contar comigo se precisar de ajuda.
Assenti meio estranha. Era uma cosia nova essa de abraço.
— Jonah está certo, conte com agente pra tudo — Disse Eloise me abraçando também.
Todos os outros fizeram o mesmo, mas quando sobrou Liam, todos ficaram em silêncio. Franzi a testa para ele, pois eu via seu rosto contorcido e rijo, um sinal que eu distinguia rapidamente.
Ele estava com raiva. E muita.
Esperei que ele se aproximasse, esse estava com os braços cruzados e sem falar nada, mas quando estávamos pertos o suficiente, nós nos encaramos por um momento e então depois ele me puxou pelo braço. Não pude deixar de sorri para o modo que ele me encaixava de baixo de seu queixo e acariciava minha cabeça, fiquei dentro de seus braços por um tempo aproveitando a temperatura do seu corpo.
Enquanto eu aproveitava ele falou:
— Estou com medo de te deixar ir — fiquei surpresa pela confissão, mas me mantive forte.
— Não precisa se preocupar comigo, eu sei me cuidar — O peito dele subiu e desceu em um puxar e soltar de ar forte.
—Não sei se devo acreditar. E se amanhã você me aparecer com mais um hematomas ou coisa pior? — Ele apertou-me de forma confortante — Isso é tão difícil.
Me afastei dele e o olhei com um sorriso quase transparente.
— A vida é difícil — dei passos para trás — Pelo menos para mim — falei e me virei para ir embora.
Por que será que os finais das nossas conversas sempre tem que acabar comigo indo para longe dele?
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