Believe In Me

46 Capitulo 46 — Dia seguinte


Notas iniciais
E estamos indo para o fim meu povo! Falta poucos cap, portanto comentem ao máximo okay. Reta final é importante, e espero que gostem. Boa leitura hoje gente. :)

Abri meus olhos diretamente para uma luz ofuscante. Eu estava em um quarto que não me era familiar, um quarto branco. A parede perto de mim estava coberta por longas venezianas verticais, acima da minha cabeça, as luzes me cegavam. Estava apoiada em uma dura e alta cama, uma cama com grades. O travesseiro era liso e macio. Havia um irritante som de bip vindo de algum lugar. Havia alguma coisa amarrada e cruzando meu rosto, embaixo do meu nariz. Eu levantei minha mão para tirar aquilo.

— Não, não faça isso. — E dedos frios alcançaram minha mão.

— Linnea? — Virei à cabeça, sentindo-me enjoada e estranhamente mole.

Linnea sorriu, abaixando-se ao meu lado com os olhos cheios de lágrimas. Seu rosto com trilhas secas e o cabelo preso no topo da cabeça.

— Oh Jodie, tive tanto medo — Ela tocou meu minha testa e a beijou, acariciando meu cabelo quando eu nem sabia o que estava acontecendo.

— Onde estou?

— No hospital querida. Está a salvo — franzi a testa buscando em minha mente alguma lembrança, mas estava tudo tão confuso. — Tente descansar meu amor.

— O que aconteceu, eu... Não me lembro — Linnea suspirou sem se afastar nem sequer um metro.

— Podemos pensar nisso depois. Agora você precisa descansar. — Balancei a cabeça, angustiada.

— Conte-me — Exigi, sentindo uma agonia estranha no peito. Olhei novamente em volta do quarto, querendo recordar.

Era como procurar uma agulha no palheiro, era angustiante. Eu sentia-me cansada, meu coração estava apertado, mas eu não sabia, não lembrava o porquê.

— Linnea, o que está acontecendo? — O fluxo de meu sangue pareceu esfriar quando ela suspirou, e sem perceber, deixou uma lágrima escapar.

— Não se lembra de Edgar querida? — franzi o cenho, e então estremeci.

Minha pulsação aumentou, a quentura foi além dos limites, como se meu coração estivesse derretendo.

— Oh, Liam! — Doeu. Doeu demais relembrar de tudo, mas tudo veio a minha mente com apenas um nome. Edgar. — Oh. Deus. Oh Deus! Onde está Michelle? Liam, para o levaram ele? Linnea, me diga onde eles estão, me diga...

— Shh. Se acalme meu anjo — Linnea segurou meu rosto, tentando me manter imóvel — Eles tão bem. Eu juro.

— Eu quero vê-los. Deixe-me vê-los.

— Posso chamar Mitchie aqui, mas não poderá ver Liam nesse momento — Acariciou meu cabelo — Tente ficar clama. — Pânico subiu minha cabeça.

— Por que eu não posso ver o Liam? — Ela hesitou, e eu não estava com paciência para esperar — Por que?! — gritei. Linnea arregalou os olhos, mas não cessou o aperto em meus pulsos quando tentei levantar. Lágrimas quentes depressa encheram meus olhos.

— Ele está vivo? Onde está ele? — A porta do quarto se abriu de repente e Carter passou com uma expressão preocupada.

— O que é isso? — Mirou a mulher e depois a mim, confuso. Tentei me soltar mais uma vez. — Jodie, fique quieta. Não devia estar se esforçando.

— Liam está vivo? — As unhas cavaram no lençol onde tinha meus braços. — Ele está muito machucado? — Recusei-me a acreditar em que ele estava morto. O destino não poderia ser tão cruel. — Onde está ele?

Ele estudou seus olhos suavemente e então suspirou, aproximando-se e tocando em Linnea, pediu com os olhos que me libertasse. Assim ela o fez.

— Ele está vivo, mas dormindo. Estava perto demais na hora em que aconteceu a explosão. Liam usou seu corpo para aterrissar, mas seu rosto foi pego pelo fogo quando caiu há quatro pés longe da caixa de força. E algo grande deve ter caído por cima dele, pois seu ombro foi deslocado para frente e madeira perfurou seu estômago... Ele foi operado assim que chegou ao hospital dois dias atrás, mas os médicos dizem que terá sequelas. — Cada palavra que ele falou foi como um punhal no meu coração. Lágrimas deslizaram por minhas bochechas.

— Leve-me para ele. — Carter franziu a testa.

— Você não pode. Esteve dormindo desde...

— Eu quero ir. — O desejo de ficar ao lado de Liam foi quase insuportável. Eu só tinha que vê-lo para ter certeza que estava realmente vivo. Estava caindo aos pedaços. — Eu preciso chegar até ele.

— Em breve minha querida. — Linnea sorriu amável — Não se preocupe, Amara e seu filho mais velho está ao seu lado — Pisquei, deixando a cabeça cair para trás.

— Como está Amara e Ethan? Eles estavam desmaiados quando... — Engoli em seco, lembrando-me de tudo que aconteceu na noite passada — Como eles estão?

— Amara está bem, mas Ethan — Linnea pegou fôlego — Ele está internado. Não sabemos quando terá alta — Fechei os olhos, sentindo o tamanho da dor que Liam sentiria ao saber de seu pai. Oh Deus.

— Michelle?

— Ela acabou de sair daqui para ir ao quarto de Liam. — Informou Carter — Ela não se machucou muito, portanto sempre vem ao seu quarto.

— A pobrezinha fica pulando de um quarto para o outro o dia todo. — Linnea fugou sentimental. — Dorme com você, passa a manhã com Ethan, e o resto do dia com Liam. Amara e Mick também tem vindo vê-la. Estamos preocupados com vocês. — Respirei fundo, e cansada, esfreguei a testa.

— Liam já acordou alguma vez?

— Não. Mas os médicos dizem que é por causa do medicamento, ele provavelmente acordará amanhã.

— Então se passaram dois dias — murmurei. O fogo desceu minha garganta quando a pergunta que temia veio em mente — Onde está Edgar? — Silêncio. Os olhei com firmeza.

Carter acabou por ceder.

— Quando Michelle o empurrou para os trilhos, ele foi eletrocutado. Antes mesmo de cair na água, era impossível dizer que sobreviria — suspirou, e pegou minha mão, juntando-a dentro das suas — Edgar morreu Jodie.

— Oh, Deus. — Meu coração quase parou, e durante anos, pela primeira vez em minha vida, eu olhei a situação com medo. Era real? Edgar morto? Isso quer dizer que eu estava finalmente livre dele, livre das surras, livre dos maus tratos e dos xingamentos. Estava livre para sempre.

Esse fato era tão chocante para mim, que não conseguir conter o maldito alívio em meu peito, por mais que Edgar tenha morrido, por mais que esse fosse meu pai, eu não conseguia de jeito nenhum, sentir algum remorso. Olhei para duas pessoas em minha frente, e encarei seus olhos tristes, entendendo que por mais que eu tivesse odiado Edgar e nunca tido motivo para não o fazer, eles ainda sentia a perda de meu pai por minha causa.

— Jodie.

Eu olhei para cima. Carter me encarava com carinho.

— Eu e Linnea tomamos a liberdade de falar com seu avô sobre o ocorrido — Pisquei para ele, agora aflita — Não há necessidade para se agitar, Joshua está bem, abalado, mas bem. Está ansioso para ver você e Michelle.

— Alguém falou algo sobre o fato de Michelle ter feito isso? — questionei já me preparando para enfrentar qualquer um que se metesse com minha irmã, mas Carter negou.

— Não existe maneira de Mitchie sair mal na historia. Foi em legitima defesa, e sem falar que ela é menor de idade. Amara está cuidando de tudo em relação à burocracia, e Josh, bem, ele decidiu que deseja cremar o corpo de Edgar, se você estiver de acordo — Virei o rosto, concentrando-me na única janela que existia no quarto.

— Faça o que ele pediu. Não me importo. — A tristeza nos olhos dos dois foi tão ruim quanto à dor dos acontecimentos, por isso, tentei mudar de assunto — Quando vou poder sair daqui?

— Provavelmente recebera alta hoje à noite, depois de uma verificação do doutor — Linnea explicou. Ergui uma sobrancelha.

— Verificação?

— Você também sofreu ferimentos no momento da explosão — Ela apontou com aflição — Seu quadril foi o único a ser mais afetado pelo fogo, portanto teve uma queimadura. E tem a testa machucada se não notou — Fiz careta e toquei o local que ela apontou. Havia um curativo na testa, e quando enfiei a mão por de baixo do coberto e minha camisola, senti mais uma atadura me circulando. Engoli em seco pelo tamanho, percebendo que a queimadura devia ter deixado um belo de um trabalho em meu corpo.

— Vou ter muitas lembranças desse dia — disse a contra gosto. Os olhos de Linnea alagaram e Carter teve a feição desmoronada.

— Oh querida, eu sinto tanto.

— Eu sei Linnea, e tudo bem — Tentei sorrir para ela, mas foi difícil. — Estou mais preocupada com o que tudo isso causou em Michelle. Edgar a machucou — Sabia que meus olhos tinham ficado nervosos quando ambos tentaram me tocar querendo me confortar.

— Sua irmã foi atendida assim que chegou. Teve um ferimento leve no joelho e ombro ao cair depois da explosão. E ela nos mostrou onde foi ferida — Linnea teve a voz baixa — A pobrezinha estava tão assustada depois que viu seu estado ao levarem Liam para a ambulância. Ela veio com você quando foi sedada e imediatamente atendida assim como Liam e você. Amara foi chamada meia hora depois quando ficou sabendo que estava aqui, e assim Mick nos ligou avisando, apesar de já sabermos de tudo ao ver o noticiário na TV. Estávamos chegando ao hospital quando lhe transferiram para o quarto.

— Cuidamos para que tenha o melhor atendimento, então não se preocupe com nada. Estamos aqui você — Mais uma vez, meus olhos embaçaram, olhando de um para o outro, fuguei ante a emoção de ser tão bem tratada, de ser acolhida por eles em tantas ocasiões.

— Obrigada — sussurrei sem voz e agarrei a mão deles — Obrigada por tudo.

— Não agradeça querida — Linnea beijou minha bochecha — Estamos aqui com você — Foquei em seus olhos verdes, sentindo que estava à beira do precipito. E então descobri que estava fraca demais para não pedir amparo.

— Prometem? — A ardência nos olhos era muita, a angustia terrível — Promete não me deixar agora? Estou me sentindo estranha.

— Oh meu amor — Linnea se arrastou para deitar ao meu lado e puxou-me para deitar em seu peito, acariciando meu cabelo — É claro que prometemos. Amamos você querida, estamos aqui.

— Me amam? — solucei. Carter apareceu no campo da minha visão, e sorriu, abaixando-se para tocar minha testa suavemente.

— Amamos você filha. Durma um pouco mais, ainda estaremos aqui quando acordar. Tem nossa palavra — Em meio às lágrimas, eu sorri, olhando-o um pouco exausta.

— Filha? — perguntei. Ele abriu outro sorriso, alisando meu cabelo.

— Sim. Minha filha. — Sob a camada de tristeza, eu ri, esfregando os olhos para olhá-lo melhor.

— Obrigada... Pai — E assim eu fechei os olhos, mas não dormi antes de ouvir a lufada de ar que Carter e Linnea deram, para então ambos fugarem e beijarem meu rosto. Sussurraram em meu ouvido.

— Durma bem filha.

~*~

Eu acordei às três da tarde naquele mesmo dia. Carter e Linnea permaneciam no mesmo lugar como tinham prometido, mas dessa vez não estava, sozinhos. Sorri, sentando-me na cama ao perceber que não tinha mais nada cruzando meu rosto em baixo do nariz ou uma agulha espetada no meu braço.

Lá estava ela, sentada na poltrona ao lado da janela, sorrindo e brincando com a filhinha de Carter e Linnea em seu colo.

— Mitchie — A atenção da garota mudou-se para mim e seus olhos arregalaram em ansiedade quando se levantou, entrou Ivy para a mãe, e correu para mim.

— Beth! Oh Beth, que bom que acordou — Sorri, apertando-a dentro dos meus braços e acariciando seus cabelos soltos, mas então segurei seu rosto e sequei suas lágrimas.

— Você está bem? — Fiz careta quando afastei sua camiseta, inspecionando seu ombro e pescoço. Minha garanta fechou ao encontrar a marquinha do cigarro e a atadura cobrindo um machucado. Suspirei pesadamente — Eu sinto tanto Michelle...

— Não — Ela me interrompeu, e quando a olhei, vi força através de seus incríveis olhos azuis — Vamos deixar isso de lado. Acabou Elizabeth, ele não está mais aqui e tudo que quero, é esquecer. Esquecer cada coisa que aconteceu naquela noite, quero apagar tudo... Quero conhecer você. Pode fazer isso por mim? — Forçada, deixei meus ombros caírem e tomei sua mão, alisando-a levemente.

— Posso. Perdoe-me por ser fraca. — Ela riu, um tom de desdém escondido.

— Fraca? Mas você foi a mais forte de nós duas por anos. Onde está à fraqueza nisso? — Sorri de lado, ela fez o mesmo — É maravilhosa, e eu te amo. Não se menospreze a esse ponto.

— É difícil.

— Entendo você — falou sem largar minha mão. — E por isso estarei aqui sempre. Tudo bem? — Assenti com meu peito aliviando a pressão.

— Tudo. — sorri. Linnea se aproximou da cama e deixou que Ivy viesse até mim, eu não questionei quando a garotinha veio sentar-se dentro dos meus braços dessa vez, só aceitei e sorri.

— Como vai garota? Essa sua roupinha é realmente boa. Quem lhe deu? — Ivy sorriu, mostrando suas janelinhas adoráveis. Ela tocou em sua camiseta, onde tinha escrito: Papai do céu me proteja das amigas da mamãe que apertam minhas bochechas. Amém!

— Tia Lizze — murmurou e eu sorri, mandando um olhar para Linnea. Ela deu de ombros sorrindo.

— Bem, ela é fofa demais para estar perto das pessoas.

— Ore bastante baixinha — sussurrei em seu ouvido, o que a fez se contorcer em meus braços rindo. Carter ficou ao lado da esposa, sorrindo.

— Será que está disposta agora? Você tem visita — disse. Ergui uma sobrancelha.

— Quem? — Michelle sorriu, enquanto Carter ia para porta.

— Veja você mesmo. — Então ele abriu a porta.

A primeira coisa que vi foi uma porção de balões rosa, vermelhos e amarelos em forma de coração, para então a cabeça azul de Jonah sair de atrás deles e ele direcionar para mim um sorriso largo.

— Boa-tarde marrentinha! — O idiota berrou, segurando os balões. De trás dele, Lizze saiu toda saltitante e em seguida Stef.

— Jodie! — Foi impossível não sorrir quando ambas saltaram na cama e me abraçaram, apertando-me cada uma de um lado.

— Vou ficar sem ar. Hey!!! Temos uma criança ao nosso meio — gemi, elas riram se afastando, mas não demorou e eu estava sendo puxando para outros braços. Jack me chacoalhou.

— Nunca mais me dê um susto desses. Ouviu sua maluca?! — Franzi a testa, o olhando de forma indignada.

— Oh sim, eu vou tentar não Me-sequestrar-de-novo. — Ele riu como se estivesse inteiramente feliz por me ouvir zombar sobre algo tão serio.

— Que bom que está bem — Virei os olhos, e logo Jack foi empurrado por nossa menina mais nova. Harlow piscou para mim, emburrada, mas eu sabia o que ela queria dizer.

— Não esquenta, deixo você tentar me bater depois — Isso a fez rir, e em seguida ela pulou na cama com as meninas, fazendo Ivy rir.

— Você é tão idiota.

— Eu sei. — sorri.

— Uma idiota que tem tendências para encrenca — Jimmy ficou do meu lado esquerdo, exibindo aquele sorriso de tirar o fôlego. — Garota tolinha, sempre se machucando. — Dei de ombros.

— Faz parte da rotina, loirinho. — Ele sorriu, e para minha surpresa, beijou minha bochecha.

— Fico feliz por estar bem — falou, e eu não conseguir conter meu rubor e nem o sorriso besta que apareceu.

— Onwt. Ela está corando! — Jonah gargalhou de onde estava. Eu fechei o sorriso e lhe mostrei o dedo do meio.

— Beija minha bunda Jonah.

— Não, obrigada, prefiro a de outra pessoa — Ele mesmo balançou a sobrancelha na direção de Lizze, antes de levar um travesseiro na cara. Gargalhei, olhando Lizze soltar fogo pelos olhos.

— Imbecil. — praguejou.

— Linda.

— Quanto amor meu Deus — Mitchie murmurou, arrumando-se sobre suas pernas ao olhar de um par ao outros. — Deviam se assumir.

— Fica quieta miniatura de Jodie — Lizze ordenou, mas sorria de lado.

— Vocês todos são uns bobos — Ela riu, chacoalhando seus cachos pelos ombros. Eu sorri, totalmente de acordo.

— Com o tempo se acostuma pelo menos — falei, dando de ombros. Ela assentiu, e falou.

— Eles pensam que eu sou inocente e boba, assim como faz o Mick. Eles ainda param de se beijar quando chego perto — Todos arregalaram os olhos, principalmente Carter, mas eu comecei a rir.

— Bom mana, isso confirma minha teoria de quão tolinhos eles são a ponto de tentarem esconder coisas de nós. — Eu mirei principalmente a Lizze, o Jimmy e Harlow, que no mesmo instante bufou exageradamente.

— Você nunca vai esquecer isso? — indagou ela cheia de desgosto. Eu sorri, mirando dela para o loiro.

— Se você quer dizer esquecer a cena de Jimmy usando sua boca como um desentupidor de pia em você. A resposta é definitivamente, não! — As bochechas da menina ficaram vermelhas enquanto Jimmy gemia ao fundo, escondendo o rosto dentro das mãos enquanto Jack apertava seu ombro em orgulho óbvio.

— Eu te odeio Jodie — Harlow resmungou, envergonhada, eu ri.

— Posso viver com isso. — Sim. Eu definitivamente podia viver com isso e muito mais ao lado de todos os meus amigos. Porque eu definitivamente me sentia feliz daquela forma.

~*~

Como falou Linnea, eu recebi alta no mesmo dia depois que o médico me deu uma última olhada. E foi depois que ele me examinou, que bateram na porta do meu quarto, e o rosto familiar passou pela a pequena abertura da porta.

— Posso entrar? — perguntou. Assenti, trocando olhares com Mitchie, que havia ficado depois que todos saíram e foram embora. — Como se sente?

— Bem — respondi, olhando-o cautelosamente, evitando focar muito em seu rosto pela grande familiaridade que tinha a Liam. Ele me fazia doer com vontade de chegar a Liam. — O que você quer Michael?

— Encontrei com Linnea e Carter na recepção e eles me disseram que estava tendo alta. — Ele me olhou, e mesmo que ele não estivesse relativamente perto, eu podia perceber as manchas ao redor de seus olhos, os ombros caídos e cansaço emanando de suas íris. — Queria ver se estava bem.

— Eu estou — falei de forma automática. Notei Mitchie franzi o cenho, olhando-nos de forma confusa enquanto Mick tentava encontrar um lugar para pousar seus olhos. Ele suspirou, assentindo.

— Isso é bom. Eu... fico contente por estar bem e... — Olhou Michelle, um sorriso de lado se formando aos poucos — Mitchie contou como você tentou protege-la a todo instante — Continuei quieta, olhando-o seriamente, mas minha postura vacilou quando seus olhos verdes pousaram em mim, e eles transbordavam com agradecimento, alívio, amor de irmão. — Obrigada por isso. Obrigada de verdade — Eu não soube o que dizer, mas me senti obrigada a abrir a boca quando ele se virou e segurou a maçaneta.

Usando a força que tinha recuperado depois de dormir tanto, pulei da cama, ficando de pé.

— Ela também é minha irmã — falei em fim. Ele congelou, mas não se virou. Achei que séria o momento perfeito para fazer algo que me incomodava desde que o conheci. — Assim como Liam também é o seu. — Ele virou rápido e duro, a feição em confusão.

— E? — O olhei.

— E você devia se preocupar com ele também. E eu não digo sobre o fato dele estar em uma cama de hospital agora mesmo, pois eu sei só de olhar para você, que está sendo tudo um inferno — Ele não assentiu e nem confirmou, só esperou que eu continuasse, querendo ver até onde eu chegava — Eu quero dizer sobre essa coisa de fazê-lo lutar com você.

— Você não pode entender o que eu...

— Michael! — O interrompi, meu coração saltando quando ele tentou se defender — Pare de pensar em você só um pouco. Eu sei que é difícil, eu sei que é complicado deixar uma coisa que você ama ir embora, eu já tive o gosto de ter que escolher entre Liam e minha irmã... E mesmo assim sai perdendo ao tentar me afastar de ambos. Eu entendo que é doloroso aceitar que nunca mais vai chegar a lutar, mas isso não é culpa do Liam, assim como não é do seu pai. — Me aproximei, indo para ele quando esse começou a andar em frente à porta — Você sabe que ele nunca vai recusar lutar com você por causa de Ethan, afinal se ele escolher fazê-lo ele corre o risco de perder os dois. Entende como isso é um peso? Entende como o machuca? — Mick parou, esfregando a nuca com insistência, era como se a tentação de correr para longe de mim fosse tão pesada que o estivesse desgastando. Mas ele continuou ali, mesmo que com os olhos transbordados em águas salgadas, que não permitia que descessem.

Deu um passo até mim.

— Eu sei de tudo isso — senti seu corpo tremer — Como você disse, ele é meu irmão, e com ele agora no hospital juntamente ao meu pai, a preocupação tem me tirado o oxigênio. Fico pensando se é assim que ele se sente quando o obrigo a lutar comigo, e nesse momento estou pensando como fui idiota ao ponto de sequer fazê-lo escolher entre me ajudar ou me perder. Nunca parei para raciocinar que meu pai também iria se junto comigo caso eu não parasse... Então poupe as palavras Jodie, sei que quer me abrir os olhos, mas quero dizer que eles já foram abertos assim que meu pai foi internado e Liam operado... Estou destruindo a mim mesmo por isso.

Atenta, mirei o grande homem na minha frente, não podia dizer que não estava satisfeita por ouvir suas palavras, mas o fato de vê-lo parecer tão frágil quando sua estrutura era de dar medo, me fez tocá-lo no braço e sorrir.

— Veja pelo lado bom — Tentei ser positiva. — Poderá se reconstruir ajudando Liam a se levantar. — Ele franziu o cenho, olhando minha mão e depois meu rosto. Seus olhos de repente suavizaram e aquele sorriso que lembrava ao irmão, apareceu.

— Sim. Poderei fazer isso.

— E de quebra ainda poderá trancar o novato em um quarto para que nunca mais faça o que fez na noite passada. Ir atrás de mim o levou a um hospital — Apontei com uma careta. Ele riu, balançando a cabeça.

— Ele nunca aceitaria. Assim que levantar daquela cama, irá correr atrás de você custe o que custar. E eu sei disso, porque eu faria o mesmo por Lilah — Esse fato me deixou nervosa, porque não era a primeira vez que pensava sobre isso e chegava a uma conclusão apenas.

— Talvez ele não tenha que correr — pensei em voz alta. Mick ergueu uma sobrancelha.

— O que isso quer dizer? — Indagou. Eu soltei seu braço, e apertando os lábios um no outro, fui até a mala que Linnea tinha feito à gentileza de trazer.

— Quero dizer, que terei uma conversa com Liam... E essa o fará ficar quieto. De um jeito ou de outro.

~*~

Notas finais
Então gente? Eu meio que chorei um bocadinho escrevendo a aparte dela com a Linnea e o Carter. Espero que tenham curtido. Digam-me seus pensamentos. Obrigada pelos comentários passados, bateram o recorde viu, onze deles em poucos dias! EU AMO VOCÊS! Obrigada por tudo. De verdade. :)