Believe In Me

44 Capitulo 44 — Medo


Notas iniciais
La vai o primeiro cap do nosso Liam. Gente, desculpe por não ter postado ontem, é que não deu e por favo, me perdoe se tiver erros, pq hoje to meio mal e com uma dor de cabeça do demônio. Então, sorry. Aproveitem okay.

(Pov’Liam)

Não!

O grito cortou de Jodie cortou através do beco com uma nota alta de pânico. Arregalando os olhos, corri em direção a sua voz, mas quando cheguei à rua, não existia nenhum sinal de Jodie e nem mesmo de Michelle, a noite estava em um silêncio amedrontador e cortante enquanto olhava em volta disparadamente. Respirando descompassadamente, abaixei-me no chão, e tremulamente peguei o aparelho que fora abandonado por Jodie. Ele era a prova de que a levaram.

— Deus, não — Implorei. O medo se aprofundando aos sentidos de meu corpo, mas em seguida a raiva ajudou-me ficar sobre os pés, para então tirar do fundo de minha garganta um grito de estourar os tímpanos de qualquer pessoa.

Ele levou minha Jodie. Levaram Micthie.

Consumiu-se de raiva ante a ideia de vê-las machucadas, rugiu jogando o celular contra a parede de pedra do beco. Completamente insano.

— Liam. Pare! — Michael apareceu em minha frente e segurou-me pelos ombros, tentando me manter parado. O olhar frio e com raiva neles só o fez mais certo que algo horrível podia estar passando por sua cabeça, que esse algo podia ser feito contra Mitchie e Jodie — Vamos encontra-las irmão. Vamos encontrar nossa irmã e sua garota. Apenas fique calmo.

Meu estômago atou e minhas mãos cerraram em punhos ao lado do corpo. Senti a frequência do meu coração disparar e tive uma sensação doente de que algo ruim ia acontecer com mulher a quem tinha sentimentos tão fortes.

— E se ela não estiver bem?

Mick hesitou.

Soube que não poderia suportar se a resposta não fosse positiva.

— E Mitchie? Ela só uma criança Mick, Edgar já fez muita maldade a Jodie... Não posso permitir que ele as machuque, não me perdoaria! — Ele estendeu a mão e agarrou-me os braços para manter-me no lugar.

Simpatia suavizou seu olhar enquanto olhávamos um para o outro.

— Me sentiria igual se fosse minha Lilah. E não se esqueça de que Mitchie também é minha irmã, mas não podemos nos desesperar agora. — Ele apontou o beco — Nossos pais estão lá dentro precisando de ajuda. Não podemos deixa-los agora!

Miséria e medo inundaram-me ao tentar regular a maldita respiração e controlar a raiva. Um afiado pique de dor cavou no meu coração ao pensar que minha Elizabeth já poderia estar morta e o mesmo se tratava de Michelle. Empurrei esse pensamento para longe imediatamente. Se Edgar só quisessem matá-las então teriam feito isso. Teria deixado o corpo descartado na calçada. Não. Edgar as levou por um propósito. Rosnei.

— Matarei ele se machucar um maldito cabelo da cabeça delas.

Mick apertou meu ombro com um sorriso cruel.

— Ajudarei você a fazer isto. Nós vamos encontrá-las.

~*~

— Sente-se, Liam. Pare de andar. Precisa da sua força quando nós a encontrarmos e seus ossos ainda não estão completamente curados depois dessa luta. Não abuse da sorte. Sei que a Dra. Allison não quis te liberar por mais vinte e quatro horas, mas você se recusou a ficar no quarto.

— Minha irmã e minha namorada estão lá fora em algum lugar e preciso encontrá-las.

Mick severamente assentiu.

— Eu sei disso, mas a boa notícia é que ele não as matou logo de cara. Levou elas por uma razão e irá esperançosamente mantê-las vivas até que faça, seja o que for ele quer que nós vejamos. — Insatisfeito, bufou jogando as mãos para o alto.

— Como se esse fato me deixasse tranquilo — objetei com raiva. Virei sobre meus pés mais uma vez alisando o cabelo enquanto olhava para as portas pelas qual levaram Ethan e Amara. — Por que estão demorando? E onde está o idiota do delegado que não chega?!

— Ligamos faz quatro minutos. Tente ter paciência — Mick censurou abrindo seu celular novamente, obviamente para se certificar de que não havia nenhuma mensagem. — Ele deve ter ido revistar a frente do clube, já que foi onde tudo aconteceu.

— Edgar manteve Jodie em uma casa que mais parecia um cativeiro pela maior parte de sua vida, — rosnei. — Poderia estar a machucando de novo... e Mitchie... Oh, porra. Merda. — Micheal suspirou, com certeza cansado de pedir calma a mim, o que era bom, pois não conseguia manter-me sob a droga da calma.

— Michael! — Ambos viraram ao som da voz de Lilah, que entrava na ala de espera com os olhos arregalados e o cabelo azulado em um coque bagunçado. Ela agitou-se procurando por nós, e ao encontrar, correu para jogar-se nos braços de meu irmão. A forma como Mick a sustentou em seus braços fez-me ter a garganta fechada em inveja.

Era para Jodie estar nos meus braços exatamente daquela forma. Eu devia estar a protegendo. Devia estar com ela.

Fechei os olhos, os pensamentos em Jodie. Onde está ela? Ela ainda está viva? A raiva dentro de meu peito consumiu. Ela precisava de mim, mas não sabia onde encontrá-la. Odiava me sentir impotente e tinha experimentado essa emoção frequentemente desde que tinha começado a me importar tão profundamente pela a garota reclusa. Como havia chegado a esse ponto?

— Você está bem? Machucado? — Observou Lilah tocou o rosto do namorado e suspirou dolorosamente. — Liam? — Voltei-me para minha cunhada novamente, e acho que a expressão em meu rosto entregou o tamanho da dor que carregava. — Oh querido — Ela veio até mim e pegou-me em um abraço apertado, esfregando a mão em meu cabelo — O que aconteceu? — Não soube como explicar os acontecimentos para ela, e talvez meu irmão tivesse adivinhado isso, pois se prontificou ao lado da namorada e falou:

— Levaram Mitchie e Jodie. Quanto à mãe e o pai... Bem, encontramos o carro da mãe aberto e sem nenhum sinal deles. Os encontramos desacordados em um beco — Ele suspirou, levando Lily de encontro ao seu corpo — Minha sugestão é que mamãe foi pega na cabeça ao entrar no carro, e papai ao ver que Mitchie fugiu, tinha a deixando por um instante até voltar, e quando viu minha mãe desmaiada e Edgar com ela...

— Eles lutaram — Murmurei com a mesma linha de raciocino. Lilah tocou o pescoço tentando compreender os fatos.

— Esse... Edgar. Ele é o homem que prendia sua namorada? —Virou-se para mim com olhos preocupados — Ele é o homem que vocês disseram que ela estava fugindo?

— Sim. — disse com pesar. Lily ofegou.

— Deus. E por que ele pegou a pobre Mitchie? O que fará com as meninas? — Olhei para Mick, com certeza notando que ela parecia alheia de uma parte uma muito importante da historia.

Mick suspirou, passando o braço pelos ombros da sua garota.

— Amor, lembra-se da coisa que eu e meu pai não podíamos contar-lhe? — Ela franziu o cenho, mas assentiu. — Bom. Agora não faz mais sentindo esconder, portanto. Michelle é irmã de Jodie, o que faz Edgar, pai das duas garotas. — Choque percorreu o rosto da mulher e ela nos olhou surpreendida. Até parar os olhos castanhos em mim.

— Como isso é possível? Você e a irmã de Mitchie? — Pela primeira vez, fui obrigado a deixar um sorriso escapar pela tamanha coincidência que era aquele fato.

— Acredite, cabelo azul, ainda não me desfiz do choque.

Gotas de suor cobriam minha testa quando as portas da ala de espera abriram e a Dra. Allison, a responsável por meus pais, passou. Adiantamo-nos até ela, nervosos.

— E então? Como estão nossos pais? — Mick questionou.

— Amara está muito bem. Ela levou uma pancada forte na cabeça, mas em breve estará acorda e interagindo normalmente — Esfreguei os olhos, respirando em alívio, mas esse não durou muito quando Allison olhou o prontuário em sua mão e nos olhou hesitante.

— E meu pai? — perguntei de uma vez. — Como está meu pai? — A doutora tomou um tempo antes de falar.

— O caso de Ethan é mais complicado, como devem saber... O motivo do desmaio foi a recaída repentina. Com toda certeza ele sentiu ansiedade, medo, o que causou um ataque cardíaco. Estamos mantendo um registo da frequência das palpitações, o momento em que se apresenta, quanto tempo duram, qual a sua frequência cardíaca no momento em que ocorrem e o que está a sentir. Esta informação pode ajudar-nos a entender o tanto da gravidade e como é a causa subjacente das palpitações. Por tanto, o deixaremos sob nossos olhos o tempo todo e com a resposta de internação urgente. Sinto muito, meninos. Voltarei com mais noticias — E assim, a doutora partiu novamente, deixando-nos parados e com corações apertados.

Oh, pai.

Foi como ouvir o disparo de uma arma, e justamente quando a bala aterrissou contra meu peito, Mick, em meio a sua fúria, atirou-se contra uma lata de lixo, tentando a todo instante afastar-se de sua namorada, que erguia as mãos para tocar seu rosto atrás de um pouco de calma da sua parte.

Mas ele não tinha, e eu compreendia totalmente seu desespero e sua raiva. Nosso pai estava em estado grave e não podíamos fazer nada a não ser fechar os olhos e pedir aos céus uma ajuda, isso era angustiante. Doloroso.

E as lembranças só faziam as coisas ficarem mais difíceis que nunca. Pensar em como Ethan Corey enfrentou sua barreiras com a cabeça erguida, pensar em como esse homem se dedicou para ser pai de dois marmanjos e ainda ter coragem de adotar uma garotinha, justamente porque perdeu uma no passado. Lembrava dos momentos em que esse cara duro, grosso, olhou para mim com olhos suave e disse em uma voz protetora palavras que mudavam tudo, mas que nunca tinha percebido as importância delas: Não importa se você vence ou perde Liam, você é meu filho, e eu te amo. Tenho orgulho de você. Quantas lutas ele havia falando isso? Em quantos momentos ele disse um “Eu te amo” apenas com o olhar e eu mesmo nem percebi? Bem, eu realmente queria extravasar a raiva em alguma coisa assim como meu irmão, talvez a dor ficasse mais fácil de suportar se o fizesse.

— Meninos? — Levantei a cabeça assim que a voz do delegado veio até mim e no mesmo instante, andei para perto dele com as mãos tremendo. Seguindo-o havia mais de dois guardas prontos para qualquer coisa enquanto olhavam sobre os ombros.

— E então? Alguma pista das duas? — Richard balançou a cabeça severamente.

— Nem uma. Mas temos equipes indo em torno da área perguntando, — disse o delegado.— Eles ainda podem estar por perto. Meu segundo está interditando o local no qual as garotas foram levadas.

— Do que isso irá ajudar quando não existe nada como pista a não ser um maldito celular abandonado por Jodie? — Michael rosnou no fundo de sua garganta — Edgar de alguma forma conseguiu arrastar minha irmã para merda de algum lugar sem deixar nada para trás, e acham que vão conseguir algo perguntando por ai e interditando a entrada da porcaria do clube?! Deveriam estar fazendo mais que isso.

Eu não podia deixar de concordar com meu irmão, e quase não pude conter a mim mesmo de atacar o homem que enfrentava o olhar audaz de Mick com arrogância e impaciência. Meu corpo inteiro estava ligado e acionado em modo de alerta, só faltava encontrar uma pequena brecha para que eu pudesse libertar o que tinha de pior em todos que estavam ali.

— Não ouse me dizer como trabalhar garoto. Eu sei o que estou fazendo, ao contrário de vocês, que permitiram que essas duas garotas ficassem sozinhas por dois minutos fora de um beco sem saída — A fala reverberada com fúria do delegado foi a tão esperada brecha. Encontrei-me impedindo de grunhir para o cara, mas foi impossível não mover-me com rapidez até o idiota, clamando por socar algo que não fosse a parede de concreto daquele hospital.

— Liam, não! — Lilah parecia à única apta por querer dar um pouco de controle a todos ali, por isso afastou-se de Michael para tocar-me no peito, porém eu já havia conseguido diminuir uma distancia entre Richard e eu.

— Eu sei que não posso derrubá-lo nesse instante — cerrei os dentes — Mas isso não me impede de querer o fazê-lo. Acha-se superior que nós delegado? Acha que poderia ter protegido Michelle e Jodie? Bem. Foda-se — cuspi em sua cara — Eu tenho minha mãe com a cabeça atingida em um quarto e um pai internado no outro. Então não tente jogar autoridade para cima de mim e do meu irmão. Eu não quero quebrar lei nenhuma por sua causa, e por isso, eu vou me virar e deixa-lo seguir com essa merda de investigação — Afastei um passo, a aspereza em meu olhar — Posso encontrar Jodie eu mesmo — Não permiti que me parassem, apenas virei e andei, puxando meu ombro de seu aperto quando o delegado gritou uma ordem.

— Pare! Não pode se envolver! — Apertei as mãos em punho.

— Pode apostar que posso — E rapidamente despistei os policiais e meu irmão no meio dos vários corredores do hospital.

Eu realmente não queria dar o fora dali sem saber mais sobre meus pais, contudo não tinha escolha. Ignorando o perto no peito, saí do hospital, e no primeiro sinal de que um taxi se aproximava, eu o chamei, com pressa para fugir dos homens que me seguiam a todo instante.

Dentro do carro, dei o endereço de casa para o motorista e permaneci quieto por um breve instante, até que mais uma vez, a impaciência e preocupação domou cada partícula do meu cérebro conturbado. Parecia duro respirar quando os olhos azuis de Jodie — minha Elizabeth — surgiam como magica bem à frente. E como se para piorar tudo, os de Michelle, idênticos aos da irmã, também dava as caras para fazer tudo ficar mais duro e complicado naquele minuto de aflição.

Olhando pela janela, engoli em seco, abaixando a cabeça ao recordar quando a garotinha havia chegado a minha casa. Tão diferente. Tão acuada e assustada, que sua ação principal era apenas fazer gestos para dizer o que precisava. A lembrança se intensificou e aumentou enquanto olhava através da janela para o céu escuro e com estrelas.

15 de janeiro de 2014. O primeiro dia de Michelle em uma casa nova. A garotinha não media mais que uns 1,43 cm e tinha cabelos cheios de cachos brilhantes e vermelhos para todos os lados. Às vezes eu gostava de olhar seu rosto cheio de sardas só para admirar aquele doce jeito inocente, e então perceber que em seus olhos não havia uma atitude bobinha e de criança. Entedia só a observando, que algo muito duro aconteceu em sua vida fora do orfanato, e essa coisa que não tinha coragem de nos contar, a fez amadurecer muito antes de sua idade avançar.

— Coma mais um pouco querida — Observei quietamente enquanto Amara dirigia-se a garota calada, essa mesma apenas brincava com a comida e evitava erguer os olhos.

Michael, que estava ao lado dela, mandou um olhar preocupado ao meu pai, que se sentava à ponta da mesa enquanto assistia sua nova filha furar a carne do prato desinteressadamente.

A cabeça avermelhada chacoalhou levemente. Amara suspirou, deixando seu garfo sobre a mesa.

— Precisa nos ajudar Michelle, não podemos fazer isso sozinhos — A garota não falou mesmo assim, e pela forma triste que minha mãe olhou meu pai, eu pensei que seu coração estivesse prestes a ceder.

Ethan inclinou-se para mesa e juntou as mãos em baixo do queixo.

— Não deseja falar conosco? — perguntou o mais brandamente possível. Não pude ver a expressão da menina, pois o cabelo escondia seu rosto quando balançou a cabeça novamente. — E por que? Não se sente bem aqui? — Silêncio — Gostaria de voltar para o orfanato? Entenderemos se o desejar — Quando ela levantou o rosto, eu pensei que ela finalmente fosse falar, porém fiquei com medo sobre qual seria sua resposta. Mamãe não poderia aguentar mais uma perda.

Desde que ela perdeu o filho naquele acidente, ela tinha procurado em orfanatos meninas que realmente a tocassem, meninas que, como ela mesma disse, poderia olhar e simplesmente saber que era a sua filha. Foi assim com Michelle, porém ela não esperava que a garota não gostasse da ideia de ser adotada.

Michelle se mexeu, e quando percebi o que fazia, franzi o cenho assim como Ethan. Ela apontou o de para as escadas, timidamente.

— Gostaria de voltar ao seu quarto? — questionou meu pai, decepcionado. Michelle assentiu, o que o fez esfregar o rosto e piscar em cansaço — Okay. Você pode ir — Ela deslizou para fora da cadeira e correu, subindo as escadas para seu novo quarto sem olhar para trás.

Ficamos em silêncio até que, gentilmente, meu pai tocou a mão de minha mãe.

— Temos falar com a diretora do orfanato — falou relutante — Michelle não parece querer se adaptar querida — Amara chacoalhou os cílios longos para a escada, a preocupação em sua face fazia todos ali aflitos.

— Não quero que ela vá — confessou — A pobre menina pode estar com medo. Vamos dar um tempo para ela, é apenas o primeiro dia dela aqui conosco — Apertou a mão de Ethan com força, enfrentando os olhos do marido com garra — Eu sei que ela é a certa, Ethan. Eu sinto isso — Eles olharam-se, e como se a força de minha mãe fosse o bastante, meu pai assentiu e deixou um meio sorriso aparecer, beijando sua mão ao falar.

— Tudo bem. Vamos esperar — Eu voltei a olhar para a escadaria na qual Michelle havia desaparecia, e quase que por instinto, me levante quando meus pais estavam distraídos e falando. Toquei o ombro de Mick.

— Volto já — Ele lançou-me um olhar de aviso, e assentiu.

Subi sem fazer ruídos e parei ao lado da porta aberta de Michelle. Em silêncio, olhei para dentro só para encontrá-la deitada na cama e encarando dois papeis que estavam em suas mãos. De longe pude perceber que um deles era de uma mulher extremamente parecida com ela. Porém não consegui uma ótima vista, pois fiquei em alertar ao ouvir um leve sussurro vir dos seus lábios.

Ela cantava, e pelo que entendi, parecia uma música de ninar. Inconsciente do ato, puxei um sorriso sobre os lábios e escutei sua voz pela primeira vez, admirado por ser tão bonita. Quando terminou, fui incapaz de permanecer onde estava e dei um passo para dentro.

— Que linda voz você tem — Ela assustou-se, sentando na cama e enfiando as fotografias em baixo do travesseiro. Ergui uma sobrancelha ao notar o famoso medo aparecer em suas íris quando ela mediu meu tamanho — Não posso ser tão assustador assim. Posso? — Nada disse.

Sem querer dar par trás, puxei a poltrona ao lado de seu closet e olhei-a.

— Você não precisa ter medo de mim. Não farei nada para que possa prejudicá-la — Seus olhos azuis ficaram duvidosos. Sorri — É estranho ver esse olhar perigoso em uma menininha fofa. Naturalmente é meu pai que o dirige a mim durante os treinos — Michelle fez careta, e de uma forma realmente linda, ergueu o queixo para cima.

— Eu não sou fofa! — rebateu. E merda. Ela não tinha falado nada desde que chegará, e agora que falará foi para me contradizer. Eu gargalhei alto com entusiasmo.

— Você com certeza é, porém isso é bom — pisquei-lhe um olho — Ninguém irá esperar que você ataque quando se é tão fofinha — Fiquei absurdamente feliz quando um pequeno e hesitante sorriso começou a se formar em seu rosto, e achei mais graça ao ver o tom avermelhado de suas bochechas — Está se tonando quase como seu cabelo — zombei, na intenção de diverti-la um pouco mais. Ela tocou as bochechas.

— Não estou.

— Sim, está — Ela virou os olhos. Eu ri — É bom ouvir você falando. — Franziu a testa, desviando olhar — Não quer me dizer o que lhe incomoda tanto? — Hesitou. Tentei se mais suave — Olha, eu não vou força-la a ser parte dessa família e nem meu irmão ou meus pais vai fazer, contudo, queria lhe pedir uma coisa. — Levantou os olhos para mim, esperando o pedido — Não se feche para nós. Permita-nos tentar conquistar você — Ela com certeza não esperava isso, pois pareceu indecisa e desconfortável.

— Me conquistar? — sua voz soou baixa. Assenti.

— Sim. Não sabe como eu ficaria feliz em ter uma mais nova irmã para cuidar — Mais uma vez, ela corou, e eu sorri — E se você conversasse com Michael, saberia que ele foi o que ficou mais contente com sua chegada. Estava ansioso para conhecer sua nova irmã — Ela piscou surpresa.

— Ele é grande — falou, me deixando sem palavras completamente. Ela olhou para mim, me medindo novamente — Vocês são grandes. Ethan... o seu pai, ele... É ainda maior que vocês — Sorri, notando o quão desconfortável ela estava.

— É genética. E cada um de nós é um lutador — falei orgulhoso — Somos grandes, mas não precisa nos temer. Você será nosso bichinho de estimação — A boca dela se abriu em um O frustrado.

— Bichinho de...

— Sim. Isso mesmo — A interrompi sorrindo de ponta a ponta. Ela apertou os olhos.

— Não sou um bichinho! — Protestou. Eu rebati.

— Mas é nossa irmã mais nova, portanto, será a nossa responsabilidade cuidar de você — Apontei lhe um dedo — Mas para isso você precisa permitir. — Fiquei com medo que ela negasse e que ela decidisse que eu era um idiota e que não merecia uma chance, contudo, ela parou e pensou, até que deixou um suspiro escapar e falou.

— Com uma condição — Acho que ela pôde ver a esperança que surgiu em minha face, pois tentou prender um sorriso.

— E qual seria essa? — perguntei, e Michelle olhou por cima de meu ombro, para depois inclinar-se para sussurrar.

— Podem me ensinar a lutar Box?

De volta ao taxi, eu ri, recordando mais de uma vez do pedido de minha preciosa irmã e de seu rosto esperançoso. Lembro que quando ela falou pela primeira vez com meu pai, foi para pedir exatamente isso. Meu velho quase caiu para trás, e com certeza não soube o que fazer quanto ao fato de que sua filha adotiva queria aprender a socar alguém e que aquelas havia sido suas primeiras palavras para com ele. Mick tinha rido até rolar no chão enquanto Amara tentava conter a emoção.

Como não percebi? Pensei esgotado, como não percebi que Mitchie era irmã daquela garota do colégio? Aquela que não saiu de meus pensamentos desde o primeiro olhar. Como pude ser burro ao ponto de juntar os palitinhos apenas depois de tanto tempo? Era inaceitável! Tanto que não culpava Jodie de ter ficado nervosa, mas isso não queria dizer que não me machucava.

Não vê-la era doloroso, não encarar seus olhos azuis céu e não beijar sua boca fazia-me miserável. Tocar, sentir, abraçar. Eu precisei fazer isso com ela no mesmo instante que ouvi sua voz gélida e vi seu corpo machucado. E agora, eu me sentia no inferno.

Fazia tanto tempo que tinha ficado perdido no gosto, sensação e suavidade de uma mulher. E mesmo assim nenhuma das outras foi igual à Jodie. Elizabeth.

Sorri ao recordar do seu nome, remoendo em flashes torturadores de nossos corpos juntos, de suas mãos sobre mim e de seu corpo contra o meu. Apenas imaginar o quão quente ela ficava em baixo dos lençóis, como tudo mudava quando éramos apenas nós dois e seu típico e doce mau humor. Eu estava duro como aço só de lembrar, duro e pesado de pura tortura trancado dentro de minhas calças, por isso separei um pouco as pernas para aliviar a pressão no maldito que havia acordado. Tentei ignorar tudo abaixo da cintura e focar no meu grande problema.

Por um minuto fiquei pensando em como poderia encontrar Jodie, e no mesmo instante uma ideia aterrissou como um paraquedas em minha cabeça. Não perdi tempo dentro do taxi quando cheguei a minha casa. O paguei, e corri até a garagem, onde estava estacionado o SUV. Abrindo-a, mirei minhas paredes, procurando por... Encontrei o que queria no meio das tralhas de meu pai.

Apertei meus dedos no cabo do taco de beisebol antigo de meu avô, e cerrando a mandíbula puxei o taco que pesava 850 gramas e um quilo, com o tamanho máximo de 1,06 metros. Meu pai costumava jogar comigo e Mick nos finais de semana quando éramos crianças, porém para mim sempre foi uma luta levantá-lo, o que me fazia motivo de piada para meu irmão mais velho idiota. Mas hoje eu não pretendia jogar com ele. Hoje, eu faria algo muito diferente.

— Estou indo doçura.

Quando entrei no SUV, a dor dentro do meu peito se tornou mais aguda, uma agonia quase parecida com uma facada. E quando os olhos azuis cinzentos de Amara e os verdes de Ethan vieram a minha mente, tive um momento de medo, estremecendo terrivelmente. Precisava saber deles.

Ligando o carro, retirei o celular do bolso, mas assim que ia digitar o numero de Michael, o aparelho começou a vibrar e o nome de Jack brilhou na tela repetidamente. Obviamente ele já sabia.

— Jack — Atendi depois de colocar no viva-voz e sair com o carro da garagem. Seu tom não foi nada amigável.

Onde caralho você está?! O que pensa que está fazendo enfrentando Richard?! — rugiu. Não gastei nenhuma exaltação ao falar:

— Fazendo a merda de alguma coisa! Irei encontrar minha irmã e minha namorada, e não preciso da ajuda dele para isso — Jackson fez um ruído parecido com um grunhido impaciente e depois praguejou.

Está agindo impulsivamente! Como vai encontrá-las para começo de conversa? Nem mesmo tem uma pista do lugar para onde Edgar as levou. — Ele estava certo, mas havia alguém poderia ter a pista que eu precisava, e era exatamente até essa pessoa que estava indo agora.

— Eu tenho meus planos, mas agora me diga. Como soube? — Jack bufou, e eu o imaginei andando de um lado para o outro enquanto tentava não chutar nada que fosse o deixar aleijado.

O que acha? Quando saímos do D.H. demos de cara com um bando de policiais cercando a área e o carro de Amara. Tentamos o celular de Ethan, mas nada, e quando ligamos para Michael, ele nos contou sobre tudo — Sua voz baixou — Contou-me de seu pai também... Sinto muito Liam — Sinceridade soou em sua voz, e ela fez com que a preocupação em meu peito se afastasse um pouco para dar lugar à gratidão. Jackson tinha se tornado um ótimo amigo enquanto ficou em sua casa pelas primeiras duas semanas depois do que minha mãe sofreu o acidente e perdeu o bebê. Era certo que todos do nosso grupo eram importantes para mim, porém Jack, de alguma forma estranha, era um amigo diferente.

Ele me fazia rir muito nos piores momentos e se tornou importante assim como era meu próprio irmão. E foi exatamente por causa desse afeto elevado, que quase me destruí por ele estar meio atraído por Jodie, era horrível sentir a fúria, a raiva, o ciúmes consumir meu peito. Agradecia muito por nenhum dos dois nunca terem saído da linha.

— Você sabe dele? — perguntei quando notei que passara tempo demais sem responder.

Jack soou desanimado.

Estou no hospital com os outros e... Mick disse que está na mesma, mas... — Meu corpo tonou-se tenso quando a hesitação dele prolongou, e com o coração pulando, olhei o aparelho no banco do passageiro com desespero.

— O que?! Aconteceu alguma coisa com ele? Jackson, fale log...

Não! —Jack adiantou-se e quase perdi o controle do carro com o tamanho de meu alívio. Ele não durou muito — Mas Amara acordou faz algumas horas. — Estremeci, já imaginando o estado de minha mãe.

— E como ela está?

Confusa. Assustada. Mick está com Lilah no quarto tentando fazê-la se acalmar, porque ela não para de chamar por Ethan — Fechei os olhos por um instante — Provavelmente ele irá contar o que aconteceu e... Bem, basta você saber que a doutora está em alerta para o caso de terem que sedá-la para que não se exalte e acabe passando mal — Não sabia se ficava tranquilo por isso ou se sentia culpado.

Apertou os lábios juntos e tentou não quebrar o volante da onde estava.

— Cuide para que ela fique bem Jack — Pedi com o coração doendo — Cuide dela para mim amigo.

Você nem precisa pedir — Ele disse suavemente — Estou nisso. Mas fique vivo, ou serei obrigado a chutar seu maldito traseiro para fora do tumulo — Pela primeira vez desde o desaparecimento de Jodie, eu sorri.

— Farei o possível para me manter em pé, companheiro. Não esqueça que ainda quero minha grana sobre aquela aposta — falei, referindo-me sobre a aposta que tinha feito quando eu o desafiei a falar seus sentimentos para Stefany. Ele achava que ela o chutaria na primeira oportunidade, mas isso não aconteceu. Sendo assim ele me devia.

Ri quando um grunhido partiu de meu amigo, e percebi com alegria, que ele estava tentando não rir também.

Claro que você quer. — Murmurou. Pisquei para além da rua, quando meu destino aproximou-se cada vez mais. — Liam?— chamou. Olhei o aparelho.

— Sim?

Tome cuidado, e não faça uma loucura. Jodie não gostaria de vê-lo empalhado — Mais uma vez, eu ri, porém com mais vontade.

— Ela realmente ficaria zangada — observei enquanto estacionava o carro.

Sim. E depois ela viria nocautear cada um de nós por não tê-lo impedido de fazer merda. Portanto, mantenha-se intacto. Ainda gosto do meu rosto — E quando o celular apitou indicando que ele havia desligado, eu não podia me impedir de sorrir e suspirar através da boca.

Gostava de pensar que nada ruim fosse acontecer, mas toda vez que estava prestes a me convencer, os olhos frios de Jodie passavam por minha cabeça, lembrando-me que Edgar havia feito aquilo com ela. Depois recordava das marcas espalhadas por seus braços, estômago, seios e pernas; O ar se tornou escasso e senti a cabeça estourar quando a fúria retornou. Nada bom iria acontecer onde quer que Edgar tenha levado a filha, porém não sentia medo, apenas queria encontrar Jodie, nada mais importava a não ser a segurança dela e de Mitchie.

Pulei para fora do SUV e corri os olhos pelo asilo em que Joshua estava internado. Por algum motivo, achava que ele seria o único, a saber, onde o filho maluco dele se encontrava com as garotas.

E foi essa intuição que me fez correr além da entrada do asilo que parecia relativamente calma. Não tinha ninguém na porta, portanto passou direto e caminhou para recepção, onde havia mulheres falando e rindo. Elas vestiam branco e coques no alto da cabeça.

— Preciso ver o Joshua Jodie — falou batendo as palmas no alto do balcão. A mulher assustou-se e o olhou-me com os olhos arregalados, para depois correr uma breve inspeção em meus braços e meu peito descoberto, o que me fez perceber que ainda não havia me coberto desde que sai do clube. Ignorei o fato das mulheres estarem chocadas e tentei chamar sua atenção com um grunhido impaciente. — Preciso ver Joshua Jodie — Repeti.

A moça loura pareceu recuperar-se e chacoalhou a cabeça, olhando o relógio no pulso.

— É quase uma da manhã. A hora de vista é durante a tarde — retrucou. Eu não estava discutindo isso.

— Não importa a porra do horário. — rosnei — As netas de Joshua foram sequestradas e ele pode ser o único a saber para onde o bastardo de seu filho as levou. Deixe-me entrar! — Elas empalideceram ligeiramente sem qualquer reação, o que me fez mais nervoso.

Balancei a cabeça revoltado — Foda-se.

Em passos largos, passei pela recepção e corri na direção em que lembrava que era o quarto do avô de Jodie. As enfermeiras gritavam logo atrás exalta enquanto ele simplesmente apagava suas vozes, virou a curva do corredor passando por cadeirantes e seus enfermeiros, idosos olhando para além da janela e admirando a noite: O quarto de Joshua encontrava-se no próximo corredor, e quando chegou a ele fitou as portas até ficar frente a dele.

Bateu levemente, não querendo que homem sofresse um ataque por entrar brutamente em seu quarto. Não houve resposta depois de dois minutos, mas terceira batida, luz passou por d’baixo da porta, para então passos lentos e resmungos serem ouvidos.

A familiaridade de ouvir os insultos para a pessoa que o atormentava a uma da manhã trouxe uma tristeza ao meu peito de repente, lembrando-me demais da minha doce marrentinha ao acordar. Fechando os olhos podia ver suas íris azuis zangadas na minha direção enquanto tentava me acertar um ou dois socos. Era estranho desejar uma coisa dessas, mas queria ter o mau humor dela de novo, só para que pudesse deixá-la bem calma em baixo de meu corpo enquanto a ensinava o que era sentir e se apaixonar.

As portas abriam no momento em que empurrou seus sentimentos para o fundo do peito. Joshua me encarou com aquela mesma expressão insatisfeita da neta, os olhos carregados com irritação antes de perceber que não era uma enfermeira a sua frente. Sua testa franziu ao olhar-me por inteiro e detectando, obviamente, os machucados pouco limpos e minha falta de roupa. O velho vestia um sobre tudo por cima de um pijama e seu cabelo branco estava uma bagunça.

— Quem é você? — Ele piscou para mim e depois apontou — Você me é familiar.

— Sr. Jodie. Eu sou Liam, estava com sua neta no dia em que veio vê-lo. Será que podemos conversar? — Vi quando ele estreitou os olhos azuis com curiosidade, mas antes que falasse qualquer coisa, as duas enfermeiras da recepção e dois seguranças apareceram no corredor.

— Desculpe senhor, mas não pode permanecer aqui. — A loura falou para mim. Acenou para os seguranças — Acompanhe o senhor até a saída — Instintivamente, preparei-me para atacar qualquer um ousasse tocar em mim. Mirei os homens com ódio enquanto se aproximavam, e fiquei agradecido por ser bem maior que eles.

— Vamos. — O da esquerda indicou o final do corredor. Eu não me movi.

— Venha me pegar se acha capaz — grunhi, os desafiando. Eles trocaram olhares hesitantes, mas assim que deram um passo, um corpo se colocou a minha frente e me surpreendi quando Joshua apontou para os seguranças com sua bengala.

— Se afaste — ordenou — O garoto veio falar comigo, e assim o fará.

— Sr. Jodie. Vá se deitar, não devia estar de pé há essa hora — A enfermeira morena tentou se aproximar, mas Josh lhe apontou a bengala também.

— Farei isso em breve minha jovem, mas antes, falarei com o menino. Saiam e nos deixe.

— Mas...

— Faça isso — insistiu o velho totalmente rancoroso. — Não falarei de novo. Será que ainda sabe respeitar os mais velhos, mulher? — A moça corou, e completamente recusa, bufou.

— Okay. Mas os seguranças vigiam a porta. — Sem perder tempo, toquei o ombro do velho homem a minha frente assenti para a moça.

— Tudo bem. Serei rápido — prometi. Ela virou os olhos, e seguindo sua parceira, virou o corredor depois de dar um olhar aos seguranças.

— Venha garoto. — Joshua apontou para seu quarto, e quando estavam dentro ele fechou as portas e se virou para mim. — O que está acontecendo? É sobre minha neta? — Tentei ser suave, mas era praticamente impossível.

— Na verdade é sobre suas duas netas — Ele não entendeu de imediato, mas depois de um tempo raciocinando, o homem se tornou tenso.

— O que houve? — perguntou mais uma vez, porém dessa eu fiz questão de leva-lo para sentar-se na sua poltrona.

— Eu gostaria de ser mais especifico para o senhor, mas não estou com tempo. Portanto. — Se preparou, mandando um olhar duvidoso a Josh — Jodie encontrou com Michelle.

— Bom Deus — jurou o velho. Eu continuei.

— E resumindo, eu e ela descobrimos quase no mesmo período de tempo que a sua irmã, era minha irmã — Mais uma vez, ele pareceu confuso, então tentei explicar — Meus pais adotaram Michelle em janeiro desse ano. Eu nunca percebi nada porque Mitchie e Jodie não são na parecidas a não ser pelos olhos... Nunca passou por minha cabeça que pudessem ser irmãs. Meus pais e a tutora provisória de Jodie sabiam, mas não nós. Elas se conheceram há pouco tempo depois da leitura do testamento de Marissa, mas isso não é o importante agora, o que precisa saber é que Edgar pegou as duas hoje depois de uma de minhas lutas do clube Death House e não fazemos ideia de onde ele levou-as — Se arrependeu interminavelmente de ter contado tudo tão rápido quando assistiu a cor do rosto dele se esvair e sua mão ir de encontro ao peito.

— Oh Deus...

— Senhor? Por favor, respire fundo!

— Minhas meninas — Ele começou a respirar rapidamente, e desesperadamente, levantei e corri até a cabeceira de sua cama, onde havia uma mesinha com um copo de água. O colocou nas mãos de Joshua. Jodie me mataria por quase dar um enfarto ao seu avô.

— On-onde... estão elas? — perguntou com dificuldade enquanto tomava a água. Esperei até que ele estivesse calmo para falar.

— Não sabemos. Por isso vim até aqui — Joshua me olhou — Você é pai de Edgar, o conhece melhor que todos. Digá-me que sabe de um lugar que seja especial para ele, um que ele possa estar escondido durante esse tempo. — Medo me atingiu quando uma sombra de preocupação e desespero passou pelo o rosto de Joshua.

— Ele é meu filho, mas eu não o conheço mais. Não tenho ideia para esse garoto tenha ido — lamentou, e podia ver a decepção estampada em suas íris. Neguei-me a aceitar e abaixei-me a sua frente, mostrando-lhe o quão importante era para Jodie e Mitchie que ele soubesse algo.

— Por favor. Pense. — Implorei — Deve haver um lugar em que ele gostava de ficar. Um que lhe trouxesse boas memorias ou que o fazia se sentir bem. Tente fazer isso, ou não poderemos encontrar Jodie e nem mesmo Michelle — Josh coçou os olhos, pensando, forçando-se a empurrar a aflição e a dor em seu peito para que pudesse pensar com mais coerência. Eu esperei paciente. Ou quase.

— Edgar é tudo, menos burro. Ele possivelmente encontraria um lugar que fosse óbvio, mas não ao ponto de chamar atenção. Um que... conhecesse a muito anos e soubesse exatamente como entrar — franziu o cenho e então algo clareou em seu rosto, os abriram com um salto e com esperança, segurei as laterais de sua cadeira. — É claro! O parque! — pisquei sem entender.

— O que? — Ele agitou as mãos na frente de seu rosto.

— O parque. O que falei a Jodie quando veio visitar-me — Prendeu meus olhos com intensidade — Edgar gostava de ir ao parque Word. Era um dos lugares que passava à tarde com Marissa. — O nome fez-me brilhar em familiaridade, lembrando-se do parque em que Lisa e suas amigas, haviam rasgado a fotografia de Jodie e onde Jodie conheceu Jack e todos os outros.

— O senhor tem certeza? — perguntei esperançoso.

Josh assentiu rudemente.

— Absoluta! O parque nunca sai do lugar, ele é parado e sempre foi muito famoso. Edgar e Marissa iam lá todos os finais de semanas. Ele deve estar em algum lugar daquele parque — Não precisei mais de nada. Corri para porta, escancarando-a para que pudesse ir às pressas além do corredor, desesperado para chegar ao SUV. Os seguranças não puderem falar nada com o raio que passou por eles e entraram no quarto de Joshua para ver se ele estava bem quando esse me chamou.

Quando cheguei ao carro, arranquei com ele até o parque enquanto tentava manter algum tipo de controlo, por mais que pensar não ajudasse. Não demorou para que chegasse nele, mas comecei a praguejar ao ver o maldito lugar lotado de pessoas e de luzes. Assisti a roda gigante dar várias voltas enquanto apertava os dedos em volta do cabo do taco de beisebol, tomou fôlego e saiu do SUV.

Pessoas. Crianças. Homens e mulheres andavam para os lados, divertiam-se nas bancas e namorados aproveitavam o tempo juntos. Estudei perímetro com cuidado, tendo o máximo de calma para não chama atenção de ninguém. Parei por um segundo em frente a banca de tiro, onde Jodie havia esfregado em minha cara que tinha me chutado a bunda.

Perderia o juízo se algo acontecesse a ela. Sabia que isso seria inevitável.

— Olha mãe! Vamos naquele! — Distraí-me quando uma garotinha passou correndo por mim, seu dedo apontando logo à frente. Uma mulher correu até a menina e a pegou pela mão.

— Não querida. Aquele não está funcionando.

— Mas mãe...

— Vamos agora Sophie — As duas foram na direção de outro brinquedo, mas usando aquela mesma intuição de poucas horas antes, andei na direção que a menina apontava.

Olhei para o que parecia uma imitação de castelo. Pedras escuras e rachadas o deixava mais impressionante, e logo ao meio havia apenas uma passagem escura e obviamente longa. Aproximei-me mais da lateral do lago razoavelmente grande que circulava o castelo, e mais a esquerda havia um pequeno barco com lugar para quatro pessoas.

Toquei as correntes e as barras de ferro impedindo a passagem de qualquer um ali e franzi a testa, olhando para o barco preso a uma delas. Olhei para a placa velha e aos pedaços ao lado da entrada: Túnel do amor.

O bip em minha cabeça apitou, e olhando ao redor, entendi porque aquele lugar parecia ser o único o qual Edgar devia estar. Primeiro: Havia lugar para dois barcos e pelo que via, faltava um. Segundo: Ninguém sequer iria pensar em um lugar desses. Seria perda de tempo revisitar um túnel que havia parado de funcionar a muito tempo.

Decidindo o que faria, mirei para o taco e depois a entrada do túnel. Estava na hora de agir.

Estou chegando Jodie.

~*~

Notas finais
É isso gente, comentem okay. E até sexta!