Believe In Me
26 Capitulo 26 — Problemas
Notas iniciais
Depois da longa conversa com Linnea e seu marido, nós saímos do escritório e partimos para sala. Eu sorri assim que a encontrei totalmente lotada de adolescentes xingando um ao outro, cada um berrando de um uma parte do cômodo. Linnea pareceu radiante ante essa cena, olhava tudo com olhos cheio de divertimento, já Carter tinha uma careta e a testa vincada em um desgosto estranho.
— O que à com ele? — sussurrei para Linnea. Ela olhou seu marido meio risonha.
— Oh, não se importe com ele. Carter apenas anda preocupado com a adolescência de Ivy — Ergui uma sobrancelha zombeteira e ela riu — Ele tem medo que ela seja tão impulsiva quanto eu. Pelo que ele diz, eu sou um perigo, talvez a visão de seus amigos, atice seu medo paternal — Ri e me voltei para meus amigos bem a tempo de ver Jack alisar aquele cabelo para trás e sorrir para Stef, que logo se tornou um tanto vermelha, sorte dela ser bem escurinha, pois assim não dava tão na cara. Ri mais sobrevoando com os olhos para o sofá, onde Jonah e Liam discutiam por uma almofada, fazendo Eloise berrar para que eles não a rasgassem, e um pouco mais afastado, Harlow e Jimmy fingiam se odiar mostrando o dedo um para o outro e se ignorando. Pisquei, me sentindo mal de repente, vendo como Carter estava certo. Eles todos estavam aqui por mim, para cuidar de mim, e eu não tinha feito nada para retribuir.
— Entendeu o que queremos dizer agora? — Linnea me abraçou de lado sorrindo, seu olhar sábio nos meus amigos — Eles querem você bem. — Dividi a visão com ela, e sorri.
— Sim, eles querem — concordei. Ela me apertou, e ao ver seu marido acenar para porta, falou.
— Fale com eles, vamos lhe esperar no carro. — Assenti.
— Obrigada. — Ela me beijou na testa e saiu sem fazer ruídos para fora da casa.
Com eles fora, eu não entrei na sala de imediato, ao invés disso andei de fininho para a escada e subi para o quarto de Lizze. Peguei minha mochila e respirando fundo, desci novamente.
Eles me olharam assim que coloquei o pé na sala dessa vez, como eu esperava, Liam foi o primeiro a saltar do sofá e vir ate mim.
— Como foi? — perguntou. Sorri.
— Eu vou com eles — Liam sorriu também, mas parecia que ele tinha esperanças que eu continuasse na casa de Lizze, pois o sorriso era fraco. Eu ia falar algo, mas fui atacada por braços pequenos e finos.
— Não acredito que vai embora da minha casa — Eloise fazia bico como uma criança ao se afastar — Podíamos nos divertir.
— E assim depois você poderia me colocar na cama. Sinto muito Lizze, mas dispenso — Ela riu. Eu balancei a cabeça.
Jonah se apoiou no meu ombro, seu cabelo azul entrando na minha visão junto ao seu sorriso seduzente.
— Ainda vamos te visitar.
— Isso é verdade — Jimmy apareceu do outro lado com Jack, aos seus calcanhares tinha uma menina sem graça e outra emburrada. — Não pode esquecer-se dos amigos.
— Mas por que? Vocês são tão chatos — brinquei fingindo decepção, eles sorriram.
— Porque se o fizer, nós vamos atrás de você — Harlow ameaçou com aquele típico mal humor. Eu realmente gostava da nanica.
— Então acho que terei de aguentar vocês — falei — Linnea disse que os pais de Liam sabem onde ela mora, peçam para eles o endereço e vão me ver. Não acho que poderia ir até vocês por agora.
— Pode deixar que vamos com todo prazer — Jack se aproximou com aquele olhar cheio de lindeza — Agora vem me da um abraço marrentinha — Ia socá-lo, mas desisti assim que estava aconchegada em seu peito. Suspirei, abraçando de volta o mais forte possível. Ele beijou minha cabeça e sussurrou, apenas para mim — Estou com você Jodie, para tudo.
— Obrigada Jack — Ele ficou mais uns minutos me apertando e depois deu lugar para Stef, que veio toda tímida para perto de mim.
— Olha, nós ainda não somos tão próximas, mas pode contar comigo. — sorri, e a abracei.
— Valeu Stef. — Ela se afastou. Jimmy apareceu com seu charme e o sorriso de lado, o cabelo louro jogado desleixadamente o deixava bem gostoso, o uniforme do colégio só ajudava mais.
— Acho que não preciso falar que pode me chamar para tudo, porque você já sabe — ri e permiti que ele me agarrasse em um abraço.
— Okay. Jaime — risos. Ele rosnou.
— Eu vou te jogar um balde de água gelada se continuar com isso — resmungou voltando para o canto da sala, eu gargalhei e virei para a próxima pessoa. Harlow apontou o dedo na minha cara.
— Estou te avisando Jodie, se não me ligar quando acontecer merda, eu juro que faço um vodu para que pegue sarna — Ergui uma sobrancelha e calmamente, abaixei seu dedo.
— Acho melhor você não me subestimar em travessuras baixinha, pois pode apostar que eu vou ganhar sempre — Ela me fuzilou, mas depois, de uma hora para outra, sorriu e me agarrou em um abraço.
— Você é tão top! — gargalhei.
— Certo. Certo. Ela sabe que é tudo de bom, mas agora sai da minha frente tapinha — Jonah puxou a garota pelo cabelo e a afastou de mim enquanto essa berrava xingamentos. Sorri assim que o garoto tentou me pegar no colo, porém, eu me esquivei.
— Não se atreva!
— Qual é… vou te levar para o carro — Ele sorriu maliciosamente, eu arregalei os olhos já me afastando.
— Não, nem pensar. Jonah! Não! — Corri quando o infeliz pulou por cima do sofá. Fui até a porta gritando, desviando de todos para não ser capturada, podia ouvir o riso deles mesmo depois que sai para fora da casa. Carter e Linnea me esperavam encostados no carro como disse, e ao me ver rindo, a moça sorriu.
— Pronta? — perguntou. Sorri ofegante pela corrida.
— Sim, eu… — parei, lembrando de repente que tinha me despedido de todos menos de…
— Jodie! — ri. Claro que ele não iria permitir que eu fizesse isso, ele era Liam, o garoto mais chato de todos.
Virando, o vi caminhando para mim, suas pernas fortes, lentas, e os braços grossos amostra. Como se meu corpo reagisse a ele, meus pés começaram a fazer a caminhada para encontrá-lo ao meio do caminho, nossos olhos sempre presos um no outro.
— Pensei que fosse sem falar comigo — disse cauteloso.
— Como se você fosse admitir isso — Apontei e ele sorriu assentindo. Voltou a quietude estranha, e ela com certeza me fazia lembrar do que rolou durante a madrugada. O lábio machucado dele me atiçava a corar toda vez.
Sua expressão estava em branco, sem emoção. Mas havia algo.
— Deve parar de me olhar assim — avisei. Ele não cedeu.
— Quando vamos falar sobre o que aconteceu? — perguntou, me ignorando totalmente. Respirei fundo, esfregando o rosto impaciente.
— Não temos nada para falar novato. — Seus olhos brilharam.
— Não me chame dessa forma — suspirei.
— A forma como eu te chamo nada tem haver. E assim também não importa. — Havia algo impotente em seus olhos agora, mas eu não ia cair por eles novamente. Pelo menos eu achava.
Encontrei o seu olhar e vi o fogo azul em seus olhos.
— Eu não vou desistir disso, Jodie.
— Pelo amor de Deus, Liam! Eu não sou o tipo de garota certa para te fazer feliz e você sabe disso — Eu explodi, cansada daquela discussão. Ele não recuou um passo.
— O que eu sei é que você é perfeita, bonita, inteligente, intratável em uma forma... atrativa. Cabeça dura, mas uma boa amiga. Uma lutadora assombrosa.
— Pare com isso — supliquei, fechando os olhos com força — Pare de mentir para si mesmo.
— Eu não tenho que parar de mentir, pois estou dizendo a verdade — Ele deu um passo para frente — Dei-me uma chance apenas — Pediu. Eu recuei imediatamente.
Eu não era ingênua o bastante para negar o que havia entre mim e Liam. Eu queria acreditar nele. Mas isto não era um jogo. Eu poderia morrer de verdade.
Evitando a intimidade na sua voz, eu sorri educadamente para ele.
— Espero que não precise lutar com você novato. Estou cansada disso sabe.
Eu vi a seriedade em sua expressão. Isso arrancou as cordas do meu coração ao vê-lo parecer tão decidido assim sobre mim. Mas o que quer que seja que o destino pode ter reservado para nós no caminho, eu não estava pegando essa saída hoje.
— Jodie.
Havia uma reprovação suave em sua voz, mas eu estava firmando meu plano. — Sim, novato?
— Seja teimosa se quiser; se precisar, mas sabemos como isso vai acabar.
Eu mantive meu rosto vazio.
— Isso vai acabar como sempre acaba. Eu me magoando, socando a sua cara e indo embora. Nada mais que isso — tão duro quanto ele sempre aparentou, ele disse.
— Isso é o que veremos. — e então ele se foi, caminhando com determinação de volta para casa de Lizze.
Eu praguejei em silêncio. Aquele garoto iria ser a minha morte.
~*~
— Fique a vontade, Jodie.
A casa de Linnea estava a mesma assim que coloquei o pé nela, era o tipo de lugar que qualquer garota gostaria de morar.
Cuidadosamente, passei os dedos sobre os quadros pregados nas paredes e vários desenhos enquadrados, que obviamente eram de Ivy.
— Irei voltar ao trabalho — consegui ouvir Carter falar com a esposa no outro lado do corredor. Tentei não prestar atenção indo até a cozinha, porém… — Voltarei às oito. Consegue tomar conta de tudo?
— Claro que sim. Está se preocupando atoa — O tom de Linnea por mais que fosse carinhoso, ainda tinha uma pontada de aversão — Jodie é uma boa menina.
— Eu espero que ela seja — suspirei. Teria que conseguir a confiança desse ai.
— Papá! — me virei na direção contrária bem a tempo de ver um pequeno ser com macacão azul e cabelo bagunçado sair correndo da sala na direção do homem rijo na porta.
Carter olhou para baixo e, instantaneamente, relaxou a postura dura e severa, seu rosto de poucos amigos ficou doce e os lábios se curvaram para cima em um quase sorriso, era como se aquela face nunca estivesse nervosa e sim leve, como estava agora.
— Papá, papá! — Ivy caiu no meio do caminho para o pai, tirando uma risadinha de Linnea, quando essa estava pronta ajudá-la se levantar, Ivy deu um jeitinho de chegar ao seu destino, sozinha.
Ela engatinhou — se arrastou para ser mais precisa — até os pés do homem enorme. Carter não demorou nada para pegá-la, abaixou seu tronco e colocou sua menina dentro de seu aconchego enquanto a menina murmurava uma porção de “Papá” e “Daaaá daaaá “.
— Eu acho que a senhorita está muito falante — Ele brincou, olhando a garotinha com a sobrancelha arqueada. Ivy gargalhou, jogando a cabeça para trás e depois subiu pelo o ombro dele na intenção de pegar sua orelha — E também está muito atrevida.
— Isso nunca foi uma novidade, não é? — Linnea sorria. Ela esfregou o nariz contra sua filha, que riu deliciosamente. Em seguida virou-se para Jodie e disse:
— Que tal vermos seu novo quarto, Jodie? Ficara no de hospedes por enquanto.
— Por mim tudo bem.
— Jojo!! — Voltei a vista para Ivy, e assim que notei a pequena me estendendo os bracinho, o sorriso e a vermelhidão se apossou do meu rosto.
— Oi, para você também Ivy — falei. A menina continuou se mexendo nos braços do pai na vontade de vir até mim.
— Parece que vocês duas viraram… amigas? — Carter olhava pensativamente para mim e para sua filha. Dei de ombros sem saber o que dizer.
— Ivy sabe como Jodie é querida — Linnea disse em bom humor. — Agora, Carter. Vá fazer seu trabalho, Ivy… vem com a mamãe! — Ela pegou a bebê relutante e birrenta no colo e gritou em seguida uma mulher, essa apareceu no corredor no mesmo instante na porta da sala.
Com certeza era a babá. O cabelo num tom escuro impressionante, e com toda certeza era mais velha que eu, entretanto não muito. Talvez ela estivesse na casa dos vinte anos para cima. O rosto parecia de alguém confiante e olhos castanhos brilhantes focados em Linnea.
— Oh, não sabia que haviam chegado — disse ela enquanto secava as mãos em um pano de pratos. — Deixei-a brincando enquanto cuidava daquela louça. Bom-dia, Carter.
— Bom dia, Hannah — O marido de Linnea acenou com a cabeça.
— Ouça Hannah, teremos mais uma pessoa morando conosco — Linnea me indicou com um sorriso. — Jodie, essa é a babá de Ivy. E Hannah, Jodie é uma amiga e minha convidada. — A babá deu um sorriso caloroso e acenou com a mão.
— É um prazer Jodie.
— O mesmo — acenei.
— Vou indo querida — Carter beijou a cabeça da filha e a testa de Linnea — Qualquer coisa me ligue.
— Não precisarei disso. Tenho certeza — Ele suspirou, e depois de dar mais um longo olhar para mim, saiu pela porta deixando uma garotinha manhosa e revoltada para trás.
— Hannah, leve Ivy para brincar. Talvez se distraia.
— Claro, senhora — A babá pegou a menina e partiu para sala em minutos.
— Agora vamos, vou te mostrar seu quarto.
Agarrando minha mochila em um aperto forte, segui-a até as escadas até o cômodo a cima, eu lembrava o que ficava atrás de cada porta, contudo havia uma na qual eu não tinha entrado, portanto considerei essa meu mais novo quarto.
Estava absolutamente certa.
— Espero que goste — Ela disse, e abriu o quarto para mim.
Entrar naquele quarto foi como entrar na minha própria cabeça, na minha alma tão escurecida. As paredes eram pintadas em branco e cinza, a mobília rica e elegante era também nessa cor e assim continuava a cortina da janela e a roupa cama. Bonito. Mas tão sem vida comparada aos outros cantos daquela casa.
Com certeza a única coisa com cor naquele quarto era o azulejo do chão, que ganhará a coloração marrom. Certo que não é uma cor tão exuberante e bonita, mas ainda sim, continuava sendo uma.
Suspirei, andando em volta do quarto e tentando compreender o por quê de aquele lugar especifico da casa ter me feito sentir tão… segura. Possivelmente era a falta de cor; ou até mesmo a falta de alegria.
— E então? — Linnea parecia aflita — Gostou? — Virei-me para ela e sorri.
— Muito. Obrigada — Os ombros dela relaxaram.
— Que bom. Sei que não existe na de exagerado, mas podemos mudar um pouco se for ficar por muito…
— Não — interrompi — Está ótimo assim.
— Está bem, então — Ela se aproximou e sentou na grande cama, depois deu duas palmadinhas ao seu lado — Venha aqui, criança. — fui até ela como pedido e me sentei depois de deixar a mochila descansada no colchão. — Como está depois de tudo isso querida? Está passando por muita coisa.
— Por agora, eu não sei explicar o que estou sentindo e o que deixo de sentir — falei sinceramente — Apenas sei que minha cabeça está rodando somente em torno de um nome. Edgar. Ele é meu maior problema. E até agora, não tenho noticias dele.
— Não fique tão atormentada, isso irá passar — Linnea tocou em minha mão e esfregou amistosamente — Entrei em contato com Ethan e Amara Corey, essa manhã, antes de sair de casa, e consegui saber umas coisas sobre seu pai — Estreitei os olhos para ela cheia de receosidade.
— E o que eles falaram?
— Ele esteve no colégio procurando por você, e pelas queixas de Charlotte, a diretora, ele estava um pouco alterado — fiz careta.
— Bêbado.
— É o que parece. Ethan me informou que o denunciaram na delegacia, e que em breve, você terá que ir fazer uma visita ao delegado. — Esfreguei rosto, meu humor indo de mal para pior.
— Isso vai ser horrível, mas já esperava — bufei. — Eles prenderam Edgar?
— Não foi possível — Minha cabeça pulou em alerta.
— Como assim, “Não foi possível”? — Linnea apertou minha mão em um aperto forte, como se para me dar forças.
— Edgar sumiu Jodie. Não estava na casa de vocês quando a policia bateu.
— Maldito bastardo! — cuspi. — Para onde ele foi?
—Não sabemos, mas a policia está procurando. — fechei os olhos, usando os joelhos para apoiar os cotovelos e as mãos para esconder o rosto.
— Ele vai atrás de Michelle — Eu sabia disso, tinha tanta certeza — Eu sei que ele vai. Não posso deixar isso acontecer — Um calafrio transpassou minha espinha, o pânico me rondando devagar, mas Linnea o afastou ao puxar-me para dentro de seus braços e acariciar minha cabeça ao deitar em suas pernas.
— Vai ficar tudo bem com sua irmã, meu amor. A família que ela está já foi avisada sobre Edgar. Eu mesma cuidarei para que nada saia errado — O medo não passou de qualquer jeito.
— Isso pode não ser o bastante.
— Eu gostaria que você confiasse em mim. — Engoli em seco, meu peito sendo torturado em vontade de permitir tal intimidade com ela, mas ainda assim…
— Não sou de confiar fácil nas pessoas — disse.
A mão de Linnea tocou meu cabelo mais uma vez, sem cessar os carinhos. Era bom.
— Eu tive mesmo essa impressão — Ela estava calma — Por isso quero conquistá-la aos poucos, mas isso não será possível se não me permitir entrar.
— Você fala como Liam — As palavras saíram rápidas e nenhum pouco pensadas. A mão da mulher parou por um momento.
— Liam? O garoto que você supostamente “Odeia”? — por mais merda que fosse, eu sorri, incapaz de não fazê-lo de repente.
— Sim. Vocês dois são tão parecidos — franzi o cenho — Carregam um ar de eterna proteção. Olham-me como se quisessem me desvendar. Isso é meio chato às vezes, porque quase nunca consigo decifrar suas expressões — Linnea soltou uma risadinha.
— Ah, eu também ficaria nervosa. — falou. A quietude a seguir foi traiçoeira, e senti quando Linnea deslizou por ela para chegar a mim e finalmente falar — Você parecia ter brigado com ele ao se despedir.
Poucas palavras, mas as únicas que desencadearam uma porção de imagens. Imagens que envolviam toques, lábios, beijos, falas e brigas, imagens em que existia um garoto e uma garota entregando-se a uma boba quedinha adolescente. Firmei os lábios em uma linha reta recordando daquela mão, daquela boca... Deus sabia como eu queria entendê-lo, mas não era possível, nada que se relacionava a uma coisa boa direcionada para mim, era possível.
— Talvez seja melhor que brigássemos — falei sem emoção — se isso acontecer pode colocar juízo na cabeça dele.
— Por que diz isso?
— Ele me beijou — Linnea mexeu em baixo de mim — Duas vezes. Ele é um idiota. — Ela riu.
— Ora, mas por que? Se ele avançou tanto, quer dizer que gosta de você — Virei os olhos, minha cabeça cheia de pensamentos assim.
— Ele diz isso, mas não posso aceitar. É uma mentira.
— Só vê o que quer, Jodie — Me levantei, virando para encará-la com nada mais que seriedade e, de certo modo, frustração.
— Eu realmente não consigo idealizar alguém apaixonado por mim Linnea — Minha voz carregava um desespero desconhecido — Eu não consigo imaginar alguém pensando em mim antes de dormir, ou contando para seus amigos sobre mim com um sorriso bobo. Eu não consigo imaginar ninguém nas nuvens porque eu disse “Oi” ou qualquer coisa assim — respirei fundo, me levantando para uma volta inteira no quarto enquanto esfregava as unhas no couro cabeludo de meus fios — Não dá para mim fazer nada disso, não sei o porquê, só não consigo.
Como era possível que aquelas palavras tivessem me mantando por dentro? Como era possível, que de alguma forma não explicada, eu pudesse me sentir no dever de magoar Liam e ao mesmo tempo querer enfiar uma faca em mim mesma por causa disso? Era tão duro saber que aquele garoto podia se tornar algo a mais em minha vida, algo que poderia destruir-me ou ajudar-me.
Mesmo pensando, mesmo sentindo isso, eu me perguntava se Linnea era capaz de compreender o que queria dizer com os olhos aprofundados em apenas dor e escuridão. Ela amava Carter, talvez ela entendesse o que minha alma necessitava, e se eu devia ou não devia me afastar para sempre de Liam.
— Isso então é um impasse — Linnea falou depois de um longo olhar avaliativo — Mas, lembra-se quando conversamos sobre a felicidade vir até você? — Assenti — Eu acho que isso está acontecendo, Jodie. Como não quer correr atrás de sua felicidade, ela veio atrás de você, e Liam pode ser uma pequena fração do que ela é de verdade. É possível, que esse garoto seja sua única alternativa para andar para frente e não recuar.
E essas foram às palavras que eu tive de pensar durante o dia inteiro. Com certeza, a minha vida não é, e nunca será, um mar de rosas cheirosas.
E tudo o que tenho a dizer é: Foda-se!
~*~
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