Hermione voltou à cabana de Hagrid no domingo pela manhã, avançando com dificuldade pela neve de meio metro de altura. Amélia queria acompanhá-la, mas Lisa e Benjamin puxaram a amiga falando algo sobre estarem com saudades, Hermione simplesmente riu e disse que podia fazer aquilo sozinha.

— Qualquer coisa, me grite, vou correndo ajudar — Amélia respondeu.

— Tudo bem. Até mais tarde.

Harry e Rony ficaram no Salão Comunal, fazendo a montanha de deveres de casa que atingiu uma altura alarmante, por isso, contrariados, eles ficaram. Amélia, no entanto, acabou se divertindo com os amigos, patinaram no lago gelado, andaram de tobogã e, o melhor, enfeitiçaram bolas de neve para voar até a Torre da Grifinória e bater com força nas janelas, ideia de Fred e Jorge, obviamente.

— Oi! — berrou Rony, metendo a cabeça, sem paciência, para fora da janela: — Sou monitor, e se mais uma bola de neve bater nesta janela... AI!

Ele recuou com um movimento brusco, com rosto coberto de neve.

Voltaram para o castelo na hora do almoço, tremendo um pouco de frio, as vestes úmidas.

— Então? — Amélia perguntou quando se sentou ao lado de Hermione. — Conseguiu planejar todas as aulas com o Hagrid?

— Bom, eu tentei — respondeu ela desanimada. Olhou para a amiga e puxou a varinha e, com um floreio, fez sair ar quente da ponta; em seguida apontou-a para as vestes de Amélia, que começaram a desprender vapor à medida que foram secando. — Ele nem estava lá quando cheguei, bati no mínimo meia hora. E quando saiu mancando da Floresta…

Amélia a olhou assustada, a Floresta Proibida estava apinhada com o tipo de animais com maior probabilidade de causar a demissão de Hagrid.

— Que é que ele está criando lá? Ele disse?

— Não — respondeu Hermione infeliz. — Disse que quer fazer surpresa. Tentei explicar o papel da Umbridge, mas ele simplesmente não entende. Repetiu o tempo todo que ninguém com o juízo perfeito iria preferir estudar ouriços em vez de quimeras... ah, não acho que ele tenha uma quimera — acrescentou ao ver a expressão de espanto no rosto da colega. — Mas não é por falta de tentar, pelo comentário que fez sobre a dificuldade de obter ovos. Não sei quantas vezes eu repeti que ele faria melhor se seguisse o programa da Grubbly-Plank, sinceramente acho que não ouviu nem metade do que eu disse. E está meio estranho, sabe? Continua sem querer dizer onde arranjou aqueles ferimentos.


O reaparecimento de Hagrid à mesa dos professores na manhã do dia seguinte não foi recebido com entusiasmo por todos os alunos. Alguns, como Fred, Jorge e Lino, gritaram de alegria e saíram correndo pelo corredor entre as mesas da Grifinória e Lufa-Lufa para apertar sua mão enorme; outros, como Parvati e Lilá, trocaram olhares sombrios e balançaram a cabeça. Muitos preferiam as aulas da Profª Grubbly-Plank, e o pior é que uma pequena parte de Amélia, imparcial, concordava com eles, para Grubbly-Plank uma aula interessante era aquela em que ninguém corria o risco de ter a cabeça arrancada.

Foi com uma certa apreensão que os alunos se encaminharam para a aula de Hagrid na terça-feira, bem agasalhados contra o frio. Harry estava preocupado, não somente com o que Hagrid decidira ensiná-los, mas também com o comportamento do restante da turma, particularmente o de Malfoy e seus comparsas, e Amélia teve que concordar com ele quando compartilhou seu sentimento, Malfoy podia ser bastante desprezível até mesmo sem querer, imagine se Umbridge estivesse observando. No entanto, a Alta Inquisidora não estava visível enquanto venciam com dificuldade a neve em direção a Hagrid, que os esperava na orla da Floresta.

Sua aparência não tranquilizava; os hematomas que estavam roxos no sábado à noite agora estavam matizados de verde e amarelo, e alguns dos seus cortes ainda pareciam sangrar. Belmont só estava com uma dúvida: será que Hagrid fora atacado por alguma criatura cujo veneno impedia os ferimentos de sararem?

E, como para completar sua figura sinistra, Hagrid carregava por cima do ombro uma coisa que parecia a metade de uma vaca morta.

— Vamos trabalhar aqui hoje! — anunciou alegremente enquanto se aproximavam, indicando com a cabeça as árvores escuras às suas costas. — Um pouco mais protegidos! De qualquer maneira, eles preferem o escuro.

— Que é que prefere o escuro? — Malfoy perguntou rispidamente a Crabbe e Goyle, com um indício de pânico na voz. — Que foi que ele disse que prefere o escuro: vocês ouviram?

— Prontos? — perguntou Hagrid animado, olhando os alunos. — Bom, então, estive guardando uma viagem à Floresta para o seu quinto ano. Pensei em irmos ver os bichos em seu habitat natural. Agora, o que vamos estudar hoje é bem raro. Calculo que eu seja a única pessoa na Grã-Bretanha que conseguiu domesticá-los.

— Você tem mesmo certeza de que eles estão domesticados? — disse Malfoy, o pânico em sua voz era ainda mais pronunciado. — Não seria a primeira vez que você traz bichos selvagens para a aula, não é?

Os alunos da Sonserina murmuravam concordando, e alguns da Grifinória também pareciam achar que Malfoy tinha uma certa razão.

— Claro que estão domesticados — garantiu Hagrid, fechando a cara e erguendo um pouco a vaca morta para ajeitá-la no ombro.

— Então, que foi que aconteceu com o seu rosto? — quis saber Malfoy.

— Cuide da sua vida! — disse Hagrid, zangado, e Amélia lançou a Malfoy um sorriso de deboche. — Agora, se acabaram de fazer perguntas bobas, me sigam!

Ele se virou e entrou na Floresta Proibida. Ninguém parecia muito disposto a segui-lo. Harry olhou para Amélia, Rony e Hermione, que suspiraram, mas concordaram com a cabeça, e, juntos, entraram atrás de Hagrid, liderando o resto da turma.

Os alunos caminharam por uns dez minutos até chegarem a um ponto em que as árvores cresciam tão juntas que era sombrio como ao anoitecer, e não havia neve no chão. Com um gemido, Hagrid depositou a metade da vaca no chão, recuou e se virou para olhar os alunos, a maioria dos quais se esgueirava de árvore em árvore em sua direção, espiando para os lados nervosamente como se esperassem ser atacados a qualquer momento.

— Cheguem mais, cheguem mais — encorajou-os Hagrid. — Agora eles vão ser atraídos pelo cheiro da carne, mas de qualquer maneira vou chamá-los, porque vão gostar de saber que sou eu.

Ele se virou, sacudiu a cabeça desgrenhada para tirar os cabelos do rosto e soltou um grito estranho e agudo que ecoou por entre as árvores escuras como o chamado de uma ave monstruosa. Ninguém riu: a maioria estava apavorada demais para emitir qualquer som.

Hagrid deu um novo grito agudo. Passou-se um minuto em que a turma continuou a espiar nervosamente sobre os ombros e por trás das árvores para avistar o que quer que estivesse a caminho. Então, quando Hagrid jogou os cabelos para trás mais uma vez e encheu o enorme peito, Amélia suspirou.

Dois olhos vidrados, brancos e brilhantes, foram crescendo na penumbra, depois surgiram a cara draconiana, o pescoço e, em seguida, o corpo esquelético de um enorme cavalo alado negro emergiu da escuridão. O animal correu os olhos pela turma por alguns segundos, balançando a longa cauda negra, então começou a arrancar pedaços da vaca morta com seus caninos pontiagudos.

Amélia já havia visto aqueles animais antes, carregando as carruagens dos alunos. Eles eram assustadoramente calmos e mansos para terem aquela aparência.

— Por que é que Hagrid não chama outra vez? — sussurrou Rony.

A maioria dos outros alunos expressava no rosto uma ansiedade confusa e nervosa, como a de Rony, e continuava a olhar para todos os lados, exceto para o cavalo, a pouco mais de um metro deles. Amélia estava surpresa, achava que todos podiam ver, mas havia apenas mais três pessoas que pareciam capazes de vê-los: um garoto magricela da Sonserina, parado logo atrás de Goyle, que observava o cavalo comer com uma cara de intenso nojo; Neville, cujo olhar acompanhava o balanço da longa cauda negra; e Harry, que olhava meio espantado, meio aliviado.

— Ah, e aí vem mais um! — anunciou Hagrid orgulhoso, quando viu aparecer do meio das árvores escuras um segundo cavalo, que fechou as asas contra o corpo e mergulhou a cabeça para devorar a carne.

— Agora... levantem as mãos... quem consegue vê-los?

Ainda meio confusa, Amélia levantou a mão, assim como Neville, o garoto da Sonserina e Harry. Hagrid fez um aceno para o último.

— Sim... sim, eu sabia que você seria capaz de vê-los — disse sério. — E você também, Neville, é? E…

— Com licença — perguntou Malfoy com a voz desdenhosa -, mas que é exatamente que eu devia estar vendo?

Em resposta, Hagrid apontou para a carcaça da vaca no chão. A turma inteira contemplou-a com espanto por alguns segundos, então várias pessoas exclamaram, e Parvati soltou um grito agudo. Amélia entendeu o por quê: os pedaços de carne se soltando dos ossos e desaparecendo no ar deviam parecer realmente estranhos.

— Que é que está fazendo isso? — perguntou Parvati aterrorizada, recuando para trás da árvore mais próxima. — Que é que está comendo a vaca?

— Testrálios — disse Hagrid, orgulhoso, e Hermione soltou em voz baixa um "Ah!" de compreensão ao ombro de Harry. — Hogwarts tem um rebanho deles aqui na Floresta. Agora, quem sabe...?

— Mas eles realmente trazem má sorte! — interrompeu Parvati, parecendo assustada. — Dizem que dão todo o tipo de azar às pessoas que os vêem. A Profª Trelawney me contou uma vez…

— Não, não, não — contestou Hagrid rindo -, isso é pura superstição, isto é, eles são muito inteligentes e úteis! É claro que esses daqui não trabalham muito, só puxam as carruagens da escola, a não ser que Dumbledore vá fazer uma viagem longa e não queira aparatar... e aí vêm mais dois, olhem…

Mais dois cavalos saíram silenciosamente de trás das árvores, um deles passou muito perto de Parvati, que estremeceu e se encostou mais perto da árvore, dizendo:

— Senti alguma coisa, acho que está perto de mim!

— Não se preocupe, ele não vai machucar você — disse Hagrid paciente. — Certo, agora, quem é capaz de me dizer por que alguns de vocês vêem os Testrálios e outros não?

Hermione ergueu a mão.

— Diga, então — pediu Hagrid, sorrindo para a garota.

— Só podem ver os Testrálios — respondeu ela — as pessoas que já viram a morte.

— Exatamente — disse Hagrid, muito solene -, dez pontos para a Grifinória. Agora, os Testrálios…

Amélia suspirou, se perdendo em memórias que tinha a muito bloqueado da sua cabeça.

— Hem, hem.

A Umbridge chegará. Estava a alguns passos de Harry, usando novamente a capa e o chapéu verdes, a prancheta à mão. Hagrid, que nunca ouvira o pigarro fingido da Umbridge, olhou com certa preocupação para o Testrálio mais próximo, evidentemente pensando que ele produzirá o som.

— Hem, hem.

— Ah, olá! — disse Hagrid sorrindo, ao localizar a origem do ruído.

— Você recebeu o bilhete que mandei à sua cabana hoje pela manhã? — perguntou Umbridge, no mesmo tom alto e pausado que usara com ele anteriormente, como se estivesse se dirigindo a alguém ao mesmo tempo estrangeiro e retardado. — Avisando que eu viria inspecionar sua aula?

— Ah, sim — respondeu Hagrid animado. — Fico satisfeito que tenha encontrado o local sem dificuldade! Bom, como pode ver ou, não sei, será que a senhora pode? Hoje estamos estudando Testrálios…

— Desculpe? — disse a Profª Umbridge em voz alta, levando a mão em concha à orelha e franzindo a testa: — Que foi que você disse?

Hagrid pareceu um pouco confuso.

— Ah... Testrálios! — disse, elevando a voz. — Cavalos alados... hum... grandes, sabe!

Ele agitou os braços gigantescos, esperançoso. A Profª Umbridge ergueu as sobrancelhas para ele e resmungou alguma coisa enquanto anotava na prancheta: "Tem... de... recorrer... a... grosseira... gesticulação".

— Bom... em todo o caso... — disse Hagrid voltando-se para a turma e parecendo ligeiramente atrapalhado — hum... que é que eu ia dizendo?

— Parece... esquecer... o... que... estava dizendo — murmurou Umbridge, suficientemente alto para todos ouvirem. Draco Malfoy parecia sentir que o Natal chegará um mês antes; Hermione, por outro lado, ficará escarlate de fúria reprimida.

— Ah, sim — disse Hagrid, lançando um olhar preocupado à prancheta de Umbridge, mas prosseguindo valorosamente. — Eu ia contar a vocês como foi que formamos um rebanho. Então, começamos com um macho e cinco fêmeas. Este — ele deu uma palmadinha carinhosa no primeiro cavalo que aparecerá -, de nome Tenebrus, treva, o meu grande favorito, foi o primeiro a nascer na Floresta…

— Você tem ciência — disse Umbridge em voz alta, interrompendo-o — que o Ministério da Magia classificou os Testrálios como "perigosos"?

O ânimo de Amélia afundou como uma pedra, mas Hagrid meramente deu uma risadinha.

— Os Testrálios não são perigosos! Tudo bem, são capazes de tirar um pedaço de alguém que realmente os importunar…

— Manifesta... prazer... à... ideia... de... violência — murmurou Umbridge, registrando em sua prancheta.

— Ora... vamos! — exclamou Hagrid, parecendo um pouco ansioso agora. — Quero dizer, um cão morde se a pessoa o açula, não?... mas os Testrálios somente ganharam má reputação por causa dessa história de morte... as pessoas costumavam pensar que traziam mau agouro, não é mesmo? Simplesmente não entendiam, não é?

Umbridge não respondeu; terminou de fazer a última anotação, então olhou para Hagrid e disse, mais uma vez alterando a voz e enunciando as palavras devagar:

— Por favor, continue sua aula como sempre, eu vou andar um pouco — ela imitou uma pessoa andando, Malfoy e Pansy Parkinson tiveram acessos silenciosos de riso — entre os alunos — ela apontou cada integrante da turma — e fazer perguntas — ela apontou para a boca indicando o ato de falar.

Hagrid arregalou os olhos para ela, visivelmente incapaz de compreender por que estava agindo como se não soubesse inglês normal. Amélia estava com os olhos arregalados e Hermione agora tinha lágrimas de fúria nos olhos.

— Sua megera, sua megera maligna! — sussurrou ela, enquanto Umbridge andava em direção a Pansy Parkinson. — Eu sei o que você está fazendo, sua bruxa horrível, pervertida, malévola…

— Hum... em todo o caso — disse Hagrid, tentando nitidamente recuperar o fio de sua aula -, então... os Testrálios. Sim. Bom, há muitas coisas boas sobre eles…

— Você acha — perguntou a Profª Umbridge a Pansy com voz ressonante — que é capaz de entender o Prof. Hagrid quando ele fala?

Tal como Hermione, Pansy tinha lágrimas nos olhos, mas eram lágrimas de riso, na verdade, e sua resposta foi quase incoerente na tentativa de conter o riso.

— Não... porque... bom... muitas vezes... parecem grunhidos.

Umbridge registrou a resposta em sua prancheta. As poucas partes sãs do rosto de Hagrid coraram, mas ele tentou agir como se não tivesse ouvido a resposta da aluna.

— Hum... sim... coisas boas sobre os Testrálios. Uma vez que sejam domesticados, como este rebanho, as pessoas nunca mais se perderão. Eles têm um espantoso senso de direção, é só dizer aonde se quer ir…

— Supondo que eles consigam entender você, naturalmente — disse Malfoy alto, e Pansy desatou em um novo acesso de riso. A Profª Umbridge sorriu indulgentemente para os dois e se dirigiu a Amélia.

— Você consegue ver os Testrálios, Belmont, verdade?

Assentiu com a cabeça.

— Quem foi que você viu morrer? — perguntou ela, seu tom indiferente.

— Bem, hum, a minha avó — Amélia respondeu, claramente desconfortável.

— E o que acha deles? — perguntou a professora, indicando com a mão curta e grossa os cavalos, que a essa altura tinham limpado uma boa parte da carcaça até os ossos.

— Hum — disse meio nervosa, lançando um olhar a Hagrid. — Bom... eles... aah... tudo bem.

— Os... alunos... se... sentem... demasiado... intimidados... para... admitir... que... têm... medo — murmurou Umbridge, fazendo mais uma anotação na prancheta.

— Não! — protestou, aborrecida. — Na verdade — caminhou até o mais próximo e o alisou -, os acho bastante engraçados!

— Está tudo bem — disse Umbridge, lhe dando palmadinhas no ombro, com o que ela pretendia que fosse um sorriso de compreensão, embora parecesse mais um esgar maldoso. — Bom, Hagrid — Umbridge tornou a olhar para ele, falando mais uma vez alta e lentamente: — Acho que tenho o suficiente para trabalhar. Você receberá — ela imitou o gesto de apanhar alguma coisa a sua frente — os resultados de sua inspeção — ela apontou para a prancheta — dentro de dez dias. — Ergueu os dez dedos curtos das mãos, e, com o sorriso mais largo e bufonídeo que já dera sob aquele gorro verde, ela saiu apressada, deixando Malfoy e Pansy Parkinson tendo acessos de risos, Hermione tremendo de fúria e Amélia bastante aborrecida.


— Aquela gárgula velha, nojenta, mentirosa, deturpadora! — explodiu Hermione meia hora depois, quando voltavam ao castelo pelo caminho que haviam aberto na neve mais cedo. — Vocês estão vendo o que ela está tramando? É aquele preconceito contra mestiços outra vez: está tentando pintar Hagrid como uma espécie de trasgo retardado, só porque a mãe dele era gigante, e, ah, não é justo, na realidade nem foi uma aula ruim, quero dizer, tudo bem, se tivessem sido explosivins, mas os Testrálios são bem aceitáveis: de fato, tratando-se de Hagrid, são realmente ótimos!

— A Umbridge disse que eles são perigosos — lembrou Rony.

— Bom, é como disse o Hagrid, eles sabem se cuidar sozinhos — retrucou Hermione impaciente -, e suponho que uma professora como a Grubbly-Plank normalmente não nos apresentaria a eles antes dos N.I.E.M.s, mas, bom, eles são muito interessantes, não acharam? Como tem gente que pode vê-los e gente que não pode! Eu gostaria de poder.

— Gostaria? — perguntou Harry calmamente.

De repente ela fez uma cara de horror.

— Ah, Harry... desculpe... não, claro que não... foi realmente uma burrice dizer isso.

— Tudo bem — disse ele depressa -, não se preocupe.

— É de surpreender que tanta gente pudesse vê-los — comentou Rony. — Quatro em uma turma…

— É, Weasley, nós estávamos mesmo imaginando — comentou uma voz maliciosa. Sem que fossem pressentidos, Malfoy, Crabbe e Goyle vinham logo atrás, o ruído dos seus passos abafado pela neve. — Você acha que se visse alguém sentindo o cheiro deles você conseguiria ver melhor a goles?

Ele, Crabbe e Goyle deram grandes gargalhadas ao os ultrapassar a caminho do castelo, depois começaram a cantar "Weasley é o nosso rei". As orelhas de Rony ficaram vermelho vivo.

— Não ligue para eles, não ligue — Amélia disse, puxando a varinha e executando o feitiço que aprendeu com Hermione, para produzir ar quente e assim poder abrir mais facilmente um caminho pela neve intacta entre eles e as estufas.