Believe In Happiness
4 Capítulo 4- Um amigo
Quando acabamos de jantar, continuamos com as arrumações. A sala já estava apresentável, assim como a cozinha. Até que tocam à campainha. Deviam de ser os pais do Louis e provavelmente o próprio Louis também.
-Eu abro!- anuncia Liliana. Já estou a imaginar… Ela vai de certeza olhar para o Louis, só espero que ela não faça asneiras e chegar ao ponto de tentar “seduzi-lo” sem a mãe dela ou o meu pai notarem, às vezes não percebo o que vai na cabeça dela. Mas já aconteceu ela tentar fazê-lo a um rapaz de 18 anos… Inacreditável!
Quando abre a porta repara logo em Louis, já era de esperar. Liliana cumprimenta Louis e depois os pais dele. Para uma rapariga de 14 anos falava bem inglês, no entanto o seu vocabulário é mais restrito que o meu, é compreensível.
O meu pai e a Marlene dirigem-se para cumprimentar os vizinhos ingleses, então eu segui-os para não parecer indelicada.
-Somos os vizinhos aqui do lado, viemos dar-vos as boas-vindas! Afinal, não é todos os dias que recebemos vizinhos novos e ainda por cima portugueses. Trouxemos um bolo inglês para vocês- cumprimentou que julgo ser a mãe de Louis. O meu pai olhou para mim pedindo-me ajuda com o olhar, mas continuando a sorrir para os vizinhos. O meu pai e a Marlene nunca se deram bem com o inglês, nunca necessitavam de praticá-lo. De certeza que a partir de agora vão começar a utilizá-lo, lá isso não tenho dúvida.
-Boa noite. Obrigada, pelo bolo, são muito atenciosos. Entrem por favor- agradeci, sendo o mais amável possível e pego no bolo. Eles entram.
-Desculpem. Mas não se importam que eu traduza à minha família o que estão a dizer, lá em Portugal eles não praticavam muito o seu inglês. No entanto tenho a certeza que ao longo do tempo irão habituar-se à língua.- pronunciei para os vizinhos.
-Oh, querida, claro que não nos importamos. Isso é compreensível. Nós somos a família Tomlinson. Eu sou a Johannah, este é o meu marido Mark e este é o meu filho…
-Louis- interrompo- Conhecemo-nos hoje no parque.
-Ah… Louis, não me contaste que já tinhas conhecido os novos vizinhos…- exclamou Johannah, mãe do rapaz de olhos azuis.
-Eu só conheço a Joana, o resto da família não. Encontramo-nos porque ela sem querer deixou o cão escapar e eu ajudei-a- falou Louis, tranquilo com um sorriso nos lábios. O que me enervou mais, visto que ele estava a mentir, e eu não poderia traduzir o que ele estava a dizer, o meu pai não pode saber que eu supostamente deixei escapar o meu cão, então fingi que me esqueci de traduzir.
-Sim, foi muito simpático da parte dele me ter ajudado.- respondi. De seguida apresentei a minha família. Informei que Marlene era a minha madrasta, Liliana era sua filha e que Gabriel era meu pai. A família Tomlinson acomodou-se nos sofás, assim como nós.
-Tens um nome parecido ao da minha esposa, apesar da pronúncia ser diferente, vai ser mais fácil dizê-lo.- sorri Mark. Poderia não ser o pai de Louis mas o seu feitio era igual ao do seu filho. Provavelmente já devem viver um com o outro desde que ele é pequeno…
-Sim, tem razão, fez uma boa observação- respondo animada
-Louis, quantos anos tens?- pergunta Liliana. Não acredito que ela teve coragem para fazer uma pergunta daquelas. Realmente ela não tem noção do que faz.
-Tenho 17, fofinha, e tu?- dizendo com um sorriso rasgado. Aquilo deu-me uma vontade imensa de rir porque sei que o Louis chamou-a de “fofinha” pelo facto de ter percebido que ela ficou com um certo fascínio por ele.
-Hum… 14…-respondeu Liliana um pouco desanimada e talvez irritada por não ser um pouco mais velha.
-Vais para o nono ano então, linda.- afirmou Louis.
-Sim- sorri ela. Provavelmente por ele lhe ter chamado de “linda”
-O nosso Louis vai para o décimo segundo.- interrompe Johannah animada. Pergunto ao meu pai para que escola é que eu e Liliana vamos. Ele revela-me que vamos para escolas diferentes como sempre foi, e também me diz o nome da escola para que vou. Então anuncio aos vizinhos para que escola vou e que ia para o décimo primeiro.
-É a mesma escola que o Louis frequenta- fala, desta vez, Mark. Limitei-me a sorrir.
Ficamos à conversa durante um bom tempo. O meu pai e Marlene começaram a falar mais, apesar de ser eu a traduzir tudo. Até que olhamos para o relógio. Como o tempo passa. Os pais de Louis são muito simpáticos e Mark às vezes saía-se com piadas muito divertidas.
-Foi um prazer conhecer-vos.- digo amavelmente.
-O prazer foi todo nosso- responde a mãe de Louis.
Despedimo-nos todos, Louis deu uma especial atenção a Liliana piscando-lhe o olho com um sorriso. Até que Marlene fecha a porta.
Eu e Liliana subimos as escadas para tomarmos banho.
-Viste aqueles olhos azuis? São mesmo lindos! E aquele sorriso… Não acredito que o conheceste primeiro… Tenho de passear o cão mais vezes.- murmurou Liliana como se estivesse nas nuvens.
-Só há um problema… A tua mãe e o meu pai não te vão deixar ir tão longe com o cão visto que só tens 14 anos.
-Não sejas desmancha-prazeres. Ele achou-me linda!
-Ok, tu lá sabes- fui tomar banho e em seguida vesti o pijama.
Não tinha sono. Então decido sentar-me no parapeito da janela com o meu computador aberto no Twitter. Reparo no tweet de Afonso “Saudade”, compreendi que se estava a referir a mim. Suspiro.
-A suspirar?!- Louis acena. Estava com calças de pijama e não tinha camisola, notando-se o seu corpo definido.
-Não me digas que esse é o teu quarto…-não é lá muito conveniente. Tem os seus lados positivos porque posso falar com ele. Mas também tem os seus lados negativos.
-Ok, eu não digo- começando a rir-se e tenta ver o que estou a fazer no computador- Sim é o meu quarto. Tens Twitter!
-Não achas normal eu ter Twitter?!- arqueio as sombrancelhas.
-Aqui é normal ter-se Twitter, sempre pensei que os portugueses utilizavam mais Facebook, não é que nós também utilizemos. Oh, deixa lá!
-Idiota…-reviro os olhos e pouso o computador.
-Deixaste alguém em especial para atrás?- perguntou Louis, mas desta vez estava sério. A pergunta espantou-me, dominando agora um silêncio invólucro.- Se não quiseres responder eu compreendo. Afinal, só hoje é que nos conhecemos, deve ser esquisito falar de uma coisa tão pessoal…
-Hoje deixei para trás pessoas importantes, não vou negar isso. A minha mãe, os meus amigos…- confesso. De súbito as minhas mãos ficaram bem mais interessantes. Ele tem razão, falar sobre estes assuntos tão pessoais é estranho e fica ainda mais quando o fazemos com pessoas que não conhecemos tão bem.
-Mais ninguém?
-Se estás a falar de namorado, não. Mas acho que as pessoas que deixei já são mais que suficientes…
-Claro que são… Mudando de assunto… A tua “falsa irmã” tem uma personalidade parecida comigo, acho que devia de lhe dar uma oportunidade- murmura Louis, mas agora com um sorriso nos lábios. Fiquei aliviada por mudar de assunto.
-Ela iria ficar radiante. Ainda há pouco me disse que tinhas uns olhos azuis lindos e o sorriso também- dou uma gargalhada
-A miúda tem gosto para a coisa, ou vais dizer que não tenho uns olhos lindos e um sorriso radiante?!- retruca Louis.
-Rapazes convencidos não fazem o meu género, Lou.
-Acabaste de descobrir o que os meus amigos mais próximos me costumam chamar…
-Sou mesmo inteligente, não sou?- fazendo uma voz triunfante
-Raparigas convencidas não fazem o meu género- pisca-me o olho e eu começo a rir-me- Mas vá, eu deixo-te utilizar o apelido “Lou”.
-Isso quer dizer que me consideras como tua amiga e já agora próxima.
-Talvez, porque não?!
Apenas se formou um sorriso nos meus lábios. Então percebi que Louis poderia ser um amigo…um bom amigo.
Fale com o autor