Believe In Happiness
15 Capítulo 15- Coragem de uma confissão
Notas iniciais
Mais uma vez obrigada pelas reviews . Vocês , leitores , são simplesmente fantásticos ! ;D
Pov. Joana
Caminhávamos já há bastante tempo e ainda não tínhamos avistado o acampamento, o sol já se tinha posto e daqui por alguns minutos iria escurecer.
–Nós já passamos por aqui…- transmito a Harry. Lembrava-me de uma árvore curva que tinha visto enquanto caminhávamos, e agora ela estava mesmo ao nosso lado.
–Não passamos. Passamos?- anuo com a cabeça- Como é que sabes? Esta porcaria parece-me toda igual…
–Por causa daquela árvore curva.- aponto para a árvore- É a segunda vez que a vejo. Pronto… Estamos perdidos.
–Espera! Eu trouxe o telemóvel, como é que não me lembrei disso...- procura o telemóvel no seu bolso. Uma ideia completamente ridícula! Irá ser uma sorte se ele tiver rede.
–Achas que tens rede aqui? Às vezes não raciocinas- sento-me na árvore curvada, apoiando a minha cabeça com as duas mãos.
–Tens razão, não há rede…-olha para o seu telemóvel e depois volta a metê-lo no bolso.- São 19:45, é muito provável que eles já tenham dado pela nossa falta por isso é uma questão de tempo.
–E quando nos encontrarem já eu estou caída por um canto qualquer. Estou com bastante fome e daqui por algumas horas vou ter sede!- resmungo. Parecia uma criança a protestar mas nem quis saber.
–Estamos perdidos no meio de uma floresta e tu só te preocupas com a fome?- ouço uma gargalhada vindo dele.
–Sim, para já, só me preocupo com isso.
–Há algumas situações que te considero… esquisita- noto que reflecte nas suas palavras por um instante- se calhar o termo “esquisita” não é o adequado…
–Podes-me criticar mas eu não me deixo ficar perante as tuas acusações. Mais vale ficares calado.
–E se eu te dissesse que tenho alguma comida na mochila? Como é que me vais compensar?- como é que ele tem mantimentos? Só se os foi buscar quando me disse que ia à sua tenda…
–Tu foste buscar mantimentos quando entraste na tua tenda? Estavas a planear ficar perdido aqui?- interroguei num tom sarcástico.
–Quando fui à tenda, procurei alguma comida e água porque podíamos ter os três fome durante a tarde.
–Ah, boa! Já não morremos à fome, agora traz-me a tua mochila- levanto-me para ir buscar a comida mas Harry eleva a mochila com um só braço de modo a que eu não possa chegar, pois ele é bastante mais alto que eu- Oh, por favor, não me faças isto.
–Eu disse que primeiro me tinhas de compensar…
–Ah, espero que não estejas a pensar em compensações perversas, eu não cedo.- ele não perde uma oportunidade de flartar uma rapariga, sinceramente!
–Calma, não sejas tão apressada! Quero que me respondas a uma pergunta com sinceridade e depois é que podemos passar a essas coisas perversas que tu chamas- uma reposta sincera em troca da comida que tem na sua mochila… Espero que não seja perguntas demasiado despropositadas. Como eu não tive nenhuma reacção, ele entendeu como uma aceitação para revelar a sua pergunta- Gostas do Louis?
Reflecti por alguns momentos na minha resposta. Não surpreende que queira saber, visto que, no ponto de visa dele, nós nos damos bastante bem, o que não deixa de ser mentira, aliás é verdade.
–Sim… e não.
–Sim e não?! Isso não é nenhuma resposta sincera. Quer dizer que estás indecisa?
–É uma resposta sincera. E tu só disseste que eu precisava de responder a uma pergunta, agora pensa o que quiseres- consigo roubar-lhe a mochila dando um salto, na realidade, ele não ofereceu resistência. Sento-me novamente na árvore.
–Suponho que seja justo…- suspira e senta-se ao meu lado.
Comemos e bebemos em silêncio, pois não havia tema de conversa. Harry já parara de comer e agora estava a olhar para o céu estrelado. Parecia pensativo. Meti o resto da comida na mochila. Senti uma brisa fresca e arrepiei-me, a noite estava gelada e os grilos começavam a fazer barulho. Olhei para Harry na esperança que me dissesse alguma coisa, pois aquele silencio deixava-me bastante constrangida, sem saber o que fazer. Ele pareceu reparar nisso.
–Os meus pais, tais como os teus, também se separaram- Harry dizia aquilo serenamente mas notava-se a tristeza. Não percebo o porquê daquela conversa, eu não gostava de relembrar a separação dos meus pais… Mas decidi não interromper- Quando tinha sete anos, eles disseram a mim e à Gemma, minha irmã, que não podiam estar mais juntos porque já não se amavam. Fiquei bastante triste, então caí na realidade… Aquele “viveram felizes para sempre” nunca existiu, assim como o amor. Eu e a Gemma ficamos ao encargo da minha mãe e eu sei o quanto esta situação foi difícil para ela, então senti que teria de cuidar das duas. Passado algum tempo ela arranjou outro homem, ao início era bastante esquisito vê-la com outro senão o meu pai, mas acabei por me habituar, ele não era má pessoa e se isso faz a minha mãe feliz, então eu estou feliz.
Aquela história não fazia sentido com a personalidade que eu conheço do Harry, ele estava a ser emocionalmente sincero. Eu sei o quanto custa contar esta situação a uma pessoa, eu sei o que ele sentiu.
–Não te vou dizer que isso irá desaparecer durante o tempo porque essas situações não se esquecem, são negativamente marcantes. Eu não sabia disso e peço desculpa se alguma vez te critiquei ao ponto de te relembrares dos teus pais.
–Que idade tinhas quando os teus pais se separaram?- pergunta Harry continuando a olhar para o céu.
–13… Mas prefiro não falar sobre isso, desculpa- baixo a cabeça olhando para o solo.
–Eu compreendo…-tira do seu bolso uma bolacha, comendo meia da mesma.- Vai uma bolacha?
–Não, obrigada. Mas aposto que só me perguntaste se queria uma bolacha para mudarmos de assunto. Já reparei que fazes sempre alguma coisa para mudar de assunto…- os meus lábios formam um sorriso.
–Hum… tens andado de olho em mim?! Esse é o resultado do efeito que eu tenho nas raparigas.- ri-se e eu não deixo de bater no seu braço.
–És tão convencido!- após ter dito aquilo, espirro intencionalmente. Parece que a noite gélida vai fazer com que eu apanhe uma constipação.
Noto uma mão quente na minha, que estava terrivelmente fria. Harry apenas toca nela mas depois retira-a.
–Estás tão fria!- ao princípio pensava que a sua mão me tinha tocado sem querer mas depois percebi quer era para analisar a minha temperatura corporal.
Ele despe o casaco que tinha vestido, metendo-o nas minhas costas. Fiquei mais confortável.
–Este é um dos teus métodos para conseguires conquistar o sexo feminino?- enrosco-me mais no seu casaco ainda quente. Ouço as suas gargalhadas após ouvir o que eu disse.
–Sei lá, pode dizer-se que sim. Está a resultar?
–Sim, já estou perdida de amores por ti.- digo num tom ridiculamente amoroso mas fingido.
–Se não resultou, aceita esse acto como amabilidade sem quaisquer outras intenções.
–Então nesse caso, obrigado.- ele limitou-se a dar-me um sorriso.
Arranjei um sítio com aconchego suficiente para deitar-me e assim, dormir, enquanto que Harry se deitou ao lado de uma árvore velha e grande. Pois ambos sabíamos que nunca iríamos encontrar o acampamento à noite, não conseguiríamos ver nada com a escuridão que emanava. Usei o casaco como cobertor apesar de não ser suficiente para combater todo a brisa fresca que pairava, olho de relance para Harry, estava com os seus braços atrás da cabeça e parecia pensativo, decido não falar, estava demasiado cansada para o fazer. Passado alguns minutos cerro as minhas pálpebras, mergulhando nos meus sonhos.
Notas finais
xxx
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