Believe - Heiress of Death

5 Capítulo Quatro - Correr para longe ou para perto?


Notas iniciais
Então, agora eu vou atualizar a história sempre na sexta-feira. Como ontem não pude, estou fazendo isso hoje. Acredito que assim seja melhor até mesmo para quem acompanha... No mais, espero que gostem...

Quando cheguei ao lado do carro estava ofegante. Corri todo o caminho desde o estoque improvisado.

O que tinha acontecido? Será que aquilo tudo era real? Algo me dizia que sim. Talvez fosse uma única palavra, um nome, que martelava na minha cabeça. Nathan. Eu não poderia ter criado tudo aquilo.

Amanda estava sentada no banco do motorista. Quando me viu começou a gritar alguma coisa que não pude entender. O som do carro tocava uma das músicas populares do momento quase no último volume. Com alguns gestos estranhos apontei para os ouvidos e depois para o rádio, revirando os olhos. Ela abaixou o volume, para minha sorte, antes que eu entrasse no carro.

– Onde você estava? – Perguntou irritada. – E nem atende esse telefone. – Completou, já dando partida.

– Tive que arrumar umas coisas, para dar espaço... – Me apressei em dizer. – E não atendi porque já estava no caminho para cá.

– Vou desculpar você, Davis. Só dessa vez. – Mandy ainda não sorria, mas eu sabia que o humor logo iria melhorar e que eu seria perdoada.

Seguimos até a minha casa enquanto Mandy tagarelava alegremente sobre as ideias para nossas maquiagens, o que para mim não era muito agradável, então a deixei falando enquanto resmungava alguma resposta quando tinha tempo para isso. Era algo comum em Amanda, ela se empolgava a ponto de não ligar muito para respostas e você podia apenas confirmar ou negar com a cabeça que ficaria satisfeita, caso fosse um assunto de seu entendimento. E, definitivamente, maquiagem era um deles.

Minha cabeça estava longe, ainda no colégio. Nathan (estava me acostumando rápido a pensar nele pelo nome) parecia não entender muito mais do que eu o que acontecia. Mandy me esperando havia sido a desculpa perfeita para fugir daquele momento constrangedor. Ele não deve ter entendido a minha reação, não que fosse me dar ao trabalho de explicar isso. O que mais me incomodava, no entanto, era a luzinha vermelha piscando em minha mente. Eu o conhecia de algum lugar. Tinha certeza disso. E foi nesse momento que me dei conta de que não iria descansar até lembrar exatamente de onde.

– Angelique, acorda!

– O que? – Perguntei, um pouco mais alto que o necessário devido ao susto, logo depois de virar para Mandy surpresa. Havia me desligado completamente.

– Terra chamando Angie. É sério, você vive no mundo da lua. – Os olhos dela eram divertidos em minha direção. Só quando abriu a porta do carro e saltou me dei conta de que havíamos chegado a minha casa.

Desci logo depois dela e passei a frente para destrancar a porta. Esperei que entrasse para tranca-la logo atrás. Fui em direção à cozinha. Sobre a bancada encontrei um bilhete escrito à mão.

– Fomos ao mercado. Estaremos de volta antes que vocês saiam para o baile. Com amor, mamãe e papai. – Li em voz alta e logo revirei os olhos. – Não é um baile, apenas um evento de apresentação da escola.

– Querida, não adianta brigar por causa disso. Vamos, vamos. Direto para o banho. Ainda tenho muito trabalho para fazer com você.

Pisando fundo e reclamando, subi em direção ao quarto com Mandy logo atrás de mim. Separei uma roupa velha e confortável (que mereceu uma careta da minha melhor amiga) e fui para o banho como havia sido mandada. Melhor não discutir, o sofrimento seria ainda pior.

O banho muitas vezes se torna seu melhor amigo ou pior inimigo. Aquele momento solitário te coloca para pensar e analisar, o que nem sempre é bom. Planos de reconhecimento começavam a se formar em minha cabeça. Logo que as aulas voltassem, daria um jeito de descobrir quem era aquele garoto. Seria mais fácil, com a desculpa do jornal da escola ou coisas assim. Quando finalmente saí do banho, estava mais conformada.

– Não é possível, Amanda, você já deve ter acabado. – Minha coluna estava dolorida e minhas pernas começavam a ficar dormentes. A posição que estava na cadeira da escrivaninha era bastante desconfortável.

– Só mais um retoque e... Pronto.

Finalmente sentei reta, sentindo os protestos do meu corpo. Estiquei o máximo que podia, ouvindo algumas juntas estalarem.

– Isso é tortura, sério. – Mandy apenas revirou os olhos enquanto juntava seus equipamentos de tortura, ops, ferramentas para o cabelo em um canto.

Ela já estava maquiada e com o cabelo pronto. Só faltava colocar o vestido. Assim como eu. A tortura havia começado com a maquiagem e terminara com o cabelo. Amanda não me dera permissão para ver nenhuma das duas coisas antes que tudo estivesse pronto, da forma que ela queria.

– Se vista para ver a minha obra de arte. Vou me trocar no banheiro. – Pegou as coisas necessárias, seguindo para a porta. Antes de sair, virou para mim. – E nem pense em espiar. – O sorriso triunfante dela me dava arrepios, então seria melhor não arriscar saciar a curiosidade logo de cara.

Peguei a roupa devidamente separada e pendurada por um cabide no puxador do armário. Soltei o vestido e comecei a me trocar.

Ainda era difícil de acreditar que estava me arrumando daquela forma. Como eu mesma gostava de lembrar, nem se tratava de um baile! Talvez minha mãe e, devo acrescentar, Chuck estivessem com a razão: eu precisava de um pouco de diversão para afastar os pensamentos que tanto me torturavam.

O problema era que mesmo ali, no meu quarto me arrumando para a droga de festa, não conseguia deixar de pensar no fato de ser capaz de ver Charles, o tal Nathan e tantos outros. Além disso, a ideia de ver o garoto novamente me deixava um pouco desconcertada.

Enquanto colocava a segunda bota, Mandy entrou no quarto, já completamente pronta. Terminei com o zíper e levantei, ajeitando a parte de trás do vestido e depois a jaqueta por cima.

– E então, posso me ver agora? – Perguntei visivelmente agoniada.

– Quem é você e o que fez com a Angelique? – Foi o que recebi em resposta.

Dei um sorriso nervoso tentando não imaginar. Mandy me pegou pelo braço, nos levando em direção ao armário. Abriu a porta do meio e nos virou de frente para o espelho que ocupava todo o interior da porta.

De cara não reconheci a pessoa a frente. Desviei o olhar para o sorriso animado de Mandy através do espelho e voltei a prestar atenção em... Mim. Sim, era eu. O vestido até que havia ficado bem. A maquiagem era incrível! Uma louca e maravilhosa mistura de preto, vermelho e branco. O cabelo preso apenas a metade, caia em cachos perfeitos pelas costas. Conhecia bem as habilidades de Mandy, mas ela havia se superado.

Nem sabia o que dizer.

– Nossa! – Foi tudo o que saiu.

Amanda riu, divertindo-se com meu jeito.

– Viu, Angie? Você devia se arrumar mais vezes. – Me empurrou carinhosamente para o lado, aproveitando do espelho para ajeitar o cabelo sobre os ombros. Minha melhor amiga estava incrível. O vestido azul escuro fazia um lindo contraste com a pele e os olhos. Os cabelos presos em uma trança lateral davam um toque a mais.

– Quase não me reconheço. – Comentei, olhando para baixo enquanto alisava o vestido.

– Vamos, antes que você babe no próprio vestido. – Mandy sorria tanto que comecei a me perguntar se não estaria com o rosto doendo. Fechou a porta do armário, pegou a bolsa sobre a baça e seguiu em direção à saída. Estava seguindo-a de perto, quando uma voz me fez parar.

– Angel. – Nunca precisaria olhar para saber de quem era aquela voz.

– Hum... Vai descendo, te encontro na sala. Só preciso verificar uma coisa antes.

Amanda já estava na altura da escada, então deu de ombros antes de começar a descer. Esperei até que estivesse na metade para então reunir toda minha coragem e virar em direção à janela.

Charles estava sentado de forma confortável no sofá sob a janela que eu normalmente usava para ler ou escrever. Um sorriso animado brincava em seus lábios. Seria uma visão reconfortante se não soubesse a verdade: ele estava morto. Engraçado como Chuck ainda conseguia me passar calma com aquele olhar, mesmo que apenas por alguns instantes antes da verdade.

– Estou ficando louca, não é mesmo?

– Não mais do que já era. – Ele piscou e então respirou fundo. – É difícil explicar, Angel, mas confie em mim, você não está louca.

Revirei os olhos. Muito reconfortante ouvir isso de seu falecido irmão.

– Agora vá, não quero que se atrase para o... Seja lá o que for. – Tive certeza que diria baile, mas me conhecia bem o suficiente para saber que não seria uma boa escolha de palavra.

Precisei de mais coragem ainda para virar as costas. Quando passei pela porta o ouvi dizer.

– Você está incrível, Angel.

Respirei fundo, fechando os olhos com força para conter as lagrimas. Não. Agora não Angelique.

– Mãe, chega!

Já era a sexta foto que ela me fazia tirar. Meu pai, após uma cachoeira de elogios, se divertia com a situação. Entendia que não era sempre que eles me viam arrumada assim, mas o constrangimento já atingira o limite.

– Lizzie, meu amor... Deixe-as ir, ou chegarão atrasadas.

– Obrigada, papai. – Virei para ele com o alivio estampado no rosto. – Vamos, Mandy... Pai, mãe, amo vocês. – Puxei minha amiga pela mão antes que minha mãe pudesse protestar.

– Qual é, Angie, sua mãe só está animada.

– Animada até demais, não é mesmo?

Mandy ria enquanto entravamos no carro. Meu pai fizera questão de nos emprestar, dizendo que seria melhor termos a liberdade do que depender dele para ir nos buscar. Perfeito para mim, ainda que fosse surpreendente depois do acidente. Talvez fosse a forma dele de mostrar que confiava em mim, ainda que não me sentisse merecedora de tanto.

Dirigi com calma até a escola enquanto uma Amanda impaciente batia os pés ao meu lado e, ainda assim, poucos já estavam no local quando chegamos.

A galera da banda arrumava os instrumentos no palco improvisado. O vocalista acenou logo que entramos no ginásio. Era estudante de outra escola, na cidade vizinha. Algum tempo atrás ele e Mandy namoraram por algumas semanas, “relacionamento de verão”, de acordo com as palavras dela. Não que eu fosse reclamar de alguma coisa agora, já que ele concordara em fazer aquela apresentação de graça. Ou em troca de alguns beijos... Isso só Mandy poderia dizer.

– Tenho que ver como andam as coisas. Confira se está tudo certo com a banda, ok? – Apertei a mão dela carinhosamente e fui em direção ao diretor, que olhava tudo de longe, no canto perto da mesa de alimentos.

– Tudo está em ordem, senhorita Davis? – Ele me olhava de forma curiosa. Talvez estivesse estranhando o fato de eu estar tão diferente. Era conhecido por seu jeito simpático e quase amigo de ser, mesmo que também soubesse ser bem rígido quando preciso.

– Sim, tudo em ordem, diretor Russel. – Olhei rapidamente ao redor. Por sorte, o restante dos integrantes da comissão organizadora entrava no ginásio.

Com um olhar satisfeito, o diretor se afastou para dar atenção a uma nova onda de alunos que chegavam com seus pais. Aproveitei para seguir até um grupinho uniformizado com coletes azuis improvisados e seus nomes colados no peito.

– E ai, tudo certo para a tour? – Alguns sorriram animados, outros nem tanto. Havia separado alguns dos alunos antigos para acompanharem grupos de possíveis novos alunos e responsáveis a um passeio pelos principais cantos da escola. Mostrar as dependências era um bom começo.

Mandy se aproximava com visitantes já separados em três grupos. Um sorriso radiante iluminava seu rosto, me fazendo sorrir junto.

– Pessoal, são esses os veteranos que vão levá-los pelos corredores para conhecer o local, responder as dúvidas e o que mais precisarem...

Sua explicação continuou, mas eu já não ouvia nada. Do outro lado do ginásio alguém não tirava os olhos de mim, provocando um forte frio em minha barriga. Foram poucas as vezes que nos vimos e sempre em situações estranhas, ainda assim, não foi nada difícil reconhecer.

– Mandy, segure tudo por aqui. Preciso resolver uma coisinha. – E antes que pudesse mudar de ideia, quase corri em direção a ele.

Notas finais
Bem, é isso. Espero que gostem, não deixem de comentar que logo teremos mais coisas acontecendo.