Believe - Heiress of Death

10 Capítulo Nove - Seria melhor saber ou não saber?


Notas iniciais
E então, como estão? Espero que bem... Resolvi passar a atualizar aos sábados, ok? Fica mais fácil por eu ter mais tempo. Então, vamos lá.

Fiquei de pé em um salto, chutando sem querer a mochila para o degrau de baixo. Não, agora não.

Mas lá estava ele, encostado distraidamente no corrimão da arquibancada, no mesmo degrau em que eu estava, com as mãos dentro dos bolsos da calça jeans. Seria tão impossível assim deixar de notar que ele estava com a mesma roupa de quando o conheci no primeiro dia de aula? O boné, dessa vez, deixava seus olhos serem vistos.

– Eu estava... Hum... Com dor de cabeça. Precisava de ar fresco. – Não era completamente mentira.

O irritante sorriso irônico estava estampado no rosto de Nathan. Ele parecia me conhecer muito bem, minha meia verdade não o enganaria.

– Entendo. – Para minha sorte ele não resolveu discutir. – Então, como foi o primeiro dia de aula? – Perguntou, sentando próximo de mim com as pernas esticadas. Como ele era capaz de ficar tão bem confortável?

– Foi bom. – Sentei novamente, um pouco mais afastada. – Normal.

Eu não sabia se era melhor dizer o que descobrira aquela manhã ou se deixava de lado. Mais cedo ou mais tarde tudo viria a tona, mas a coragem não queria colaborar com a sua presença.

– Recebeu meu recado? – Seu olhar me fitava com curiosidade.

– Seu...? Ah! Então foi você? – Era difícil manter seu olhar e mais ainda desviá-lo. Então eu estava certa. O recado era realmente dele. Não foi muito fácil manter o controle, minhas mãos estavam tremulas.

– Sim. – Um sorriso torto, dessa vez carinhoso, sem ironia.

– Hum... Obrigada. – O que eu poderia dizer? – Mas como você conseguiu? – Era uma curiosidade inocente.

Ele riu divertido, desviando finalmente o olhar.

– Não foi muito fácil, para ser sincero. Precisei de um esforço grande e de concentração. Depois de saber que podia tocar em... – Desviei os olhos que vinham em minha direção. – Nas coisas, imaginei que conseguiria voltar a escrever. Quanto a porta da secretaria, isso já foi fácil.

– Você entrou escondido na secretaria? – O olhei, surpresa com o que dizia. De todas as coisas era isso que mais me assustava? Sério, Angelique?

Nathan voltou a rir, achando muita graça da minha surpresa.

– Eu não tentei me esconder. – Deu de ombros. – Se ninguém pode ver e consigo ultrapassar portas, não é minha culpa.

– Oh, claro que não! – Respondi irônica, ainda que o jeito tranquilo desse fosse de se admirar. Minha curiosidade não ia terminar tão cedo. – Nathan... – Seu nome começava a sair mais facilmente, o que me assustava. – Porque escolheu uma frase daquele livro?

– O Pequeno Príncipe? – Ele me olhava, então assenti com a cabeça. – Eu sabia que era seu preferido.

Idiota, como podia me deixar sempre sem saber o que dizer?

Abaixei a cabeça, apenas assentindo e com um leve sorriso.

Passamos mais algum tempo conversando, o que devo confessar, foi incrível e me fez pensar que devíamos ter feito isso antes. Não que eu fosse realmente entrar escondida no colégio. Fui ficando cada vez mais à vontade ao lado dele, falando mais do que antes. Nathan era um cara legal, tirando os momentos que me deixava sem fala e o fato de eu não conseguir esquecer que algo ruim estava acontecendo.

Querendo ou não, Nathan estava morto ou ainda em coma. De que outra forma eu poderia vê-lo daquele jeito? O que me levava de volta ao dever de contar que sabia parte de sua história.

– Nathan... Preciso te contar uma coisa. – Comecei, após alguns minutos de silêncio na conversa.

O sorriso que agora recebia dele era radiante, quase sumindo novamente levando junto a minha coragem.

– Diga, Angie. – Eu não devia me sentir tão animada pelo jeito que ele me chamava pelo apelido.

Respirei fundo.

– O que aconteceu com você? De verdade? – Perguntei da melhor forma que podia, sem querer ser rude. – Espero não irritá-lo com a pergunta só... Estou curiosa.

O sorriso animado sumiu, mas ele ainda parecia calmo enquanto endireitava o corpo.

– Eu não sei, de verdade. Simplesmente um dia apareci no colégio assim, dessa forma.

Assenti com a cabeça. Talvez ele realmente não se lembrasse de nada.

– Mandy e eu estávamos conversando sobre o jornal, em possíveis matérias. Mexendo nas antigas edições, encontrei duas sobre você. – Era a primeira vez que Nathan evitava meus olhos e não o contrário. Confesso que senti uma pontada no peito. – Uma sobre a sua entrada para a equipe de natação. A outra... – Engoli em seco antes de continuar. – Sobre um acidente que sofreu, pouco tempo depois.

O silencio era desconfortante, daqueles quase impossíveis de quebrar de forma agradável, se ainda restasse alguma dúvida de que a matéria era sobre ele – afinal eu não havia visto nenhuma foto – teria acabado ali. A reação silenciosa dele era mais do que uma confirmação. Finalmente Nathan quebrou o terrível clima que se instalara sobre nós.

– Pensei que não se lembrasse de mim.

– Realmente não lembrava. – Ri completamente sem humor, enquanto negava com a cabeça. Ainda não conseguia acreditar como tinha sido capaz de me esquecer dele. – Até que Mandy mencionou a matéria e seu nome, então tudo voltou de uma vez. Mas sabe... – Continuei de forma mais descontraída. – Eu sempre soube que te conhecia. Desde aquele primeiro dia na piscina.

Nathan riu mais animado, o que fez com que eu me sentisse bem mais tranquila e, posso dizer, até feliz.

– Sou inesquecível, Angie. Acostume-se com isso. – Respondeu, virando para mim com um olhar galanteador e um sorriso cativante.

Foi então a minha ver de rir.

– E a humildade, onde fica, garoto?

Provavelmente continuaríamos rindo por mais algum tempo se o toque do meu celular, vindo do bolso externo da minha mochila, não interrompesse. Me estiquei para pegá-lo e constatar que era Friedrich.

– Oi, Fred.

– Onde você se meteu, garota? As aulas já terminaram.

– Ah, me desculpe. – Olhei confusa para Nathan. Eu sempre perdia a hora quando começávamos a conversar, isso estava virando hábito. – Perdi a noção do tempo.

– Anda logo, Angie! Estou com fome, vamos parar para tomar um café. – Mandy gritava do outro lado da linha.

– Você a ouviu, é melhor correr antes que ela resolva ir atrás de você.

Ri, escondendo o rosto na mão livre. Amanda Walker, sempre exagerada e inconveniente.

– Está bem, chego no estacionamento em... 10 minutos. – Desliguei, colocando o celular dentro do bolso.

Virei para Nathan, já com cara de desculpa.

– Seu novo amigo está te esperando? – Era só coisa da minha cabeça ou ele não parecia muito animado com isso?

– Na verdade sim. Friedrich e Amanda.

Um sorriso apareceu em seu rosto, ainda que seus olhos parecessem um pouco desanimados.

– Eu te acompanho até o estacionamento então.

Nathan levantou antes de mim e fez algo ao mesmo tempo tão natural e surpreendente: estendeu a mão em minha direção. Demorei um segundo a mais para raciocinar e segurar a mão que me oferecia. Devo acrescentar que o fato de poder tocá-lo tão... Normalmente, ainda me assusta?

Mas seu aperto era firme enquanto me ajudava a levantar e foi sem vontade que soltei a mão dele em seguida. Aproveitei para me ocupar de guardar o celular em fechar a mochila, fugindo do momento constrangedor. Nathan parecia sorrir, ainda que não pudesse ter certeza, já que virou para frente e começou a descer da arquibancada.

Seguimos conversado por uma parte do caminho até começar a encontrar alunos circulando. Eu já devia parecer louca normalmente, falar sozinha não ajudaria a mudar isso.

Quando chegamos ao estacionamento, foi fácil encontrar meus amigos. Poucos carros ainda estavam no lugar. Por sorte, ou não, Fred estacionara o carro ao lado de Mandy e ambos conversavam encostados cada um em seu carro.

– Já era hora.

– Que bela recepção da minha melhor amiga. – reclamei.

Friedrich apenas ria, enquanto Nathan o direcionava um olhar um tanto rancoroso que me fez querer sorrir.

– Vamos, antes que comece o UFC.

– Relaxa, Fred. A Mandy não trouxe seu uniforme de luta rosa pink.

– Haha, haha. Falou a senhora elegância. Olha como você vem para o primeiro dia de aula! – Retrucou, já entrando do lado do motorista, enquanto Fred entrava no seu carro e eu dava a volta para entrar ao lado de Mandy.

Deixei o comentário passar apenas por olhar para Nathan em uma despedida silenciosa. Entrei no carro e antes de fechar a porta recebi uma resposta da parte dele.

– Aproveite o dia... Só para constar, boa escolha com o Capitão América. – E piscou, antes de desaparecer diante de meus olhos.

Notas finais
Gostaram? Estão gostando da história? Comentem, eu realmente gostaria muito da opinião de vocês. Aproveitem bem o final de semana. ;) Beijos e até a próxima.