Believe - Em Hiatus.
8 Garotos-Perdidos
Notas iniciais

– Qual é o plano? – Um garoto loiro perguntou se sentando no chão.
Havíamos saído da praia, não era mais seguro aquele lugar, principalmente agora que os garotos não sabem onde Peter se meteu e Felix havia sido raptado impossibilitando um “Subchefe”. Os Piratas não ajudavam e as Sereias estavam vulneráveis, ou seja, nada de água por hoje.
– Acho que devemos ir buscar Felix – Pronuncio de pé em frente aos garotos. — Poderíamos planejar uma estratégia.
– Estratégia? Agora você é líder do grupo? – Um garoto alto olhou para mim cruzando os braços. – Esse nem é seu lugar.
Assenti para ele normalmente confirmando e ele arregalou os olhos surpreso. Esperei por algum apoio, mas nenhum garoto estava disposto a salvar seu amigo. No total, eram apenas quinze garotos perdidos e nenhum queria me ajudar.
– Sério que vou ter que fazer isso sozinha? – Olhei para cada um esperando. Alguns viraram a cara simplesmente e os outros pareciam pensar, eles deviam estar se recuperando depois daquilo que aconteceu.
– Eu vou com você – Quis chorar novamente ao ver o gêmeo dar um passo para frente. – Aliais, sou Twin.
Assenti forçando um sorriso. Percebi que ele estava tentando não lembrar do que aconteceu nessa manhã, e está determinado dar a volta por cima.
– Tem certeza? – Perguntei. Ele assentiu e apontou para um outro garoto que estava sentado comendo frutas azuladas.
– Ele também vai – Ele disse e o garoto arregalou os olhos surpreso. – É o melhor em armar armadilhas.
– E-eu? Não, não…posso – Ele gaguejou fazendo Twin rir.
– Ele vai sim – Twin garantiu olhando para mim e se sentando ao lado do garoto. – Ele é o Fattyn, mas nós o chamamos de Gordo.
Alguns garotos riram ao ouvir a palavra “Gordo”, então fuzilei cada um deles para que parassem e eles o fizeram. Na verdade, Fattyn é o maiorzinho de todos, e isso pode se dizer que é uma vantagem. Olhei para Fattyn para pedir desculpas em nome dos meninos mas ao vê-lo, ele se sentia neutro, como se isso não o prejudicasse, e ele apenas ignorasse. Então fiz como ele e ignorei.
– O.k. … Mais alguém? – Perguntei. Um garoto pequeno, com no máximo 6 a 7 anos de idade se levantou e caminhou até mim.
– Sou Pixie – Ele se apresentou se curvando e foi ao lado de Twin e Fattyn. Os outros garotos pareceram se sentir ridicularizados ao ver que uma criança havia ido, então começaram a desistir de serem difíceis.
– Sou Hunter – Um garoto do mesmo tamanho que o meu se apresentou e indicou outros três garotos ao seu lado. – Esses são Assobio, Mãos-leves e Impostor.
Eles acenaram e caminharam para o lado de Twin.
– Acho que está bom, os outro podem procurar por Pan – Comentei e todos assentiram. – Vamos invadir ainda hoje, então se preparem.
Olhei para os sete garotos e eles assentiram. Naquele começo da noite, eu tentei mudar a ideia de Pixie, tentando colocá-lo para ajudar os outros pois eu não queria que uma criança fosse, digamos… Morta. Mesmo assim, ele quis vir e disse como isso é importante para ele.
Meu plano era invadir pela noite, mas cairíamos em uma “armadilha” se as Sereias estivesse no nosso caminho e os Piratas já estivessem à nossa espera por essa atitude. Twin disse que as Sereias nadam para o Norte pela tarde, e nos aproveitaríamos isso. Iriamos em um barco, somente eu, Twin e Fattyn. Nosso dever era criar uma distração enquanto os outros invadissem o navio procurando por Felix ou talvez Peter.
Arrumamos tudo e comemos algumas frutas da floresta para se manter nutridos. Pixie estava em cima de uma arvore, encarregado de avistar qualquer movimento no navio. Esperamos até ele voltar.
– Pronto! O Coelho entrou! – Ele avisou. O “Coelho” é o termo que demos para Gancho, nesse caso ele já estava em seus aposentos.
– Vamos – Twin disse e começamos a levar o barco até ás águas. Entramos dentro dele e começamos a remar em direção ao navio.
Tínhamos duas alternativas:
Nos rendermos propositalmente para criar uma distração ou;
Conseguirmos entrar sem sermos vistos e procurar por Felix, adiantando o trabalho de Hunter, Assopro, Mãos-leves e Impostor.
Porém, antes mesmo que conseguíssemos chegar até o barco, eu vejo Peter amarrado contra o mastro do navio. Ele olhou para nos surpreso e antes que olhasse para sua frente, ele me fitou e deu um sorriso fraco. Gancho havia saído dos seus aposentos pisando forte trazendo consigo um frasco escuro em direção a Peter. Tinha um liquido roxo no frasco e ele o despejou em sua mão metálica.
– Essa não… — Fattyn sussurrou.
– O que é? – Perguntei rápida quase gritando.
– Veneno – Ele engoliu seco.
Fiquei pasma e olhei para Peter novamente e depois para Gancho.
– PARA!!! – Gritei o mais alto que pude tentando de alguma forma pará-lo e assustando não só os meninos ao meu lado, mas Gancho também.
Ele olhou para mim e sorriu maliciosamente. Peter tentou se soltar mas Gancho foi mais rápido e começou a arranha-lo em seu peito nu com a mesma mão metálica. Ouvi o grito de dor de Peter.
– O que eu fiz? – Sussurrei para mim mesma com as lágrimas em minha bochecha. Eu não conseguia mais olhar para frente, meus músculos estavam rígidos e tudo o que eu queria era ter que não aturar isso.
Eu me pergunto: Onde foi parar meu final feliz?
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