Belial
1 Belial
Reina sôfrego e orgulhoso, O belo Príncipe do Norte,Que em deslumbre ambiciosoDo Rei Infernal foi consorte.Com sedutor jeito cortês,Esconde a alma obscura. Mescla à inerente altivezAlguma eterna brandura.Esperança um dia caída,Oculta no falar refinado,Chora uma alma traída,Eterno pranto encarnado.E as alvas asas cortadas,Silenciosas belas fugazes,Com impuro amor dotadasDe perversos sonhos vorazes.E com uma língua ferina,Feita de mentira bonita Onde a verdade mofina,Perdida, por vezes habita.Mas sedutor logro dominaCada firme gesto ofídio.Inebria mais que morfina,Serve à alma de presídio.
Dotado de toques de prazer,Em mais lânguido pedido,Capazes de enlouquecerNum triste olhar perdido.Num olhar de gelo gris,Onde sangue maldito verte,A lágrima serve de atriz, Ao atrevido e sofrido flerteQue a tantos anjos fez cairImersos em impura paixão.Viu servos de Deus servirApenas pecado e podridão.Tal qual Sapho, pele branca Perfumada, emana luxúria,Sem dó o coração arranca,Da Besta que reina Lemúria.Impudico e imperativo gemido Que incendeia todas as flamasEscuta do casto, ávido pedido,Convida às mais imundas camas.Tendo nos corpos seu poder,Disfarçado em beleza celestina,Camufla-se o demônio que,De diáconos despiu a batina.Vendo no pecado uma diversão,A cada filho incita indecência.Tendo em Sodoma adoração,Fez da cidade, orgia e demência.E em sofrimento e maldiçãoFinos dedos tremem ávidos,Buscam talvez por rendição,Quem sabe por dias plácidos. Iludindo-se a cada uniãoNo mais torpe sentimento,Há de restar nada, senão,Ledo e profundo lamento.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor