Belanote

7 Capítulo 7 - Vitoria.


Notas iniciais
Obrigado pro ler! Não se esqueçam de ler os capítulos anteriores antes de ler esse. Compartilhem com os amigos se gostarem! ♥

O baralha jazia esquecido e completamente espalhado pelo chão da sala de vigilância. Em quanto, desesperado, o vigia gritava no alto falante:

— Todos os guardas em direção a ala leste! – Se podia escutar a respiração ofegante entre as palavras – Detento fugitivo e armado já matou um guarda! Usem força letal! Repetindo, usem força letal!

Guardas se dirigiam a ala leste daquilo que parecia ser um presidio. Levavam com sigo armas brancas e capsulas de iodo, e estavam prontos para matar aquele homem que desafiou a ordem.

--//--

James corria no segundo corredor, seu semblante era de violência e cansaço, mas também concentração. Seus olhos eram carregados pelo fardo de um homem que não pode errar um misero movimento.

Sua lamina de fio uni molecular ainda não tinha falhado, entretanto seus braços já sentiam a fadiga de ter de cortar uma pele que mais parecia ferro. Ele precisava do poder do Belanote para poder fugir.

Durante seu tempo naquele lugar houve apenas uma tentativa de fuga, resultado na morte do indivíduo. Ele havia usado uma bomba criada com sucata e material inflamável para derrubar a porta, e para ferir 3 quardas antes de ser pego.

Naquela ocasião as luzes do corredor foram apagadas e as luzes especiais de Belanote foram ativadas por meio das Licht-Box embutidas no teto. Pode parecer estranho fazer isso, conceder poder ao fugitivo, mas não é bem assim. Os guardas têm o auxílio das capsulas de Iodo, assim diminuindo os prejuízos pela radiação, o prisioneiro não. A morte viria em minutos, mesmo se ele liquidasse com todos os guardas, ainda pereceria pela radiação.

James era um gênio e sabia disso, por esse motivo ele não iria aceitar morrer de modo tão inútil. Ele não era um inútil.

Seu peito estava banhado pelo sangue do guarda que ele matou em sua sela, ele rasgou a camisa. Sua roupa era precária, não era nada além de um trapo cinza e sujo pelos trabalhos realizados na oficina. Não tinha calçados, nenhum preso ali tinha, sua calça era apenas um pano segurando por uma corda em sua cintura

Ele parecia uma aberração saída de uma história. Descalço, careca, sujo, forte e barbudo. Seria perfeito se ele gritasse, poderia até mesmo intimidar os guardas. Aquele samurai saído do inferno.

Mas ele não gritou.

Ele estava focado, sua mente e corpo esperavam pacientemente pelas luzes, pelo poder.

Então de súbito veio a escuridão e depois a melodia.

James queria urrar, gritar e pular pela sensação que aquilo de causara, era maravilhoso. Ele tinha sentido aquele poder pela última vez fazia mais de um ano no passado, mas não era igual o que ele sentia agora. A sensação dessa vez era muito mais forte, como se o poder não estivesse impregnado apenas em sua carne, mas também em sua alma. Imediatamente ele soube que não teria muito tempo. Calculou 2 minutos. Aquilo tinha de ser o suficiente para fugir, destruindo tudo em seu caminho.

James quando jovem praticara Kendo, era tradição que os homens da família soubessem se proteger para que pudessem proteger a própria família. Ele abandonou o habito a muito tempo quando se tornou um cientista, ele pensara que que não saberia mais como usar uma espada. Mas a memória muscular não esquece jamais, ele não só se lembrava como também era melhor, agora seu corpo era mais forte do que no ano passado ou no retrasado ou em toda sua antiga vida. Ele agora estava preparado para o que iria vir.

Quando virou o corredor James de deparou com 3 guardas. O corredor era estreito para ficarem lado a lado, portanto estavam em fila. Todos usavam roupas casuais e seguravam um machadinho de mão.

Não posso perder tempo, sua ação foi rápida. Correu e como se não houvesse gravidade usou as paredes como se fossem o próprio chão. Piso, parede esquerda, teto, parede direita, piso, parede... A melodia das luzes de Belanote abafavam seus paços, era um som áspero e cruel.

Os dois primeiros não esboçaram reação quando James passou por cima deles os decapitando, o terceiro por sua vez conseguiu se abaixar a tempo. Agora com o poder da luz banhando seu corpo, cortar aquela pele de metal era como faca quente na manteiga. James o ignorou e seguiu em frente correndo.

Quando chegou no terceiro corredor havia apenas um guarda. Meu tempo já está na metade. Ele correu com sua espada maculada de sangue e transpassou o peito do homem.

O guarda segurou o cabo da espada de James, o surpreendendo, e golpeou com a machadinha o seu ombro. O samurai urrou de dor e soltou a espada que agora estava presa ao corpo do homem. Não os subestime, idiota.

James abaixou para se esquivar de mais um golpe do seu inimigo, levantou-se acertando um chute certeiro na sua boca, isso o desequilibrou. James deu uma sequência de chutes no rosto do guarda que o fez recuar encontrando na parede. Seus movimentos dançavam junto da aquela melodia melancólica de morte. James, esquivando mais uma vez de um golpe rápido, foi capaz de puxar sua espada do peito do homem e imediatamente o decapitando.

A sensação de força estava começando a se transformar em uma dor no interior do seu corpo, como se ele estivesse sendo cozinhado por dentro aos poucos, seu tempo estava perto do fim.

No final do corredor havia uma porta, ele a golpeou, mas ela não cedeu. Por onde ele tinha vindo os sons de pessoas correndo, abafadas pelo barulho agora estático das luzes, em sua direção ficavam cada vez maiores. Vamos lá. Falta pouco agora, droga!

Golpeou a fechadura mais uma vez, nada. De novo é de novo. Nada. Ele sentia o interior do seu corpo queimar, olhou para traz aflito. No final do corredor ele já podia ver as os guardas vindo em sua direção correndo enfurecidos.

Deu um passo para traz e golpeou mais uma vez, dessa vez a lamina atravessou a porta desativando a trava de segurança. Ele a atravessou. Pegou sua Granada de Raios que estava amarrada em seu cinto de corda, a programou para “impacto” e a jogou. Batendo a porta com pressa e se jogou no chão.

O barulho foi perturbador. Primeiro a alta voltagem tomou conta dos ouvidos de James, os guardas gritaram por apenas um segundo. Então ele escutou barulho de vidro quebrando e por fim o barulho de chamas. Na sua cabeça ele montava o que tinha acontecido lá dentro. E o suficiente. Não quero saber mais.

James mal podia ficar de pé, seu corpo agora estava fadigado, seu ombro estava cortado uma dor que logo iria ficar pior no momento que a aquela adrenalina passasse.

O alivio e também uma pequena decepção se instalaram em seu olhar quando ele finalmente prestou atenção no lugar aonde estava agora. Não existiam mais luzes melodiosas que destruiriam seu corpo em uma proporção atômica. Invés disso o ambiente era iluminado de forma natural, pela luz solar que entrava pelas enormes coberturas de vidro.

Quatro pilastras de mármore se estendiam nas extremidades da sala, que deveria ter o tamanho de uma quadra de basquete, talvez maior. O lugar era enfeitado com plantas, alguns brancos e uma fonte no meio.

James estava confuso, era um lugar muito bonito para uma prisão. Parou por alguns segundos olhando novamente as plantas, a fonte, o banco, os painéis de vidro que deixavam a luz entrar e as colunas de mármore. Na outra extremidade do ambiente tinha uma porta, era exatamente igual a aquele tinha atravessado.

Isso o fez pensar: Atrás daquela porta deve ter corredores iguais ao que eu passei, não quero passar por eles nunca mais. Talvez se...

Olhou para cima procurando uma forma de chegar no teto. Ele poderia escalar as pilastras, não sei se meu corpo vai aquentar.

Ele arrastou vários bancos para perto de uma pilastra de uma forma que os pudesse usa-los de escada, diminuindo assim a distância que teria de escalar sozinho.

Aquela escada improvisada devia ter uns 3 metros, era vários bancos amontoados. Ele pegou distância e correu, fazendo o máximo para ignorar a dor constante do ombro ele pulou duas vezes nos bancos amontoados e se segurou na pilastra ficando a espada para lê dar apoio. Ela atravessava o mármore sem precisar aplicar muita força.

Seu corpo já mal tinha forças, e era um esforço inacreditável escalar quilo, usando nada mais que a espada. Ele se aproximava do painel de vidro. Para seu imenso alivio tinha como levantar o vidro e passar por baixo. Não precisaria quebra-lo.

Ele faz isso e com seu último esforço ele se joga por aqueles poucos mais de um metro quadrado que servia apenas para arejar o ambiente ali em baixo.

Se arrastou por mais alguns metros até sair de cima do vidro. Agora era a cobertura de concreto do lugar, era sujo e úmido. Ele deitou nela e descaçou os músculos.

Naquele momento ele podia observar os prédios ao seu redor e se perguntar milhares de vezes como aquele lugar clandestino podia funcionar em um ambiente com tantas pessoas morando próximo sem saber que ele existia. Ou se sabiam como podiam deixar outras pessoas presas sem fazer nada.

Ele balançou a cabeça tentando afastar esses pensamentos, mas o quanto mais ele tentava afasta-los mais eles se amontoavam em seu consciente.

James sabia que tinha que sair dali, que aquela granada de eletricidade não impediria que mais guardas viessem atrás dele, até onde ele sabia já podiam estar na cobertura procurando por ele.

Ele se forçou a se pôr de pé seus músculos doloridos, seu corpo já não queimava mais por dentro, mas ele tinha uma ligeira sensação que iria urinar sangue por um tempo.

Ele girou o punho da espada que ele mesmo projetou fazendo que ela se encolhesse. Sendo assim não existia necessidade de ter bainha, era uma arma bastante discreta.

Ele andou o mais rápido que pode. Arrancou uma tira da calça e encolou no ombro improvisando um curativo.

Desceu por uma escada de emergência no final do telhado. Quando chegou no chão ele aumentou o passo, com medo de ser pego tão próximo de escapar. Mas não parecia ter ninguém a traz dele.

Era manhã e o sol já iluminava todo o lugar, droga! Ninguém pode me ver! Saindo do terreno do prédio ele correu para dentro das ruelas e becos escuros tentando fugir dos olhares de transeuntes. Ele caminhou pela escuridão dos becos por um longo tempo até se sentir seguro para descansar finalmente.

Sentou no chão do beco, a adrenalina já se fora e agora ele sentia a dor latente que se tomava conta de sua mente e seu corpo. Então olhou para suas mãos cerradas olhou para seu peito. Sangue seco por todo corpo, olhou para a “roupa” que vestia e olhou em volta.

Então gargalhou.

Se libertou de todo aquele foco que o manteve vivo até agora, de toda a tensão. Seu corpo doía, mas ele não parou de rir. Era uma rizada descontrolada e de perder o folego. Depois de algum tempo a rizada diminuiu dando lugar a um choro. Ele chorava pela dor que sentia, pelas pessoas que matou, pela família que perdeu e pela sua criação que fora roubada. Chorou pela dor e pelo alivio e por cima de tudo chorou pela vitória.

Notas finais
Capítulo 8 já postado.