Bela descoberta
2 É o fim? - Parte1
Notas iniciais
Ao dizer tais palavras, Cobra se deu conta da intensidade da frase. — Todos nós precisamos de você. Afinal, com quem eu lutaria escondida no QG? E pra quem eu diria para não ter tantas inseguranças? E o seu pai? Com quem brigaria para não treinar muay thai tanto assim ? — Disse tentando concertar o erro. A tensão que havia se formado nos ombros de Karina, se desfez. Porém as lágrimas começaram a sair com mais intensidade. — Mas ainda dói, Cobra — Disse Karina, chorosa. — Isso agente supera junto, é pra isso que servem os amigos. E o seu pai? — O moreno passou a mão no cabelo — Como você acha que ele está se sentindo com tudo isso? Com a própria filha tentando se matar? — Eu nem sei se ele é mesmo o meu pai — Vociferou Karina. Ao ouvir isso, Cobra explodiu. — Como você pode dizer isso? Ele te criou com todo o amor que tinha e por conta de uma conversa um tanto duvidosa, você simplesmente fala isso. CHEGA DE DRAMA! — Berrou o rapaz. Ao ouvir os gritou de Cobra, Gael entrou velozmente no quarto do hospital. — Sai daqui, Cobra. Agora! — Ordenou o homem, se aproximando da filha. — Mas ela tem qu... — Ou você sai, ou eu chamo os seguranças — interrompeu Gael.
Três dias haviam se passado. Três dias de angústia para o Cobra, por não ter notícias da amiga. No dia anterior, Jade havia visitado ele. Porém mesmo com a companhia dela, seu pensamento estava em Karina. O dia estava nublado, sem vida. O QG estava aberto, apesar de vazio. Cobra estava sentado em frente ao local, pensativo. Após algum tempo na mesma posição (cotovelos nos joelhos e mãos no rosto) Cobra avistou um carro preto chegando. Ele sabia à quem pertencia o carro. Gael e Karina desceram do carro e entraram no apartamento onde moravam. Ao ver tal cena, Cobra entrou no QG e pegou o celular.
– K, eu preciso te ver. As 21:00 no QG.
Após mandar essa mensagem, o garoto sentou em uma cadeira, e permitiu que suas memórias o levassem para o dia em que a amiga e ele se conheceram.
Flash back on: Cobra estava de carro, chegando ao seu novo endereço. Uma coisa prendeu sua atenção. Uma placa sobre aulas de Muay thai. Quando o rapaz olhou pra frente, ele se deparou com um garoto de olhos azuis e freou o carro, bruscamente. seu primeiro impulso foi sair do carro. O garoto que estava no chão, logo ficou em pé. — Você não olha pra frente quando dirige, cara? — Disse o garoto. Sua voz era fina, feminina. Ao olhar melhor, a voz e a silhueta deixam claro para Cobra, que se tratava de uma menina. — Desculpa, eu nã... — Da próxima vez, eu não respondo pelos meus atos — Interrompeu a menina, indo embora em seguida. Flash back off.
As horas se seguiram com Cobra revesando entre usar o computador, atender um cliente ou outro e dar golpes no saco de boxe. Faltavam alguns minutos para as 21:00. O moreno não sabia se a amiga viria, na verdade esperava que ela não viesse. Porém ao olhar em direção ao apartamento dela o rapaz teve uma surpresa. Ele à viu descendo pelo poste da sacada. Um sorriso se estendeu de orelha à orelha no rosto de Cobra. Para se mostrar despreocupado, ele fingiu estar mexendo no computador, até que ela chegasse. — Oi Cobra — Disse Karina abrindo um pequeno sorriso — Por que me chamou até aqui? — K, me desculpa — O lutador ficou frente a frente com a menina — Eu não deveria ter falado tudo aquilo para você. — Não, Cobra — Karina colocou a mão no ombro do amigo — Eu precisava ouvir aquilo de alguém. O rapaz olhou nos olhos da amiga. Não importava o quanto as pessoas diziam que ela era parecida com um garoto. Nem o quanto ela realmente parecia. Ela era linda, meiga. Cobra sabia que não podia sentir isso, e ficava assustado por sentir. — Mesmo assim, eu... — Cobra respirou fundo — Vamos lutar? — Achei que nunca perguntaria — respondeu Karina, sorrindo.
[...]
Golpe após golpe, Cobra conseguiu imobilizar (mais uma vez) Karina com o braço em seu pescoço. — E ai amadora — Disse o lutador, ofegante — Como se sente perdendo mais uma vez? — Para Cobra — Disse rindo, também ofegante — Você já pode me soltar. — É, Cobra. Você já pode solta-la. Os dois se viraram assustados. Jade estava na porta do QG, imóvel. Os três estavam imóveis.
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