Bela Morta
4 Capítulo 3
Hoje era o grande dia, o dia de apresentar o projeto que provaria a capacidade profissional de Bruno e Tiago, e que provaria também que contratá-los valeu a pena. Bruno acordou cedo, se arrumou de forma metódica como uma estratégia para acalmar sua ansiedade, tomou um bom café da manhã e foi para a Leictreonach Corporation.
Assim que chegou a empresa Bruno foi até sua sala para deixar a bolsa e alguns outros objetos e correu para sala de reuniões onde seria realizada sua apresentação, ele sabia que hoje a essa hora ela estaria vazia, disponível para que ele pudesse arrumar tudo para sua apresentação com calma, mesmo que a apresentação só fosse ocorrer no começo da tarde.
Depois de organizar tudo para sua apresentação, Bruno voltou para sua sala em busca de uma tarefa que o distraísse nesse meio tempo entre sua chegada e a apresentação. Ao voltar para sala, Bruno encontrou com Tiago que diferente dele não parecia estar nem um pouco ansioso e apreensivo.
— Bom dia! Aonde você estava? — Tiago falou ao ver o amigo.
— Na sala de reuniões arrumando as coisas para a apresentação. — respondeu se sentando diante de sua mesa.
— Você chegou e já foi fazer isso, é um desesperado mesmo. — zombou voltando sua atenção para o computador.
— Eu não estou desesperado, só ansioso. E eu não faço ideia de como você consegue ficar assim tão calmo.
— Simples, eu não tenho problemas mentais como você, minha mãe nunca me deixou cair do berço. — continuou a brincar, sabendo que o amigo revirava os olhos, mesmo sem olhar para ele.
— Eu não tenho problemas mentais, muito pelo contrário, sou muito bem organizado mentalmente. — respondeu orgulhoso.
— Organizado até demais, isso faz mal. Você pensa muito, deveria ser mais emocional de vez enquanto.
— Eu sou emocional de vez enquanto. — se defendeu.
— Eu não estou falando sobre chorar em filme de romance, isso é só esquisitice mesmo. — Tiago rebateu rindo.
— Eu não vou ficar discutindo isso com você, vamos trabalhar que é o melhor que a gente faz.
— Como quiser. — falou por fim, satisfeito com a forma que tinha irritado o amigo.
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Após o almoço, onde Tiago aproveitou mais um pouco para perturbar Bruno, eles se encaminharam para sala de reuniões prontos para vender suas ideias da melhor forma possível.
Alguns diretores, gerentes e o supervisor de Tiago e Bruno já estavam na sala quando eles entraram, a maioria deles haviam chegado a empresa somente para aquele momento. A Leictreonach Corporation tinha uma boa política de aproveitamento de talentos, de tempos em tempos ela abria editais para que funcionários de qualquer setor e cargo pudessem submeter projetos que visassem o crescimento da empresa e também alguma medida que favorecesse a comunidade interna e externa.
Os dois novatos se posicionaram diante daquela comissão de homens e mulheres bem sucedidos e prontos para realizar as críticas mais pesadas e também os elogios merecidos, Tiago não parecia se importar muito com tudo isso, ele não parecia nem um pouco intimidado, era um adepto da frase “o não você já tem” e acreditava que tudo era possível, já Bruno, falar que ele estava uma pilha de nervos estava ficando cansativo.
— Boa tarde! — os amigos saudaram a comissão em conjunto.
— Eu sou o Tiago Pilar e esse é o Bruno Lima, somos os mais novos funcionários da Leictreonach Corporation na área de Administração e Marketing. Hoje vamos apresentar aos senhores o nosso projeto de marketing, que visa uma maior integração da empresa com a comunidade externa, objetivando criar laços afetivos entre a empresa e a população, para que a última veja a Leictreonach Corporation como uma empresa justa, ética e preocupada com sociedade e seu futuro.
Tiago deu início a apresentação com uma postura que quem o conhecesse somente no dia a dia não o reconheceria, mas Bruno conhecia bem esse lado do amigo, ele havia se revelado um ótimo vendedor de ideias na faculdade, e Bruno sabia dar valor a isso.
A apresentação seguiu bem, com falas de Bruno intercalando as de Tiago, demonstrando um grande entrosamento profissional entre os dois. Durante o tempo em que eles falaram, alguns executivos levantaram questões que os amigos souberam responder bem e ao final da apresentação tudo havia sido um sucesso.
— Acredito que essa é uma decisão unânime, o projeto Empresa e Comunidade foi aprovado. — o Diretor de Marketing informou olhando para os demais colegas em busca de alguma objeção que não veio.
— Vocês apresentaram um ótimo trabalho, terão um futuro promissor na empresa. Só peço a vocês que tratem das questões financeiras do projeto diretamente com o setor financeiro, aconselho que tenham a assessoria de algum contabilista da empresa. — a Diretora Financeira informou.
— Nós ficamos muito gratos com a aprovação e os elogios. E faremos exatamente o que a senhora pediu. — Bruno respondeu com o coração cheio de alegria e se segurando para não deixar isso tão na cara.
— Eu tenho a pessoa certa para ajudar vocês com as partes financeiras, ela não está na empresa hoje, mas amanhã poderá falar com ela, o nome dela é Ana. — o supervisor dos meninos informou.
— Obrigado mais uma vez e vamos procurá-la amanhã mesmo. — Tiago falou por fim com um sorriso de satisfação
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Bruno organizou suas coisas para ir embora, o dia havia valido a pena, o projeto estava aprovado, seu futuro na empresa estava garantido, não só o dele como o do seu melhor amigo e até já tinha conseguido dar início a algumas atividades do projeto. Sem dúvida havia sido um dia satisfatório, cansativo, agitado e muito bem aproveitado, do jeito que Bruno gostava.
— Vamos embora? — Tiago chamou da porta da sala.
— Vamos, já arrumei minhas coisas, esses papéis eu vou deixar aqui e o resto vou levar comigo. — falou mais para si do que para o amigo, ajeitando a longa alça da bolsa no ombro.
— Você não está pensando em ficar trabalhando em casa, está? — aquilo era mais uma advertência do que uma pergunta.
— Não, eu não vou trabalhar em casa... Só vou revisar algumas coisas e organizar uma pasta para entregar a moça que vai nos ajudar. — respondeu sabendo o que Tiago diria a seguir.
— Já conversamos sobre isso, trabalho em casa só se for estritamente necessário. Você não pode tornar trabalhar em casa um hábito! Trabalho é trabalho, casa é casa.
— Eu sei, eu sei. Não vou ficar trabalhando em casa, eu prometo. — falou sincero saindo com o amigo da sala.
— Acho bom mesmo. E pra provar que você não vai ficar enterrado com a cara no trabalho, vamos sair. — falou decidido passando o braço pelos ombros do amigo.
— Nem começa! Você sabe que eu não gosto de sair com você, principalmente em dias de trabalho. — reclamou como um velho ranzinza.
— Para de ser chato! Você nunca sai comigo, isso não é justo! Eu vou com você no cinema, teatro, fui até naqueles eventos chatos de nerds fantasiados e você não quer ir em nenhum lugar que eu gosto de ir. — um leve drama havia sido representado ali.
— Ok! Primeiro, você vai aos eventos nerd pelos cosplays femininos, não por mim e você sempre acaba se divertindo com tudo. Segundo, você não é obrigado a ir a lugar nenhum comigo.
— É verdade, eu gosto dos eventos nerds, mas no começo eu não gostava, como resolvi experimentar acabei gostando, pode acontecer o mesmo com você. E sobre eu não ser obrigado também é verdade, mas faço isso por ser seu amigo e é isso que os amigos fazem... Porém você quer fazer da nossa relação uma via de mão única onde só eu faço suas vontades. — Tiago começou a discursar fingindo um tom emotivo.
— Não precisa pedir o divórcio, você está certo. — zombou. — Só espere concluirmos as fases iniciais do projeto e aí eu saio com você.
— Você está tentando me enrolar. — era verdade, Tiago o conhecia bem e eles já tiveram conversas como essa.
— No meu aniversário! No meu aniversário eu saio com você, saímos do trabalho e vamos, pra onde e como você quiser. Só vou comemorar com meus pais no sábado mesmo.
— Ainda está longe, mas vou aceitar. No seu aniversário, está marcado.
Tiago havia vencido, mesmo que ainda faltasse um mês para o aniversário de Bruno, ele havia conseguido uma promessa e sabia que o amigo não quebraria uma promessa feita a ele. E assim os dois amigos foram embora conversando sobre o aniversário de Bruno, coisas da empresa e de como Tiago deveria arrumar uma namorada e parar de agir como um adolescente na puberdade.
Chegando em casa Bruno fez o que havia planejado sobre analisar alguns papéis e preparar a pasta que entregaria a moça da contabilidade, mas ciente de que não era saudável e de que tinha prometido a Tiago, não se aprofundou no trabalho, organizou algumas coisas das compras que tinha feito no dia anterior e foi dormir cedo como de costume.
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