Bela Morta
14 Capítulo 13
No mesmo dia da festa, Bruno voltou para casa e começou uma longa pesquisa sobre alexitimia e possíveis tratamentos, ele estava disposto a tornar-se um psicólogo, psiquiatra de uma noite para o dia, mas isso não era possível.
Já eram 2 horas da manhã quando Bruno percebeu que ficar de frente para o computador, tentando descobrir técnicas de educação emocional, não era a resposta. Ele decidiu que iria continuar o que estava fazendo, só que agora com mais empenho, motivação e esperança.
No dia seguinte acordou tarde, o que era de se esperar depois da noite que tivera. Ao preparar o café da manhã, Bruno percebeu que sua dispensa estava ficando vazia, fez uma lista e foi as compras.
Era inevitável para Bruno fazer compras sem lembrar do dia em que ajudou Ana com as compras, na verdade, era inevitável não pensar em Ana. Voltando para casa o rapaz decidiu que não aguentava mais, deixou as sacolas em casa e pegou um ônibus em direção a casa de sua bela morta.
Diante do portão da casa onde já tinha estado duas vezes, o rapaz ficou um pouco inseguro sobre o que fazer. Contudo, ele estava determinado, ansioso e dolorido demais para desistir ali. Sem pensar mais, apertou o botão da campainha tornando-se mais ansioso.
Depois de quase um minuto, Bruno foi agraciado com a melhor visão que ele poderia ter. Ana estava com um vestido cinza, que marcava sua cintura descendo solto até acima dos joelhos, era um vestido simples e aparentemente confortável, mas aos olhos de Bruno era a melhor roupa que ela poderia usar, ela estava mais bela que nunca.
— Bruno? — Ana soltou o nome do rapaz sem parecer surpresa, mas ele sabia que ela não esperava por ele.
— Oi! — as emoções dela poderiam não dar as caras, mas as de Bruno estavam todas impressas em seu sorriso bobo.
— Posso te ajudar?
— Sim. Eu queria que você viesse tomar um sorvete comigo? — foi a primeira coisa que lhe passou pela cabeça.
— Um sorvete? Eu acho… — ele sabia o que ela ia tentar fazer.
— Nem adianta tentar recusar, eu não vou desistir. — a cortou ansioso.
— Tudo bem, eu só preciso pegar minha bolsa. — concordou devido sua inabilidade em resistir insistências e entrou.
Bruno não sabia da onde a ideia do sorvete havia surgido, mas ele agradecia por isso, afinal não fazia ideia do que falar quando Ana lhe atendeu, mas agora ele precisava lembrar de uma sorveteria ali por perto.
Nem dois minutos depois Ana reapareceu no portão com uma bolsa pequena pendurada no ombro, Bruno respirou fundo tentando lembrar mais uma vez de uma sorveteria ali perto, mas nada vinha na sua cabeça.
— Sabe? Eu não lembro de uma sorveteria aqui perto… Você conhece alguma? — confessou nervoso com a possibilidade dela dizer não e tudo acabar ali mesmo.
— Na rua de trás. — respondeu simplesmente fechando o portão, fazendo Bruno soltar o ar aliviado.
— Ótimo! Pode escolher o que você quiser que eu pago. — respondeu começando a caminhar junto de Ana.
— Obrigada, mas não precisa.
— Claro que precisa. Você me ajudou muito escolhendo o presente da filha o meu amigo, ela adorou o ursinho, você tinha que ver.
— Mas eu te devia por ter me ajudado. — respondeu lembrando a Bruno do artifício que ele tinha usado.
— Como eu já falei, na verdade você não me devia nada, só falei aquilo para você não se recusar a sair comigo
— Você não precisa usar de artifícios para eu sair contigo. — aquilo havia sido totalmente imparcial, mas para Bruno aquela era a melhor confissão do mundo.
— Muito bom saber disso, porque hoje eu tenho um outro convite para você.
— Qual? — não havia curiosidade ou empolgação ali, mas depois do que ela tinha falado isso não importava.
— Ainda não é a hora do convite.
Eles não demoraram muito para chegar a sorveteria, conversam sobre banalidades e Bruno aconselha a Ana a comprar um videogame, afirmando que isso melhoraria seus reflexos e capacidade de raciocínio e ela aceitou. Bruno tentou fazer Ana reagir emocionalmente algumas vezes, mas nada aconteceu, porém isso não era motivo para desanimar, afinal ele não precisaria de artifícios para convencê-la a sair com ele.
— Acho que já está na hora do convite. — Bruno informou ao terminar seu sorvete.
— Diga.
— Quer almoçar comigo amanhã? Soube que os nossos horários são similares. — esse não era o convite que ele iria fazer, mas pensou melhor resolveu prolongar mais seus momentos com Ana.
— Tudo bem, mas agora tenho que ir. — respondeu automática.
— Ok, eu te acompanho.
— Não precisa.
— É claro que precisa. — eles não discutiram mais isso e foram até a casa da moça.
Ao chegar de frente para o portão que Bruno já conhecia bem, eles se despediram e o rapaz aproveitou para abraçar Ana, como sempre ela não respondeu, mas dessa vez ele se demorou um pouco mais e aproveitou para depositar um beijo um pouco mais demorado do que o normal no rosto da moça.
— Até amanhã! — falou Bruno sorrindo bobo.
— Até. — respondeu mais baixo e fraco do que o normal.
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