Bela Morta
25 Capítulo 24
Depois de tomar banho e cuidar de seus ferimentos, Bruno sentou-se no tapete onde havia largado a sua bolsa, e a abriu pegando a caixa pela qual tanto havia lutado, ele espalhou o conteúdo da mesma pelo tapete. Havia documentos, um cartão de poupança bancária, uma foto da família de Ana e a carta de seu pai.
Bruno abriu o envelope com calma e com muito cuidado desdobrou o papel que tinha dentro.
Querida Aninha,
Eu estou escrevendo essa carta para te ajudar a lembrar de sua família, de seu propósito e de quem você é no tempo em que estiver no Rio de Janeiro. Você está indo para uma cidade grande, cheia de coisas para lhe oferecer, mas sei que não irá nos decepcionar.
Sua mãe, eu e seu irmão te amamos muito, porém você tem que partir, tem que estudar, crescer, nos dar orgulho e ser a primeira da nossa família com um diploma universitário. Você sempre foi boa com os números e irá se dar bem com a faculdade que escolheu, e que assumo que te ajudei a escolher.
E agora vai algumas dicas que eu espero de verdade que você siga.
Seja completamente focada em seus estudos e posteriormente em seu trabalho, nada de ficar perdendo tempo com namoricos e bobeiras.
Seja responsável com seu dinheiro e suas coisas, o dinheiro que coloquei na poupança será o suficiente para se manter por agora, em breve mandarei mais, porém você terá que ser controlada.
Nunca esqueça de mandar notícias e ligar.
Seja sempre honesta, sincera e agradável, não seja aquelas pessoas entronas, que respondem sem serem perguntadas, lembre-se você não está em casa.
E por fim dos dê orgulho como sempre deu, seja sempre a filha maravilhosa e responsável que conheço, aquela que vive para dar orgulho a sua família.
Obs: Não demore para voltar, eu te amo e confio em você para cumprir tudo isso.
Ass: Papai
Ao terminar de ler a carta, Bruno ficou por um tempo parado se sentindo angustiado, aquilo não era uma carta de aconselhamento, aquilo era um manual de regras, além de ser muito injusto. O pai de Ana até podia amá-la de verdade e com todas as suas forças, mas ele não tinha o direito de depositar todas as suas expectativas sobre ela.
Bruno já sabia o que fazer, ele precisava livrar Ana daquela prisão psicológica, nem que ele tivesse que fazer de tudo para isso, ele a curaria da alexitimia, depressão essencial, o seja lá o que ela tivesse, ele só precisava do primeiro passo para ela entender que tinha um problema, que tinha que se cuidar e a partir disso ele acompanharia seu tratamento até que ela estivesse totalmente curada, ele faria qualquer coisa por ela.
Bruno pegou o celular e ligou para casa de Ana, ele tinha seus dados devido ao trabalho e pelo tempo que havia passado entre invadir sua casa, se recuperar, ler a carta e se recuperar de novo, já havia dado tempo de Ana chegar em casa, pelo mesmo era isso que ele achava.
O telefone tocou, tocou e nada de Ana atender, Bruno estava ficando nervoso, porém não desistiria, foi até a cozinha comeu alguma coisa, bebeu água e voltou para o telefone, mais algumas tentativas até que sua amada atendeu.
— Alô! — a voz constantemente monótona atendeu.
— Oi, Ana! Eu preciso muito que você venha aqui em casa. — falou sem rodeios e cheio de ansiedade.
— Bruno?
— Sim, sou eu. Você vem?
— Por que você quer que eu vá?
— Só vem até aqui, por favor. Eu te imploro! — ele usou seu melhor tom desesperado.
— Estou indo. — respondeu antes de desligar o telefone.
Ele podia ter ido até a casa dela, mas além de estar cansado e machucado, Bruno precisava da segurança de seu território, pois as coisas poderiam sair do controle.
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