Notas iniciais
Oito dias depois, cá estou eu! Essa é a última parte do que eu já tinha pronto, então, os próximos capítulos serão escritos a partir do seu feedback, leitor(a)! ;) Se eu não receber nada, como está acontecendo por aqui (risos), será 100% minha inspiração mesmo. Torçam contra o bloqueio criativo! No mais, boa leitura!

Fui trabalhar na sexta pensando unicamente nos dias seguintes, sem olhar pro que tinha acontecido nas últimas semanas. Cheguei à redação após todo o meu ritual matutino ter sido feito corretamente depois de vários dias. Fui bem recebida por todos os meus colegas e logo o Afonso já veio me falar sobre a retaliação da ArteMil. Só consegui pensar naquele momento que, infelizmente, eu não faria mais parte daquilo, já que havia outro repórter envolvido. Tudo que eu fiz foi seguir meu dia de trabalho normalmente, como em todos os outros. A diferença foi que a partir daquele dia eu teria mais algumas cicatrizes.

Cheguei em casa no início da noite de sexta pensando no que eu faria no fim de semana, que não fosse trabalhar. Desde que me mudei para São Paulo, tudo que eu havia feito se resumia em trabalho e uma noite ou outra em algum bar, quando a Lívia podia ir comigo. Por ter chegado há pouco tempo, eu tinha poucos amigos e todos eles eu via todos os dias, já que eram da redação. Era bem difícil eu achar alguém disponível. Minha companhia de todos os dias, além de mim mesma, era o Bartolomeu.

Enquanto eu tomava um chá esparramada no sofá, avistei um cartão desconhecido debaixo de um livro na mesa de centro. Me estiquei para pegá-lo e me dei conta de que era de um restaurante. Puxei na memória alguma recordação do lugar e só então percebi que provavelmente era onde a Alícia havia ido nos dias que ficou comigo.

Peguei meu celular, interessada, e procurei pelo lugar num site de buscas. Acabei gostando e decidindo ir beber alguma coisa ou jantar, mesmo que sozinha.

Eu me arrumei e chamei um uber. Quando entrei no restaurante, me sentei na bancada por estar sozinha e não precisar de uma mesa e pedi um drink. Peguei-o nas mãos e me virei para as pessoas em todo o local enquanto escutava a música que tocava.

Era um lugar bem fino e bem a cara da minha irmã. Por saber disso eu me arrumei mais, mas não igual a ela. A luz estava baixa e os barmans trabalhavam incessantemente, entregando um drink por minuto. Ao meu lado na bancada havia outras pessoas sozinhas ou acompanhadas por outra, conversando e sorrindo bastante naquela sexta à noite. Algumas outras estavam jantando e também bebendo em um ambiente um pouco afastado do bar, sentadas em mesas bem montadas e com vários garçons à disposição. Dei um último gole no meu drink, pedi outro e voltei a observar tudo ao meu redor.

Por mais que eu estivesse bem ali, senti falta de conversar. Resolvi mandar uma mensagem pra Lívia perguntando se ela não se encontraria comigo ou se pelo menos estava disposta a terminar a noite num podrão para fugirmos daquele lugar cheio de gente preocupada demais com a roupa que usava, com o negócio que geria ou se a massa que comiam estava dura demais ou cozida demais.

Quando acabei de digitar e ergui minha cabeça pra frente, avistei uma pessoa conhecida me encarando com um sorriso leve nos lábios. Apertei os olhos como se isso ajudasse a memória e então me dei conta de que era Antônio Bergamo, o diretor que eu havia entrevistado na investigação e que nunca mais entrei em contato por conta do meu atropelamento.

Olhei para ele também, mas não sorri da forma como ele estava sorrindo pra mim. Eu não sabia o que aquele sorrisinho significava. Naquela altura ele já sabia da reportagem, então havia ligado os fatos. Eu não tinha medo ou receio da retaliação com o jornal e consequentemente com o meu emprego, mas fiquei curiosa com aquele olhar desafiador na minha direção.

Abaixei a cabeça remexendo meu drink e em poucos segundos senti alguém se aproximando. Levantei o olhar e era ele.

— Rebeca Riche. – disse acenando com a cabeça.

— Olá, Antônio Bergamo. – respondi sem me intimidar e ele me fitou de forma calculista.

— Está sozinha aqui?

— Estou. – falei sem render assunto.

— Minha secretária te procurou e não te achou. Quer dizer então que aquela entrevista aparentemente despretensiosa tinha um grande furo por trás? – indagou se sentando no banco vago ao meu lado.

— Você que está dizendo isso. – respondi erguendo uma sobrancelha e ele me mediu, apoiando o braço na bancada logo em seguida.

— É assim que vocês fazem. Jogam as respostas pra cima de nós para parecermos culpados. – argumentou sorrindo com confiança.

— Você já sabia muito bem pelo tom da entrevista e pelas minhas perguntas. Só não disse o que não quis. É assim que vocês fazem. – retruquei sem parecer grossa e sorri também – Mas eu não fui pra frente com a reportagem.

— Realmente eu não vi sua assinatura. – concordou, pedindo um drink.

— Me acidentei e peguei alguns dias de licença. – expliquei, por mais que não precisasse – Uma pena.

— Não para mim. – disse ficando sério.

— Porque não? Não muda nada pra você, a reportagem foi impressa sem mim.

— Porque seria péssimo ter uma reportagem daquelas, por ser falsa e causar problemas à empresa, assinada por alguém da família de uma das novas parcerias da ArteMil.

Ergui as sobrancelhas com a palavra “falsa” e molhei meus lábios. Só depois de alguns segundos me dei conta do que ele realmente tinha dito.

— Você havia dito que a parceria estava sendo estudada.

— Pois agora ela é real. – respondeu de forma imediata pegando o drink pronto com o barman e eu abaixei o olhar, pensativa.

Ok, eu não poderia fazer nada. Naquele momento eu só consegui agradecer por não ter assinado aquela reportagem. Se isso tivesse acontecido, com toda certeza, no mundo dos negócios, o meu sobrenome na reportagem e a novidade da nova campanha da ArteMil com a Riche saindo ao mesmo tempo causaria uma confusão desnecessária.

Era nesses pontos que eu costumava questionar o rumo que quis tomar para minha vida. Sempre teria a sombra da empresa dos meus pais, o que me limitaria em muitas coisas. Por sorte, dessa vez tinha sido acidental a minha não participação no problema.

— Então foi uma feliz coincidência pra você e pra mim. – falei erguendo a cabeça para ele – Esse ponto da Riche interferir no meu emprego sempre será como pisar em ovos. – confessei.

— Não imaginava escutar isso de você. – ele disse curioso e eu olhei confusa para ele – Você me pareceu muito segura aquele dia na empresa.

— Porque eu sou. Mas acontece. – respondi dando um gole na minha bebida.

Ele me fitou instigado e eu fiquei reparando discretamente na sua figura. Ele estava vestido socialmente, mas despojado. Talvez tivesse saído da empresa e só tirado o paletó para entrar no bar. Seu cabelo um pouco longo parecia ter sido penteado só pela manhã e a barba estava por fazer, coisas que só uma sexta-feira corrida e uma agitada semana de trabalho faziam com uma pessoa.

Eu só não estava igual a ele porque tinha voltado a trabalhar naquele mesmo dia.

— Agora eu entendo você dizer que não se liga muito na Riche. O seu lado é outro.

— É, talvez. É só uma questão de vocação. Eu cresci naquele meio, não queria passar o resto da minha vida presa nele também.

— Então é uma questão de vocação e autonomia. Eu cresci nesse meio e estou nele até hoje. Fui direcionado a continuar nele, não que eu não goste.

— Sei bem, Antônio Bergamo Neto. – respondi, demonstrando que eu sabia muito bem que a rede de lojas foi fundada pelo seu avô.

— Ah, sabe?

— Bem mais do que você imagina.

— Posso saber o que mais? – perguntou curioso e, de certa forma, preocupado.

— É o meu trabalho. Desculpa, mas eu tive que fazer isso. Se eu falar, não vai ter adiantado nada.

— Eu deveria tomar cuidado com você? – indagou sorrindo fraco.

— Não mais. Estou fora do escândalo da ArteMil.

— Escândalo inexistente. – corrigiu-me.

— Se você diz... – falei piscando lentamente e ele me encarou, parecendo estar digerindo as palavras.

Eu dei um sorriso e bebi mais um gole do meu drink. Senti meu celular tremer no meu colo e li a mensagem que a Lívia havia mandado. Ela não iria.

Resolvi então finalizar a minha noite, pagar a conta e ir embora. Eu já tinha bebido o que queria e não tinha absolutamente nada que me prendesse ali.

— Ei, você pode trazer a minha conta, por favor? – pedi me direcionando ao barman mais próximo de mim.

— Já vai embora? – o Antônio perguntou.

— Vou. Estava esperando uma amiga, mas ela não vem mais. – respondi bebendo o resto do drink.

Ele me observou enquanto eu passava o cartão e digitava a minha senha.

— Posso te levar em casa? – pediu enquanto eu guardava meu cartão na bolsa.

Eu sorri levemente ainda mexendo com a minha bolsa e levantei a cabeça lentamente para ele.

— Espero que você não esteja confundindo as coisas, Antônio. – falei com o sorriso ainda no rosto, achando graça daquilo.

— Não estou. Só reparei que você bebeu alguns drinks e provavelmente não está de carro. Quer mesmo ir embora sozinha?

Encarei-o apertando os lábios e concluindo que ele era um bom observador. Talvez ele estivesse somente sendo gentil.

— Pode ser, então, desde que não pareça estranho pra você dar carona pra jornalista que queria publicar uma denúncia falsa sobre a sua empresa. – brinquei ironizando suas palavras sobre a reportagem.

— Isso a empresa vai resolver como deve. – respondeu fazendo um gesto convencido com a cabeça e eu revirei os olhos – Pode trazer a minha conta também. – pediu se virando para o garçom.

Dei um sorriso fraco e balancei a cabeça em negativa.

Acabei realmente entrando no seu carro naquela noite e guiando ele até o meu apartamento.

— Obrigada por me trazer, Antônio. – falei dando um leve sorriso com a mão na trava da porta para sair.

— Fiz o que tem que ser feito. – respondeu com outro sorriso leve.

Eu assenti com a cabeça e, quando já estava pronta para me levantar e sair do carro, me toquei.

— Ah, não... – falei molhando meu lábio inferior e fechando os olhos rapidamente – Você realmente quis dizer isso que estou pensando? – indaguei me voltando para ele e ele me encarou – Não subestime minha inteligência, Antônio... – completei abrindo um sorriso nada simpático.

— O quê? Você que não deveria subestimar a minha! – disse surpreso, franzindo as sobrancelhas.

— Não seria conveniente me manter por perto? Seguindo o ditado de manter os amigos por perto, e os inimigos...

— E você acha mesmo que eu seria tão descarado? – perguntou me interrompendo – Isso sim é subestimar a inteligência de alguém.

Soltei a respiração e me dei conta de que estávamos tendo um diálogo ridículo.

— Ok. Nós não nos conhecemos, então me desculpe. – falei balançando a cabeça para tentar colocar tudo no seu devido lugar, saindo do carro o mais rápido possível – Eu sempre estou atenta a cada palavra que ouço, faz parte de mim. – completei olhando-o pela janela.

— Não tenho dúvidas disso. – respondeu dando um sorriso divertido após me medir por alguns segundos – Até mais. – saudou ligando o carro.

Desencostei-me da porta e ele arrancou. Fechei os olhos e me senti envergonhada. Eu não poderia negar que havia uma tensão entre nós por eu tê-lo entrevistado, ele ter descoberto minhas intenções e as intenções do jornal e por termos nos encontrado naquele lugar tão descontraído quanto o bar. Tudo isso tornava a minha posição bem definida, assim como a dele, demonstrando o lugar de cada um. Atenta, segura e curiosa como sempre fui para conseguir uma boa pauta, acabei vendo coisa onde não existia. Ele respondeu parecendo ser bem sincero.

O que eu não esperava, porém, era que eu fosse ficar tão incomodada e com seu sorriso divertido tão gravado na minha mente, mesmo que ele tivesse saído há menos de dois minutos.

Balancei a cabeça em negativa, rapidamente, e me virei para atravessar a rua e entrar no meu prédio. Quando subi o degrau da calçada, com a cabeça ainda nos últimos acontecimentos, escutei um carro chegar extremamente rápido logo atrás de mim. Me virei no mesmo instante e avistei o Antônio.

— Quer me matar? – indaguei sem pensar colocando uma das mãos no peito, tomada pelo susto.

— Como você pretende entrar em casa? – perguntou erguendo uma sobrancelha.

Automaticamente direcionei o olhar para mim e percebi que estava sem a minha bolsa.

— Não acredito... – lamentei fechando os olhos rapidamente – Me desculpe pela falta de atenção e por fazer você voltar. – falei respirando fundo e dando um sorriso incrédulo.

Aquele era mais um motivo para eu me envergonhar. Já não bastava eu ter me precipitado, ainda o fiz voltar.

— Eu não estava tão longe. Você realmente não tinha percebido? – indagou franzindo as sobrancelhas e retribuindo o sorriso.

Não, eu não havia percebido justamente por ter ficado alguns segundos remoendo a minha personalidade. Pensando nisso, resolvi ser sincera.

— Não, não percebi. Tudo isso porque me senti completamente idiota depois do que eu disse no carro e, acredite, eu detesto me sentir assim. Fiquei alguns segundos ali parada, envergonhada.

Ele soltou uma risada e abaixou a cabeça.

— Você é sempre sincera assim? – perguntou me encarando novamente.

Ergui os ombros em sinal de conformidade e o encarei também. Eu sabia que aquele era o momento em que ele me passaria a bolsa, eu abriria o portão e subiria para o meu apartamento, mas as ações simplesmente não foram concretizadas. Acredito que ele também sabia disso, mas tinha alguma coisa pairando no ar.

Talvez uma tensão diferente da que imaginei que existia, algo quase palpável.

Os segundos pareceram durar uma eternidade. Quando caí em mim e comecei a ficar sem jeito, engoli seco e ele tirou uma das mãos do volante, erguendo-a até o banco ao lado e em seguida esticando o braço para mim, segurando a bolsa. Me mexi rapidamente, saindo do lugar, e peguei-a de sua mão.

— Obrigada. – falei dando um sorriso fraco.

Ele assentiu e eu molhei meus lábios, me virando o mais rápido possível. Enquanto eu abria o portão, escutei o barulho do seu carro arrancando novamente e finalmente entrei.

O Bartolomeu já foi logo se aninhando nas minhas pernas enquanto eu adentrava o apartamento. Por ter bebido, eu estava com fome, então pedi comida japonesa e terminei minha noite deitada no sofá com o Bartô vendo um filme qualquer que passava na TV.

Acordei na manhã de sábado sentindo minha perna vibrar. Obviamente era meu celular chamando dentro da bolsa que eu havia largado ali assim que cheguei. Eu nem mesmo fui pra cama e acabei adormecendo de qualquer jeito na sala.

— Alô.

— Me diz o que você quer de presente. – escutei a voz da Alícia e franzi minhas sobrancelhas, completamente confusa – Anda, me diz rápido!

— Meu Deus, Alícia... – reclamei, tentando enxergar as horas no relógio pendurado na cozinha – Como assim? Que presente?

— De aniversário. – ela respondeu impaciente – E não vem me dizer que não quer nada, porque eu tô aqui no shopping em meio a milhares de lojas e duvido que não tenha nada aqui que te agrade.

Sim, claro, meu aniversário. Eu sempre acabava me lembrando dele em cima da hora, já que não gostava muito de comemorar. Nesse momento então, em que havia acordado no susto, o meu aniversário seria a última coisa que eu pensaria.

Fechei os olhos de leve e me levantei em meio a sua falação. Andei até estar mais perto do relógio e vi que já passava das 11h.

— Mas meu aniversário é na quarta, no meio da semana. Deixa pra preocupar com isso quando você tiver que me ver, o que não vai acontecer nos próximos dias. – tentei argumentar pegando a louça suja em cima da mesa de centro, onde eu havia comido.

— Eu vou tentar mandar pra você.

— Tá louca? Não tem necessidade, Alícia.

— Você quer alguma coisa pra casa ou pra você? Eu escolheria alguma coisa pra você. É péssimo ganhar uma decoração quando o aniversário é seu. – continuou, ignorando meu protesto.

Molhei meus lábios e soltei um sorriso incrédulo. Só mesmo a minha irmã ficava pensando essas coisas em plena manhã de sábado.

— Então pronto. Pode escolher o que você quiser, com certeza eu vou adorar. – respondi me apressando para terminar logo aquela conversa.

— Rebeca... – disse desapontada e então bufou – Tudo bem, eu vou escolher. Só não reclama depois.

— Eu nem poderia. – falei erguendo uma sobrancelha, parada no meio da sala – Preciso desligar porque acabei de acordar.

— Credo! O que você fez ontem?

— Nada de interessante, era só cansaço mesmo. Até mais.

Desliguei o celular e consegui imaginar a careta que ela provavelmente havia feito no shopping. Se eu desse abertura, ela começaria a falar das suas compras daquela manhã e ficaríamos conversando o resto do dia.

Eu realmente não queria aquilo.

Me joguei no sofá novamente e, com o impacto, todas as coisas da minha bolsa se espalharam em meio às almofadas, já que ela estava aberta desde que eu tinha pegado o celular. Comecei a colocar tudo de volta, inclusive um cartão solto. Pensei que fosse qualquer uma das minhas tralhas e cheguei a abrir a carteira para enfiá-lo lá de qualquer jeito, porém li rapidamente as palavras “me liga”.

Franzi as sobrancelhas e o virei. Era um cartão de visita da ArteMil. Fixei meu olhar no chão tentando pensar como aquilo poderia ter ido parar ali e só então me lembrei do Antônio. Era óbvio que ele havia deixado aquele cartão dentro da minha bolsa, quando a esqueci dentro do seu carro.

Voltei meu olhar pra ele e observei seu número abaixo das palavras. Uma grafia bonita, porém corrida, como se tivesse escrito aquilo com poucos segundos. Soltei a respiração e balancei a cabeça em negativa. Inacreditável. Aquilo realmente queria dizer o que eu estava pensando? Ele queria que eu ligasse pra ele por qual motivo? E por que fazer isso escondido, para que eu descobrisse?

Peguei meu celular e salvei seu número. Eu queria ver se aquele era um número corporativo ou o seu pessoal, o que eu só conseguiria ter certeza através da foto do seu perfil num aplicativo de mensagens.

Sim, era seu número pessoal. Uma ótima foto descontraída, diferente do que eu já havia visto. Mais descontraída até do que seu visual na noite anterior.

Pensei por alguns minutos e decidi que não fingiria que nada aconteceu. Se ele realmente tinha feito aquilo, queria fazê-lo ficar envergonhado por eu ter caído e percebido o que ele queria.

Ou talvez ele não ficasse envergonhado coisa nenhuma. Se foi capaz de enfiar um cartão na minha bolsa com seu número, era bem provável ele tratar aquilo com a maior naturalidade.

Ok, Antônio Bergamo. Então aquela coisa palpável diferente e distante da tensão profissional que eu achava que nos cercava era mesmo real.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.