Viajamos pela tarde no dia seguinte. Aquele fim de semana pareceu ter sido uma eternidade, nunca imaginara que tudo isso aconteceria. Caroline traia Colin com Jason, que eram amigos, e ele sabia e ela não sabia que ele sabia, e agora Colin havia traído ela comigo. Honestamente, aquilo fez eu me sentir menos culpada, mas ainda continuava achando um absurdo, mas não exatamente por Caroline, mas por mim. Colin era especial e eu o conhecia mais do que conhecia a mim mesma, não importa quanto tempo passasse, ele sempre seria o mesmo e eu conheceria quem ele era, mas não queria ter perdido minha virgindade daquela forma. Ao menos estava fazendo o que Brad dissera, criando experiências e estava definitivamente agindo como uma vadia.

A viagem foi tranquila, não foi muito diferente da ida, Brad e Caroline conversavam sem para e eu Colin ficamos calados, só que dessa vez ele de vez em quando olhava para mim pelo retrovisor e eu logo ficava vermelha, pois me sentia desnuda quando ele fazia aquilo, como se alguém soubesse o que a gente fez. Porém agora tudo estava diferente, eu e Colin éramos amigos novamente e era empolgante ter alguém novamente, alguém que não fosse Brad ou meu pai.

Após um tempo finalmente chegamos. Colin deixou primeiro Caroline e então fomos para nossas respectivas casas. Ele estacionou o carro na sua garagem, Brad pegou sua mala e suas coisas e foi logo atravessando a rua, peguei minhas coisas e fui fazer o mesmo quando Colin segurou meu braço.

— Ei, nós somos amigos. Não fique toda estranha.

— Não vou.

Ele sorriu.

— Depois a gente se ver, Mel.

Ele pegou suas coisas e entrou em casa, eu fiquei olhando ele entrar antes de ir para minha casa. Sorri para mim mesma com o pensamento de que as coisas finalmente poderiam dar certo desde que minha mão fora embora.

Atravessei a rua e meu pai me esperava na porta, ele sorriu a me ver e me abraçou.

— Como vai a minha garotinha? – ele perguntou me levando para dentro.

Revirei os olhos e sorri.

— Não me chame de garotinha.

— Mas você é minha garotinha. – ele riu – E não mude de assunto. Conte-me.

Dei de ombros.

— Foi normal. Bem tranquilo. Melhor que esperava.

Ele sorriu, parecia feliz.

— Que ótimo! Fico feliz em saber disso.

— E você, o que fez? – perguntei colocando minha mochila no sofá e indo com ele até a cozinha.

Peguei a jarra de água na geladeira e coloquei no copo.

— Não fiz nada demais. Arrumei a casa.

— Você é a melhor dona de casa do bairro, sabia?

Ele riu.

— Tenho certeza que sim.

— Vou subir e tomar um banho.

— Ok. Mas desça para o jantar depois, eu fiz ravióli e para sobremesa tiramisù.

— Um jantar bem italiano, não?

Dei um beijo em seu rosto e subi para tomar um banho. Demorei um pouco no banho, era bom ficar ali de baixo d’agua sem pensar em preocupação alguma, só deixando a água cair na sua cabeça cantarolando qualquer música que venha na sua cabeça.

Saí do banho e fui jantar com Brad e meu pai, elogiei seu ravióli e Brad fez piadinhas quando veio a sobremesa também italiana. Conversamos e tivemos uma noite agradável.

Fui até o me quarto passar minhas músicas de volta para o Ipod, acabei tomando liberdade para baixar algumas músicas do The Doors e How Soon Is Now do The Smiths.

Deitei na minha cama e deixei as músicas preencherem meus ouvidos, fechei meus olhos e esqueci-me do mundo naquela noite.

Acordei com o barulho da voz do meu pai ecoando alto pela casa. Vi as horas, eram 11 da manhã, levantei da cama e desci para ver o que estava acontecendo. Logo comecei a sentir falta de algumas mobílias que não estavam em seus respectivos lugares, Brad entrou na casa parecendo eufórico.

— O que está acontecendo? — perguntei – Por acaso fomos roubados?

Ele balançou a cabeça

— Papai está vendendo os móveis.

Franzi o cenho sem entender.

— Fale com ele, eu não sei explicar. – Brad disse indo até a cozinha.

Saí da casa de pijama mesmo e fui até o meu pai que conversava com uma moça.

— Pai, o que está acontecendo? Por que está vendendo nossos móveis?

Ele pediu licença para o homem e gritou por Brad.

— Porque estou cansado de coisa velha.

Arqueei as sobrancelhas.

— Tudo bem. Mas por que essa mudança repentina?

— Não tem hora certa pra essas coisas, Melanie. Mudanças sempre serão repentinas.

Olhei para ele séria e ele sorriu para mim.

— Melanie, está tudo bem. Não vou vender suas coisas, só as da casa.

Suspirei.

— Isso é por causa dela?

— Quem? – ele fingiu não entender.

— Pai.

— Não, Melanie. Talvez. Eu só quero me desapegar das coisas velhas, tudo bem? Só isso.

Assenti.

Entrei em casa e fui para o meu quarto escovar os dentes e me arrumar. Preparei o almoço, pois meu pai estava ocupado. Depois tentei ler, mas o ambiente não me permitia, então fui até a cafeteria Expresso.

Sentei em uma mesa afastada, abri o livro e comecei a ler. Uma pessoa apareceu na minha frente em seguida.

— O que vai querer? – o garoto perguntou.

Olhei para cima e o reconheci.

— Kent?

Ele finalmente desviou o olhar do bloquinho que ele tinha nas mãos e olhou para mim.

— Ah, oi, Melanie. – ele sorriu.

— Não sabia que trabalhava aqui.

Ele deu de ombros.

— Meu pai é dono daqui.

— Também não sabia disso.

— Pois é, ele não vem muito aqui.

— Você começou a trabalhar aqui recentemente? Nunca o vi aqui também.

Ele assentiu.

— Na verdade desde que minha mãe morreu.

Lembro-me de quando a mãe de Kent havia morrido. Ela foi diagnosticada com câncer quando estávamos no primeiro ano, foi quando Kent começou a faltar bastante no colégio. Ele mudou completamente. Ele era um grande babaca, não parecia se importar com nada, e então de repente ele se tornou tão invisível quanto eu.

— Como você está? – ele perguntou – Aliviada de finalmente ter ido embora daquele inferno que chamam de colégio?

Eu ri.

— Claro, já me sinto mais livre.

Ele sorriu.

— Entendo. Você não vai pedir nada?

— Não pretendia. Só queria fugir de casa, meu pai está fazendo uma venda de garagem estúpida.

Ele riu.

— Por quê?

— Acho que tem algo a ver com a minha mãe.

Ele assentiu.

— Eu sei como é.

— Você parece bem.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Bem?

— Diferente.

— Bom diferente?

— Com certeza bom diferente.

Ele sorriu.

— Foi bom te ver, Mel. Se quiser algo me chame.

Dei um meio sorriso para ele.

— Tudo bem. Foi bom te ver também.

Após ler o suficiente fiz meu caminho para fora da cafeteria, já havia alcançado a paz que estava procurando e que não conseguia encontrar em casa. Abri a porta para sair e escutei Kent chamando meu nome.

Me virei para ele que se aproximava de mim apressadamente.

— Ei – ele sorriu entre a fadiga – Eu hã... Eu queria saber se a gente pode sair... talvez.

— Sair?

— É. A gente nunca teve a chance de se conhecer melhor.

Arqueei uma sobrancelha.

— Esse é aquele momento onde você finge gostar de mim para me levar ao baile e me banhar com sangue de porco na frente de todos.

Ele riu.

— Nossa, você descobriu todo meu plano.

Sorri para ele.

— Então você já deve saber que o final dessa história não é nada bonita.

Ele sorriu e então ficou sério.

— Eu não sou mais aquela pessoa. Espero que saiba disso.

Torci o lábio.

— Não sei não. Quando a gente se conhecer melhor, eu poderei ter certeza.

Kent sorriu e me pediu meu número. Dei a ele e fui embora.

Meus Dias ultimamente estavam surpreendentemente estranhos. Primeiro eu vou para um fim de semana na casa de praia de Caroline, depois fico praticamente bêbada e perco minha virgindade com Colin na casa de Caroline, então descubro que Caroline trai Colin com seu amigo e logo eu e Colin voltamos a sermos amigos, e agora isso. Kent. O que estava acontecendo?

Fui para casa quando já era fim de tarde, meu pai parecia estar finalizando a venda dele por hoje. Fiquei observando ele por um momento, ele parecia diferente, parecia desprovido do sofrimento que minha mãe deixara.

Sorri para mim mesma vendo-o assim. De repente alguém tocou no meu braço.

— Olá, Lolita. – ele sorriu.

Revirei meus olhos.

— Quer parar de me chamar assim?

— Não. – ele disse com implicância tomando o livro que havia em minhas mãos – O grande Gatsby. Você adora um clássico não é mesmo?

Dei de ombros.

— Será que eu posso ser seu Sr. Darcy por essa noite? – ele sussurrou em meu ouvido brincando.

Eu ri tomando o livro dele e batendo com ele no seu peito.

— Olha quem voltaram a se falar. – meu pai chegou sorridente.

— Consegui cede-la a voltar a brincar comigo, Sr. Grey.

Meu pai riu.

— Você não tem ideia do quanto isso saiu estranho, Colin. – meu pai disse e foi embora.

— Viu? Seu pai me ama.

Olhei para ele.

— Ele amaria mais ainda quando soubesse o que fez comigo.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Eu desafio você a dizer a ele. – ele disse cruzando o braço de forma orgulhosa.

Sorri pra ele.

— É mesmo? – disse me afastando dele – Espere e veja.

Fui fazendo meu caminho até a porta de casa onde meu pai estava. Entrei e me virei para Colin mostrando o dedo do meio antes de fechar a porta.

Fui até a cozinha sorrindo. Meu pai e Brad estavam sentados na mesa colocando o jantar que meu pai havia pedido por delivery.

Ele olhou para mim enquanto eu puxava uma cadeira para sentar.

— Então você e Colin voltaram a se falar? – ele disse parecendo contente ao saber.

Comecei a colocar a comida no meu prato sem respondê-lo.

— O que? – Brad disse com a boca cheia – Quando isso aconteceu?

— Como isso aconteceu? – meu pai disse.

Soltei o talher no prato e olhei para eles séria.

— Não é nada demais. Éramos amigos antes, agora somos novamente.

— Ainda não consigo acreditar. – disse Brad ainda com a boca cheia – Quer dizer, ele é tão careta quanto você, então faz sentido.

Revirei os olhos.

— Eu odeio você, Brad.

Ele sorriu.

— Você me ama, vadia.

Meu pai olhou para ele.

— Brad! Olha como chama sua irmã. – disse dando um tapa no seu braço.

Brad massageou o braço.

— É apenas uma gíria.

— Desde quando? Desde quando vadia é uma gíria?

Eu ri.

— Eu não sei. – ele tentou se explicar – Desde que alguém começou a chamar outra pessoa de vadia e essa pessoa não se sentiu ofendida.

Meu pai balançou a cabeça.

— Não sei o que há de errado com vocês, jovens de hoje em dia.

Terminamos de jantar e eu fui para o meu quarto. Quando estava indo para o banheiro tomar um banho recebi uma mensagem de Kent.

Nunca pensei que fosse ficar feliz em ver alguém do colégio.

Sorri para mim mesma.

Você está dando em cima de mim, Kent?

Mandei para ele.

Talvez. Senão não a teria chamado para sair.

Sorri novamente. Uau. Quem diria eu saindo com Kent.

Passo amanhã na sua casa.

Tudo bem. Estarei esperando.

Ansiosamente?

Talvez...

Ele mandou uma carinha sorrindo e eu deixei o celular de lado para ir tomar banho.

Tomei banho pensando no que vestiria, aonde ele me levaria, o que ele faria. Nossa, deve ser assim ser como uma adolescente normal.

Apenas aos 18 anos eu estava tendo meu primeiro encontro com o mesmo cara que me deu um primeiro beijo desastroso. Finalmente estava vivendo experiências antes de ir para a faculdade, finalmente havia algo para pensar antes de dormir, algo para me fazer sentir um frio na barriga. Eu estava vivendo os grandes momentos que tanto queria.

Saí do banheiro e tomei um susto com Colin sentado na minha cama mexendo nos meus livros.

— Colin, o que faz aqui? – abracei meu corpo – Como entrou aqui?

Ele viu para mim e sorriu apontando para a janela.

— Você não pode fazer esse tipo de coisa.

Ele começou a se aproximar de mim franzindo o cenho.

— Por quê? Não como se nunca tivesse feito antes.

Joguei a cabeça para o lado, olhando-o.

Quando éramos crianças e os pais de Colin costumavam brigar, ele fugia do seu quarto e vinha para o meu, assim fazíamos uma barraca e dormíamos juntos. No começo ele chorava, mas então eu o abraçava me perguntando no que poderia fazer para amenizar sua dor.

— Não é como se fosse a mesma coisa. – eu disse.

— Por quê? Meus pais estão gritando nesse exato momento. Então me lembrei que agora éramos amigos novamente eu podia vim para cá.

— Ah. – foi tudo que consegui dizer.

— Eu posso ficar? – ele pediu com os olhos implorando para eu dizer sim.

Assenti.

— Vou apenas me vestir no banheiro e já volto. – fui até a estante pegar um pijama e roupa íntima.

Ele sorriu.

— Por quê? Não é como se eu nunca tivesse a visto pelada.

Olhei para ele chocada.

— Colin. Esses tipos de comentários são extremamente inapropriados.

Ele riu.

— Eu sei. Por isso disse.

Revirei os olhos e fui ao banheiro me vestir, escovei os dentes e quando voltei Colin estava montando a barraca.

— Não imaginei que fosse fazer exatamente como antes.

Ele sorriu.

— Quero ter a experiência completa de como fazíamos antes.

Só que antes as coisas eram tão diferentes que você não faz ideia. Queria dizer.

Quando ele terminou se deitou lá dentro e eu fui fazer o mesmo. A única luz era a do abajur. Eu e Colin estávamos calados olhando para cima com a respiração pesada. Mordi o lábio, nervosa.

É, as coisas são realmente diferentes agora.

Antes não havia malícia alguma em estar em um lugar assim com Colin, era algo tão inocente quanto não perceber um insulto. Agora não, era diferente e estranho, mais estranho ainda pelo fato de Colin ter sido quem tirou minha virgindade.

Ele se virou, se deitando de lado para olhar para mim, então fiz o mesmo.

— Senti falta disso. – eu sorri para ele – Sinto falta de você no meio do caos.

Seus olhos eram tristes. Ele estava chateado pelo fato de seus pais estarem brigando, também por não poder se refugiado antes aqui.

— Desculpe. – eu disse.

Ele uniu as sobrancelhas, sem entender.

— Por quê?

Minha boca era uma linha fina antes de eu falar.

— Por não ter estado lá para você antes. – dei de ombros – Fui uma péssima amiga.

Ele sorriu e tocou no meu rosto, acariciando a maça do meu rosto.

— Eu que fui um péssimo amigo. Sua mãe foi embora e eu não lutei para apoiar você. É isso que amigos fazem.

— Nós éramos apenas crianças, Colin. – eu disso sorrindo.

Ele tinha a expressão séria.

— Não somos mais crianças agora. – ele disse baixo.

Toda nossa conversa era um sussurro, uma troca de respiração e calor, era confortável e estranho ao mesmo tempo.

Ele começou a aproximar seu rosto do meu até seus lábios tocarem delicadamente os meus. Coloquei minha mão no seu rosto também sabendo que não devia fazer isso, mas prossegui mesmo assim. Ele abriu meus lábios com sua língua e a mergulhou em minha boca, nos beijamos assim por um tempo até sua mão descer por minhas curvas até minha cintura e parar no meu traseiro. Me sentindo empolgada subi em cima dele enquanto ele levantava suas mãos para debaixo da minha blusa, tocando toda a extensão da minha costa. Quando suas mãos pararam em forma de concha nos meus seios quis tirar a blusa, mas quando o fiz a barraca que ele fez desmoronou em cima de nós.

Eu estava em cima de Colin coberta pelo lençol e rindo junto com ele. Ele me abraçou ainda de baixo do lençol e beijou meu rosto.

— Acho que já estamos grandes demais para ficar na barraca.

Assenti sorrindo.

Saí de cima de Colin e vesti minha blusa enquanto ele se acomodava na minha cama. Tranquei a porta antes de ir me juntar a ele. E assim dormimos, agarrados um com o outro, de uma forma meio, inocente meio maliciosa, um sentindo a respiração do outro, um sentindo o coração do outro.