Being Teens
2 Best fucking friends
Notas iniciais
Julia [narrando]
No dia seguinte quando acordei, avistei apenas Anne dormindo e os cobertores dos meninos todos amontoados. Onde estariam?
Saí de meu quarto e tudo estava num silêncio, até que gargalhadas vieram da cozinha. Chegando lá, mamãe e os meninos estavam sentados à mesa, que por sinal, estava toda arrumada e com o café-da-manhã posto.
— Nossa; panquecas, suco e... Não acredito mãe! Trouxe mendigos pra dentro de casa?! — Eu ri.
— Boboca! — Charlie respondeu enquanto ria.
— Pelo visto minha mãe ganhou dois comparsas matutinos. Desde quando acordam cedo sem terem aula?
— Charlie me acordou. Reclamava de dor de cabeça... — Ash começou a explicar.
Ficamos então conversando até Anne acordar, o que não demorou muito. A mesma se juntou a nós, que estávamos na sala ainda conversando do porquê eles acordaram antes das 08:00am.
— Resumindo; estávamos vindo pra sala com o menor barulho possível...
— Imagino. — Anne disse.
— Mas então eu caí. — Charlie complementou.
Caímos na gargalhada. Mamãe continuou.
— E eu estava saindo de meu quarto nesta hora, e o vi tacando a cara no chão. Ajudei-o e aproveitei para anunciar que estava indo fazer o café.
— Ah claro, super normal isso. — Respondi. — "Está sangrando? Não importa, vamos comer!"
Mais uma vez, rimos. Charlie que bebia seu suco de laranja, esborrifou em todos ali perto. Charlie, Charlie; você não tem jeito!
No resto do dia; ouvimos música alta, dançamos e por fim, passamos o resto da tarde assistindo filmes de terror. Kaue se juntou a nós; já não aguentava mais o clima em sua casa.
Era hora da refeição! Desta vez, lasanha a la Kate. Permanecemos na sala, em frente à tv, inclusive minha mãe. Para melhorar, fechamos as cortinas para evitarmos o mundo lá fora e criar um clima naquele recinto.
Muitos e muitos filmes depois, e muitas e muitas pipocas jogadas pra cima; era hora de irem embora. Estava prestes a começar a última semana até as férias.
— Tchau galera! — Gritou Charlie e Kaue.
— Tchau! — Respondemos.
Um pouco mais tarde, era a vez de Ash se despedir.
— Obrigada pela comida e recepção Sra. Kate. Hm, e tchau pra você Julia. — Disse, sorrindo.
— Tchauzinho, mal agradecido. — Respondi, o abraçando. — Lembre de avisar-me quando chegar na sua casa.
— Pode deixar! Tem certeza que não vai amanhã na aula?
— Tenho sim, vou ao dentista.
— Ok. Até! — Respondeu, entrando no carro e partindo.
Aquela cena de ver meus amigos indo embora pra longe de mim, onde eu não posso cuidar deles, me deixava triste porém nervosa. Lembrava-me de meu pai, e eles sabiam. Por isso, já estavam acostumados comigo lembrando-os de avisar-me quando chegassem são e salvos.
Passou uma hora, e Kate foi deitar-se. Já estava tarde, e a mãe de Anne não apareceu.
— Acho que ela me esqueceu... De novo.
— Que tal dormir aqui?!
— Não quero atrapalhar Julia. — A mesma abaixou a cabeça.
— Como se você nunca ficasse aqui, sua veada silvestre! Vamos, vamos pro quarto.
Era normal Anne estar em casa, mas antes a mãe dela a buscava. Depois de ela se assumir homossexual, nem isso ela faz. Parou de se preocupar com ela... De cuidar dela. Ah! Quantas vezes mamãe e eu demos de dormir e comer para Anne! Não há contas que deem o resultado certo.
— Vou providenciar um pijama limpo pra você. Vai indo pro banho, que quando sair, a roupa estará em cima da cama.
— Tá.
Fiquei um bom tempo sentada em minha cama, lendo um livro. Recebi mensagem de Ashton.
Ash: Cheguei. Tudo bem?
Eu: Tudo sim. Obrigada por avisar!>
Ash: Sem problemas! A mãe de Anne apareceu?
Eu: Não, pra variar.:(
Ash: Nossa, a mãe dela merece um couro! kkk "Couro", entendeu? Porquê a filha dela é lésbica...
Eu: Nossa Ash, kkk. Essa foi longe! Nos falamos depois. Beijos
Anne demorava, então passei em frente a porta do banheiro, onde o vapor quente saía debaixo da mesma. Péssima hora!
Anne saiu do local; estava só de toalha enrolada no corpo, com seus cabelos longos e molhados caindo em seu rosto. Coramos.
— Ham... — Gaguejei. — O pijama está na cama... — Apontei para o quarto.
— Muito obrigada.
Eu desviava o olhar dela... De seu corpo. O chão parecia muito interessante. Fui em direção da sala e liguei o video game. Um tempo depois, companhia! Passamos a noite inteira jogando, e quando nos demos conta, já era 05:00!
— Com sono? — Perguntei.
— Nem um pouco. E você?
— Não...
— Hm. E como está em casa?
— Nada bem...
— O que acontece?
— Ah, ela fica implicando comigo. Não me deixa sair, nem falar com quem ela não conhece.
— Nossa. E como deixou vir aqui?
— Ela conhece você, e sua mãe. Sabe que seu nível "hétero" é alto.
— Ela sabe?
— Sabe.
— Como?
— Não sei.
— Nem eu sei, como que ela sabe?! — Eu sorri e de repente, a sala ficou quieta. Pensei no que disse. Opa!
— Como assim Julia? — Os olhos dela brilhavam.
— Ai, ai. — Suspirei.
Eu sabia que a conversa ia longe. Levantei-me e fui ao armário. Peguei a garrafa de vodca da noite passada e sentei-me novamente.
— Servida?
— Mas sem "roda, bebe e faz", certo?
Nos olhamos e demos risada.
— Continuando... Sabe quando você sente atração por alguém?!
— Sei... — Anne afirmou.
— Então... Esse alguém é do mesmo sexo?!
— Sei bem sobre. Continue.
— Aconteceu comigo, digamos assim.
— Sério?
— Aham.
Já estávamos alteradas. A garrafa estava com menos da metade de bebida. A pomba girou!
— ... Daí eu estava no shopping, e uma menina me xavecou... E eu gostei, diferente de Margot que estava junto. Por fim, eu e esta menina acabamos "ficando" várias vezes... Inclusive, nos encontramos em vários lugares, o que não foi legal quando tínhamos brigado. Não nos falamos mais.
— Nossa! Julia, Julia. Que gay! — Anne riu.
Depois de muitas gargalhadas, jogos jogados, lágrimas e estórias contadas, nos abraçamos e começamos a cantar como se a noite não tivesse um fim.
— I'll be your love forever, no matter how time pass...
— I'll be here forever, no matter what we pass...
Começamos a completar a frase uma da outra, ainda abraçadas. Nos aproximávamos ainda mais, e quando chegou a última palavra da música, ambas falamos juntas e baixinho, uma no ouvido da outra...
— Forever.
Então, nos beijamos. Acredite, eu estava bêbada... Mas não a ponto de estar fazendo aquilo sem consciência. Eu queria fazer aquilo... Acho que a um bom tempo atrás, mas me faltara coragem.
Eu pude sentir o sabor forte de álcool em sua boca. Suas bochechas queimavam em minha pele. Seus cabelos batiam em meu ombro, e tudo isso com um gosto de "quero mais". Anne interrompe.
— Desculpa... Não é porquê você se abriu pra mim sobre sua possível sexualidade que, você sinta alguma coisa assim por mim.
— Tudo bem...
Coramos. Uma olhava pra outra, apenas com medo de dizer alguma coisa que estragasse tudo, tudo aquilo que foi maravilhoso.
— Vamos dormir? — Perguntei.
— Pode ser...
Desliguei o video game, ainda ligado não sei porquê e apaguei as luzes. Ela já havia se retirado do cômodo e ido pro quarto. Segui-a e me deitei. Passaram-se vinte minutos, e Anne que estava no colchão ao lado da minha cama, me chamou.
— Julia...
— Oi?
— Você já gostou de alguém, sabendo que ela gostava de outra pessoa?
— Hm... — Suspirei. — Talvez.
— E o que você "talvez" fez?
— Eu continuei amando a pessoa...
A mesma se sentou e olhou pra mim. Ergueu seu corpo em direção ao meu rosto, colocou sua mão em minha cabeça e me beijou novamente. Puxei-a para mim, pra que ela viesse comigo. E ela veio.
Estávamos num momento de paixão e dúvida, onde permanecemos caladas apenas ouvindo nossos lábios se estalando ao decorrer dos beijos alcoólicos e quentes. A mesma se deitou ao meu lado e eu a abracei. Sua pele com cheiro de baunilha me fazia bem, e então pensei:
Bissexual?
Já não bastava tudo que acontecia na minha casa; na minha vida?! Uma culpa me tomava o coração. Ash ou Anne? Eu queria estar com ambos!
Quando me dei conta, Anne dormira em meus braços. Não demorei muito pra fazer o mesmo. No dia seguinte, acordei assustada.
Um pesadelo!
Talvez um dia eu conte pra vocês; se eu lembrar. Só sei que foi horrível!
— Anne?! — Chamei-a, mas a mesma não estava mais no quarto. Em seu lugar, uma cartinha.
" Oi Julia, minha mãe finalmente veio me buscar. E a propósito, sua mãe veio no quarto avisar-me e nos viu juntas. Esquecemos de trancar porta!
Espero que não dê problemas, mas é que eu segui seu conselho de continuar amando a pessoa... E você é essa pessoa.
Aviso quando chegar!
Beijos, sua Anne."
Terminei de ler e pude sentir minhas bochechas corarem. Pensei em tudo que havia acontecido e em como um grande passo foi dado em minha vida. Li mais vezes a mesma carta, como se suas palavras ficassem mais fortes a cada vez que eu via "sua Anne".
Entrei tomar um banho pra esfriar as ideias e melhorar a porra da dor de cabeça que eu estava sentindo. Maldita ressaca! Já estava tarde e eu teria um longo dia pela frente; dentista.
Quando saí, lembrei-me que os meninos não haviam avisado se tinham chego. Fiquei nervosa! Quando peguei o celular e o liguei, o mesmo vibrou.
Era Kaue avisando. Ash já tinha avisado. Anne não deve ter chego ainda. Só faltara... Charlie!
Liguei para seu celular e para o telefone de sua casa, mas nada dele ou alguém atender. Liguei para Kaue.
— Alô?
— Kaue, sou eu, Julia. Charlie não avisou ontem a noite!
— Nossa. Isso nunca havia acontecido antes não é mesmo?!
— Não!!
— Fica calma! Vou passar na casa de Ash e vamos para aí!
— Ok.
Desligamos a ligação e eu fui em busca de minha mãe. Caso alguém retornasse as ligações que fiz, que ela estivesse ciente do ocorrido.
— Mãe!
— Oi filha, o que houve?
— Charlie não mandou mensagem. Qualquer coisa, se alguém ligar, avise-me!
— Certo..
Fui me retirando do local, mas antes minha mãe chamou.
— E filha...?!
— Sim?
— Desde quando é lésbica?
— Não sou mãe.
— Tem certeza? Vi você e Anne...
— Tenho mãe. No máximo sou bi.
— Ah, sim. Bem... Vai, vai, vai. Precisamos saber o que houve com seu amigo.
Mamãe já estava acostumada com esse tipo de assunto, inclusive, sabia sobre Anne. Tínhamos vizinhos gays e um de seus melhores amigos no colégio era bissexual. O ponto positivo? Sem discussões e uma adulta de mente aberta em casa.
— Sra. Kate, Julia; chegamos! — Gritavam na porta.
— Que demora! — Respondi aflita.
— Dez minutos Julia. Acalme-se.
Nos sentamos no sofá e começamos a pensar em hipóteses. As minhas; todas negativas e com um fim trágico! Não demorou até que Kaue recebesse uma ligação.
— Alô? ... Não...
Quando o mesmo desligou, estava pálido.
— O que aconteceu cara? — Ash perguntou.
— Parece até que viu um fantasma Kaue! — Mamãe se preocupou.
— Não Sra. Kate... É Charlie.
— O que aconteceu? — Perguntamos.
— Ele e seu pai, após me deixarem em casa, estavam na rodovia 125 e sofreram um acidente. Só comunicaram sua mãe, que permaneceu no hospital sem celular e sem ter como nos avisar. Quem ligou agora foi uma enfermeira. Disse que está no hospital San Syd; ambos machucados.
Me sentei ao chão. Imagens do dia em que perdi meu pai vieram a minha cabeça e então minha pressão caiu. Eu suava. Lágrimas começaram a escorrer de meus olhos e então Ash ajoelhou-se ao meu lado e me abraçou.
— Vai ficar tudo bem Julia...
— Eu temo que não.
— Julia! — Mamãe gritou. — Pare de pensar naquele dia e pense no de hoje! Charlie e seu pai estão no hospital, e precisam de vocês!!
— Inclusive de você Ju... — Completou Kaue.
— Realmente. Você é a que sempre anima a turma, por mais péssima que seja a situação. Charlie precisa se suas piadas ruins! — Ash continuou.
— Vão logo! — Kate apressou. — Se precisarem, liguem em casa.
— Ok!
Entramos no carro de Kaue, que por mais que ainda não tivesse 18, já dirigia. No caminho, fizemos uma corrente de pedidos positivos e de rezas, por mais que ninguém ali fosse religioso. Chegando no hospital, fomos até a recepção.
— Charlie Danoski?
— Quarto 27. Segundo andar, meio do corredor do lado direito.
Pegamos o elevador. Estávamos prestes a entrar no quarto, e então sorri. Não queria deixá-lo triste.
— Oi meu amor! — Entrei.
— Olá! Desculpa não avisar.
— Imagina. Como você está?!
— Bem sexy. — Respondeu, fazendo uma pose que seria mais fácil se seu braço não estivesse quebrado. Rimos.
— Fico feliz em ver que seu ânimo não foi abalado.
— É, apenas o braço dele. — Ash disse. Mais uma vez, rimos.
— Realmente. Poderiam escrever no gesso?
— Hm, não sei não hein... — Brincou Kaue.
— 'Qualé'! Anda logo. Pega a caneta aqui ao lado. — Apontou para a mesma.
Kaue obedeceu. Pegou a caneta e escreveu:
"Mais vale um pau pequeno do que um braço quebrado. A punheta prevalece!"
Assinado, Kaue.
Sério? Meninos! Agora era vez de Ashton. Pegou a caneta e lá foi.
"Mais uma vez de braço quebrado. Sempre tomando no rabo!"
Te amo cara. Assinado, Ashton
Queeeê? Eu dei gargalhadas. Esses caras são sem noção! Vez da pessoa MEIGA assinar; com licença! Peguei a caneta e sentei ao seu lado. Comecei a escrever.
"Ja desconfiava que seria você; que não mandaria mensagem e botaria tudo pra foder."
Mesmo assim, não vivo sem. Assinado, Julia.
E em nome de quem provavelmente não viria, escrevi:
"Não importa o que ocorrer, nosso BFF é pra valer. Best Fucking Friends, sempre com você."
Assinado: Julia, Ash, Kaue, Margot e Anne
Ficou bem escroto, confesso. Na minha cabeça ficou melhor. Enfim, infelizmente tivemos de nos despedir. Dei-lhe um beijo no rosto e desejei melhoras. Ash e Kaue beijaram-lhe a testa e vieram até mim.
Para alguns, isto era tremenda viadagem. Para eles, um ato de irmandade. Todos éramos assim no grupo, o que é incrível. Saímos do quarto já com saudades. Quando estávamos na sala de espera, avistamos Margot. A mesma veio até nós.
— Oi gente. Como Charlie está?
— Até que bem... Na medida do possível. — Kaue respondeu.
— Hm, que bom.
Permanecemos em silêncio.
— Por quê não foi ontem? — Ash perguntou.
— Eu tinha um compromisso... Com meus pais.
— Tipo? — Kaue continuou.
— Igreja.
— Ah... Claro.
O silêncio retomou no lugar. Ela olhava pra mim, como se me julgasse de algo.
— Algo errado Margot? — Perguntei, a encarando.
— Não sei. Acho que quem sabe é você...
Os meninos pelo visto notaram que a coisa seria feia se continuasse, então me puxaram pro outro lado.
— Foi um prazer imenso em ver você Margot, mas agora temos que ir. — Kaue respondeu.
Mais longe de onde estávamos, nos acalmamos.
— Margot está estranha!!
— Não reparei...
— Nem eu. — Ash disse.
— Pensem comigo; ela faltou aos nossos últimos encontros, coisa que antes ela não fazia. Ela brigou com a Anne, com você Ash e agora comigo, coisa que nunca acontecia antes. E ela nem sequer olha na nossa cara direito.
— Ju...
—... Cara! Não! Ta acontecendo alguma coisa. Será que ela matou alguém? Ou ela fez novos amigos? AI MEU DEUS, deve ser isso!
— JULIA! — Ash gritou.
— O que?
— Vai ver aconteceu alguma coisa na casa dela e ela está nervosa, por isso evita a gente e anda estressada.
— É, talvez tenha razão.
— Eu sei.
Ficamos em silêncio.
— Mas que é estranho é... — Concluí.
Ashton riu. Decidimos ir embora pra minha casa. Já era noite quando seu pai chegou lá para levar tanto ele quanto Kaue.
— Lembra de...
— ... Te avisar. Pode deixar!
— Boa noite.
— Boa noite. — Respondeu, me dando um beijo no rosto.
Nesse momento, aquele sentimento de culpa voltou. Minhas mãos suavam. Esperei-os ir embora e entrei. Fechei os olhos e comecei a pedir "que tudo dê certo, de certa forma".
Fui ao meu quarto e me deitei. Peguei meu celular e lá estava; mensagem de Anne.
Anne: Oi, cheguei em casa. Sua mãe disse algo?
Eu: Hey. Desculpa a demora! Aconteceu muita coisa hoje. Bem... Ela não disse exatamente.
Anne: Fiquei sabendo de Charlie e fui visitá-lo. Ah, que bom.
Eu: Foi? Sério? Achei que não ia!
Anne: Best Fucking Friends, Julia...
Eu: Sempre! Hm, pera aí que já volto. Vou tomar banho!
Anne: Ok. !
Entrei no chuveiro. Ensaboava meu corpo enquanto lembrava de tudo que acontecera. Nossa! Que dia cheio. Quando saí, troquei-me e fui ler meu livro. O celular vibrou.
Ash: Cheguei! XD
Eu: Ok. Vê se dorme!
Ash: Pode deixar, mandona.
Eu: Sou mesmo! kk
Ash: Boba! kk
Eu: Você que é! Boa noite.
Ash: Boa! ♥
Eu: ♥
É quase todas as noites assim. Idiota, eu sei. O que eu sinto por essas pessoas é algo grande, que nem eu sei como guardar dentro de mim... Alguns, transbordavam. Era 00:10, Anne me chamou.
Anne: Julia? Está ai? Esqueceu de mim?
Eu: Claro que não! Eu estava colocando pijama!
Anne: Saudades...♥
Eu: Também estou com saudades. ♥
Anne: Ei...
Eu: Oi?
Anne: Eu te amo.
Aquele sentimento me tomou. "Eu te amo" é uma frase muito forte. Ao mesmo tempo que eu corei, também me senti fraca. Prendi o ar. Soltei.
Eu: Eu também te amo. (:
Eu estava sendo honesta; tanto com ela, quanto comigo mesma. Não posso negar que tenho sentimentos fortes por ela, quanto por Ash. Felizmente, nossa conversa permaneceu por aí, e então Charlie falou no grupo.

Pra variar, minha suspeita só aumentava. Nosso "boa noite" era como "regra" pro grupo, e Margot não respondeu. Isso só me mostrava o quanto ela mudou... Eu só preciso saber o porquê. E acredite, eu vou!
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