Beijo Boca

1 Beijo Boca


Vem na boca, boca, à boca minha!

Suga a névoa doce, densa e fria

Com teu ar que quente faz faísca

Quando encontra a minha e a tua língua.

Lento dança e lança a toxina,

Sopra a valsa, o canto, a ventania

Que me invade e em parte me domina,

Que preenche o puro de malícia.

Do meu lado o ato é mais passivo;

Entregue a ti em todo fico fraco,

Mais que fico finjo o combalido

E interpreto a morte nos seus lábios.

Mas me fere e nutre em tempo unido

Meu orgulho fútil de homem forte

Mais a besta inerte de sentido,

Que alimenta o líbido de morte.

Desejo quieto, o toque em seu abraço

E se culpava, o livra do pecado;

Assim confessa a si, pobre indivíduo

E vai pagando aos poucos seu castigo.

Notas finais
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Obrigado pela leitura! Se puderem comentar, de já agradeço!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!