Beije-me sem Medo

1 Finalmente Percebi.


Quando provamos diretamente do pote o mais puro e doce mel não conseguimos nos saciar e nem nos contentar com nada alem dele. Claro que existem variantes e diferentes versões, mas nada se compara, ao sabor característico que fica em nossos lábios, em nossa boca.

Talvez se torne um vicio? Algo que nos tira a razão e nubla nossa mente? que ficamos loucos a procura, mas achar é cada vez mais difícil?

Podem na saber do que eu estou a falar, apesar que chego a duvidar disse já que todos nos temos um vicio, sendo ele material. Comestível, ou constituído em hábitos do dia a dia.

A humanidade rodeada de falhas erra a cada dia, mas tenta sempre se redimir na maioria das vezes, se sobrepondo a minoria que tenta passar por seus erros sem correr atras.

Mas seria possível sermos viciados em um ser humano? creio que sim, a partir do momento que não conseguimos esquecer o sabor de seus lábios, ou a sedosa pela que deslizava pela sua, o calor que o corpo de ambos emitia, e os sons de prazer soltos como um alívio, sim por que o que tiveram era uma satisfação esperada por um longo tempo.

Sim lorde roxton tinha perdido a cabeça depois daquele momento aços com ela na caverna, não conseguia olha-lha sem a desejar, sem a querer tocar, e a puxar para o centro dos seus braços, sentir o seu cheiro doce de flores e ouvir sua voz rendida de prazer.

E a mesma sabia disso pois desde que aquele dia andava a se esquivar do caçador como uma presa, ela evitava ficar sozinha com ele e sempre que o olhava suas feições atingiam cores purpuras coisa que nunca tinha acontecido antes, as noites na varanda se foram, e nem mesmo o café que ele preparava arrancava sensações de alivio a ela.

Os outros habitantes da casa sabiam que algo estava a se passar, mas ninguém tinha coragem de ousar perguntar já que se não estava com vergonha Marguerite estava com olhares mortais. A mesma não queria admitir, mas estar com John foi como um sonho realizado, mesmo indo contra todos os seus ideias e muros de segurança, ela não pode resistir. Mas agora que não existiam gases tóxicos e pouco oxigénio o arrependimento martelava em seu coração e em sua mente, mas o sentimentos estavam ali, ela amava aquele homem como nunca amará nenhum outro, porem pensar que não passava de mais um conquista doía demais seu coração e por isso estava a se fechar de novo. Se afastar sempre foi sua melhor defesa, mas resistiria tanto tempo assim? se ele tinha aguardado 3 anos lutando por ela ele não se mostrara determinado a provar que a amava?

Foi dispersa em seus pensamentos pelas risadas que ouvia vindas de verónica e Malone que iam a frente do grupo, pois estavam em busca de mais uma saída daquele maldito platô, mas nem isso animava a herdeira, mesmo não assumindo seus sentimentos que ate hoje Marguerite não sabia bem quais eram, eles viviam passando o tempo juntos e sempre compartilhando pensamentos em comum, como melhores amigos talvez? Por que ela e John não podiam ser assim? Por que tudo neles era tao intenso, e fora de controle?

Evitou suspirar alto já que percebera que John estava sem paciência nenhuma nos últimos dias, e sabia a razão, a quatro dias ele aguardou todos irem dormir e ele delicadamente foi ao seu quarto para tentar ter um momento juntos, ou quem sabe tentar faze-la conversar sobre os últimos acontecimentos porem como sempre a herdeira se esquivou, e fingiu que não tinha se passado nada e que nem tinha dito que o amava, o que ela sabia que machucaria muito o caçador, que tinha os sentimentos a flor da pele.

E ele não contestou, não discutiu, nada, somente olhou sério e focou nos seus olhos e em silencio saiu, e isso doeu mais nela do que se ele tivesse gritado como sempre faz quando perde a cabeça. E desde essa noite ele nem a olhava mais, se fosse para falar algo com ela, ele falava como se fosse uma menagem geral para o grupo. Sempre quis estar o mais próximo dela e agora fazia de tudo para mante-la afastada.

Conseguiu finalmente afastar a melhor coisa que tinha acontecido em sua vida? Estava cansada de tudo isso, do desprezo das pessoas, da falta de atenção, e ate mesmo da carência que ela empurrava para dentro de si, tao fundo que as vezes nem se lembrava que estava ali.

A atenção da trilha foi roubada quando sons de gritos foram ouvidos, eles iam correr ao socorro da provável vítima quando de meio dos arbustos uma mulher surgiu perseguida por Raptors. Roxton não demorou muito junto com Malone para derrubar as duas feras, e assim ele pode ajudar a mulher caída ao chão. Malone sempre se surpreendia e expressava bem seus agrados, mas roxton era mais sutil, características de um verdadeiro caçador, não podia deixar passar a beleza em sua frente, mesmo sabendo que seu coração pertenceria somente a uma mulher. A garota a sua frente não deveria ter mais que 25 anos, tinha a pele bronzeada pelo sol, mas os cabelos eram mais claros como os de Verónica, os olhos eram de um azul bem claro e os traços como a boca e o nariz eram bem delicados. Ela também tinha uma altura pequena, e usava roupas e botas de pele, porem em tons escuros.

Como um perfeito cavaleiro roxton estendeu a mão para ajuda-la a levantar e a mesma sorriu em agradecimento, causando um desconforto em Marguerite que não passou despercebido em Verónica, a morena sempre era a primeira a perguntar sobre os desconhecidos, era desconfiada demais, porem dessa vez ficou calada, um no se formou em sua garganta, tinha certeza que se abrisse a boca acabaria em lagrimas, e isso era tao diferente da imagem dura e fria que tinha. Mas sabia que isso poderia acontecer quando percebeu seus sentimentos pelo caçador, seu coração estava perdido e em instantes partido também.

— Ola, senhorita…? — perguntou John galante como sempre.

— Patrícia. Meu nome é Patrícia. — Não desviavam os olhos um do outro, mas aquele calor que o aquecia por dentro quando olhava uma outra mulher na estava la. Por que não conseguia pensar em outras mulheres? ele era o maior conquistador de londres!

O clima entre eles era tenso, Marguerite endureceu totalmente suas costas quando viu a mão do mesmo se apoiar nas costas da mulher e a ajudar a levantar, tudo muito perto e muito íntimo.

Patrícia contara a eles que era de uma tribo chamada Zoubichi, que descendiam de antigos comerciantes e que estavam a norte de onde se encontraram, ela e um grupo tinham se separado com o ataque dos raptores e com isso os rapazes convidaram a mesma para que os acompanhasse já que todos iam na mesma direção e assim ela ficaria resguardada.

A herdeiro pouco falava, se limitava em ajudar nos afazeres dos acampamentos e não reclamou nenhuma vez o que causou inquietação no grupo, Marguerite tinha um ótimo sentido de auto preservação então se algo estava errado com ela, poderia estar com o grupo também. Mas John não se atreveu a perguntar, se mantinha distante, não a olhava muito, e acima de tudo dava maior atenção a convidada que adorava a atenção.

O mesmo estava tao distraído que não reparou que eram seguidos a distância, por homens armados em lanças e correntes. Eles tinham roupas semelhantes à de Patrícia e tatuagens que cobriam seus rostos.

O que patrícia tinha omitido era que eles eram sim comerciantes porem de escravos, principalmente de mulheres, e estavam a caça de vítimas quando houve o ataque, mas Patrícia agradecia aos deuses, pois se deparou com um grupo muito interessante e que tinha duas mulheres que seriam ótima mercadoria. Queria poder ficar com o homem amável que a ajudava, porem já tinha seu guerreiro em casa, e tinha sorte dele ser o líder, pois as mulheres da própria tribo eram vendidas se necessário.

Dois dias já haviam se passado, e eles estavam se preparando para mais um acampamento, por estarem perto do Norte e das montanhas o ar era mais fresco e a noite chegava mais cedo. Os homens armavam as barracas e as meninas coletavam lenhas, Marguerita cortava alguns legumes para a sopa, sentada ao chão, perdida em pensamentos, tão perdida que não reparou a faca que cortou profundamente seu dedo.

O grito de surpresa e dor saiu sem pensar, e em segundos roxton estava ao seu lado, os olhos cheios de lagrimas dela cortaram seu coração. Tinha tantas saudades dela, de ouvir sua voz, de engajar em suas brincadeiras e ate receber seu sorriso.

— O corte esta fundo, vai precisar de pontos Marguerite…- ela não ouvia bem o que ele falava, somente sabia sentir as mãos ásperas e quentes em contato com a sua pele. E o tom de sua voz preocupado, aqueceu seu coração que estava ferido.

— Não precisa John, eu dou um jeito. — Mas o mesmo a ignorou, adorando ouvir seu nome sair dos lábios dela novamente como uma caricia feita pelo vento.

Ele lavou o corte exponde o corte profundo que segundos depois jorrava sangue, porem estava desinfetado, esterilizou uma agulha que tinha sempre no kit de primeiros socorros que eles levavam em viagens e depois ofereceu a ela uma garrafinha pequena. A mesma olhou curiosa e quando abriu o forte cheiro de álcool subiu pela borda fazendo ela enrugar o nariz.

— Esta querendo me matar John? — ele não respondeu, mas deu um sorriso cortes e empurrou mais uma vez, a mesma bebeu e isso amenizou a dor dos pontos. Os outros se mantiveram distantes, haviam já notado que algo havia acontecido entre o casal, por que roxton não era de ficar longe dela e esses dias ele fugia dela como diabo foge da cruz.

Os dois queriam esse contato, pois um procedimento que era feito rapidamente estava a ser lento e demorado, para que não acabasse, mas Patrícia não gostando da proximidade dos dois, o chamou.

— John… vem aqui…- Marguerite prendeu o folego de toda a expedição a única que o chamava assim intimamente era ela! ninguém mais o chamava assim.

— Patrícia, prefiro que me chame de roxton sim? Em que posso ajuda-la? — aliviada a herdeira soltou o ar, era algo deles e mesmo estando brigados ainda assim fazia parte deles.

— Mas Marguerite te chamou de John…- disse a menina irritada, trazendo surpresa nos presentes, a menina era sempre dócil.

Roxton deu um suspiro profundo, antes de se virar para a herdeira, mas continuando a falar com Patrícia.

— Sim, porem somente ela me chama assim. – e sem prolongar mais o assunto ele foi terminar de armar as barracas.

O jantar foi silencioso, Marguerite sentia seu dedo latejar a cada batida de seu coração, já que John apos vários dias estava sentado ao seu lado, e isso já era um bom sinal.

Sejamos sinceros, que ele bem que tentou ignora-la, sério que tentou, mas era como se um íman o atraísse, e mesmo com o coração magoado ele conhecia a herdeira, sabia que ela tinha medo, e por isso tinha recuado, mas as palavras doces que ela emitiu dentro daquela caverna estavam impregnadas em seu coração, e ele podia ver através dos seus olhos os sentimentos dela.

Aos poucos um a um dos aventureiros iam para suas barracas, Patrícia não queria, mas mesmo assim foi encorajada por George e para não mostrar sua verdadeira face ela foi se deitar.

Veronica ia chamar a herdeira, mas viu que a mesma estava a enrolar de propósito, por isso saiu em silencio, a fogueira crepitava e o silencio era absoluto, mas John estava feliz em tela ao seu lado. Os dois sentiam saudades, pois já estavam habituados a estarem de uma forma ou de outra sempre próximos.

A herdeira se levantou e olhou sobre o ombro, verificando que todos já estavam em suas barracas, roxton estava apoiando em um arvore mais ao fundo do acampamento ou tinha uma visão mais ampla, e poderia escutar melhor qualquer ruido da floresta. Ele analisava seu rifle e por um momento não notou ela se aproximando, anos de espionagem a ensinaram a ser bem silenciosa quando queria.

Quando ele finalmente levantou os olhos em sua direção, percebeu que estavam tao próximos que se erguesse as mãos poderia toca-la, mas a mesma o surpreendeu, quando colou o corpo ao seu, o rifle que ele tinha em mãos caiu ao chão, as mãos automaticamente foram para a cintura dela, ela não precisava de palavras, somente fixou seus olhos verdes e sorriu doce para ele, e lentamente se aproximou tocando os lábios nos seus.

O impacto foi imediato, era como se toda a dor dos dois tivesse ido embora, um balsamo fresco na ferida que não cicatrizava. O beijo era lento, perfeito como uma peça de encaixe, o calor da pele dos dois, tudo misturado com a brisa fresca da noite. As mãos dele se infiltraram em seu cabelo, prendendo os cachos negros firmes em seus dedos, a puxando mais para perto de si, intensificando o beijo. Os sabores dos lábios dela eram mais doces do que ele pudera se lembrar, o cheiro de seu perfume envolvia os dois tornando tudo envolvente demais.

Não existia nada envolta, e sinceramente se houvesse não acabaria com aquele momento, culturas diferentes, têm crenças diferentes, muitas vezes sobre reencarnações, encontro de almas, e amor eterno, como também o chamado do sangue, que atos de nossos descendentes passam de geração a geração. Céticos demais para aquilo? Mas crentes o suficiente para estarem em um platô com tantas surpresas.

Eles sempre souberam, desde o primeiro momento naquela reunião zoológica, que algo os atraia, será que o começo deles era a base da luxuria e paixão carnal? Algo tao forte poderia ter começado assim? ou sempre houve uma conexão, inexplicável que tentavam encobrir com essas bobagens?

O beijo foi ficando lento novamente e terminado em pequenos toques com os lábios que estavam dormentes, mas ela não saiu de seus braços, pousou sua cabeça em seu ombro, encaixando o nariz na curva do seu pescoço, sentindo aquele cheiro que lhe trazia segurança. Os braços fortes aninhavam a herdeira, sabendo que aquela era a forma de ela se desculpar, os beijos dados na testa da mesma de forma doce era uma caricias bem-vinda, não queriam falar nada e nem precisavam, estarem ali, já significava tudo.

Estavam tao entretidos em sua bolha particular que não viram o grupo de homens se esgueirando preparando o ataque da noite, foi tudo muito rápido, homens saíram da mata cercando John que ficou preso pelos seus braços o imobilizando, Marguerite tentou pegar o rifle, mas não conseguiu, sendo agarrada por um outro guerreiro bem maior que ela, a mesma se debatia mas nada de conseguir se soltar.

Roxton gritava que a soltassem, mas o mesmo estava impedido, o som alertou os outros que dormiam e logo saíram das tendas surpresos com o que se passava, mas estavam em desvantagem, imobilizados em poucos minutos.

— Patrícia? Já pode sair…- disse um dos guerreiros. Para Marguerite não foi de todo uma supressa já que sempre as vítimas que ajudavam acabavam sendo as traidoras.

A mulher saiu com um sorriso malicioso, que aumentou quando viu todos rendidos, não podia negar que eram um belo grupo, mas negócios são negócios, e não podia falhar com seu líder. Roxton, Malone e George estavam amarrados no canto do acampamento, as mãos nas costas era uma garantia que ficariam presos tempo suficiente para que pudessem sair dali.

As meninas estavam perto deles com correntes dos braços e no pescoço tinham um anel de ferro preso a um cabo que era segurado por dois guerreiros, coisa que sabiam que deixariam marcas, mas isso não importava ate por que escravos não tinham direitos de opinião.

— Bons rapazes a caça de hoje foi bem produtiva, temos duas espécies bem diferentes do que habitualmente pegamos, estão bem cuidadas e alimentadas e darão uma grande venda. Levem!

As meninas começaram a ser puxadas e se não andassem corriam sérios riscos de vida, já que aquele ferro pressionava a traqueia limitando a passagem de ar. Roxton tentou se debater, mas nada funcionava, Marguerite com os olhos fixos nele, pedia ajuda, e aquilo trazia uma enorme dor ao coração do caçador. Mas o olhar firme que ele lhe deu era uma promessa, ele iria busca-la custe o que custar.