Beije-me Sebastian
1 Capítulo 1
Capítulo 01
No dia anterior o sol tinha sido forte e desagradável, possivelmente até seria capaz de cozinhar ovos no asfalto, e Sebastian passou grande parte do dia dando comida para as galinhas e tirando o mato dos fundo da igreja, nem sequer sentia o sol açoitar suas largas costas, enquanto as senhoras preparavam o jantar para ele e padre Constantino. Nada suspeito e ninguém para culpar pelo o que aconteceu na madrugada do dia seguinte. Uma tragédia.
Ao anoitecer quando todos foram dormir tranquilamente em seus quartos, e Sebastian se preparava para tomar seu banho na banheira com a água fria o cheiro de fumaça o fez parar a perna prestes a mergulhar na água e encarou a porta. Teria alguém comendo naquela hora? Mesmo sabendo que era proibido? Pensou ele contraindo um músculo da testa como sempre fazia, quer dizer, quando estava zangado, e ele vivia zangado. Principalmente naquele dia, que tinha passado a tarde trabalhando. Ele se afastou, vestiu as calças antes de abrir a porta, furioso, iria arrancar as orelhas da mulher desobediente que tinha infringindo a ordem dele e de Constantino. Mas foi parado pela baforada quente do fogo e fumaça em seu rosto. Fogo esse que se alastrava pelo convento, deu um passo para trás. Olhou de um lado ao outro, até reparar com certo alívio que o lado direito só tinha algumas fileiras de fogo e provavelmente a saída estaria livre, correu para o lado direito, mas o som de gritos o fez parar quando chegou à enorme porta da rua.
Ainda tinham pessoas, talvez algumas ainda nem tivessem percebido o fogo como ele há alguns segundos, ele destrancou a porta, tirou o pau que a prendia e deixou a escancarada, assim ele e as outras pessoas poderiam se salvar.
Jogou o pedaço de madeira no chão e correu para os quarto do andar de baixo, passando pela cozinha, o fogo vinha de lá, ele gritou ao perceber que não conseguiria passar por causa do fogo. Mas ninguém respondeu nada.
—Madre, se estiver ai grite, o convento está pegando fogo. — ele esperou mais uma vez em silêncio e então, alguém gritou de volta:
— Padre, estamos presas, iremos pular a janela, Dorotéia, Cintia, Francisca e Marta estão comigo, as demais conseguiram sair.
—Elas pularam a janela?
—Não elas... —Mariana começou, mas ficou em silencio por um breve momento, pensando se devia ou não contar, tossindo decidiu contar. —Elas... Elas estavam fora.
Sebastian estava preocupado demais para se irritar com as freiras fujonas, e gritou tirando o pano da boca.
—Acham que podem pular?
—Sim, conseguimos.
Ele correu para fora e rápido deu a volta chegando à janela, as mulheres conseguiriam, mas pela idade iriam se machucar, Dorotéia colocou a perna para fora da janela, e Sebastian teve que virar para não ver a calcinha enorme e as pelancas da velha.—Ei, rápido pulem se não quiserem virar churrasco. —A mulher concordou colocando a outra perna para fora, e com dificuldade se impulsionou para pular, Sebastian a segurou, depois foram às outras cinco.
No fim, o povo da cidade saiu às pressas carregando baldes de água para parar o fogo, Sebastian e as seis mulheres encaravam o lugar se tornar cinza, aflitos por não verem padre Constantino em lugar nenhum entre a multidão.
Naquela noite triste de despedidas, as freiras abraçaram Sebastian antes de cada uma tomar o bonde na madrugada para retornar a casa de seus parentes. Estavam em choque e tristes demais para continuarem lá.
E ele ficou lá, encarando a sua única casa em toda vida destruída pelo fogo, o prefeito garantiu que o lugar passaria por inspeção e logo que as mesmas terminassem a reforma começaria.
Bem, descobriram que o fogo tinha se iniciado na cozinha, onde Sebastian presumira. Mas não foi um acidente, e o culpado é desconhecido.
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