Beije-Me
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Meu querido diário...
Certo, eu odeio essa coisa de querido diário. Como se já não fosse esquisito eu contar todos os meus problemas amorosos para uma folha de papel ainda tenho que chamá-la de “querida”? Por favor, eu devo ter muitos problemas para fazer isso.
De fato eu tenho problemas enormes! Não por ser a filha mais nova, mas por ser a mais nova de dois irmãos. Sim, dois idiotas que eu tenho que chamar de irmãos e que acreditam que vieram ao mundo para cuidar de mim. Alguém deveria lembrá-los que tenho uma mãe e um pai para isso. Qual o problema dessa família super protetora a qual pertenço? Eu realmente não entendo.
Mas “querida folha de papel em branco” não vim aqui desabafar com você sobre o quanto meus irmãos são chatos e irritantes, mas como a minha vida de adolescente bruxa é frustrante.
Sério. Eu sofro muito, não basta ser tão ruiva a ponto de o sol cegar as pessoas sempre que bate em meus cabelos, e ter sardas que não acabam nunca, eu ainda tenho que ser a única bruxa de 15 anos que nunca foi beijada.
Até minha prima que prefere os livros aos garotos já foi beijada, por meu irmão, éca! Mas foi coisa de crianças, é o que eles dizem, até porque só sendo muito criança ou muito burra para querer beijar meu irmão. Éca ao cubo.
O pior de tudo é que eu não tive nem mesmo essa coisa de criança que eles vivem falando. Eu, que realmente gostava das histórias de princesas que a tia Hermione contava, eu que fiz mamãe costurar um vestido rosa no meu aniversário de sete anos. Eu que sempre esperava para ouvir “e o príncipe beijou a princesa e eles viveram felizes para sempre”. Eu fui passada para trás pela vida.
Olha, como se tudo isso não fosse ruim, cá estou eu conversando e desabafando com um diário, o quanto isso é infantil e decadente? Okay, não me responda. Sério não responda mesmo, sei de histórias de diários que responderam e minha mãe acabou dentro de uma câmara perseguida por uma cobra gigantesca.
Vamos ficar no relacionamento: eu conto, te ofendo, pergunto e você fica ouvindo e sendo gentil por me deixar falar. Sempre tão difícil encontrar alguém que me escute sem querer dar palpites. Tirando o Hugo. Ele sempre me escuta.
Só que como eu poderia falar para o Hugo sobre o quanto o Hugo é incrivelmente irritante? Sério. Não vejo como, porque ele acabaria achando que era sobre outro Hugo, ou sobre algum integrante de alguma banda que eu goste. Como pode alguém ser tão fofo e inteligente e ao mesmo tempo cego e irritante? Eu não sei, eu não sei, não sei mesmo. E isso que é frustrante.
Diário, o que mais eu poderia fazer para que ele entendesse?
Hoje eu coloquei o vestido que ele mais gosta. Sempre que o coloco ele fala o quanto fico bonita, e eu também me sinto bonita nele. Não sei se é a cor azul, a preferida do Hugo e minha, ou se é por outro motivo. Ele estava com o meu tênis preferido e, sim, é azul caso esteja se questionando. Eu adoro aquele tênis dele, porque combina com o meu vestido, e também quando estamos sentados juntos ele sempre contrasta com o meu tênis preto.
E enquanto andávamos pelo quintal de casa eu simplesmente pensava “beije-me”, mas ele continuava falando como estava ansioso para o novo ano que íamos começar em Hogwarts.
Ele parece tão animado, e feliz. Eu adoro o seu sorriso, não sei quando comecei a repará-lo, talvez quando entendi o que o príncipe encantado significava nas histórias trouxas da tia Hermione, ou quando eu aprendi que o coração não bate forte somente quando corremos e brincamos. O sorriso dele faz meu coração bater tão rápido que quase sempre tenho que colocar minhas mãos sobre ele para ter certeza que ele ainda está encoberto pela pele, para garantir que ele não pule para fora do meu corpo e se mostre de vez para Hugo.
Sabe diário, nós continuamos andando pelo quintal relembrando o quanto brincávamos ali. Nós dois quase sempre éramos excluídos das brincadeiras legais por sermos os mais novos, e acabávamos indo para a casa na árvore. Era um tipo de esconderijo, um forte onde podíamos rir e falar sobre coisas de crianças sem que sofrêssemos com as brincadeiras dos mais velhos. Como eu adoro aquela casa na árvore! Mas enquanto caminhávamos até ela, dava para ver seu piso quebrado, o balanço amarrado em um dos galhos da árvore, e enquanto ele se lembrava do mapa que o pai havia inventado para que procurássemos um tesouro de sapos de chocolates, eu apenas pensava “Beije-me ao lado da casinha na árvore quebrada, balance-me alto no seu pneu pendurado... E nós tomaremos o caminho marcado no mapa do seu pai... Beije-me... Beije-me sob o crepúsculo, faça a banda tocar e faça os vaga-lumes dançarem... A lua prateada está brilhando... Então, me beije... Apenas me beije...”.
Depois do sorriso, o que eu mais amo em Hugo é o fato de que os olhos dele brilham. Sempre. Não importa do que esteja falando, não importa se esteja com raiva, os olhos dele sempre brilham. É como se fosse uma extensão do sorriso. Seus olhos sorriem. E eu amo isso nele.
Quando nós chegamos aos balanços, nos sentamos lado a lado, e nossos tênis arrastaram a areia para frente e para trás, enquanto o vento bagunçava nossos cabelos e fazia com que a poeira que subia do chão refletisse a luz da lua, assim como o perfume das flores se torna mais intenso e fácil de sentir. Diário? Você não acha que seria o cenário perfeito para um primeiro beijo? É, eu também acho...
Enquanto eu imaginava nossas cabeças se aproximando, e os lábios deles se juntando aos meus eu implorava “Beije-me”. Hugo se levantou igualzinho ao que tinha feito em minha mente, se aproximou de mim, e sorriu, com os lábios e com os olhos.
Ele disse que eu estava linda com o vestido azul, eu sorri.
“Beije-me, beije-me, beije-me”.
Agora você deve querer saber se ele me beijou não é mesmo diário? Sim, ele me beijou... no rosto! No rosto! Ele se aproximou de mim e abaixou em minha direção, seu rosto com cheiro de melancia por causa da bala preferida dele. O lugar perfeito o momento incrível, e ele me beijou no rosto!!!
Talvez da próxima vez eu devesse ser mais exata no pedido e mentalizar “beije-me de verdade” e não apenas “beije-me”.
Frustrado diário? Eu também...
Sem amor, Lily Luna.
PS: Querido Diário, eu voltei só para dizer que mesmo sem o beijo, e mesmo com tanta frustração, eu ainda amo o jeito como Hugo sorri, e como seus olhos brilham, e antes de dormir vou continuar pensando “Beije-me”. Obrigado por me deixar desabafar. Quando ele tomar uma atitude prometo que conto primeiro para você, seja com quinze, vinte, ou cem anos.
Notas finais
N/A: Espero que tenham gostado, e que deixem reviews porque as amo, se quer me dar alguma sugestão é só falar, e quero dizer que agradeço a todos que leem e deixam suas opiniões, algumas vezes também faço isso, e agradecer mais ainda a quem sempre deixa uma palavrinha de apoio!!! Obrigada, Beijinhos e até a próxima! E MUITO OBRIGADA A MINHA BETA DIVA!!!
PS : Faz muito tempo que não escrevo Hugo e Lily e espero que tenha ficado satisfatório.
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