“But if you loved me

Why did you leave me

Take my body

Take my body”- All I want ( Kodaline)

Alto,moreno,cerca de 25 anos.Com um cigarro na boca.Foi assim que vi Luca,e devo admitir que tive medo.

“Esta perdida?” ele disse,não respondi,acho que eu ainda estava chorando,porque ele me abraçou,e passou a mão no meu cabelo e disse “Pode chorar a vontade”

E então eu chorei.Depois ele me chamou para ir na casa dele.Sei que não foi algo certo a se fazer,mas quem se importa?

Sua casa era uma bagunça.Uma mistura de bebidas e cigarros.

“Quer me dizer seu nome?”

Balancei a cabeça negativamente.Eu não queria que ele soubesse quem eu era.

“Tudo bem,vou te chamar de Beija-flor”

Ele me parecia alguém legal.Terrivelmente legal e devastado.

“Me fale um pouco sobre você?”

“Eu nem te conheço,não vou me abrir para um estranho”

“Você tem razão” ele disse,abriu um sorriso triste e contou sua história :

“Eu me chamo Luca,e tenho 20 anos.Não tenho família e não tenho amigos.Moro aqui à 5 anos.E,como deve ter percebido,eu fumo e bebo.Porque minha vida é um lixo.E eu tenho marquinhas como as suas.E um dia eu vou acabar com tudo isso.”

Ele disse,e depois ficou olhando para mim,esperando que eu falasse algo.Não falei nada.Apenas cobri as marcas no meu braço.

Esqueci de contar um pequeno detalhe:Quando descobri a gravidez,cortei meus pulsos e o sangue não parava de sair.Eu não estava em casa,e uma mulher me levou ao hospital,porque pensou que eu tinha caído.Bem,agora tenho alguns pontos no braço.

“Não precisa esconder.Estamos nessa juntos.E..você esta fazendo errado” ele disse “Você tem que cortar na vertical,assim eles não consegue costurar seu braço” ele disse,e me mostrou seu braço cheio de velhas cicatrizes e novos cortes e alguns pontos.

“E por que VOCÊ não corta na vertical?” indaguei.

“Eu não quero morrer assim.”

“E como quer então?”

“Imagine um carro correndo em alta velocidade se jogando de um barranco?...Só preciso arrumar um carro.”

“Bem,eu me chamo Beija-flor” comecei dando um sorriso “Tenho 18 anos,e minha família me odeia.Não tenho mais amigas.Não tenho mais namorado.Eu estava grávida mas abortei.”

“Você não está nova demais para morrer?”Ele perguntou,soltando fumaça de seu cigarro em meu rosto.

“Acho que estou velha demais para viver.”

E naquele dia experimentei bebida e drogas.Afinal,não tenho nada a perder.

Comecei a me drogar para fugir da realidade.