Beija-flor

18 Carros e penhascos


“Don’t try to wake me in the morning

‘Cause I will be gone

Don’t feel bad for me I want you to know

Deep in the cell of my heart

I will feel so glad to go” – Asleep ( The smiths)

***

Alguns dias se passaram.Eu esperava que meus pais voltasse atrás e me procurassem.Eu teria voltado para casa.E teria parado e me cortar,porque então saberia que alguém se importa.

Eu estava sentada no sofá de Luca,abraçando meus joelhos e me perdendo em pensamentos,me lembrando de cada mentira que acreditei.Então a porta se abriu bruscamente,e Luca entrou apressado.

“É hoje.Já arrumei um carro”ele anunciou.Ele estava procurando algo na casa,eu acho.

“Você não pode fazer isso!” eu disse.Agarrei seu braço. “Você é minha única família.Não pode me abandonar”

“Beija-flor, as pessoas vem e vão o tempo todo.E eu não sou sua família.Família é aquela que cuida e ama.Eu não te amo.”

“Eu pensei que...”

“Escuta,não posso amar você,não posso amar ninguém,porque não me amo.É preciso amar a si mesmo,para amar os outros.Eu sinto muito,Beija-flor,mas meu tempo aqui acabou.”

Ele deu um sorriso amarelo,e me abraçou.O ultimo abraço.

“É Mellanie.” Eu disse quando ele estava prestes a sair.

“O que?”

“Meu nome.Meu nome é Mellanie”

“hm,eu gosto mais de beija-flor” ele sorriu.

“Você tem que ir mesmo?” corri para abraça-lo.Me sentia tão pequena e inútil.

“Sim,eu sinto muito” ele disse,e depois saiu pelo corredor.

Fiquei imóvel por um bom tempo,até que caí na realidade e corri para fora.Eu tinha que impedir.

Só que já era tarde demais.Me lembro de ter pego uma bicicleta e tentei seguir o carro.Gritei seu nome.Gritei as pessoas ao redor.Mas ninguém me ouviu.

Vi seu carro desabando de um barranco.

E fiquei lá,ao pé do barranco,observando de longe.

Vi os paramédicos chegando e a policia também.

Vi seu corpo inerte e pálido sendo colocado dentro de um saco preto.

Vi que não fazia sentindo a vida.

Adeus Luca.