“And so long,I have trouble sleeping

I can help but feeling

A little insecure

So unsure” – Midnight ( Kodaline)

***

Matei aula a semana toda.Se eu pudesse,nunca mais voltaria para aquele maldito colégio.

Mas então,percebi que se eu sumisse,deixaria os outros ganharem,e não vou dar este gostinho a eles.Ainda não.

Estava cedo demais para desistir.

Na segunda,fui ao colégio,como se nada tivesse acontecido,e torci para que aquele alvoroço da foto tivesse acabado.

Mas não tinha.

Quando me viam as pessoas riam,ou me chamavam de anoréxica, alguns até fizeram o barulho de vomito,insinuando que eu vomitava o que comia.

A verdade é que,depois que Charlie morreu,eu perdi o apetite.Comia apenas algumas coisas leves,e por isso emagreci muito.

As aulas foram se arrastando,e na maioria das vezes,eu não me sentia dentro do meu corpo.

Haviam tantas vozes na minha cabeça que eu não sabia qual escutar.

No fim do dia,quando o ultimo sinal bateu,eu sai da sala me sentindo forte,porque se eu havia sobrevivido a este dia,eu era muito forte.

E foi então que tudo desmoronou novamente.

Ágata passou por mim,e sussurrou:

“Suas inimigas orcas querem falar contigo”

Depois disso,ela entrou em seu carro e se foi.E eu?Eu fiquei parada por um tempo até entender o que ela quis dizer.

As garotas mais “gordinhas” da escola,se aproximaram de mim,me cercando.

Para deixar bem claro: Não estávamos mais na escola.

“Quer dizer então que tem preconceito?” disse uma delas me empurrando,caio no chão.

Como puderam perceber: não sou muito forte.

Esqueci de mencionar que tinha chovido o dia todo,então eu caí em uma poça de água,e ralei meu cotovelo em uma pedra.

“Não tenho preconceito.” respondi

“Não?Nós sabemos que você é anoréxica,e tem preconceito contra nós.”

“Mas eu não...” tentei dizer.
“Calada, senhorita Olivia Palito”

“Sabe o que acontece com preconceituosos?” perguntou uma delas.

E então elas me bateram.Foi a maior surra que levei a vida toda.

Depois que elas foram embora,me deixando no chão,liguei para Allan,que me levou para o hospital,onde levei vários pontos no corpo.

E então,voltei a matar aula,não todos os dias,mas quase sempre.

E quando eu aparecia na escola,sempre alguém me batia.Não tanto quanto aquelas garotas,mas sempre alguém me derrubava,ou me dava socos.Sempre motivo de piada.

Meus pais não sabiam de nada.

E no final do mês,eu estava destruída,tanto por fora quanto por dentro.