– Suas roupas... Parece que você era um samurai, protegia o Imperador de Ionia por conta deste selo, tenho quase certeza disso. – Disse Shen enquanto caminhava junto á Naomi, Akali e Kennen por uma vasta floresta de bambus e outras árvores. Os três ninjas pararam diante da garota, fitando-a. – Bom este é o fim do caminho para nos quatro juntos, precisamos ir para nossa vila, lá é onde os ninjas treinam, mas somente nós podemos entrar lá. Deve continuar mais para o leste, acho que por lá deve ser a antiga terra dos samurais, não podemos leva-la. Seria uma afronta ás almas dos que já morreram e querer comprar briga com os que estão vivos. Desejamos sorte para você. – Os três a saudaram, sumindo rapidamente do local como um flash negro, tudo que ouvia agora era o som das arvores chocando-se uma nas outras. Respirou fundo, a caminhada seria longa e assim seguiu para onde Shen disse que deveria ir.

Perdera a noção de quantos dias e noites se passaram desde que se despediu dos três ninjas que por sinal, mostraram serem bem amigáveis mesmo sendo inimigos desde os ancestrais. Ao longo do caminho parava para observar o local, sentando-se algumas vezes e se dando ao luxo de sentir o vento batendo em seu rosto e ouvir o som dos pássaros cantando naquela floresta que parecia não ter fim. No momento encontrava-se sentada no galho de uma árvore, observando a luz da lua enquanto tinha os olhos fechados. Mesmo estando sozinha, poderia dizer que aquele era o melhor jeito se se pensar melhor aonde deveria ir.

Abrira os olhos e olhou para baixo, deveria estar a uns dez metros do chão. Algo no meio daquele silencio e escuridão chamou sua atenção, escutara um som baixo, parecia de um instrumento e alguém muito habilidoso o dominava; mas ia além disso, escutava uma musica que sabia muito bem de como terminava. Impressionada com isto, a mulher saltou da árvore, pousando no chão silenciosamente, mas provocando o som a se sessar, irritando a mulher por conta disto e arrancando um “droga” a sair de seus lábios finos. Ergueu o corpo, olhando para cima.

Novamente entrou em guarda ao ouvir passos lentos vindo em sua direção ao mesmo tempo em que bem de vagar ia para trás de uma árvore e dali observava uma pessoa se aproximar, segurando na bainha de uma espada longa; seu cabelo era grande e amarrado num rabo de cavalo, usava uma calça com uma tornozeleira por cima desta e pés descalços, cordas como uma espécie de sinto e nele estava um bambu que antigamente usava-se oco para carregar bebidas como saquê. Não usava blusa e sim um pano que cobria metade de seu rosto, deixando seus olhos á mostra, em seu ombro uma ombreira e em seus antebraços braceletes que iam até seu cotovelo, ambos de cor prata, não sabia se era por conta da luz da lua. Ao que tudo indicava era um homem, este olhava para os lados, se espreitando mais na escuridão das árvores. O homem sorriu, pensando que o barulho, mesmo que fosse quase nulo, fosse provocado por algum animal, rindo logo em seguida.

Não soube a razão, mas a mulher sorriu, e riu também, provocando o homem a entrar em guarda novamente e olhar para o local de onde o som veio, avistando metade de uma cabeça que rapidamente fora para trás de uma árvore, sendo seguida por um longo cabelo. “Uma mulher” pensou ele, sacando sua espada e correndo para o local, quando virou-se para a árvore só teve tempo de arregalar seus olhos e reparar no ser que emanava uma luz branca e raios saiam de seu corpo enquanto seus cabelos flutuavam, a mulher golpeou-o no peito fortemente, afastando-o de si, fazendo o homem chocar-se contra uma árvore enquanto o poder de Naomi se esvaia aos poucos, tendo apenas algumas faíscas nas pontas de seus dedos das mãos.

Fitava-o, um pouco preocupada com o homem que rapidamente se levantou. Este estava assustado, guardara sua espada e fitava a mulher á sua frente, reparando em seu rosto sob a luz da lua e em sua roupa. Ele a conhecia fazia anos que sentia sua falta. O silencio reinou no local, apenas o barulho das árvores era audível, mas fora quebrado por um suspiro dele.

– ...! – Hesitou em falar, estava tomado pela emoção.

– Seu nome. Quem é você?! – Perguntou ela. Sua voz foi a certeza, era mesmo quem parecia ter morrido há tanto tempo.

– Naomi... Naomi como pode estar viva?! Eu vi seu corpo! Eu a vi morta ao lado do imperador! – ...! – Arregalou os olhos, flashs dos momentos passaram diante de seus olhos, lembrou-se de uma mulher que possuía uma grande espada, esta lutava bravamente consigo, que protegia o imperador atrás de si. Foi tudo o que se lembrou no momento. – M-Meu nome. Sim, meu nome é Naomi. Como sabe?!

– Você não se lembra de mim? – Seu tom soou melancólico. – Sou eu... Yasuo.

~~~

– Nos conhecemos faz muito tempo, éramos companheiros de treino, não gostei de ti de inicio, eu preferia trabalhar sozinho, treinar sozinho, mas ao decorrer dos anos, pra falar a verdade depois de cinco anos reparei que você era mais do que uma simples colega de equipe.

Corria feliz pelo Templo, era a coisa mais perfeita da vida para ela o que estava acontecendo, pena que não poderia compartilhar com pais, pois não tinha, mas havia uma pessoa que poderia contar, uma mulher. Karma estava no templo e não poderia esperar nem mais um segundo para dizer a ela o que aconteceu. Entrou no quarto da mulher, arrastando a porta e fazendo com que esta chocasse contra a parede, assustando a mulher que saltou da cama. Naomi pulara encima da cama, assustando ainda mais a morena deitada nesta.

– Ei! Calma! Pra que isso tudo? – Sonolenta Karma perguntava.

– Finalmente aconteceu! Estou tão feliz! – Karma parou e fez uma face de que não entendera, provocando a garota a bufar e logo revelar o que acontecera. – Ele me pediu em casamento. Finalmente depois de tanto tempo, não estou nem acreditando! – Saltou da cama e pulava repetidas vezes.

Meu deus isto é ótimo! Não posso acreditar! – Levantara da cama, despertando de sua sonolência logo assim que escutara a noticia de sua discípula de Tai Chi Shuan. Ambas correram para fora do templo após estarem arrumadas, a mais velha vestia um quimono azul escuro e branco enquanto a mais nova uma simples roupa de samurai. Corria em direção a um homem, deixando a mais velha parada e observando os dois de longe, os dois se abraçaram e conversavam olhando-se nos olhos e sorrindo.

– Mas algo terrível aconteceu, algo que destruiu toda a vila. Era a hora de nos separarmos e mostrar o verdadeiro poder dos samurais de Ionia para aqueles que nos invadiam. Não seriamos e não fomos dominados, mas...

– Tem que haver outro jeito, não pode ser assim! – Dizia a mulher, chorando nos braços de seu noivo. Este abraçava a mulher fortemente, seu desejo era nunca mais solta-la. Ambos estavam escondidos num dos quartos do palácio do imperador. Pediram um tempo sozinhos que fora dado.

– Não tenho opção. Naomi você é forte, eu a conheço como ninguém, treinou comigo durante anos e é capaz de protegê-lo sozinha, tenho certeza que fará isso tranquilamente! – Disse ele com fervor em sua voz, soltando a mulher e levando as mãos ao rosto desta, que parara de chorar e fitava os olhos dele, sentindo um rubor em seu rosto.

– Você não entende? Estou preocupada com você. Se algo acontecer com você não irei me perdoar, são muitos inimigos, Yasuo, sei que é forte, mas só você forte contra tanta gente... Eu tenho me... – Fora interrompida pelos lábios do homem que tomara os seus. Era um beijo calmo como sempre fazia, buscava pela confiança da mulher que sempre lhe dava logo depois, retribuindo o beijo do mesmo ritmo, mas que parou logo.

– Eu sei me cuidar e estou fazendo isto por nós. – Respirou fundo. – Não quero que vá para frente de batalha, prefiro que fique aqui, junto com os outros samurais que protegerão ao imperador. Mesmo indo contra as regras daqueles que me ditaram, eu irei combater as Noxianos que já estão a chegar lá fora. Confie em mim, eu irei sobreviver, você vai sobreviver, iremos viver juntos aqui em Ionia, seremos lembrados pelos nossos esforços, tudo vai ficar bem.

– Yasuo... – Em sua mente estava pensando sobre esse orgulho de ter a confiança do imperador sobre si, por ter ganhado um titulo. Isso estava cegando Yasuo fazia um tempo, mas não iria duvidar de seu poder, afinal era muito grande. – Eu confio em ti. Irei proteger o imperador e tenho certeza que conseguiremos terminar isso com a vitória de Ionia.

– Sim. – O homem a envolveu nos braços novamente. “eu te amo” foi dito um para o outro antes de se separarem novamente.

~

Corpos poderiam ser vistos pela porta da entrada do Templo, mas se importava com a sombra rápida que atravessava cada uma das pessoas que estavam de pé, era a certeza de que seu amado estava vivo. Segurava firme em sua espada enquanto encarava a mulher á sua frente que estava com um capuz no rosto.

O imperador já estava em outra sala, protegido da invasora. Esta avançou em direção da nobre Naomi, que se defendeu de forma rápida e eficaz do golpe razoavelmente forte da mulher, empurrando a espada quebrada da mulher para baixo, atravessou rapidamente como uma sombra o corpo da mulher, ferindo-a de raspão em sua cintura; a mesma aproveitou os milésimos de segundos que Naomi demorara em se virar de volta para acertá-la com sua espada ás costas dela, provocando um grunhido de dor desta e apoiar-se com sua espada cravada no chão.

Sem mais delongas, a mulher seguiu para seu objetivo, aproveitando que a samurai estava ainda se recuperando do golpe para seguir á sala do imperador. Naomi sacou sua espada novamente e correu com certa dificuldade, já que o golpe fora em sua coluna, para a sala do imperador.

Já encontrando seus aliados no chão e o imperador no canto, amedrontado com a presença da mulher. Sem pensar Naomi correu para frente do imperador, impedindo o primeiro golpe da mulher, mas não percebendo que esta se preparava para o próximo. Movimentou a espada para trás de seu próprio corpo e logo em seguida voltou com a mesma para a direção oposta, provocando uma onda de vento atravessar a defesa de vento e raio que havia envolta do corpo do imperador e quebrando não só a coluna de Naomi, como sua própria espada, metade desta atravessou o teto daquele local e voou para fora do templo, sendo cravada no chão do jardim ao mesmo tempo que o corpo da jovem caia no chão, morto.

Yasuo viu a espada quebrada sendo cravada no chão, percebendo no mesmo momento o erro que havia cometido. Segurou uma lágrima para que não escorresse de seu rosto diante de seus inimigos. Um nome não parava de se repetir em sua mente.

– Naomi... Nada me dói mais nessa vida do que sofrer com o arrependimento de não ter ouvido as palavras de quem eu mais amei e de quem me treinou...

–... – A garota chorava, não conseguira conter as suas lágrimas e o samurai a sua frente tinha a cabeça baixa. Ambos estavam sentados no chão da floresta enquanto a aurora chegava ao local. – Tanta coisa em tão pouco tempo, uma forma tão injusta de se morrer... Como isso tudo pode acontecer dessa maneira?! Quem era aquela mulher?!

– Eu não sei, por mais que eu procure, eu não consigo achar respostas. Ela está provavelmente foragida também, não sei o que aconteceu. Eu fui culpado por tudo. Tive de matar meu próprio irmão depois daquilo tudo. Ele e mais alguns me procuravam, no seu leito ele disse que ela transferiu um golpe de vento em vocês dois... Fui culpado por este ato, por apenas eu dominar a arte do vento. Por conta de minha arrogância, meu orgulho... Tive isso para colher e até hoje fujo para onde posso, atrás de vingança por quem matou a você e ao imperador. – Sentiu a mão da garota acariciar seu rosto e apenas fechou os olhos, sentindo o carinho que tanto lhe fazia falta.

– Desde que voltei, eu não procurei por outra coisa se não o dono do nome Yasuo, mas não sabia que iria realmente encontra-lo. Eu irei me juntar a você contra este inimigo, sem mais nem menos. Apenas aceite. – Sorriu. O homem respirou fundo e segurou a mão dela com sua mão direita. Reparou que ela havia ficado mais durona e não queria saber os motivos, talvez fossem demais para ouvidos humanos. Talvez aquele ser gentil e dócil que havia conhecido deveria ter se tornado um pouco mais maduro agora e isso o deixava contente. Um sorriso de felicidade e sinceridade brotou em seu rosto depois de tanto tempo sem fazer tal coisa.

– Naomi... – Sussurrou seu nome, ambos se fitando nos olhos.

– Sim?

– Eu te amo.

–... – Sorriu ao ouvir tais palavras. – Também te amo.

~~~

Antes de partirem para seus objetivos, Yasuo não pode deixar de levar a mulher na antiga vila onde tudo acontecera. Ao chegarem no local, Yasuo procurou pelo Templo onde Naomi e Karma moravam juntas pois fora lá que guardara a antiga espada da mulher, num altar onde visitava as vezes para fazer orações para seu espírito. Ao achar e pegar a espada, devolveu a sua dona e assim partiram para suas jornadas.

Após atravessarem o mar de Guardian’s Sea, Yasuo e Naomi seguiam pelos arredores de Icathia. Um lugar sombrio e traiçoeiro, pouco se sabe sobre aquele lugar e passar sempre em guarda, mesmo que fosse a certa distancia da cidade, não era má ideia. Após passarem por Icathia, procuraram caminhos pelas montanhas de Tempest Flats, o que não foi nada fácil. O sol não dava trégua por ser tão próximo do Monte Targon, a terra dos Solari. Os dois caminhavam, parando algumas vezes para que o homem descansasse em alguma sombra de algumas das poucas árvores que havia naquele caminho, já a mulher não precisava se preocupar com cansaço.

Após algum tempo desceram por algumas ladeiras e assim conseguiram atravessar Tempest Flats em segurança, isso tudo com apenas um propósito: chegar aos Campos da Justiça. Ambos se inscreveriam no local com a esperança de que em League of Legends conseguiriam respostas para o que queriam e que seu inimigo fosse sair de onde quer que se escondera.

O sol castigava o corpo cansado do Samurai e mesmo que não dissesse sua amada percebia isso em seus olhos cansados olhando para o horizonte. Percebendo isto, a mulher aproximou sua mão á dele, atrevendo-se a encostar seu dedo mindinho ao dele, mas afastando logo depois e sentindo um arrepio correr pelo seu corpo. Ao que percebeu Yasuo deduziu que a mulher estava sem jeito, dando razão afinal de contas aconteceu tudo muito rápido e faz pouco tempo que voltaram a ficar juntos enfim. Sorriu e fechou os olhos e enfim segurando a mão de Naomi com a sua, caminhando os dois assim por um tempo.

Ao fazerem uma parada, mesmo que fosse debaixo do Sol, Naomi sacou um leque que prendia em seu cinto do vestido, que usava para segurar sua espada. Enquanto ela não derramava uma gota de suor, o homem derramava por ele e ela juntos, induzindo-a a abrir o leque e abanar o homem que fechou os olhos para sentir melhor a brisa, mesmo que quente, acariciar seu rosto.

– Nossa, já perdi as contas de quanto tempo estamos caminhando. Será que ainda vai demorar muito? – Perguntou Naomi, posicionando a mão esquerda acima dos olhos para fazer uma sombra sobre eles enquanto com a direita abanava Yasuo com seu leque.

– Estamos próximos de Noxus. É bom, mas ao mesmo tempo perigoso. Fique atenta a qualquer pessoa que estiver passando por aqui. – Sua respiração estava pesada por conta do deserto onde estavam, afinal não era só Shurima que era quente.

– Hey, o que é aquilo? – Disse Naomi olhando distante no horizonte enquanto Yasuo procurava pelo que a mulher vira. Percebeu que se aproximava alguém. Vestia uma roupa verde com um capuz da mesma cor e uma armadura prateada. Ao passar ao lado deles, perceberam seu cabelo branco voando por conta do vento que passara no local.

– Boa tarde... – Sussurrou. Ambos perceberam que era mulher pelo tom de voz e pelo formato da sua armadura, percebendo também que esta carregava uma espada quebrada em suas mãos.

–... – Naomi fitara a silhueta da mulher até que esta sumisse em meio ao calor do deserto. Sentira Yasuo puxando seu braço levando-a a pensar que este queria seguir viagem.

A imagem daquela mulher passava-se na mente de Naomi o tempo todo, pensando em quem poderia ser, mas logo se lembrou da espada que esta carregava. Não era a mesma daquele dia, mas os símbolos rúnicos escritos nela eram idênticos, estava quebrada, mas tinha certeza que foi para lâmina daquela espada que havia morrido. Inscreveu-se em League of Legends assim que entrara no Instituto da Guerra e reparou na foto da mulher e seu nome abaixo desta num quadro sobre os campeões, ali estaria a chance de revidar a vergonha que sofreu naquele dia, e talvez não demorasse muito para que o dia enfim chegasse.

Notas finais
Espero mesmo que tenham gostado. Fiquei pensando em fazer uma fic entre personagens que já existem depois de escrever e talvez, futuramente eu poste. see ya~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!