Behind the Story
2 Capítulo II – Invocando Fantasmas
Notas iniciais

“Tell me what you want to hear
Something that’ll like those ears
Sick of all the insincere
So I’m gonna give all my secrets away”
Secrets, OneRepublic
★
— Poxa, não precisava, mas valeu mesmo. — Albus agradeceu, aceitando a caixa embrulhada em papel azul, coincidentemente, sua cor favorita.
— Claro que precisava, Al! A última vitória da Sonserina foi incrível, você esteve fenomenal, como sempre. Pensei que merecia uma recompensa. — disse a menina, mexendo nos cachos escuros e esticando os lábios finos em um sorriso.
— Isso é muito gentil da sua parte — Albus retribuiu o sorriso da garota.
Martha McLaggen aumentou seu sorriso e abriu a boca para dizer algo, mas as palavras congelaram em sua garganta. Albus cogitou perguntar o que acontecera, mas sentiu um aperto um tanto possessivo nos seus ombros e, ao se virar, deparou-se com um belo rosto retorcido em uma careta.
— Está na hora de encontrar Rose, priminho, vamos? — Dominique disse áspera, usando o diminutivo como se quisesse reforçar que ela era a mais velha ali.
— Hm, claro. Depois a gente se fala, Martha. — disse Albus, acenando com a mão enquanto acompanhava Dominique.
Assim que sumiram do campo de vista da garota morena, Dominique afastou bruscamente sua mão dos ombros do primo. “Incrível como ele quase consegue ser mais tapado que o irmão”, ela pensou enquanto aumentava a velocidade de seus passos para se distanciar o máximo possível do rapaz. Albus, que estava completamente alheio ao que se passava na mente da prima, estranhou a atitude, mas preferiu não comentar.
Rasgou o papel que embrulhava a caixa com facilidade e teve uma maravilhosa surpresa ao espiar seu interior e encontrar meia dúzia de cupcakes de diversos sabores. Apenas olhando, Albus podia presumir alguns: gotas de chocolate, cereja, baunilha e nozes. Além de tudo, pareciam incrivelmente gostosos. O subsolo ainda estava longe e não gostava de comer andando, então cogitou em fazer uma pequena parada no corredor e provar algum deles, mas então lembrou que não estava sozinho.
— Ei, Domi.
— Que foi? — perguntou, sem ao menos olhar para trás.
— Você quer um cupcake? — perguntou Albus e isso fez com que Dominique parasse e o encarasse, então, ele soube que havia atingido seu ponto fraco. — Eu sei que você os adora e a Martha acabou de me dar uma caixa cheia...
— Não, obrigada. — ela disse, depois de bufar alto.
— Qual é o problema?
— O problema, Albus, é que eu não tenho intenções de me apaixonar por Martha McLaggen e vendo meus rins no mercado negro se esses bolinhos bonitinhos não estiverem cheios de poção de amor.
— É por isso que está bancando a maratonista? Pensei que era TPM — brincou Albus, abrindo um pequeno sorriso que não fora retribuído por Dominique. — Por que a Martha faria isso? Ela é uma pessoal legal...
— Talvez porque aquela cara de buldogue a impeça de conseguir pelos métodos tradicionais — disse Dominique com um tom convencido nada típico dela enquanto jogava as ondas douradas sobre os ombros.
— Não é todo mundo que tem a sorte de nascer um oitavo veela, sabe.
— Enfim, — ela disse de forma que encerrava a discussão. — Tempo é dinheiro e, no momento, você está desperdiçando o meu. Mas se eu fosse você, jogaria essa linda caixinha na primeira lata de lixo que aparecesse na minha frente.
★
— Eu nunca imaginei que invocar um fantasma seria tão clichê. — comentou Scorpius enquanto acenava a varinha e fazia com que todas as velas formassem um círculo perfeito no centro do dormitório feminino da Lufa-Lufa. — Quer dizer, velas e versos sombrios? Parece um daqueles filmes de terror trouxas de péssimo gosto.
— Mais um motivo para não fazer. — disse Rose com seu pessimismo habitual, sem desviar os olhos do livro que explicava o processo — Nunca dá certo nos filmes.
— Nunca é feito por uma bruxa excepcionalmente talentosa nos filmes — argumentou Scorpius, acendendo as velas com outro aceno de varinha.
Rose sentiu a pele começar a esquentar instantaneamente e levantou os olhos do livro para encarar o loiro, estava prestes a retrucar o comentário quando a porta de madeira foi aberta violentamente, revelando Dominique e Albus, nenhum dos dois trazia uma expressão muito amigável.
— Desculpem a demora, o Albus anda mais devagar do que vovó Molly — disse Dominique em tom raivoso.
— Já descobriu como faremos isso, Rosie? — perguntou Albus, ignorando Dominique.
— Bom, o ambiente já está totalmente isolado e as velas já estão em seus lugares. — Rose começou, pousando o livro em cima da cama e levantando-se. — A pessoa que vai invocar tem que estar dentro desse círculo e, enquanto a oferenda queima, fazer o feitiço de invocação.
— Oferenda? — perguntou Albus.
— É, uma comida qualquer que precisa ser, de alguma forma, mágica. Podemos, por exemplo, enfeitiçar um muffin ou algo assim.
— Se não for mágica, não funciona? — questionou Scorpius.
— Não.
— E se nós queimássemos, por exemplo, alguns cupcakes cheios de poção do amor. Funcionaria? — perguntou Dominique, olhando desafiadoramente para Albus.
— Sim, claro.
— Tudo bem, já entendi o que está se passando na sua cabecinha loira e maligna! Mas quando não funcionar e você tiver que vender seus rins no mercado negro, vou dizer “eu te avisei” — disse Albus, entregando a caixa em suas mãos para Dominique e fazendo com que Rose e Scorpius se entreolhassem confusos.
— Espera aí, o que nós perdemos? — perguntou Scorpius, apontando para Rose e depois para si mesmo.
— Depois a gente explica, vamos logo com isso! — disse Dominique sorrindo tanto quanto uma criança que acabara de tomar sorvete.
★
— Larga minha mão, Albus! — guinchou Scorpius.
— Se não dermos as mãos, como vamos fazer a conexão espiritual? — perguntou Albus.
— Que conexão? Para de viajar, Potter, a única coisa que temos que fazer é não atrapalhar a Rose.
— Ei, vocês dois, xiu! — cortou Rose, acenando a varinha e fazendo com que a lareira acendesse e queimasse, aos poucos, os três cupcakes em seu interior. — Spectrum Apparet.
Albus, Scorpius e Dominique já tinham imaginado mil versões diferentes para aquela cena, mas ver a invocação pessoalmente era completamente bizarro. Os longos cabelos ruivos começaram a se movimentar, como se estivessem soltos em uma forte ventania. Só que não havia vento algum. Rose tinha os olhos fechados e, àquela altura, parecia totalmente inconsciente, apenas uma coisa denunciava seu verdadeiro estado: ela murmurava. Não era possível discernir tudo o que ela falava, mas eles conseguiam captar alguns pedaços. “Helga”, “invoco”, “presença”.
A situação já estava atingindo o limite da estranheza quando um feixe de luz fino e prateado despontou da varinha de Rose e, ao se desprender, passou a circundar o dormitório com uma velocidade impressionante. Fez com que todas as velas se apagassem, tornando-se a única luz no ambiente, e se chocou contra as paredes diversas vezes até que, de repente, voltou até o centro do círculo e começou a expandir-se. Primeiro, se tornou uma bola grande e prateada, depois, espichou-se e contorceu-se até formar a figura perfeita de uma mulher.
Dominique se sentiu estranha ao relacionar a imagem a sua frente com tudo o já que lera e ouvira a respeito da matrona de sua casa. Sempre imaginou Helga como uma mulher grande, rechonchuda, loira, sorridente e de bochechas coradas. Pelo tom claríssimo de prata no seu longo cabelo cacheado, talvez ela fosse loira, mas as semelhanças com a mulher da imaginação terminavam por aí. Ela tinha traços simples, mas bonitos e seu corpo era pequeno, esguio e delicado.
— Onde estou? — disse a figura prateada, sua voz era doce como mel.
Os joelhos de Rose fraquejaram e cederam ao peso de seu corpo, fazendo com que a menina caísse no chão. O barulho da queda acordou Scorpius de seu transe e ele foi o primeiro a correr para ampará-la, enroscando-a em seus braços.
— Não acredito que a Martha tentou me enfeitiçar. — resmungou Albus. — Por Merlin, que menina louca!
— Deu certo? — sussurrou Rose fracamente, contra os braços do loiro.
— Veja você mesma. — respondeu sem desviar os olhos da figura prateada enquanto Dominique acendia a luz do quarto. — Estamos em Hogwarts no ano de 2023. Nós somos alunos dessa escola. Da sua escola.
O fantasma olhou ao redor, encarando a decoração amarela e preta do dormitório, e o brasão de sua casa estampado no uniforme de Dominique.
— E o que querem de mim? — perguntou. Rose, que já estava se recuperando da sensação de fraqueza, explicou toda a história desde o início, quando terminou, Helga estava pensativa. — A verdadeira história... Tem certeza disso, minha querida? Devo alertá-los que a verdade não é algo bom, na maior parte do tempo, ela apenas machuca. A ilusão e o desconhecido, por outro lado, sempre confortam. Talvez seja melhor continuarem com suas fábulas e mentiras.
— Por favor, senhora... — começou Dominique. — Sem a sua ajuda, eles não vão ter como fazer esse trabalho. A senhora é a única chance deles.
— Se soubessem quantos juramentos eu seria obrigada a quebrar... — sussurrou Helga, mais para si mesma do que para todos. — Guardei esses segredos comigo até a morte, ninguém disse para mantê-los até depois dela. Merlin me julgue, mas irei ajudá-los! O que precisam saber?
— Quem teve a ideia de fundar a escola? — perguntou Dominique.
— Salazar e Godric realmente gostavam de Rowena ou isso é só lenda? — perguntou Albus.
— Por que Salazar abandonou a escola? — disparou Scorpius.
— Vão com calma, pessoal. Acho que estão deixando Helga confusa. — Rose disse, desenroscando-se dos braços de Scorpius, abrindo um sorriso pequeno e tirando da sua bolsa um pergaminho comprido e uma pequena mágica, que transcreveria tudo o que dissessem. — Bem, acho que seria melhor se começássemos pelo começo. Como vocês se conheceram?
— Foram tempos terríveis aqueles em que os conheci, foram sim. — afirmou Helga, retomando a expressão pensativa — Mesmo quando era viva, evitava pensar muito neles, mas eram completamente inesquecíveis. É difícil saber ao certo, mas eu dificilmente tinha mais de 15 primaveras completas. A noite já havia caído, eu lembro que pensei em como há anos não se via um céu tão estrelado. Estava abandonada, machucada, faminta e perdida. Grande parte da minha fé e da minha vontade de lutar por minha vida haviam se esvaído e com toda certeza eu teria morrido no dia seguinte ou no dia depois desse, se não fosse pela maravilhosa mulher que me achou e acolheu.
— Rowena?
— Não, a essa altura, eu ainda nem sonhava em conhecer Rowena. Ela nasceu como Cewyn Hughes, mas na época em que me resgatou ninguém mais a chamava nem pelo nome nem pelo sobrenome de solteira. Todos a conheciam como Sra. Slytherin.
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