Notas iniciais
Gente, me desculpem pela demora, tudo ficou corrido demais por aqui. Tenho que agradecer pelos reviews aqui também, porque sorrio tanto depois de ler eles, e vocês merecem saber o quanto fico feliz com seus comentários ♥
Aqui, finalmente, um capítulo! Não é meu favorito, mas boa leitura :)

Sexta-feira, noite das garotas. Quinn estava animada, pois em pelo menos duas sextas-feiras de cada mês ela e as amigas se reuniam para ver filmes, pintar as unhas, experimentar roupas de grife e fazer várias outras coisas típicas de filmes americanos para adolescentes. Essa noite o encontro seria no seu quarto e de Rachel. Ah, Rachel. Agora ela também parecia fazer parte do grupinho de amigos de Quinn, e a loira bem que gostava disso. Ela tinha quase certeza de que as duas estavam juntas, e por mais que não pudessem dizer a ninguém – provavelmente seriam designadas para quartos individuais e isso seria péssimo – Quinn não conseguia parar de sorrir. A loira colocou uma tigela de pipoca recém-estourada em cima de uma das mesas de estudos e abriu um saco gigante de M&M’s para colocar numa outra tigela um pouco menor. Tudo estava finalmente pronto. Então, a garota sentou em sua cama, sorrindo. Santana e Brittany só chegariam dali a pouco menos de meia hora, então ela ainda poderia ter um tempo pra ficar quietinha em seu canto, ou fazer isso com a morena que acabara de entrar no quarto.

Rachel saiu do banheiro com vapor ao seu redor, tomar um banho quente era extremamente relaxante depois de uma semana tão agitada. Como o esperado, ela se saíra muito bem durante as provas e agora merecia algum descanso e ter um pouco de tempo com uma certa loirinha. A morena vestiu shorts curtinhos e uma camiseta confortável e comum, pelo que ela sabia seria uma simples festa do pijama. Depois disso, foi para o quarto, caindo na cama ao lado de Quinn logo após beijar sua testa. As duas ficaram de mãos dadas, encarando o teto e apenas aproveitando o silêncio, às vezes isso era muito necessário. Até que a pequena ouviu seu telefone vibrar na mesinha de cabeceira e levantou-se para pegá-lo. Rachel estremeceu ao ler o nome na tela e desboqueou o telefone, o levando ao ouvido.

“Oi papai.” A garota disse, sentindo a garganta seca e sentando-se novamente.

“Como você está, querida?” Leroy perguntou, sua voz era indecifrável.

“Muito bem, como está meu pai?” Rachel respondeu rapidamente, um tanto atônita.

“Ele está ótimo, querida, mas ainda no trabalho.” Seu pai respondeu com um suspiro.

“Ah, sim. Vida de médico, certo?” Rachel se conteve para não revirar os olhos.

“Certamente. Preparada para a sua vida virar essa loucura, meu bem?” Rachel não sabia dizer se seu pai usara um tom de voz sarcástico, rude, ou sério.

“Claro.” Rachel mentiu e logo mudou de assunto “Receberam meu boletim?”

“Sim, e na verdade estou ligando por causa disso, querida. Aquele A- em Geografia, você tem que mudar isso, Rachel.” O homem adquiriu um tom de voz muito sério e ao mesmo tempo preocupado.

“Sim, papai. Foi um descuido, me desculpe.” Rachel caiu deitada na cama, e sentiu os olhos de Quinn sobre ela, meio curiosos.

“Espero que não se repita, tudo bem?” E assim eram seus pais, sempre lhe cobrando o máximo e depois já esperando que tudo fosse ficar bem. Quem diria que Rachel poderia ter outros planos? Outras aspirações?

“Não vai se repetir, eu prometo. Tchau papai, mande um beijo para meu pai.” Rachel respondeu e desligou o telefone rapidamente, o jogando do outro lado da cama e sentindo Quinn se aproximar um pouco.

“Tudo bem, Rach?” Quinn perguntou, se aproximando ainda mais da baixinha que estava a beira das lágrimas.

“Tudo ótimo.” Rachel respondeu secamente e depois se apoiou nos cotovelos para olhar a loira “Tudo bem mesmo, Quinnie.” Ela disse e beijou a bochecha da garota “Você sabe como pais podem ser... estressantes.” Rachel sorriu antes de dar um selinho na menina que agora a encarava intrigada.

“Sei muito bem como eles podem ser, Rach.” Quinn sorriu de volta e ouviu três batidas na porta. Ela levantou em um pulo e abriu a porta para as amigas que haviam acabado de chegar. “Oi meninas!” A loira disse abraçando Brittany e Santana e já as puxando para dentro do quarto “Trouxeram o quê?”

“Oi Quinnie, oi Rach.” Brittany disse com sua voz doce enquanto entrava no quarto e se sentava numa cama ao lado de Rachel.

“Bee.” Santana cumprimentou Quinn com um sorriso e depois se virou para Rachel e a cumprimentou com um simples aceno de cabeça “Berry.” Mas afinal, quem mandou aquelazinha ficar sentada do lado da Brittany? Ela não merecia mais que um mero e seco ‘oi’. “Trouxemos filmes, esmaltes e nossos computadores.” Santana indicou colocando uma mochila em cima de uma das mesinhas de estudos e se sentando ao lado de Brittany.

“Ótimo.” Quinn sorriu contente e bateu as mãos “Temos picoca, doces, roupas, computadores, filmes e uma TV gigante. O que vamos fazer primeiro?” Ela perguntou com os olhos brilhantes de animação. Às vezes Quinn podia passar por uma garotinha de doze anos, e às vezes por uma mulher de quarenta.

“Que tal experimentarmos as roupas?” Sugeriu Rachel. Ela nunca participara de uma festa do pijama antes daquela e se sentia um pouco deslocada, embora Quinn afirmara que não seria nada demais e que ela não deveria se preocupar.

“Perfeito.” Quinn sorriu para ela de um jeito carinhoso. O que fez Santana arquear as sobrancelhas, ‘Como assim? Achei que minha Bee gostasse de caras e coisas do tipo. Além de tudo se ela realmente gostasse de garotas, poderia achar alguém melhor, não? Isso deve ser algum tipo de ilusão macabra.’ A latina pensou enquanto assistia as outras garotas correrem para o closet – também conhecido como um grande armário – e arrancarem roupas das diversas portas.

As garotas colocaram e tiraram, no mínimo, umas dez diferentes roupas cada. Era divertido experimentar tantas coisas, esses vestidos extravagantes, blusas de marca, cachecóis coloridos, sapatos de salto, acessórios e tudo mais. Quando elas se cansaram daquilo, saíram do closet – o que Santana ainda considerava como armário – e foram fazer as unhas umas das outras. Rachel lixava as unhas de Brittany, enquanto Santana tirava as cutículas de Quinn. Elas riam e conversavam sobre coisas banais, como perfumes bons, países frios nos quais não gostariam de morar, viagens que queriam fazer antes de morrer, até chegarem num assunto estranho para as quatro: garotos.

“Então, S, você ainda está com o Puck?” Quinn perguntou e logo gemeu um ‘ai’ quando a latina puxou um pouquinho mais do que deveria da pele de seu dedo.

“Acho que não. Quero dizer, não. Bem, parece que nós terminamos.” Ela disse meio sem jeito, se arrumando a coluna “E você, Bee? Te vi com o loirinho novo outro dia, acho que o nome dele é Sam, ou algo assim, certo? Vocês estão juntos?”Santana mudou o foco rapidamente, sem nem levantar os olhos para encarar as amigas.

Quinn pigarreou e percebeu que Rachel acabara de deixar uma das unhas de Brittany mais curta que as outras, e agora lixava as outras com um pouco mais de força do que deveria “Não, Santie, nós somos só amigos. Sam e eu somos só uma das duplas para um trabalho do grupo de teatro.” A loira tentou parecer despreocupada.

“Ah, sei.” Santana riu “Sabe o que eles dizem desses projetos de teatro... que os atores que encenam pares românticos sempre acabam juntos.” Ela acrescentou levantando os olhos e encarando uma Quinn vermelha, uma Rachel rindo histericamente e uma Brittany um pouco confusa. “E você Rachel? Alguém especial?” A latina indagou.

“Bem, poderia ter. Mas acho que nenhum dos garotos daqui merece atenção especial.” Rachel deu com os ombros, passando a primeira camada de esmalte nas unhas de Brittany, que a encarava curiosa.

“Então você não gosta de garotos?” Brittany perguntou inocentemente e Rachel sorriu.

“Não é bem isso. Só que os daqui são bem pouco interessantes.” A pequena explicou.

Santana riu maliciosamente, passando uma camada de um esmalte de cor pálida nas unhas de Quinn “Mas se os garotos daqui são tão desinteressantes, as garotas seriam um pouco mais... divertidas?” Vai saber se aquela lá não gostava mesmo de garotos, Santana tinha que descobrir logo, ninguém ia chegar perto de sua Britt Britt.

“Talvez.” Rachel respondeu, fazendo todas rirem. Aquilo era irônico para todas elas, afinal. “Mas e você, Brittany?” A baixinha indagou, tentando controlar o riso.

“Ah, sim. Não tenho nada com nenhum dos meninos. Já cansei deles.” Brittany riu, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo e quando olhou para Santana, percebeu que esta a encarava com os olhos arregalados como se a dissesse para falar algo menos óbvio “Não que eu goste de garotas nem nada, mas eles também já me cansaram.” Ela olhou para baixo para admirar as unhas recém-pintadas de cor-de-rosa.

Depois de uma conversa desagradável, estranha e engraçada sobre o sexo oposto, as meninas decidiram que queriam ver um filme. Uma acalorada discussão sobre qual dos gêneros de filmes era melhor — terror, romance, comédias românticas e drama — se seguiu e por fim, elas decidiram ver o filme mais clássico de todos: ‘O Diário de Uma Paixão’. Como a pipoca e os doces já tinham acabado, elas decidiram escovar os dentes para, de preferência, assistir o filme debaixo das cobertas.

Santana e Brittany deitaram juntas numa cama, Rachel e Quinn deitaram na outra. Cada dupla tinha uma pilha gigante de travesseiros e lenços de papel caso chorassem. Santana abraçou sua garota por baixo do cobertor e aconhegou sua cabeça em seu ombro, com os cabelos loiros caindo sobre suas bochechas, o que a fez sorrir. O lado bom de ser uma garota e estar secretamente namorando sua melhor amiga é que vocês poderiam agir normalmente como namoradas – exceto pelos beijos e o que seguia – na frente de qualquer um, e eles considerariam normal, pois afinal, ‘Elas são só amigas, não seja preconceituoso.’.

Na metade do filme Quinn já podia ouvir o ronco baixinho de Santana (que ela conhecia tão bem, pois o mesmo já tinha a dado várias noites de insônia) e também já sabia que Brittany estava dormindo, já que esta tinha enterrado a cabeça no travesseiro e um de seus braços estava jogado para fora da cama. Rachel chorava descontroladamente, e Quinn decidiu a abraçar, puxando a garota pra mais perto de si, e encaixando seu corpo no dela.

“Eu amo esse filme.” A morena sussurrou, parando de chorar um pouco.

“Eu também.” Quinn sussurrou de volta e depois continuou num tom de voz mais alto “Mas pode falar num tom de voz normal, elas nunca vão acordar, conheço minhas amigas.”

Rachel limpou as lágrimas que ainda estavam em suas bochechas “Algum problema com meus sussurros?” Ela perguntou ainda sussurrando, e se virando completamente para Quinn, praticamente deitando em cima da garota.

“Nenhum.” Quinn disse baixinho. Como aquela baixinha conseguia ser tão irresistível e ter tanto efeito sobre ela?

“Que bom.” Rachel respondeu, sussurando no ouvido de Quinn e voltando a encarar a garota de perto, logo sentindo seus lábios sobre os dela, num beijo suave e calmo, que a fez sentir como se não houvesse nada ao seu redor. Rachel se afastou, separando seus lábios dos de Quinn e dessa vez perguntou num tom de voz normal “Vamos dormir?”

Quinn sorriu, mesmo que estivesse escuro demais para ver nitidamente o rosto de Rachel, ela sabia que a morena também sorria. “Vamos.” Quinn disse, e abraçou sua pequena por trás e caindo no sono quase imediatamente, mas não antes de perceber que não ouvia mais o ronco calmo e constante de Santana.

Notas finais
Então, o que acharam? Críticas, sugestões, dúvidas? :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.