Behind The Sea
1 Uma casa, várias lembranças
Notas iniciais
Primeira história postada, então sejam bonzinhos. O capitulo pode parecer meio estranho mas lembre-se: é a grande peça-chave da história. Desculpas por algum erro e aproveitem.
04 de Agosto de 2014, Segunda-Feira
"E se...
E se toda minha vida tivesse dentro de uma simples e pequena caixa de madeira escondida em meio desertos ou florestas? E se todos que eu conheço fossem embora da minha vida sem um simples "adeus" e um "porquê" fosse a única pergunta que devesse fazer? Se toda a loucura do mundo não fosse nada para o que se passa em minha cabeça nesse momento... Talvez o sanidade não acompanhe o verdadeiro amor... mas e os amores roubados?"
Era uma segunda-feira de manhã quando Ryan chegou na casa com varias sacolas de compras recicláveis que com certeza devem ter sido adquiridas no supermercado da cidade mais próxima. Quando o ouvi chegar — graças ao rangido incomodo da porta principal que precisavam urgentemente ser lubrificadas — eu estava no porão resgatando algumas coisas antigas da família que estavam perdidas desde o assassinato e acabei encontrando uma carta de Elizabeth Winsley. A grande questão era "Quem era Elizabeth?". De acordo com os registros no tribunal da Califórnia, Elizabeth era uma louca varrida que rondava as ruas da cidade atrás de sua filha sequestrada. Muitos dizem que era apenas alucinações e ela nunca havia tido uma filha ou família, mas ela sempre contestava. Elizabeth aparentemente não tinha nenhum grau de parentesco com minha família, porém encontrei muita tralha velha — como recortes de jornal, cartas e até fotos sombrias dela no hospital.
Senti uma onda de ar frio de Agosto passar por minha nuca me causando um certo arrepio misturado com certo pavor das coisas encontradas. Novamente o rangido da porta ecoou no porão porem agora mais perto. Leves passos faziam a madeira velha da escada ranger. Minha cabeça se fundiu em meus ombros numa falha tentativa de me proteger do frio.
- Candice? — Ryan perguntou parando no ultimo degrau — como você consegue procurar essas coisas nesse escuro?
— Da mesma forma que consigo encontrar assassinos loucos e drogados em plena Los Angeles às três da manhã. — respondi me levantando e tirando a poeira do chão da minha calça. Coloquei a pequena caixa novamente na estante separando apenas caixas de coisas aleatórias e uma das cartas de Elizabeth que falava sobre amores roubados que me chamou bastante atenção e a coloquei dentro da bolsa. — Como você sabia que eu estaria aqui?
— Era previsível de mais. — o que ele queria dizer com isso? Pensei e ele respondeu como se pudesse ler meus pensamentos — Ultimamente você não para de falar sobre... Bom, você sabe.
Ryan me conhecia o bastante para sempre ter cuidado com as palavras quando estava em meus dias nostálgicos. Ele sabia que se usasse o termo "morte da sua mãe" era capaz de que eu tivesse um surto psicótico em plena segunda de folga no porão da minha antiga casa. — Será que você pode me ajudar com essas caixas?
— E o que... você quer fazer com elas? — ele olhou de relance para mim já que encarava a pequena janela de ar com grades do lado de fora a procura de um foco de luz para se guiar já que realmente devia está um breu para ele.
— Não dizem que para seguir o futuro precisa se livrar do passado? Então...
— Não Candice, você não quer fazer...
— Ah Ryan, vamos logo! Não quero perder minha segunda toda aqui.
Ryan levou as caixas com roupas, quadros e livros velhos para meu carro enquanto eu trancava a casa novamente. O cheiro de mofo estava quase me sufocando enquanto passava pela sala. Um fino pedaço de plástico cobria os sofás e o telefone já não estava mais ligado na tomada. Na área de fora ainda se podia ver a antiga marca de sangue seco. Confesso que quando percebi aquilo senti um enjoo incontrolável e só quis sair o mais rápido de lá. Toda aquela sensação do dia... daquele dia veio a tona.
Enquanto passava pelo jardim completamente morto e coberto com pequenos flocos de gelo percebi que Ryan havia deixado o carro estacionado do outro lado da rua para poupar a picape preta modelo 2004 do meu pai de bater na alta calçada. Entrei no carro do lado do carona e deixei que o aquecedor fizesse seu trabalho. Estava realmente muito frio porém claro naquela manhã, e só de pensar que teria que voltar para a Califórnia no dia seguinte me dava um alivio.
- Candy? — eu estava tão distraída observando as casas da antiga vizinhança que quase não percebi que ele estava me chamando. Olhei quando percebi que ele estava me cutucando — você está meio distraída hoje não é?
— Desculpa Ryan.
— Tudo bem. — ele colocou as mãos sobre o volante e apertou fundo no acelerador — olha, eu estava pensando, hoje é nosso ultimo dia aqui em Londres. Será que podíamos fazer alguma coisa especial? Ir em algum pub para beber até cair bêbados ou simplesmente sair para jantar. Eu to começando a ficar entediado ficando apenas em casa.
— Não precisa ficar, vamos embora amanhã. — respondi olhando novamente para ele e arqueando uma das sobrancelhas.
— Candy...
— Okay. Vou pensar tudo bem?
— Tudo bem. Agora porque você quis voltar aqui nessa casa assustadora? Logo hoje?
— Ryan... promete não achar que eu estou ficando louca? — ele murmurou um "prometo" em resposta — eu sonhei com ela de novo. Pela décima quinta vez seguida.
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