Behind Blue Eyes
27 Dark days
Notas iniciais
Theodore havia apagado completamente em seu escritório. As noites mal dormidas já eram costumeiras em sua vida e a cada dia eram piores, mais longas e mais torturantes. Dessa maneira, ficava até tarde trabalhando em casos extensos, ou então simplesmente tentando se manter ocupado o suficiente para não pensar em Lisa, o que parecia ser mais difícil gradualmente também. Estar junto dela tornava, nas atuais circunstâncias, qualquer ambiente hostil e frio, aquele frio que ele temia. E isso tudo só resultava nas extensas reclamações de Victoria sobre sua ausência na cama, sobre sua falta de envolvimento nos preparativos do casamento, e especialmente sobre sua postura diante do papel de Elisabeth dentro da casa. Era uma verdadeira tortura. E agora algo novo parecia entrar para suas irritações diárias. Abriu os olhos com dificuldade depois do leve cochilo que conseguiu tirar apoiado sobre a mesa de vidro gelada e dura, ao ouvir o que parecia uma discussão. Franziu o cenho, arrumou a camisa e caminhou até a porta do escritório, abrindo-a, para ver Greg e Victoria aos berros numa discussão raivosa.
—Você não ouse falar assim comigo novamente! – Victoria protestou.
—Você não é minha mãe, eu já te disse isso, para de tentar me dar ordens. – Gregory retrucou em irritação.
—Queira você ou não, eu vou me casar com seu pai e você vai ter que seguir as minhas regras também! – Sorriu em deboche.
—Eu não sigo nem as regras dele, por que eu seguiria as suas? – Ele respondeu tão debochado quanto.
—Gregory! – Ela gritou irritada.
—Dá pra você me deixar em paz? – Ele disse no mesmo tom.
—Já chega! – Theodore disse prontamente assim que colocou os pés de fora de seu escritório. – O que acham que estão fazendo aos berros a essa hora da manhã? – Perguntou incomodado.
—Sua noiva acha que pode mandar em mim. – Gregory respondeu.
—Seu filho se acha adulto demais pra seguir regras. – Ela cruzou os braços.
—E você também deve se achar alguma coisa aqui dentro pra dar tantas regras! – Gregory rebateu fazendo-a bufar em irritação.
—Eu disse que já chega! – Theodore levantou a voz agora. –Qual o motivo disso tudo? – Questionou.
—Gregory quer sair no dia do ensaio do casamento. – Ela sorriu.
—Você não vai. – Theodore disse instantaneamente fazendo o garoto arregalar os olhos.
—O que? – Disse incrédulo. – Você não pode me obrigar a ficar aqui fingindo que somos uma família. – Colocou.
—Somos uma família, goste você ou não. – O pai disse antes de coçar os olhos na face devido a dor de cabeça que sentia.
—Por que acha que eu vou te obedecer? – Greg riu ironicamente.
—Porque eu sou seu pai e eu estou te dando uma ordem, Gregory. – Theodore falou firme.
—Eu não tenho um pai. – Ele disse dando as costas para os dois.
—Você vai deixar ele falar assim, Theodore? – Questionou Victoria enquanto o garoto se afastava. – Por isso esse garoto é desse jeito, você não dá limites e nunca deu limites! – Reclamou.
—Gregory! – Theodore ralhou, mas o mesmo o ignorou e saiu pela porta. Ele suspirou, passando a mão pelos fios de cabelo negros.
—Sua avó tem toda a razão, está mais que na hora de darmos limites para o Gregory, aliás para os três. – Bradou. – Eu estou cansada da falta de educação e do mimo dos seus filhos! – Completou.
—Qual a parte que você não entendeu quando eu disse que já chega? – Theodore levantou o tom de voz. Victoria apertou os olhos na face, incrédula com o modo como ele estava falando.
—Eu posso saber por que está falando assim comigo? – Ela se impôs.
—Eu não falaria assim se você parasse de tentar me ensinar como agir. – Theodore retrucou. – Não existe nada que eu odeie mais do que alguém tentando interferir no modo como eu cuido dos meus filhos. – Disse caminhando na direção de seu quarto.
—Eu vou ser sua mulher! – Victoria protestou. – Como posso ser sua mulher e não ter voz ativa aqui dentro? – Disse.
—Victoria, pelo amor de Deus eu já disse que eles estão com dificuldade para se adaptar! – Theodore rolou os olhos.
—Dificuldade que nunca tiveram com aquela babá! – Victoria falou seriamente, recebendo como resposta um riso irônico dele.
—Eu não acredito que vamos entrar nisso de novo. – Comentou.
—Encerraríamos esse assunto desconfortante se você a demitisse. – Ela cruzou os braços.
—Eu já disse e vou repetir: eu não vou demitir a Elisabeth. – Theodore falou irritado. – Meus filhos a amam e ela ama meus filhos. – Concluiu.
—Amor? – Victoria gargalhou. – Você é realmente tão ingênuo? – O fitou da cabeça aos pés. – São crianças, em alguns anos nem lembrarão quem ela é, e ela só ama o dinheiro que ganha pra ficar aqui! – Disse.
—Você não faz ideia do que está falando. – Theodore rebateu.
Se bem me lembro foi o amor que destruiu sua vida. – Ela sorriu maldosa.
—JÁ CHEGA! – Theodore disse com raiva. – EU ANDO ATURANDO TUDO O QUE VOCÊ RECLAMA E IMPÕE, MAS NÃO COLOCA A SUMMER NISSO. – Completou.
—Então seja homem de verdade e tome uma atitude antes que sua vida desabe por causa dessa babá. – Victoria vociferou. Sem dizer uma palavra, Theodore deu as costas para ela. – Onde pensa que vai? – Questionou.
—Vou ao trabalho. – Theodore falou raivoso.
—VOLTA JÁ AQUI! – Victoria levantou seu tom de voz.
—PARA DE GRITAR! – Theodore respondeu. – Você vai acabar acordando as crianças, pelo amor de Deus chega dessa briga sem sentido. Você quer o Greg no ensaio? Tudo bem, eu vou falar com ele e ele estará aqui, mas não adianta, eu não vou demitir a Elisabeth. – Completou fazendo-a bufar. Ela logo deu as costas para ele e bateu a porta do quarto do casal com força. Theodore revirou os olhos, buscando algum controle mediante a situação. Tentava dar o nó em sua gravata, mas verdade fosse dita ele simplesmente odiava fazer aquilo e talento algum tinha também. Por isso só usava gravatas com nós prontos, mas devido a afobação e correria com a briga com Victoria e Greg acabara pegando a peça errada. Entrar em seu dormitório para pegar a correta seria reiniciar sua discussão com Victoria que certamente não se negaria a fazê-lo. Tentou uma vez, duas, três e logo socou a parede com raiva devido a frustração misturada com todos os sentimentos que sentia agora. De repente então viu os olhos de Lisa o fitando com aquela intensidade de sempre. Ela parecia já estar ali a um tempo, encarando as tentativas inúteis dele, provavelmente se perguntando o que fazer. Ela engoliu a seco, e ele fez o mesmo. Seus olhos encararam o chão prontamente. Theodore suspirou. – Bom dia, Lisa. – Disse pronto para passar rente por ela, mas então sentiu-a segurar seu ombro. Ele fechou os olhos com aquele toque. Sem dizer uma palavra ele se virou pra ela, que também em silêncio e um tanto sem graça levou suas mãos até a gravata dele. Com um talento exímio ela deu o nó e fixou a gravata no pescoço dele. Theodore sentiu um arrepio tomar conta de seu corpo com aquele simples ato. Os olhos dela então voltaram a encará-lo e ele teve que, por sua vez, fechar os seus para não a tomar em seus braços. Sem dizer uma palavra ela lhe deu as costas. Ela não queria de maneira alguma se deixar envolver por Theodore, mas as vezes sentia tanta pena dele. As mil frustrações e mágoas que ele parecia carregar nas costas e lutar contra todos os dias a faziam querer ajudar ainda que com raiva, ainda que sabendo que não devia. Seu amor por ele sempre falava mais alto do que ela queria. – Obrigado... – Theodore sussurrou. Ela apenas sorriu carinhosamente e retornou ao seu quarto sem dizer palavra alguma. Theodore fechou os olhos, tentando se segurar para não ir atrás dela da maneira que seu corpo incendiava querendo. Coçou os olhos, correu escada abaixo. Victoria encarava a cena pela porta entreaberta de seu quarto. Bufou em ódio e logo a bateu.
***
Gregory estava sentado no gramado verde da escola. Não conseguia evitar que uma lágrima lhe escorresse agora, afinal, via cada vez mais sua vida desmoronar. Desde que perdeu Laura era difícil ter algo que o fazia se sentir estimulado. Vivia jogado pelos cantos, guardando suas dores pra si, liberando-as, vez ou outra, para Lisa, mas ainda assim não era o suficiente. Abaixou então o rosto e apertou os olhos na face. De longe, Laura passava pelo corredor com dois livros apoiados em seus braços. Ainda era cedo, o que lhe causou grande estranhamento ao ver Greg por ali. Estavam afastados, mas ela o conhecia bem o suficiente para saber que ele não estava nada bem, e isso simplesmente partia seu coração. Mordeu os lábios, ponderando o que deveria fazer, e depois de muito fazê-lo permitiu que seus pés se movessem até ele. Se abaixou ao seu lado, não sendo percebida.
—Greg... – Sussurrou fazendo-o rapidamente abrir os olhos e encará-la.
—Laura... – Ele sorriu frouxo fazendo-a corar.
—Eu vi você de longe.... Está tudo bem? – Perguntou.
—Não. – Greg disse seriamente. – Está tudo péssimo, pior do que nunca. – Sussurrou.
—Sei que estamos afastados, mas pode desabafar comigo se quiser. – Laura engoliu a seco.
—Meu pai vai se casar com a Victoria, e já não bastasse nosso relacionamento péssimo agora eu consigo ter algo pior ainda com ela. Ela não me desce, e meu pai fica lá fingindo que sente algo por ela. – Riu irônico. – Stormfields e suas farsas. – Torceu os lábios.
—Sei que não concorda com isso e que não se dá com ela, mas ele é seu pai, ama você e o mínimo que pode fazer em retorno é apoiar a decisão dele ainda que não concorde. – Disse.
—Ele não me ama, e não é meu pai. – Gregory retrucou secamente. – E mesmo que isso fosse verdade eu não estou pronto para ser mais um da corja disfarçando o óbvio, fingindo que está tudo bem, fingindo apoiar isso. – Vociferou.
—As pessoas fazem até coisas assim quando amam. – Laura comentou espertamente. – Tenho certeza de que seu pai ficaria muito melhor com seu apoio. – Sorriu.
—Ele não liga a mínima, só quer que eu me transforme nele e isso eu não vou. – Bradou prontamente. Laura suspirou.
—Sabe, Greg... – Laura falou carinhosamente fazendo-o encará-la. – Só vai ser realmente feliz e se livrar da sombra negra dos Stormfields quando você aprender a perdoar seu pai. – Falou. – Perdão liberta, e será preciso se quiser seguir sua vida, do caso o contrário esteja preparado pra se despedir de tudo o que ama, porque amor nenhum cresce em ninho de amargura. – Completou.
—Talvez você tenha razão. – Greg riu irônico. – Afinal, eu tive que me despedir de você. – Suspirou.
—Greg... – Ela tentou interrompê-lo, mas logo ele a cortou.
—Eu sinto sua falta. – Segurou suas mãos. –Todos os dias, o tempo inteiro. – Riu frouxo. – A minha vida sempre foi uma droga, mas perder você a tornou um verdadeiro caos, Laura. – Concluiu.
—Fizemos a coisa certa ao nos afastarmos... – Laura o fitou.
—Não! – Rebateu ele. – Eu nunca me afastei e nunca me afastaria de você. – Disse. – Por que eu me afastaria da única coisa na minha vida que ainda me trazia alguma felicidade? – Indagou.
—Eu errei vindo aqui. – Laura respondeu.
—Laura... – Agora ela quem o interrompia prontamente.
—Não, Greg. – Disse firmemente. – Sinto muito e espero que fique bem, mas continuo firme na minha decisão de ficar bem longe do seu mundo. – Falou cabisbaixa. – Sinto muito... – Sussurrou com a voz chorosa enquanto o observava fita-la com dor e amor ao mesmo tempo. Se permitiu caminhar em passos acelerados para se afastar o mais rápido possível dele, antes que não conseguisse mais se manter firme em sua palavra. Sem dizer coisa alguma ou tentar nada, a viu sumir na primeira curva possível, se permitindo choramingar devido a dor que sentia dentro de si, que sem dúvida acabava de piorar.
***
Greg caminhava um tanto perdido pelos corredores da Stormfield. Pedia a Deus que não encontrasse Theodore por ali, afinal, era óbvio que não procurava por ele, mas sim por seu tio. Precisava do conselho dele, afinal, Lisa tinha toda a razão em dizer que ele era o mais avulso das corrupções de caráter dos Stormfield. Quando de repente o avistou dentro de um terno assinando um papel na mão de uma senhora aparentemente simpática sorriu. Matt franziu o cenho assim que o avistou também.
—Você por aqui? – Matthew caminhou até ele.
—Você não combina nada com esse terno, e com essa empresa. – Gregory constatou.
—Nisso concordamos totalmente. – Ele riu. – Veio procurar seu pai? – Questionou.
—Não, na verdade eu vim falar com você, tio. – Greg sorriu.
—Por que não me esperou na minha sala? – Matt perguntou caminhando junto a ele na direção da mesma.
—Eu não lembrava onde era, eu não venho aqui há tanto tempo. – Disse encarando Geórgia de longe. – E me lembro exatamente o porquê. – Rolou os olhos. – Podemos falar? – Perguntou. Matthew assentiu abrindo a porta de sua sala antes que os dois fossem avistados pela avó. Assim que entrou trancou a mesma.
—O que posso fazer pelo meu sobrinho? – Matt brincou fazendo o garoto rir.
—Você conseguiu por tanto tempo não fazer parte desse nosso mundo, e mesmo trabalhando aqui você continua íntegro e verdadeiro, confiante em si e em suas convicções. Está prestes a casar com a mulher que ama. – Greg discursou fazendo Matt sorrir por ver a admiração na voz do garoto. – Eu quero ser como você, tio. – Suspirou.
—Você não precisa ser como eu, Greg. – Matthew se sentou ao lado dele.
—Eu preciso. – Greg retrucou. – Só assim a Laura vai aceitar estar comigo, se eu também achar um meio de não estar no meio de toda a sujeira da nossa família. – Completou.
—A Laura ama você, ela vai achar o seu caminho de volta pra você, cedo ou tarde. – Matt afirmou. – E se quer saber, você já não faz parte de toda essa sujeira, você nunca fez, você tem dentro de si mais da sua mãe do que acredita. – Matthew sorriu. – E eu sempre soube que você tinha puxado seu tio aqui. – Brincou fazendo o garoto rir.
—Você realmente acha que a Laura vai me perdoar? – Perguntou. – Já passou por isso com a Rose? – Questionou.
—A Rose também quer ficar longe disso, e me dá força pra seguir o que acredito, me dá liberdade de escolha, e eu sempre admirei isso nela, o fato de apesar dela detestar algumas coisas aqui dentro ela me permitir escolher e estar ao meu lado por isso. E eu percebi com o tempo que eu tinha que aprender a retribuir isso fazendo o mesmo. – Matthew discursou. – Tenho certeza de que a Laura é como a Rose, autentica e independente, transbordando em caráter e vida, disposta a te deixar ser quem você quiser ser e estar aonde você quiser estar. Agora é você quem precisa fazer isso por ela e lhe dar seu espaço. Se ela te ama de verdade vai saber a hora de voltar. – Explicou.
—Como posso ter tanta certeza de que ela vai encontrar a hora e resolver voltar? – Greg sussurrou tristonho.
—Porque com o tempo ela vai ver o mesmo que a Rose viu em mim: honestidade. – Tapeou o ombro do rapaz. – Você não tem nada a ver com isso aqui, e ela vai ver isso. – Disse.
—Achei que ela já sabia. – Greg rebateu. – Quer dizer, eu fiz tudo pra ela ver que eu não tenho nada a ver com isso aqui, com esse mundo! – Completou.
—Ela sabe. – Matt disse pontualmente. – Ela só tem medo de te arrancar daqui e um dia você sentir falta. Rose sentiu o mesmo medo diversas vezes até que eu a mostrei nas minhas atitudes que nada me importa mais do que ela. – Concluiu.
—Como eu vou mostrar isso pra ela? – Greg questionou.
—Primeiro respeitando o tempo dela e segundo buscando sempre fazer o que seu coração lhe mandar. Ainda que longe ela vai ver e vai saber que pode voltar. – Sorriu. Greg sorriu também e logo foi puxado pra um abraço carinhoso do tio.
—Obrigado, tio. – Disse sinceramente. – Queria que fosse meu pai. – Completou no mesmo momento em que Theodore quase abriu a porta pensando que o irmão estava sozinho. Ao ouvir aquilo Theodore sentiu todo seu corpo doer, como se uma faca tivesse entrado por seu peito lhe fazendo afogar em sangue, um sangue quente. Nunca pensou ouvir aquilo do filho, mas não o culpava por pensar assim.
—Greg, não diz isso. – Pediu Matthew. – Seu pai ama você. – Falou.
—Meu pai não ama ninguém. – Greg riu irônico. – Ele só destrói tudo o que toca. – Completou.
—Você precisa parar de culpa-lo. – Matthew rebateu firmemente.
—Como eu poderia? – Disse fazendo Theodore ainda do lado de fora apertar os olhos na face, lembrando de cenas que sempre tentou esquecer. – Eu vi. – Disse.
—O que você viu não era o que parecia. – Matt disse. – Eu conheci seu pai muito antes disso tudo, eu sei quem ele é, sei que ele ainda está ali, e se ele não está ali agora é porque ele mesmo e você o culpam dia e noite por algo que ele não fez. – Falou. – E se quer saber, você tem muito mais dele do que gosta de acreditar, porque você é, apesar de mais rebelde, o que ele era na sua idade. Motivado, sonhador, apaixonado, crente de que poderia fazer coisas melhores, desprendido de tudo isso aqui. – Ia falando, mas logo a voz de Greg o cortou.
—Não me compara com ele. – Disse grosseiro. – Eu não tenho nada do Theodore, porque o Theodore que eu conheço acabou com a vida da minha mãe, a única pessoa que realmente tinha essas qualidades. – Retrucou. Theodore choramingou deixando um suspiro escapar por seus lábios. Sem dizer nada ele apenas saiu dali, pois não conseguia mais ouvir nada sem desejar morrer. Aliás, tantas e tantas vezes pediu pra que pudesse ter ido no lugar dela. Summer sim estaria fazendo algo bom se ainda estivesse no mundo, coisa que Theodore nunca fora capaz. – Eu agradeço pelos conselhos, mas preciso ir. – Resmungou.
—Tudo bem. Matthew respondeu. Sem dizer mais nada Gregory caminhou às pressas para fora da sala. Matt suspirou.
***
Victoria caminhava firmemente em cima de seus saltos que causavam um barulho quase ensurdecedor devido os passos fortes sobre o piso bem polido. Estava com raiva, na verdade borbulhava em tanto ódio. Elisabeth era um problema que precisava ser eliminado e daria um jeito nisso, o mais rápido possível antes que sua impaciência a obrigasse a tomar medidas extremas. Ignorando a secretária ela escancarou as portas do escritório de Logan que se assustou com o barulho e logo se levantou com o cenho franzido devido a maneira como ela adentrou o local, sem entender os motivos daquilo.
—Senhor Donovan, eu tentei impedir, mas ela simplesmente foi entrando... – A secretária explicou amedrontada.
—Tudo bem, senhora Holly, pode me deixar a sós com a senhorita Trumbell. – Disse enquanto encarava Victoria bufando com as mãos em sua cintura fina. – O que foi isso? – Questionou assim que viu a porta fechar atrás dela.
—Você não deve estar me levando a sério, não é querido? – Victoria indagou fazendo-o rir frouxo.
—Do que está falando? – Perguntou.
—Theodore e Elisabeth. – Disse debochadamente. – Achei que falando abertamente você teria agido como homem e dado um jeito de deixa-la longe dele. – Bradou.
—Achei que você havia me garantido que seu noivo está domado. – Logan retrucou. – Não foi você quem disse que tinha garantias das quais eu não podia desfrutar? – Ironizou.
—Temos que fazer algo. – Victoria disse prontamente.
—Não estou preocupado. – Logan disse.
—É mesmo? – Ela riu.
—Lisa me garantiu ontem que não tenho com o que me preocupar. – Discursou. – Ela disse que me amava. – Sorriu. Victoria por sua vez gargalhou.
—Você é mesmo um garotinho, não é, Logan? – Indagou. – Ela mentiu pra você. – Falou.
—Eu confio na Elisabeth. – Logan disse incomodado.
—Ah, é mesmo? Então me diga porque hoje de manhã ela estava simplesmente se oferecendo pra da maneira mais intensa do mundo dar o nó da gravata do Theodore logo depois de eu e ele brigarmos? – Disse. Logan engoliu a seco. – Abra seus olhos, só não enxerga quem não quer, esses dois precisam se afastar, caso o contrário eu e você seremos jogados pra escanteio. – Disse.
—Eu vou matar o Stormfield. – Logan bufou em raiva.
—Sua Lisa não é nenhuma santa! – Victoria disse. – E é melhor perceber isso antes que seja tarde. – Completou.
—Eu continuo confiando nela, Victoria. – Logan retrucou. – Já no Theodore eu não confio nada, então eu é que sugiro que arranje uma maneira de amarrar seu noivo pra que ele pare de ir atrás da minha namorada, ou você não sabe que ele foi deixa-la em casa depois do jantar na casa do Matthew? E que quando eu abri a porta ele estava acariciando o rosto dela tentando pedir desculpas, tentando fazê-la se sentir frágil nas mãos dele? – Aquelas palavras por ele discursadas fizeram Victoria arder em ódio. – Pelo visto eu não sou o único desinformado. – Disse.
—Eu vou fazer o que tiver que fazer pra ter o Theodore só pra mim. – Victoria rosnou. – Se não quiser que a sua querida Lisa se machuque é melhor tirá-la do meu caminho e de perto do Theodore. – Deu as costas pra ele. Logan apenas caminhou atrás dela.
—Desmarque todas as audiências. – Disse pra secretária.
—Mas, senhor Donovan... – Ela tentou falar.
—Desmarque todas agora, senhora Holly, eu tenho algo a resolver. – Falou caminhando as pressas.
***
Theodore estava em sua sala com as mãos apoiando o rosto abatido. As palavras que ouviu de Greg ainda que sem querer doíam, queimavam sua alma. Se sentia mais amargurado que nunca, e a culpa que sempre fora sua companheira fiel, agora o torturava mais do que nunca. Mal sabia ele que a tendência das coisas eram apenas piorar.
—Stormfield! – Logan adentrou a sala empurrando as portas da sala dele com toda a força que tinha fazendo-o arregalar os olhos devido ao ato inesperado.
—O que pensa que está fazendo? – Disse Theodore se colocando de pé irritado. Hillary arregalou os olhos por ver que aquilo se deu na sua ausência. – Senhorita Clinton, depois conversamos. – Theodore disse irritado.
—Você parece não estar me levando a sério. – Logan disse entre os dentes.
—E você parece ter perdido o bom senso. – Theodore rosnou de volta. – Eu juro que se entrar na minha empresa e na minha sala assim de novo eu acabo com a sua raça, Donovan. – Disse firmemente.
—Eu quero você longe dela. – Disse Logan sem parecer nem um pouco amedrontado.
—Que tal confiar um pouco mais no seu taco, meu amigo? – Theodore zombou ainda sério.
—Não brinca comigo, Stormfield. – Logan disse. – Eu juro que numa próxima vez eu não vou hesitar em quebrar esses seus dentes. – Completou.
—Sai da minha sala. – Theodore disse raivoso.
—Fica longe da Lisa. – Logan retrucou começando a caminhar para fora do local. Theodore logo socou a mesa, se tinha alguma duvida da capacidade que o dia tinha de piorar agora já não duvidava mais.
***
Elisabeth penteava o cabelo de Annabeth enquanto Joshua corria pela sala, brincando de pirata, como de costume. Assim que suspendeu o cabelo da menina avistou um pequeno arranhão em suas costas que a fez suspirar. Mas antes que pudesse dizer coisa alguma Victoria iniciou um estardalhaço atrás dela que a fez pular devido ao susto.
—AI MEU DEUS, O QUE É ISSO? – Bradou em alta voz. – Que arranhão é esse? – Questionou encarando Elisabeth.
—Eu não sei. – Respondeu Lisa confusa. – Eu ia perguntar a mesma coisa. – Falou.
—Eu cocei e me arranhei. – Annabeth disse assustada.
—Então sua babá precisa começar a cortar melhor suas unhas, meu amor. – Victoria zombou enquanto deixava seus lábios marcarem de batom a bochecha da menina que sorriu torto.
—As unhas dela estão bem cortadas. – Rebateu Lisa.
—Ah querida tudo bem, não precisa se sentir mal por isso, você é apenas uma babá. – Riu.
—O que quer dizer com isso? – Elisabeth franziu o cenho.
—Crianças, por que não sobem? – Disse Victoria, os dois apenas encararam Lisa que assentiu, e em seguida correram escadaria acima. – Querida, não precisa ficar com raiva, eu só quero dizer que entendo mais das coisas em geral, sabe, sou uma mulher estudada, vivida, uma advogada de sucesso e você é apenas uma menina que trabalha como babá. – Comentou. Lisa soltou uma risada irônica ao ouvir aquilo.
—Acha mesmo que vai me diminuir assim e eu vou ficar calada? – Elisabeth indagou.
—Ah, então a passarinha tem língua e sabe falar. – Victoria se levantou rapidamente. – Não era o que parecia enquanto ficava ciscando por aí atrás do meu marido. – Comentou.
—Eu não faço a menor ideia do que você está falando. – Elisabeth retrucou raivosa. – Mas se é tão superior por que não para de me atacar escondida atrás dos seus elogios falsos e diz na minha cara o que pensa? – Indagou Lisa também de pé agora.
—O que eu penso é que você não passa de uma vadiazinha achando que tem capacidade de conquistar um homem poderoso como o Theodore, quando na verdade você é menos do que nada! – Victoria disse raivosa.
—Você é mesmo muito arrogante. – Lisa riu irônica. – Você não me engana, Victoria, eu sei muito bem que você não passa de uma oportunista. – Retrucou.
—Uma oportunista que pode acabar com você a hora que quiser. – Disse a mulher.
—Então o que está esperando? – Elisabeth inflou o peito. – Acho que esse é justamente o seu problema, você não consegue acabar comigo. – Disse fazendo-a gargalhar.
—Acha mesmo que tem algum poder maior que o meu? – Victoria riu. – Deixa eu te dizer uma coisa... – Se aproximou dela. – Enquanto você fica aí sonhando acordada com seu conto de fadas, eu é quem durmo com o Theodore toda noite, e se quer saber, até com seu namoradinho eu já dormi. – Riu. Elisabeth se sentiu arder em raiva ao ouvir aquilo. Não podia acreditar que Logan havia escondido isso dela, mas isso não a incomodava mais do que imaginar Theodore ao lado dela.
—O Logan pode até ter dormido com você, mas ele me ama, e nunca sentiu nada por você e eu duvido que o Theodore também sinta, afinal, alguém consegue sentir algo por alguém como você? – Indagou.
—Olha só, com quem você pensa que está falando? – Victoria levantou a voz, nesse mesmo momento as duas começaram a discutir em alto e bom tom, ignorando as palavras uma da outra, atropelando as palavras da outra e tornando aquilo uma verdadeira baderna. Theodore chegou nesse mesmo minuto arregalando aos olhos por avistar as duas prestes a perderem o controle.
—O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – Indagou irritado fazendo-as se calar.
—Sua querida funcionária acha que não me deve algum respeito. – Victoria bradou.
—Ela tentou me diminuir! – Lisa disse em sua defesa.
—EU NÃO QUERO SABER.- Bradou fazendo as suas se calarem novamente e Lisa particularmente estranhar o fato de ele nem ao menos ter se incomodado com o fato de Victoria tê-la tratado com tamanha ignorância e desrespeito, sem falar sobre o preconceito. – SERÁ POSSÍVEL QUE DENTRO DESSA CASA TUDO SÃO DISCUSSÕES AGORA? HORA COM O GREG, HORA VOCÊS DUAS, SERÁ QUE NÃO CONSEGUEM PARAR? — Questionou.
—Theodore... – Victoria tentou falar, mas ele logo a interrompeu.
—Eu não quero saber. – Disse friamente. Victoria irritada apenas bufou e subiu as escadarias as pressas. Lisa suspirou, vendo-o encarar o chão enquanto suas mãos massageavam o alto da testa que provavelmente doía mais do que o normal.
—Theo... – Ela tentou falar, mas ele logo a interrompeu também.
—Vai pra casa, Elisabeth. – Disse.
—O que? – Ela franziu o cenho.
—Está dispensada por hoje, entendeu ou prefere que eu desenhe? – Ele falou em seu tom mais raivoso. Ela engoliu a seco.
—Quer saber... – Lisa o encarou. – Vocês dois se merecem. – Completou agora caminhando em direção a porta e a batendo atrás de si com toda a força que tinha. Ele fechou os olhos, afrouxou a gravata e logo se permitiu a chorar novamente, da maneira mais contida que conseguia. Estava completamente derrotado.
***
Christina e Jonathan estavam aos berros, como de costume, já não era novidade alguma pra nenhum dos muitos empregados que lotavam a casa. Mas hoje, Christina podia dizer que se sentia mais derrotada em que todas as outras vezes. Estava exausta. Não conseguia mais reconhecer o homem pelo qual um dia se apaixonou nas atitudes grosseiras de Jonathan.
—Eu não aguento mais. – Christina disse fazendo-o encará-la.
—Do que está falando? – Jonathan riu irônico.
—Eu não aguento mais viver assim. – Ela rebateu. – Cada dia uma dor nova, eu não mereço isso. – Discursou.
—Eu é que não aguento mais você. – Jonathan disse grosseiramente.
—Pode ir. – Ela disse vendo-o caminhar para fora do quarto. – Suas ninfetas estão te esperando como acontece todas as noites. – Ela riu frouxo.
—Pode zombar o quanto quiser, mas elas me dão o que há anos você não dá. – Respondeu ele fazendo-a tacar um vaso em direção a ele que por pouco não o acertou. – Sua maluca! – Ele gritou.
—SOME DAQUI! – Christina disse já aos prantos. Sem dizer mais nada Jonathan deu as costas e saiu dali deixando-a jogada sobre o chão gritando de tanta dor. Não uma dor física, mas uma dor interna torturante que a consumia. Não aguentava mais senti-la, como um fardo sobre seus ombros.
***
Logan estava apenas de toalha. Acabara de sair do banho, mas se assustou ao ver Elisabeth sentada sobre seu sofá. Ela normalmente não aparecia sem avisar antes, e não que isso fosse um problema, mas era minimamente estranho, e agora preocupante, acrescentou ele ao constatar o cenho franzido dela e o semblante irritado.
—Lisa? – Ele disse confuso.
—Você já transou com a Victoria? – Elisabeth foi direto ao ponto fazendo-o ficar surpreso. – Não minta pra mim. – Pediu. Ele suspirou, ficando em silêncio. Seus olhos apenas a fitaram depois de alguns segundos.
—Lisa... – Ele tentou falar, mas ela logo o cortou.
—Ai meu Deus, eu não acredito nisso! – Ela passou as mãos sobre o rosto.
—Meu amor, fazem anos! – Ele justificou.
—Eu não acredito que não pensou em me contar isso! – Lisa disse grosseiramente.
—Não achei que tivesse importância, foi apenas uma noite vazia de sexo, uma única vez, depois quando eu fui saber dela de novo ela já estava com o Theodore, o que sequer me importou porque ela foi só mais uma e não significou nada. – Explicou.
—Como pôde me deixar olhar pra ela com aquela arrogância toda, rindo de mim por já ter dormido com o meu namorado enquanto eu era apenas uma burra que não sabia de nada? – Indagou.
—Lisa, meu amor, eu sei que eu devia ter contado, mas eu não entendo porque você está com tanta raiva de algo que aconteceu há uns cinco ou seis anos atrás, quando eu nem sonhava em conhecer você ainda! – Logan disse assustado. – Me perdoa, tudo bem? Eu nunca imaginei que... – Ela o interrompeu novamente.
—Que eu descobriria. – Lisa completou sua frase.
—Não era o que eu ia dizer. – Logan se justificou.
—Ela esfregou isso na minha cara hoje! – Lisa choramingou. – Sabe como eu odeio ela? Sabe como eu odeio pensar que alguém tão maravilhoso como você consegue tocar naquela mulher nojenta? – Discursou.
—Você tem toda a razão, ela é asquerosa, eu errei em me envolver com ela, mas foi menos do que nada, a Victoria não significa absolutamente nada pra mim, nunca antes e muito menos agora, porque você é o amor da minha vida. – Logan se aproximou dela. – Me perdoa se ela usou isso pra atingir você e me desculpa mais ainda por não ter te contado, eu errei. – Ele segurou seu rosto. – Mas eu juro pra você que eu sequer me lembro daquela noite, eu juro que ela não é nada, juro que pode confiar em mim. – Sorriu carinhosamente. Lisa engoliu a seco. No fundo sabia que sua raiva não era dele, afinal, nunca fora irracional ao ponto de brigar com alguém por algo que aconteceu há tantos anos, quando os dois nem ao menos sonhavam em se conhecer. Sua raiva real era imaginar Theodore ao lado dela, tocando-a, desejando-a, falando ao seu ouvido sobre amor. Descontar em Logan seus ciúmes era a pior coisa que ela podia fazer a agora, totalmente arrependida, se detestava por isso.
—Me perdoa! – Ela o abraçou fortemente.
—Eu não tenho o que perdoar. – Logan acariciou seus cabelos.
—Eu exagerei tanto. – Ela segurou o rosto dele e depositou um beijo em seus lábios.
—Não precisa se preocupar. – Ele riu. – Eu vou colocar uma roupa, e nós dois vamos ver um filme que não seja Bambi, tudo bem? – Disse. Ela riu.
—Tudo bem, mas eu quero pipoca. – Lisa riu.
—Faz pra gente? – Ele questionou enquanto caminhava em direção ao quarto. Ela assentiu e caminhou até a cozinha, talvez uma noite romântica e divertida ao lado de Logan fosse tudo o que precisava pra fazer seu coração finalmente aceitar que ele é quem devia ser o dono de seu coração, de seus ciúmes, de suas motivações. Se esforçaria mais do que nunca pra se apaixonar por ele, e ia conseguir. Ele retornou a sala e se jogou sobre o sofá ligando toda a aparelhagem e colocando o filme pra rodar. Ela com o pote já lotado de pipoca se sentou ao lado dele, deixando seu corpo se deitar sobre o dele, deixando sua cabeça sobre seu peitoral. Os dois logo deram um beijo caloroso e voltaram a ver o filme trocando carinhos e risadas.
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