Behind Blue Eyes
22 Action and reaction
Notas iniciais
Nicholas e Jennifer estavam em sua mesa no belo restaurante no Palace. A bebida a todo momento era reposta em suas taças, e a comida lotava a mesa, mas os dois pareciam mais empolgados com a conversa que estavam tendo, ocupados demais com suas respectivas gargalhadas. Ele não podia negar que Jennifer era encantadora. Diferentemente das mulheres com as quais ele costuma sair, ela era inteligente, sarcástica, eclética, sabia falar desde política até esportes, de aquecimento global até programas de televisão. E aquele sorriso. Ele simplesmente não conseguia parar de querer vê-la sorrir porque certamente aquela risada leve, solta, despreocupada enchia aquele lugar de vida.
—Phillips, eu odeio você! – Ela disse rindo. – Como pode olhar nos meus olhos e dizer que prefere o homem de ferro? – Disse numa careta.
—Hunan, o pecado aqui é você ser do time do capitão américa, isso prova porque vivemos em meio a tapas. – Falou zombeteiro.
—Ele tem princípios. – Retrucou Jennifer.
—Ele tem músculos. – Rolou os olhos. – Ao menos me diga que torce pro Batman. – Suspirou fazendo-a expressar uma careta enojada. – Ah, Hunan eu odeio você de verdade! – Completou fazendo-a gargalhar. – Vai ter que me recompensar por seu péssimo gosto dançando comigo. – Nicholas se colocou de pé e estendeu a mão para ela que o encarou fielmente.
—Não me diga que é um amante da dança. – Disse ela espertamente.
—Não, eu sou mais pra um amante na cama, mas eu danço um pouco. – Riu frouxo, fazendo-a rir também. Phillips e seu ego costumeiramente grande.
—Tudo bem, uma dança. – Ela segurou fielmente em sua mão e caminhou com ele até uma pista que havia no restaurante. Jennifer envolveu seus braços em torno do pescoço de Nicholas que delicadamente pousou suas mãos sobre a cintura dela.
—Viu, um encontro comigo não é tão insuportável como você achava. – Se gabou.
—Tem razão, Phillips, você até é tolerável, principalmente quando tá de boca fechada. – Zombou Jennifer fazendo-o rir. Ele encarou fielmente seus olhos castanhos.
—Apenas me diga que vai aceitar repetir a dose... – Falou quase num sussurro.
—Achei que você não saia com a mesma mulher mais de uma noite. – Jennifer torceu os lábios. – Ah não ser que esteja realmente achando que vai me levar pra cama ainda hoje. – Completou.
—Hoje, Hunan? Deixe de ser assanhada, está tarde demais pra sexo. – Nicholas falou fazendo-a gargalhar. – Olha tem razão, eu não saio com a mesma mulher mais de uma vez, mas dessa vez é diferente. – Disse.
—É mesmo? – Ela arqueou as sobrancelhas. – E posso saber por que a mudança? – Questionou curiosa. Odiava admitir, mas Nicholas era extremamente charmoso, e tê-lo ali tão perto era minimamente desconcertante, o que a fazia perdoar um pouco as mulheres que costumavam se jogar em cima dele. Ele vagarosamente se aproximou dela, encarando cada detalhe de seu rosto fino. A respiração de Jennifer estava mais ofegante do que ela queria demonstrar, mas era algo que fugia do seu controle conforme Nicholas se aproximava, mas para sua surpresa ele desviou seus lábios até a ponta do seu ouvido.
—Porque eu sei que tá apaixonada por mim, Hunan... – Falou.
—Fala sério, Phillips. – Ela disse se recompondo. – Apaixonada por você? – Riu irônica. – Seria seu sonho, não é mesmo? – Se afastou dele.
—Com toda a certeza. – Nicholas riu.
—É você quem a cada dia se mostra mais e mais apaixonado por mim, você se tornou obsessivo, vive me perseguindo! – Constatou.
—Isso se chama diversão em alimentar meu ego. – Falou. – Sabe que eu não sou do tipo que se apaixona, Hunan. – Sorriu espertamente.
—E você acha que eu sou? – Jennifer gargalhou.
—Eu acho de verdade que você tá completamente caída na minha. – Se vangloriou fazendo-a rolar os olhos.
—Precisa de mais que um rosto bonito e uma conversa vazia pra me conquistar, Phillips, e convenhamos que sua mente não passa de um grande vazio onde o único eco que se escuta é o da orgia. – Ela falou espertamente fazendo-o gargalhar.
—Seu sarcasmo é simplesmente encantador, Hunan. – Zombou. – Bom, se está tão certa de que não está apaixonada por mim então eu posso beijar qualquer garota daqui que você não vai se importar, correto? – Falou.
—Exato. – Respondeu ela prontamente.
—Tudo bem, então que tal eu ir ali dar em cima daquela loira? – Sugeriu.
—Fala sério, Phillips, ela tem cara de atriz pornô, não se negaria a cair nos seus braços fortes. – Constatou.
—Então acha meus braços fortes? – Ele falou maroto fazendo-a rir. – Tudo bem, e aquela dali? – Apontou para uma mulher de longos cabelos negros, sentada no bar.
—Ela está tão bêbada que não conseguiria distinguir você de um guaxinim. – Jennifer riu.
—Hunan, você não acha nenhuma mulher boa o suficiente pro nosso jogo? Ou está simplesmente hesitante e enciumada por pensar em me ver com qualquer uma delas? – Fez uma careta que a fez rolar os olhos.
—Que tal fazermos o seguinte, Phillips: Eu beijo você. – Disse.
—Eu sabia que queria, só não achei que fosse admitir com tanta facilidade. – Se gabou Nicholas.
—Não, eu beijo você e provo que isso não vai causar o menor impacto em mim, e consequentemente provo que eu estou certa e você é quem está totalmente caído aos meus pés. – Ela agora quem se gabou fazendo-o rir.
—Fechado. – Falou Nicholas apertando-a contra seu corpo com propriedade.
—Não, não, Phillips... – Ela se afastou. – Eu disse que eu te beijaria, e não o contrário. – Sorriu maldosa.
—Eu não posso negar que gosto da mulher no controle. – Ele falou da maneira mais canalha que conseguia fazendo-a suspirar. Os dois caminharam até um canto vazio do restaurante, parando frente a frente um do outro. Jennifer deixou suas mãos correrem até o rosto de Nicholas e acariciarem sua barba por fazer para depois descerem com delicadeza até seu peitoral e puxá-lo pela gravata trazendo-o pra perto de si. Ele a encarava fielmente e não podia negar que até então aquele simples ato o fazia querer agarrá-la com força. Ele segurou em sua cintura e encarou seus olhos que estavam vidrados nos dele lhe fazendo entrar em um tipo de transe que nunca havia experimentado. O rosto dela ia se aproximando vagarosamente, fazendo-o sentir um nó na garganta em ansiedade. Jennifer sorriu maldosa fazendo-o sorrir no mesmo tom, e deixou seu nariz encostar no dele. Nicholas fechou os olhos e pôde sentir um pequeno pedaço da pele fina dos lábios dela tocarem os seus, fazendo-o num impulso se aproximar com mais força, mas ela o parou e correu até seu ouvido.
—Nem nos seus sonhos, Phillips. – Disse fazendo-o abrir os olhos. Ele estava ofegante e mais ainda vendo que caiu na armação dela que sorria maldosa.
—Touché, Hunan. – Disse antes de rir.
—Achou mesmo que eu te beijaria? – Ela brincou fazendo-o suspirar e forçar um sorriso falso.
—Claro que não... – Mentiu descaradamente e da melhor forma que podia. Não admitiria de forma alguma que ela havia conseguido entorpecê-lo com tanta facilidade e habilidade. Nem ao menos entendia como algo tão pequeno havia conseguido tirá-lo do rumo e se sentir tão extasiado. Mas não podia negar pra si mesmo que o fato de não ter recebido aquele beijo o fazia sentir mal de uma maneira torturante e confusa, mas fingiu, pra ela e pra si mesmo.
—Me leva pra casa. – Ela disse ainda sorridente. Sem dizer uma só palavra Nicholas assentiu e a seguiu.
***
No dia seguinte, Elisabeth levantou mais cedo que devia, o que já havia se tornado um costume em sua vida, mas diferentemente essa manhã resolvera preparar um café da manhã reforçado. Correu então até a cozinha, lá preparou ovos e panquecas, assim como um chá de camomila bem quente. Se sentou sobre a mesa para logo avistar uma Jennifer sair de seu quarto já arrumada.
—Bom dia. – Jennifer sorriu pra amiga.
—Já de pé? – Elisabeth questionou encarando o relógio.
—Pois é, eu tenho uma palestra hoje antes da aula, mas eu que deveria perguntar o que faz acordada tão cedo. – Franziu o cenho.
—Ando perdendo o sono, já se tornou algo normal. – Elisabeth fez uma careta.
—E isso não tem nada a ver com seu encontro de ontem? – Perguntou. – Eu sei que me deixou várias mensagens de voz contando como foi, mas eu ainda espero que mais tarde a gente sente e fale sobre isso, por favor. – Jennifer riu roubando uma panqueca pra si.
—Eu te contei tudo por mensagem de voz porque não tive escolha. – Lisa falou numa voz marota. – Afinal, chegou bem mais tarde do que eu, o que significa que o encontro com o Nick não deve ter sido tão ruim... – Completou encarando a amiga que rolou os olhos.
—Cantadas baratas, comida boa, joguinhos sexuais do Phillips, nada fora do comum, mas tenho que admitir que comi a melhor lagosta da minha vida. – Jennifer disse secamente fazendo Elisabeth encará-la com desdém e desconfiança.
—Fala sério, Jenny, é só isso? – Questionou. – Acha mesmo que vou acreditar que ficou até tão tarde na rua com ele se fosse apenas isso? – Riu ironicamente.
—E o que você acha que aconteceu, Lisa? – Perguntou Jennifer. – Acha que eu transei com o Phillips? – Fez uma cara de nojo, mas sabia que esta era totalmente forçada, afinal, não podia negar que ele era tentador, ainda assim um galinha que nunca mereceria tal feito.
—Não, mas acho que pode estar começando a nutrir sentimentos por ele... – Elisabeth cantarolou antes de dar uma longa golada em seu chá.
—Ah não, Lisa! – Protestou a amiga. – Não me diga que está delirando logo de manhã cedo. – Pediu. – Eu simplesmente odeio o Phillips. – Concluiu.
—Já ouvi que o verdadeiro amor nasce do verdadeiro ódio. – Lisa disse espertamente.
—Eu daria algum crédito se você fosse psicóloga, mas como não é o caso eu prefiro manter a minha racionalidade intacta, me levantar e ir para a minha palestra sobre marketing e publicidade. – Sorriu.
—Tudo bem então. – Elisabeth riu frouxo da negação da amiga.
—Não ria assim, acha que é negação plausível, mas não é, e pelo amor de Deus para de tentar usar o que sabe de psicologia em mim, eu não sou apaixonada pelo Phillips e nem nunca vou ser. – Disse colocando a jaqueta sobre as costas. – Você devia estar mais interessada no seu novo bonitão que a propósito ligou mais cedo e deixou uma mensagem extremamente fofa na secretária. – Sorriu.
—Esqueci de avisar a ele que moro com uma louca com toc extremo de apertar todo botão que tem uma luz piscando ao lado. – Lisa debochou. – O que ele disse? – Perguntou.
—Tudo anotado. – Jennifer respondeu logo. – Agora eu vou indo. Nos vemos mais tarde? – Perguntou.
—Durmo nos Stormfield hoje. – Disse Lisa.
—De novo... – Jennifer falou antes de rir. – Até amanhã, amo você. – Completou.
—Também te amo. – Lisa respondeu recebendo um abraço caloroso da amiga que logo em seguida correu para fora do apartamento. Se levantou então e caminhou lentamente até a mesa do telefone para avistar um papel com a tal anotação citada por Jennifer. Leu "Lisa, bom dia... Sei que é um pouco cedo demais pra ligar e por isso evitei ligar ou mandar mensagem pro seu celular com medo de te acordar. Só queria saber como foi a sua noite e dizer que espero mesmo que possamos nos ver hoje. Não paro de pensar naquele beijo. " Ela teve que gargalhar ao ver a quantidade de linhas debaixo da palavra "beijo" provavelmente uma maneira de Jennifer vibrar por aquilo sem de fato chegar a dizer. Suspirou. Também não parou de pensar naquele beijo, mas os seus pensamentos o tempo todo foram confusos. Lembrava o sabor doce dele, mas logo o olhar amargo de Theodore encarando-a ali surgia também, fazendo-a sentir calafrios, talvez por isso mais uma vez a insônia lhe pregou uma peça. Queria sentir coisas por Logan que homem nenhum conseguiria despertar, mas no momento Theodore era esse homem, incomparável, e ela se detestava por isso, afinal, nunca ao menos tinha sentido o que era o real toque de Theodore, apenas a tenção de momentos perto demais, olhares intensos demais, sonhos reais demais. Precisava reagir. Precisava manter-se distante de Theodore e cada dia mais próxima de Logan e seu carinho inegável, e no fundo sabia que isso não seria a parte difícil, pois suas mágoas pela notícia do noivado de Theo ainda estavam ali, e toda vez que olhava pra ele era como se a sombra de Victoria o acompanhasse lhe perturbando ainda mais, algo que sem grandes dificuldades a fazia querer ficar longe dele. Já Logan tinha o dom natural de fazê-la sorrir, e ela admirava isso, e se achava no direito de ter alguém assim pra si. Nesse pensamento, pegou o telefone e discou o número dele.
—Lisa... – Logan atendeu carinhosamente. – Ainda bem que ligou. – Completou.
—Peguei seu recado só agora. – Ela respondeu sorrindo também. – Sabe eu também quero te ver hoje, e bom, pensei que poderíamos almoçar depois que eu deixar as crianças nas aulas da tarde. — Disse.
—Eu acho ótimo. – Logan respondeu. – Onde posso te buscar? – Questionou.
—Na verdade que tal me encontrar em frente ao parque e vamos andando? – Sugeriu ela. – É minha vez de te surpreender. – Brincou.
—Eu vou amar ser surpreendido por você... – Logan sussurrou. – Agora tenho que desligar, tenho uma reunião com um possível sócio. – Disse.
—Alguém grande eu suponho. – Lisa disse inocentemente.
—Gigante. – Respondeu ele. — Até mais tarde. Beijos. – Se despediu desligando em seguir. Neste mesmo momento Theodore adentrou a sala que na realidade era a sua, onde Logan estava acampado a sua espera.
—Ainda com a ideia fixa de sociedade, Donovan? – Theodore disse mais grosseiro do que nunca. Só ele sabia o quanto a presença de Logan se tornou ainda mais insuportável pra ele depois do beijo que ele presenciou entre ele e Lisa.
—Já disse que é vantagem pra nós dois, Stormfield. – Disse. – Devia deixar de ser cabeça dura de vez em quando. – Completou.
—O que está insinuando? – Theodore perguntou irritadiço.
—Que vai acabar perdendo tudo por não saber se posicionar em campo. – Logan falou ironicamente fazendo Theodore bufar por 'pensar que ele podia estar de fato se referindo a Elisabeth.
—Você disse que reuniria os acionistas para uma reunião e nunca mais tocou no assunto, por que então eu devo levar a sério suas propostas? – Questionou Theodore num sorriso falso.
—Eu tive que viajar a negócios. – Logan explicou-se. – Mas garanto que amanhã mesmo meus acionistas podem estar aqui pra uma reunião. – Falou. Theodore suspirou. Se dependesse apenas de sua vontade ignoraria completamente esse pedido, mas Geórgia e Jonathan haviam achado essa ideia de fusão interessante e como acionistas majoritários suas opiniões muito contavam e deviam ser levadas em conta.
—Tudo bem. – Respondeu seco. – Amanhã temos uma reunião então. – Completou.
—Maravilhoso. – Logan colocou as mãos no bolso e começou a caminhar em direção a saída, deixando Theodore concentrado em papéis sobre sua mesa. – Sabe, Theodore... – Chamou sua atenção novamente. – Não se preocupe com nada. Se surpreenderia com minha capacidade de ser melhor pra isso do que você. – Sorriu maldoso. Se antes tinha alguma dúvida, Theodore agora tinha perdido todas. Logan estava simplesmente esfregando a vitória de ter Elisabeth em sua cara sem a menor vergonha. Queria poder soca-lo agora, sem perdão algum. Mas apenas fechou os olhos e respirou fundo ouvindo uma risada irônica do mesmo que logo fechou a porta deixando-o sozinho. Theodore socou a mesa e dela derrubou tudo o que podia num só golpe.
***
Christina chorava. Incessantemente. Sentia a dor de mais uma discussão com Jonathan que acabara mais uma vez no mesmo impasse: Um tapa. Forte demais, bruto demais, de um marido bêbado demais. Não aguentava mais viver daquela maneira, e ainda assim algo dentro de si a forçava a não o abandonar de uma vez. Não podendo mais usar a desculpa de que os filhos a prendiam a seu casamento ela então acreditava piamente que aquilo era uma fase ruim, afinal, quando o conheceu, Jonathan era um homem apaixonante e carinhoso, que nunca havia sequer tentado machucá-la fisicamente e verbalmente, mas as coisas haviam mudado. Secou as lágrimas. Se levantou da cama depois de horas ali na mesma posição amedrontada. Uma maquiagem cobriu o rosto no local do tapa. Sorriu forçada, dolorida, sofrida. De repente o barulho de vozes no andar debaixo chamou sua atenção. Desceu rapidamente e para sua surpresa avistou Lisa que sorriu pra ela.
—Lisa... – Christina falou animada. – Não podia negar que era bom ver alguém que parecia realmente se importar com ela.
—Senhora Stormfield... – Lisa sorriu e a abraçou. – Como a senhora está? – Perguntou.
—Bem. – Mentiu Christina rapidamente. – Mas surpresa em te ver, o que te traz aqui? – Perguntou.
—A senhorita Trumbell me pediu para entregar o planejamento do casamento... – Elisabeth falou pausadamente demonstrando o incômodo por ter que fazer aquilo.
—Não é uma função para uma babá, creio eu. – Christina comentou.
—É, mas vim deixar as crianças no colégio, então ela quis que eu aproveitasse a viagem. – Sussurrou.
—Querida, posso te perguntar uma coisa? – Disse ela seriamente. Elisabeth assentiu, temendo, entretanto, que a pergunta pudesse ser a respeito de seus sentimentos por Theodore, mas para sua surpresa era algo bem diferente.
—O que espera de um casamento? – Christina falou quase num sussurro. – Sabe, como se imagina quando casada. – Perguntou.
—Bom, eu me imagino extremamente feliz e satisfeita. – Lisa disse em estranhamento.
—Não acha que pode ser bem diferente? – Christina se levantou e começou a caminhar pela sala. – Quero dizer, temos uma ideia de que será perfeito e que você será eternamente feliz e realizado, satisfeito... – Suspirou.- Nem sempre é real. – Completou.
—Acho que diferente do que as pessoas pensam casamentos não são um mar de rosa. – Elisabeth respondeu prontamente. – Se tem brigas sim e problemas, medos, emoções, mas no fim das contas eu acho que quando você olha para aquele alguém mesmo no pior momento em que estejam passando consegue enxergar ainda aquilo pelo qual se apaixonou. – Disse sorrindo. Christina encarou os próprios pés para refletir aquelas palavras. – E acho que isso faz você ter certeza de que ali ainda exista amor, e que aquela pessoa ainda está ali, e que vocês vão superar isso. – Completou fazendo a mulher sorrir.
—Sabe, Elisabeth... – Ela se sentou ao lado da mesma segurando firmemente em suas mãos. – Você é uma menina de ouro. – Sorriu. – Fico feliz em dizer que a tenho como uma amiga. – Falou carinhosamente.
—Obrigada, senhora Stormfield... – Disse sendo logo cortada.
—Me chame de Christina apenas, por favor. – Riu frouxo. – Somos amigas, não é? – Perguntou.
—Claro que sim. – Elisabeth disse abraçando-a fortemente.
—Obrigada por isso então... – Ela sussurrou tristonha. – Você e Rose atualmente são as únicas que tenho. – Falou. – Se não for pedir muito, venha me visitar mais vezes, sabe, eu fico tão sozinha aqui na maior parte do tempo. – Comentou.
—Claro que eu virei, vai ser um prazer. – Elisabeth sorriu.
***
Jennifer se sentou confortavelmente na cadeira do auditório a espera do início palestra. Pegou um bloco de notar e uma caneta, deixando-os prontamente arrumados sobre a mesa e em seguida deixou pousar sobre o rosto um folheto explicativo sobre os objetivos do curso. De repente pôde sentir que alguém se sentou ao seu lado, mas de fato não deu importância.
—Você fica tão sexy nesse look intelectual, Hunan... – A voz de Nicholas soou ali fazendo-a encará-lo assustada.
—O que você está fazendo aqui, Phillips? – Perguntou incrédula enquanto o via fechar o paletó com um sorriso maroto em lábios.
—Relaxa não estou aqui por sua causa... – Ele disse quase num sussurro.
—Por que estaria aqui então? – Questionou ela.
—Digamos que recebi uma ligação do reitor da sua faculdade hoje cedo, ele disse algo sobre sua professora ter se acabado em elogios sobre minha apresentação naquele dia, te rendendo um dez fechado de nota. – Se gabou. – Ele falou algo sobre eu ser inspirador aos alunos que possuíam a matéria de direitos humanos em sua grade. – Completou.
—Conta outra, Phillips... – Ela rolou os olhos.
—Não quer acreditar? – Ele a fitou.
—Com toda a certeza isso não passa de mais uma das suas desculpas esfarrapadas para me perseguir. – Jennifer disse espertamente.
—É com grande prazer que chamamos um dos nossos palestrantes de hoje, o senhor Nicholas Phillips! – Soou a mulher ao microfone fazendo os olhos de Jennifer se arregalarem e um sorriso esperto se formar no rosto dele que a encarou fielmente.
—Espero que goste da minha palestra. – Ele se levantou. – Me deseje boa sorte... meu amor. – Disse zombeteiro fazendo-a rolar os olhos em irritação.
***
Elisabeth estava parada no parque à espera de Logan, e pra sua felicidade ele não demorou nada a chegar, sempre pontual. Ela sorriu ao encará-lo. Ele sem hesitar a puxou pela cintura depositando um beijo caloroso em seus lábios, o que a fez corar.
—Eu já estava com saudades. – Ele sussurrou.
—Eu só quero ver o que vai achar de onde vamos almoçar. – Ela falou carinhosa puxando-o pela mão. Atravessam a rua e pararam em frente a um pequeno bistrô de comida italiana. Logan encarou tudo a seu redor. – Aqui foi o primeiro lugar em que eu almocei quando vim pra Boston. – Lisa o encarou. – Simplesmente sou apaixonada pela comida daqui. – Falou.
—Então vamos entrar. – Logan a respondeu. Os dois se sentaram numa mesa próxima a janela.
—Conseguiu fechar o negócio? – Ela perguntou curiosa. Na verdade, sabia que estava mais sem jeito do que esperava frente a Logan, o que a fazia preferir falar de qualquer outra coisa que não o que houve na noite anterior.
—Digamos que o dono dessa empresa é um cabeça dura que quer tudo pra si. – Logan falou. – Mas eu vou conseguir. – Completou. – Vamos mudar de assunto, porque sinceramente tem algo muito mais importante que eu quero falar. – Ele pegou a mão dela em cima da mesa e a acariciou. – Queria mesmo saber o que ontem à noite significou pra você no fim das contas. – Disse.
—Eu amei estar com você ontem. – Elisabeth sorriu. – Você é especial, eu tenho um carinho imenso por você e amo passar o tempo com você. – Disse.
—Isso não me responde, Lisa... – Ele riu fazendo-a rir também. – Eu to apaixonado de verdade por você e quero ficar com você de verdade. – A fitou. – Você não é o tipo de garota para estar junto vez ou outra, quero que seja minha namorada. – Falou. Lisa sentiu-se gelar ao ouvir aquilo. Não imaginava que aquilo tão rapidamente se tornaria um relacionamento sério na cabeça de Logan. – Eu sei que você ainda está amadurecendo a ideia, mas eu te amo, e posso te fazer feliz de verdade, então, só diz se sim ou não. – Ele riu frouxo se aproximando dela. – Elisabeth Sullivan, você aceita ser minha namorada? – Perguntou. Lisa suspirou.
***
Ao final da palestra, Jennifer permanecia de braços cruzados irritada com a quantidade de tietes rodeando Nicholas que tinha aquele sorriso arrogante em semblante novamente. Ele logo caminhou até ela.
—Pode dizer, eu arrasei lá em cima. – Riu frouxo.
—Você tem arrasado com a minha paciência. – Ela debochou.
—E você adora isso. – A encarou fielmente.
—Estava mesmo falando sério quando disse que tinha voltado pra essa guerrinha, não é? – Jennifer bufou.
—Com toda a certeza! – Nicholas sorriu.
—Por que não desiste, Phillips? – Ela o indagou. – Mulheres como eu não caem aos pés de homens como você. – Disse.
—Mas mulheres como você enlouquecem homens como eu justamente por não caírem aos nossos pés. Então como ficamos, Hunan? – Seu tom maroto se fez presente ali fazendo-a rolar os olhos antes de rir.
—Até mais, Phillips. – Falou lhe dando as costas.
—Até, Hunan e orgulho inquebrável da Hunan. – Zombou fazendo-a emitir uma careta pra ele. – Você me enlouquece de verdade... – Sussurrou.
***
Victoria caminhava de um lado para o outro na sala de Theodore que coçava os olhos a fim de conseguir alguma calma. Ela reclamava, infinitamente, exigindo mais e mais coisas para o casamento perfeito e sonhado por ela, e ele a esse ponto já se sentia enlouquecer.
—Victoria, pelo amor de Deus, eu já abri mão dos meus melhores amigos como padrinhos, eu já abri mão dessa cerimônia ser apenas em um cartório e ser na igreja como você pediu, eu já falei mil vezes para fazer da maneira como quiser! – Reclamou.
—Então diga que também vai abrir mão da presença dela lá. – Falou espertamente.
—O que? – Theodore franziu o cenho. – Do que está falando? – Questionou confuso.
—Você sabe muito bem! – Victoria se sentou de frente pra ele. – Elisabeth. – Completou.
—Está me pedindo para não a convidar? – Theodore riu irônico. – Ela é a babá dos meus filhos, é óbvio que ela terá um convite e se ela quiser estará lá. O único modo de Elisabeth não estar naquela igreja é se ela escolher não estar. – Falou pontual.
—Acha que eu não vejo como olha pra ela? – Victoria disse.
—Eu estou prestes a me casar com você, então já chega desse ciúme ridículo! – Pediu se levantando.
—Acho melhor abrir seus olhos, Theodore, porque enquanto fica aí se estressando por conta de seu encanto ridículo por essa garota, ela está com o Logan. – Sorriu maldosa fazendo Theodore encará-la. – Acabei de ver os dois almoçando juntos, aos beijos. – Falou.
—O que só prova mais uma vez que seus ciúmes não têm fundamento. – Theodore respondeu tristonho.
—Quer saber, meu amor, tem toda a razão. – Ela caminhou até ele envolvendo seus braços finos em torno do pescoço dele. – É obvio que ela está apaixonada pelo Logan... – Alfinetou sabendo que aquilo certamente atingiria Theodore em seu ponto fraco, deixando-o vulnerável. – Mudando de assunto, o que acha de cravos? – Perguntou.
—O que quiser usar. – Ele respondeu já sem forças, extremamente agoniado por não poder quebrar nada a sua volta, por não poder correr até Elisabeth e agarrá-la como a tanto tempo queria fazer. Ficar longe dela era a escolha mais difícil que podia fazer em sua vida, mas os sentimentos que ela trazia consigo não eram seguros, não pra Theodore que sabia seu poder de destruição.
—Eu antes tinha pensado em violetas... – Cantarolou Victoria fazendo Theodore encará-la assustada. – Mas foi erro meu. Eram essas as flores preferidas da Summer.... Não é mesmo? – Fingiu afeto. Deu as costas em seguida como se se desculpasse por trazer Summer a memória novamente, mas a essa altura Theodore já estava derrotado de novo. Só ele sabia como pensar em Lisa o torturava, principalmente quando Summer também se fazia lembrar. Ela era a prova de que Theodore nunca poderia ousar tentar fazer Elisabeth feliz.
***
—Então estão oficialmente namorando? – Jennifer perguntou sorrindo enquanto ouvia a voz da amiga pelo telefone.
—Achei que devia aceitar. – Lisa sorriu de volta.
—Você está feliz? – Perguntou a amiga sentindo certa tristeza na voz dela.
—Eu vou ficar. – Lisa mordeu os lábios. – Logan é especial, e assume o que sente por mim, me dá algo seguro e verdadeiro e não um monte de dúvidas e suposições. – Falou. – Eu vou aprender a amar ele. Sabe, você tinha razão, eu tinha que me permitir ter essa chance. – Sorriu.
—Se tem tanta certeza eu fico feliz também. – Jennifer sorriu. – É minha melhor amiga, pode sempre contar comigo, sabe disso, não sabe? – Perguntou.
—Eu sei. – Lisa cantarolou. – Sempre seremos melhores amigas. – Pontuou.
—Sim, inseparáveis e arrasadoras como Vanessa e Ashley, como Selena e Demi, como Hanna Montana e Lily! – Disse zombeteira fazendo Lisa gargalhar.
—Por um minuto achei que Nicholas tinha entrado nesse quarto. – Provocou.
—Argh. – Rolou os olhos. – Tem razão, eu estou passando tempo demais com aquele maluco por referências, estou ficando doente igual a ele. – Bufou.
—Não acha que está mais que na hora de falarmos sobre isso? – Elisabeth falou fazendo-a franzir o cenho.
—Sobre o que? – Perguntou.
—Você e o Nicholas. – Disse pontualmente fazendo Jennifer se jogar pra trás para cair deitada na cama.
—Não existe eu e o Phillips! – Retrucou. – Eu te disse isso de manhã, por que não aceita? – Reclamou.
—Deixa de teimosia, Jennifer! – Elisabeth ralhou. – Eu vejo como fala dele o tempo todo, e vejo como seu ódio dele não passa de amor enrustido. – Disse.
—Não vem com essa! – Ela respondeu na defensiva. – Ele é um tremendo babaca que trata as mulheres como objetos sexuais e depois as larga, você não me quer com um cara como ele, não é? – Disse.
—Pra mim já é claro a muito tempo que ele te olha muito mais que como um pedaço de carne. – Sorriu. – Ele admira você, tem ciúmes de você, te leva pra sair sem tentar te embebedar e levar você pra cama, ele te segue, te procura, ele insiste. – Completou.
—Porque ele tem um ego extremamente gigante que não se dá por vencido. – Relutou. – Pra ele é simplesmente impossível que uma mulher não fique aos pés dele, mas se eu me render é óbvio que no dia seguinte ele vai embora. E se quer saber, eu realmente odeio ele. – Concluiu.
—Bom, se você acha. – Torceu os lábios.
—Não tente nos transformar em Phunan ou Hunlliphs! – Jennifer reclamou.
—Não fui eu quem perdeu tempo inventando shippers pra vocês dois. – Elisabeth gargalhou com sua provocação.
—Ah! – Riu ironicamente. – E nem eu! – Rolou os olhos percebendo sua falha. – Não podemos voltar a falar dos seus advogatos? – Disse.
—Só tenho um advogato agora. – Brincou Lisa. – E ele está me ligando, então tenho que desligar, mas depois falamos mais sobre essas combinações fofas que você criou com seus sobrenomes. – Alfinetou.
—Boa noite, Elisabeth! – Jennifer disse fingindo raiva fazendo-a gargalhar. – Vai ficar com o seu bonitão e me deixa. – Pediu.
—Eu vou mesmo. – Elisabeth respondeu se despedindo. Jennifer encarou o vazio, se negava a sentir algo por Phillips além do ódio, na realidade só aceitava sentir aquilo porque o mesmo fazia questão de ser notado, se não seria totalmente indiferente. Ele não merecia confiança e ela nunca daria isso a ele.
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