Beginnen
5 Capítulo 5
Notas iniciais
P.O.V Anne
E mais uma vez o mundo tinha sido salvo pela Lizzy. Olhe, ela era minha amiga, mas às vezes tinha um ataque de pelanca e queria se achar a maioral. Ah, como me irrita.
Não havia mais tempo para ficar balbuciando sobre Lizzy, todos foram para seus chalés arrumar suas coisas para a “missão” que Sr. D havia nos dado.
Sinceramente, acho que uma filha de Ares tão brava e destemida como eu não deveria cuidar de pequenos minotauros. Ah, céus. Todos do meu chalé já tinham passado por experiências maravilhosas em missões de verdade, menos eu.
Fui andando em direção ao meu chalé, quando avistei Dylan.
Saí mais rápido, seguindo outro percurso. Não gostaria de conversar com um garoto como ele agora – talvez não quisesse falar com ninguém – mas foi um ato vão. Em alguns segundos Dylan já estava me alcançando.
Olá, gatinha! – ele disse, com o intento de me irritar.
Se você não quiser morrer vá embora agora – e peguei um galho que havia em minha frente, ameaçando-o.
O que houve Miss Simpatia? – ele soltou uma gargalhada, que pouco durou. Foi seguida por obsecrações.
Incomodar-me você curte – coloquei meu pé em cima do garoto, que desta vez estava no chão – mas apanhar com uma vara jamais!
O garoto aquietou-se, se vendo em um momento de perca. E avistava ao extremo uma figura masculina vindo em nossa direção.
Fui para o meu chalé antes mesmo que pudesse contemplar qual seria o ser, dono da sombra que fora vista naquela hora.
Logo que cheguei ao meu chalé, me deparei com um espelho que me proporcionou um desaponto com meu visual. Confesso que nunca fui plenamente preocupada com minha aparência, mas desta vez estava excessivamente desleixado o único pingo de cuidado que houvera restado.
Eu, uma figura um tanto deslumbrante perante o fato de ser denominada filha de Ares, o deus da guerra, cujo apenas gozava de ter filhos hediondos. Confesso que era um tanto diferenciada de meus irmãos. Alta com os cabelos longos e escuros e olhos azuis claros. Possuía um corpo arquétipo, nada além do padrão, mas estranhamente incomum comparado ao das minhas irmãs.
Agora estava com olheiras, e aparência extenuada.
Arrumei minhas coisas e fui em direção ao chalé de Lizzy. Não me encontrava mais aborrecida pelo seu jeito autoritário.
Chegando lá, todas as instruções foram passadas. Tínhamos dois dias para irmos a um lugar próximo ao Hyde Park, e acabarmos com um minotauro. E assim foi. Porém o destino continha algo a mais em seus planos. Infelizmente.
Vamos para o ponto em que estamos indo para a missão.
Quíron nos sugeriu que fossemos de metrô, que apesar de ser um meio pouco utilizado por criaturas místicas, seria menos suspeito.
Você é uma inútil! – Ruby, sempre muito amável com seu jeito de dirigir-se a mim.
No caminho em que percorremos encontramos vários pequenos problemas. Chuva foi o que mais nos atrapalhou.
Estou cansado. Estamos viajando por 8 horas já! – disse Steve, implorando para que voltássemos.
Só mais algumas horas e estaremos no nosso destino – Lizzy tentou acalmá-lo – venha, vamos pedir algumas coisas para comermos.
Os dois saíram à procura de alguma comida, e James foi atrás.
O que houve Anne? – Harry perguntou, ao perceber meu desaponto.
Nada, esquece! – sorri – eu estou bem.
Anne esqueça nossas brigas. Somos amigos, e eu sei que você conta as coisas pros seus amigos.
Fitei Ruby, indicando que esse seria o momento perfeito para que ela se retirasse. E assim fora feito.
Bom, Harry! – me aproximei do garoto – Sei que não sou aquela que acerta tudo. Mas estou com um mau pressentimento sobre essa viagem.
Ah, Anne. Esqueça isso – ele me abraçou – tudo vai ocorrer conforme o planejado.
–
Algumas horas haviam passado, e nós finalmente chegamos a nosso destino. Onde, mesmo distante, podíamos avistar uma criatura, a que houvera sido citada por Quíron. Um minotauro.
Pegamos nossas armas e fomos para cima deles. Mas o inesperado aconteceu. Ao contrario do que pensávamos, havia quatro minotauros e, o pior, uma fúria.
O estranho era que ela estava sozinha. O que teria acontecido para apenas uma fúria estar no Hyde Park, acompanhada de quatro minotauros? Não tivemos tempo para conjeturar. Logo estávamos brigando com todos.
Espadadas, socos, flechas. Nada funcionava, estávamos designados a morrer. Se não fosse por três caçadoras que chegaram e nos ajudaram.
Elas, com todas as suas habilidades estavam disputando contra a fúria.
Eu não aguento mais! – gritou Harry, com dor e quase desistindo.
Siga em frente. Lembre-se – encorajei-o – somos capazes!
Nesse momento de pânico e fraqueza, tudo parecia estar passando em câmera lenta. E eu via tudo acontecer. Lizzy sendo jogada para longe, Ruby sendo pisoteada, Harry escondido pelo chão e James, que mesmo sendo novo no acampamento, se esforçava ao máximo para detê-los.
Cuidado! – ouvi James gritar, e logo senti sua espada passando alguns centímetros de mim.
Era isso, James me salvara. Enquanto eu prestava atenção nos meus amigos, um dos minotauros estava vindo em minha direção, e James o fez desmaiar, utilizando sua espada.
Éramos nove, contando com as caçadoras. Já conseguimos “matar” três minotauros. Só nos restava mais um e a fúria. Quando eu ouço Ruby gritar.
NÃO! – e nesse momento, o que estava em câmera lenta, apenas passou de um modo mais devagar ainda.
Sem termos tempo para compreender. Vimos Steve cravando sua espada no peito de Harry, e fugindo. Deixando-nos com o corpo desalmado de Harry, e muitas perguntas a fazer.
O que teria levado Steve a fazer isso? Digo, estávamos com ele a alguns minutos conversando normalmente, e agora ele nos abandonara e levara com ele uma parte de nós.
Não há tempo para sofrer – disse Ster, uma das caçadoras – Ruby, leve-os para o acampamento. Nós tomamos conta aqui!
E o dito fora feito. Ruby nos transportou para o acampamento. Todos nós com um vazio em nossos corações.
O corpo de Harry acompanhou-nos, para atordoar todos que o vissem.
Ainda estávamos estupefatos com o acontecido, quando Sr.D aparecera em nossa frente, atônito com o que via.
O que aconteceu? – desta vez exigia uma resposta minuciosamente explicada.
D, podemos falar na sua sala? – Ruby tomou frente, afinal, ela esteve com o corpo do Harry durante todo o tempo.
E adentraram sua sala, todos em um clima fúnebre e sombrio. E o dia desejava seus pêsames. Se fechando com suas nuvens pretas e cobrindo a superfície azul que antes se formara.
O que realmente ocorreu lá dentro nós não sabemos. Mas todas as bandeiras, mesmo as mais vivas foram trocadas por cores pretas. Não era costumeiro ter toda essa mudança apenas por um campista. Mas Harry era essencial para aquele acampamento. Não nos víamos sem ele.
James se encontrava deprimido e se culpando. Sua primeira missão resultara em morte. Seria ele um fracasso? E se trancou em seu chalé, até o anoitecer.
Eu como de praxe, fui à praia. Fazia isso sempre que ficava triste e não desejava ser vista.
Eu soube o que houve. Que horrível! – E essa foi a primeira vez que eu vi Dylan, e não tive vontade de sair, ou de insultá-lo.
O que você faz aqui? – tentei parecer bem. Chorar não era algo que eu costumava fazer, mas quando eu ficava triste era notório, mesmo com a ausência das lágrimas.
Vim te apoiar – e ele sentou-se ao meu lado – você pode me odiar, mas eu gosto muito de você. “Anne” é o que tem estado na minha cabeça ultimamente e eu não posso evitar, nem que queira. Então por favor, me deixe ser útil, pelo menos aqui e agora enquanto ninguém vê.
Certo – e ele veio me abraçar – mas fique longe.
E assim foi a nossa noite das lamentações. Não ousaríamos contar para ninguém, esse foi o prometido.
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