Beginnen
3 Capítulo 3
Notas iniciais
P.O.V Rubyan
Olhei para o despertador na cabeceira da cama. Ele marcava exatamente 03:00h da madrugada, suspirei.
Me levantei da cama, fui até o guarda-roupa, abri a ultima porta a esquerda e peguei de lá uma jaqueta de couro preta, e a vesti. Olhei para Harry que dormia calmamente, sorri. Abri a porta silenciosamente e sai do chalé.
Estava um pouco frio fora de lá, mas não dei muita bola. Fui caminhando calmamente até o local de treino. Abri a porta de um tipo de armário onde nós guardamos as armaduras e instrumentos para o treinamento, peguei uma espada qualquer e me direcionei ao centro do ringue. Comecei a fazer movimentos com a espada cortando o ar, me direcionei a um boneco de palha mais a frente que usamos para treinar. Golpeei-o várias vezes só parei quando ouvi passos atrás de mim. Me virei bruscamente apontando a espada.
– Sem sono também Ruby? — Dylan estava encostado no armário. Abaixei a espada.
– Sim.
Me virei de costas para ele e voltei a golpear o boneco. Ficamos em silêncio por um longo periodo de tempo até que eu senti um cheiro estranho, cheiro de...
– Cigarro!? — Me vire para Dylan, o qual tragava um cigarro, balancei a cabeça negativamente, fui para perto dele e tirei o cigarro da boca dele, joguei-o no chão e pisei em cima dele.
Dylan me olhava com uma expressão indiferente. Colocou a mão no bolso e tirou de lá uma cartela de cigarro. Fiquei boquiaberta.
– Quando você começou com isso? — Me sentei no chão olhando para a espada.
– Na minha última missão — Ele deu uma tragada — Uns caras me ofereceram e eu experimente, acabei gostando.
Olhei para ele, suspirei, abaixei a cabeça, fiquei olhando para minhas próprias mãos. Ergui minha cabeça e olhei para frente.
– Acho que vou dormir.
Dylan jogou o cigarro quase no fim no chão e pisa nele, cruza os braços e olha para frente também. A nossa frente haviam várias árvores, nas quais balançavam furiosamente por causa do vento forte.
– Bom, é melhor mesmo você ir deitar — Dylan se endireita ficando numa postura rígida — Vai chover daqui a pouco.
Ele foi se afastando indo para o chalé dele.
Olhei para o céu. As nuvens carregadas cobriam as belas estrelas, me levantei, coloquei as mãos nos bolsos da jaqueta e fui andando calmamente para o meu chalé. Quando abri a porta e entrei, começou uma tempestade furiosa, só se escutava o barulho da chuva contra a janela e o estridente barulho dos trovões. Retirei minha jaqueta e pendurei-a no pendura treco atrás da porta, fui para minha cama, me deitei de costas para a porta, fechei meus olhos, quando eu estava pegando no sono
– Onde você foi? — Olhei para a cama ao meu lado, Harry me olhava sério.
– Eu estava sem sono e fui fazer uma caminhada — Bocejei — Estou cansada Harry, vou dormir.
Fechei meus olhos e dormi.
POV Anne
O sol em seu tom amarelado estava nascendo, já tocando em nossas janelas. A brisa suave, não se deixava incomodar pela grandiosidade do astro. Fazia-se presente, aconchegando-se perto dele.
Despertei, e então vi que era apenas um sonho. A chuva havia voltado.
Sem perfeição do dia.
Ao contrário. As nuvens estavam no pigmento mais escuro possível, e se misturavam com o céu, quase da mesma cor. As gotas grossas caiam pingando por todos os cantos, deixando o clima mais pesado ainda.
Levantei-me, e me vesti com uma roupa aconchegante. Fui em direção à porta de meu chalé, e ao lado de fora, assentei-me junto das madeiras, e observei a dança deprimida das árvores, implorando por ajuda. E quando estava lá, no meu quase silêncio, uma voz interrompeu aquela barreira que havia se formado entre eu e o tempo.
– Olá?
– Quem é você? E o que faz aqui? – perguntei confusa, porém brava.
– Dylan, prazer!
– O prazer e todo seu! – sorri e me virei de costas para o moço.
– Então, pelo jeito você não é muito simpática! – e sentou-se ao meu lado.
– Deveria ser? – me ajustei – digo. Estou tendo o meu momento para relaxar. Finalmente sair dos planos ridículos e monótonos criados para nós seguirmos. Estou tendo uma conversa comigo mesma, e um babaca me interrompe, me fazendo perder completamente a linha de raciocínio. Não, eu realmente estou sendo o mais simpática possível. Mesmo que você não mereça!
Ele se esquivou numa espécie de gozação.
– Com licença! Como faço para falar com Quíron? – uma voz interrompe nossa discussão.
– Quem é você? – perguntei.
– James. Analisei-o de cima abaixo. Não me agradei.
Um garoto com uma estatura não muito alta. Moreno dos olhos verdes. Daqueles que tem todo o jeito de quem se acha
–Certamente não é aqui. Por acaso você vê patas em mim?
– Não nos pés...
– O que você disse? – falei com um tom exaltado.
– Nada, com licença. Vou falar com alguém que mereça meu respeito – e quando estava quase completamente fora de meu chalé, disse – você deve sofrer muito com essa bastarda, né amigão?
Nesse momento não pude me conter. Levantei-me e fui em direção ao sujeito.
– Calma! – ouvi uma voz, e ao mesmo tempo senti alguém me segurando. Não foi o suficiente. Fui para cima do suposto James, e dei tantas bofetadas no garoto, que sua pele morena virou roxa. Em sua boca sangrenta, podia-se ouvir súplicas por ajuda, mas em nenhum momento se desculpou pelo acontecido.
– Nunca mais ouse me ofender – me levantei e limpei minhas mãos.
– Posso saber o que está acontecendo aqui? – ótimo! Agora Quíron estava ali. Realmente, muitas pessoas estavam presentes naquele momento.
– Nada. – respondi e estava saindo.
– Anne volte aqui agora! – disse Quíron, exaltado.
– O que houve velhote?
E então, só me lembro de estar na sala de Quíron sofrendo “penitências”. Naquela tarde, enquanto estava no castigo, varrendo o chão da arena. Uma voz conhecida surgiu.
– Anne, o que está acontecendo? – era Harry.
– Foi ele, aquele James Metido a Besta. Se não fosse por ele eu não estaria aqui!
– Perdão, quem?
– James, um garoto novo. Nem queira conhecer!
– Eu... Eu já o conheço. – e coçou a cabeça envergonhado.
– Como? Quando? Ah, Harry! — disse partindo para cima do garoto. Mas apenas em um sinal de agressão. Não pretendia passar mais uma semana limpando o chão após as batalhas e treinos na arena.
– Almoçamos juntos. Todos os nossos amigos, na verdade. Ele me pareceu bem legal.
– Porque ele não disse que você tem patas.
– O quê? – e perceptivelmente, Harry estava trancando a risada.
– Isso. Vai rindo. Até você ficar igual a ele.
– Anne, você não pode culpar o garoto porque você tem um jeito agressivo.
– Se você veio me ofender. Já pode ir embora!
– Certo! – E Harry se fora.
E enquanto ele caminhava para fora da arena com seus passos leves como de costume, me fez pensar se eu realmente sou agressiva como ele havia dito.
Talvez fosse, mas esse era meu jeito. Ele teria que aturar.
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