Notas iniciais
Esse capitulo, eu admito, copiei um pouco do livro, mas é só isso! (tirando, é claro, o fato disso ser um crossover...)

Não sei o que estou fazendo aqui, postando uma nova historia quando deveria estar atualizando minha outra que já completou um mês de atraso! Puffs, eu atraso demais, culpe minha vida de estudante. E como essa historia não está com o enredo totalmente completo, eu posso fazer coisas sacanas como editar um capitulo antigo para ajeitar a historia ou demorar demais para postar porque estou tentando sair das ruas sem saídas que eu amo me meter - principalmente com questões de filosofia que, eu não sei como, entraram na historia sem minha permissão. Bom, se eu fizer isso, pode deixar que eu aviso no próximo uptade! (é assim que se escreve?)

Enquanto o Curador delicadamente deslizava o bisturi pela a nuca do homem, ele não pode não notar os sussurros baixos e contínuos atrás de si. Conteve o impulso irritado que invadiu o seu corpo, porque não era realmente uma reação aceitável – era compreensível o interesse das almas, ele mesmo ficara surpreso quando soube das noticias. Não pela primeira vez, Tecedor de Céus respirou fundou e retomou o controle de si, empurrando para fora a raiva sem sentido que tão freqüentemente invadia aquele corpo.

Calma dos Sois, parada a apenas alguns centímetros ao seu lado, pareceu notar seu esforço interno e sorriu com doçura pousando uma mão gentil sobre seu ombro. “Muito bem, querido.”

Olhou para o rosto em formato de coração cor de chocolate com longos e lindos cabelos cacheados caindo sobre seus ombros, com dois olhos brilhantes de um azul puro – um dos contrastes mais lindos que aquela espécie tinha em cores, na opinião de Tecedor de Céus, muito embora ele fosse ligeiramente suspeito para dizer isso.

Não teve como se preparar para a onda de amor que o inundou enquanto olhava para sua parceira, com uma pitada de vergonha. Ela conseguia lê-lo tão facilmente. “Desculpe.”

Calma dos Sois fez um som simpatizante. “Nada é fácil nesse corpo, mas você está lidando bem, meu amor.” Sorriu de volta para ela e rapidamente voltou para o seu trabalho, espirrando automaticamente os remédios necessários antes de esticar a mão para a mulher ao seu lado, sem tirar os olhos do corpo diante de si. Sentiu quando lhe foi entregue a pequena alma, uma fita prateada e plumosa ligeiramente fria por causa do criotanque e com um sorriso quase que paternal, depositou delicadamente a pequena no corte e afastou as mãos para lhe dar espaço.

Observou com quase admiração a alma espalhar suas conexões numa velocidade impressionante, os milhares de fios brilhantes sumindo por debaixo da pele enquanto ela se conectava ao corpo com elegância e agilidade. O processo não poderia ter durado mais que alguns segundos. Então ele se lembrou do histórico daquela alma em especial e o respeito queimou mais forte.

Doze vidas inteiras, em doze planetas diferentes e sempre na linha da frente. Quanta coragem.

E com um estalo se lembrou exatamente que fora exatamente por causa disso que aquela alma fora escolhida para aquele corpo. Ela precisaria mesmo de muita coragem para enfrentar o que estava para vir, não só com a ultima memória do corpo que todas as almas eram obrigadas a reviver, mas sim também com uma seqüência cheia de violência sem limites. Estremeceu ao relembrar as memórias do humano Kevin, o antigo dono de seu corpo, vendo o noticiário sobre um ataque alienígena em Nova York que resultou em mais de mil mortos. Se ele sentia seu interior revirar apenas com aquilo, não queria nem ao menos imaginar o que aquela pobre alma teria que agüentar.

Com um suspiro, terminou de polvilhar o pó de cicatrização no corte e se afastou deixando que Calma dos Sois limpasse o corpo recém ocupado. Virou-se então para seus aprendizes, quatro ao total, ainda conversando furiosamente entre si.

“Ninguém sabe de onde ele veio”

“Parece que surgiu do nada bem no meio de uma área já colonizada há meses”

“Parece que estava realmente ferido, demorou uns três dias para cura-lo...”

“Não, sério? Mas que horror!”

“Bem, não é à toa que escolheram essa alma...”

Tecedor de Céus franziu as sobrancelhas em algo que só poderia ser descrito como careta e os quatros jovens imediatamente pararam de falar, afastando-se ligeiramente um do outro. Uma parte de si registrou sua negatividade, mas naquela hora resolveu ignora-la, pois aquela alma já teria o suficiente para lidar quando acordasse sem que tivesse que agüentar esse tipo de coisa. Afinal, se ele estava errado em se deixar levar pela raiva, aqueles quatro estavam errados em se deixar levar pela curiosidade.

Uma das características que Tecedor de Céus herdara de Kevin era a baixa tolerância ao desrespeito.

“Terminamos por hoje. Façam seus relatórios e os entreguem a Susan amanhã” ele disse e não se importou com sua voz inflexível, bizarra em uma boca normalmente cheia de palavras gentis. A turma hesitou por alguns segundos antes de acenaram e saírem da sala de cirurgias, os pés arrastando no chão polido.

Encarou a porta branca, controlando sua irritação e culpa que, como sempre, dissolveram como sal em água assim que duas mãos chocolate tocaram seus ombros com carinho. “Não fique tão irritado. A curiosidade é normal nesses casos”

Suspirou e segurou as mãos macias de sua parceira. “Eu sei, mas sabendo o que essa alma vai ter que agüentar... eu não quero que ela tenha mais estresse devido a infantilidades. Respeito é bom...”

“... e se deve a todos “ terminou Calma dos Sois. “Eu sei. Acredite, eu entendo sua aflição, mas entenda, para a maioria ele é apenas um humano selvagem e ela uma alma incrivelmente corajosa. Ninguém além de nós dois e o Buscador sabem do resto, o que ela vai ter que reviver com as memórias”

“Ao menos isso” murmurou ele. Diante dos acontecimentos, nem mesmo as almas tão pacificas e longe de preconceito por conta do passado de um hospedeiro deixariam de olhar duas vezes se soubessem o que aquele corpo carregava como bagagem. Com tudo o que aquela alma lidaria, estranhamento de sua própria espécie não precisava ser acrescentado.

Sentiu uma pressão gentil em sua bochecha pelos lábios macios chocolate. “Não será por muito tempo, você sabe disso, só o suficiente para que o Buscador consiga as informações necessárias. Depois disso, se a alma quiser, ela será transferida para outro hospedeiro mais pacifico”

“Eu sei” Suspirou Tecedor de Céus.

Os dois então caíram em silêncio por alguns minutos, ambos distraídos em seus próprios pensamentos. Um tempo depois, O Curandeiro acordou com um salto de seu transe. Beijou a mão gentil na sua e se virou para a bela mulher. “Vamos leva-lo ao quarto, é melhor que ela acorde em uma cama macia a esse catre duro que nem pedra. Depois de anos naquele criotanque frio, ninguém merece isso”

Calma dos Sois riu, o som melodioso como um sino. “Ok, querido”

Os dois se moveram em sincronia de anos de trabalho junto, pegando o lençol branco em ambas as pontas e erguendo ao mesmo tempo o corpo sobre ele. Depositaram delicadamente sobre a maca, girando com cuidado o hospedeiro de modo que a face ficasse voltada para cima.

Tecedor dos Céus observou a fisionomia do homem e seus instintos humanos lhe disseram imediatamente bonito. Um rosto triangular com uma mandíbula forte, encaixado sobre um pescoço com curvas elegantes de alguém com boa postura e uma pele branca indiscutivelmente macia sem marcas. Lábios longos e finos, ligeiramente rosados e perfeitos para sorrir qualquer sorriso que seu dono quisesse. Sobrancelhas negras caídas, retas sobre olhos grandes de pálpebras pesadas e íris – Tecedor de Céus sabia – de um verde entre o esmeralda, o mar e a floresta, com pitadas de dourado e azul no meio.

Olhos cheios e profundos como o espaço, com camadas e camadas de inteligência o cobrindo formando uma barreira impenetrável para o ordinário. Havia uma chama violenta naqueles verdes brilhantes, que, para o Curador, poderia mostrar tanto um louco como um gênio. Sarcasmo, dor, solidão, cansaço, malicia. Ele havia conseguido tirar tanto de apenas um único olhar de poucos segundos, quando se vira frente a frente daquele ser e mesmo assim, de alguma forma, Tecedor dos Céus sabia que não arranhara nem mesmo a ponta do iceberg.

Por um segundo, ele sentiu uma pena enorme em seu peito sabendo que jamais conseguiria olhar para aqueles olhos novamente. E num impulso, abaixou-se e sussurrou para o homem que jamais o escutaria.

Adeus, Sr. Loki

Notas finais
Bom, sei lá. Foi o que foi. Me digam o que acharam!