Begin Again
1 On a Wednesday In a Cafe... (Capítulo único)
Notas iniciais
NARRADOR ONISCIENTE
Caroline saiu correndo da casa de Tyler com o coração completamente partido. Durante oito longos meses ela lhe deu todo o amor possível, e só então percebeu que isso não era recíproco. Só então percebeu que, nesse tempo todo, ela foi um passatempo nas mãos de Tyler. E à medida que o tempo passava, mais ela se apaixonava.
Mas tudo fez sentido ao ouvir da boca de seu namorado as seguintes palavras: “Caroline, eu nunca pretendi levar isso adiante, porque eu não te amo. Tentei deixar claro que isso não seria sério”.
– Como fui burra! – diz ela se apoiando em um poste, para tomar ar.
Havia corrido duas quadras inteiras como se fugisse de um ladrão, mas fugia da verdade. Ela sabia, desde o início, que Tyler era um canalha que nunca a amaria de verdade, mas a pobre garota ainda tinha esperanças de fazê-lo ama-la.
Ela suspirou fundo, ergueu a cabeça, atravessou a rua e entrou no Café que sempre costumava ir.
Era um lugar acolhedor, lembrava-a de sua casa, de sua família. Seria bom estar com sua família, mas ela estava em outro país. Estava na Inglaterra, e havia um oceano entre ela e seus familiares e amigos.
A loira sentou e logo apareceu uma morena baixa e simpática, lhe sorrindo e perguntando o que gostaria de beber. Caroline pediu um cappuccino e a moça disse que logo lhe traria o pedido.
Caroline apoiou os cotovelos na mesa e entrelaçou os dedos, olhando fixamente para a frente, sem ver o que encarava.
Ficou pensando em todas as vezes que sorriu ao lado de Tyler, todas as vezes que fora consolada por ele... Lembrou também da felicidade de sua mãe ao saber que a filha estava namorando. Mas Tyler nunca viu isso como um namoro. Pra ele tudo não passou de uma amizade com benefícios.
Uma lágrima fugitiva escapou de seu olho esquerdo, e ela não se preocupou em segurar as lágrimas seguintes, que apareciam de mansinho. Ela apenas fechou os olhos.
– É um crime uma garota tão linda chorar – Uma voz rouca e com sotaque carregado soou à sua frente e ela nem havia visto o dono dela se aproximar.
Caroline levantou o olhar e viu um homem loiro de olhos claros a olhando com ternura e sorrindo. Sem saber o porquê, ela apenas sorriu.
– Chorar é algo inevitável – ela disse, num sopro de voz, mas ainda com o sorriso nos lábios.
Ele parou e a ficou olhando, a admirando e ao compasso que isso acontecia, Caroline sentia sua face ardendo, ruborizando.
– Niklaus – ele estendeu a mão e ela o cumprimentou. – Mas pode me chamar de Klaus.
– Caroline. E pode me chamar de Caroline mesmocporque eu não tenho apelido – ela deu de ombros.
Klaus riu do que a loira disse e ela falou:
– Por que não se senta e me faz companhia?
– Será um prazer – ele disse, puxando uma cadeira.
Klaus estava prestes a deixar o Café quando ergueu o olhar e deu de cara com a mulher mais linda que já havia visto, o olhando fixamente. No entanto, ela parecia estar em um Universo parelho, pois não o enxergava ali parado, sorrindo feito bobo para ela.
Klaus estava determinado a se aproximar dela e a iniciar uma conversa, quem sabe... Mas sabia que precisava ouvir o som da voz dela, nem que fosse por uma única vez.
Achou-a de cara simpática e engraçada, mas era evidente que estava triste. Ficou surpreso com o convite para se juntar a ela, mas o aceitou.
O cappuccino de Caroline logo chegou e Klaus, que já havia bebido seu café, pediu mais uma dose.
A conversa começou a fluir de um modo tão bom que Caroline já não lembrava mais o porque de ter ido àquele local. Klaus a fazia rir e ria dela também. Ele a escutava e parecia saber dizer exatamente o que ela precisava escutar.
Quando deram por si, o sol já estava se pondo.
– Bem, eu preciso ir – ela disse, sorrindo ao loiro de sotaque forte ao seu lado, enquanto caminhavam na rua.
– Eu adorei ter conhecido você, Caroline – ela gostava de como ele pronunciava seu nome e ele gostava de pronunciá-lo. – Por que não nos encontramos aqui amanhã, de novo? – Perguntou Klaus, com um sorriso alegre.
– Tudo bem – ela assentiu com a cabeça, também sorrindo. – Nos vemos amanhã, então. – Ela começou a caminhar de costas, ainda falando com ele. –No mesmo horário – Sentia-se uma adolescente marcando o primeiro encontro. – Tchau. — Finalmente ela deu as costas a Klaus e seguiu até sua casa, caminhando já mais alegre.
Niklaus esperou que ele sumisse de sua vista para então ir embora. Passou a noite sem conseguir dormir, puxando na memória o sorriso, a voz, os trejeitos e os olhos de Caroline. Sentia-se estranho agora, longe dela, sem ter a certeza que ela iria mesmo àquele Café no dia seguinte.
Caroline chegou em sua casa e jogou-se atônita em sua cama, lembrando de Niklaus, retomando em sua mente cada palavra que ele disse, cada momento que ficou sentada àquela mesa nos fundos do estabelecimento... O modo como ele se portava a deixou encantada. Parecia ser um homem sério, mas ria feito uma criança quando ela dizia alguma besteira sem graça alguma. Não conseguia esquecer o olhar intenso dele, e estava inquieta, imaginando que ele poderia não aparecer ao Café, ele poderia muito bem dar um toco nela, porque Tyler fazia isso frequentemente.
Ambos passaram a noite em praticamente em claro, e quando finalmente pegaram no sono, sonharam um com o outro.
No dia seguinte Caroline acordou cedo, fez alguns trabalhos da faculdade para passar o tempo e passou horas se arrumando para Niklaus.
– Ah, meu Deus! O que eu vou vestir? – perguntou a si mesma, abrindo o guarda-roupa. – Devia ter comprado algo novo. – Visualizou um de seus vestidos favoritos. – Não, ele tem que gostar de mim pelo que sou, não pelo que pareço.
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Se olhou atentamente no espelho e ficou em dúvida do sapato que deveria usar. Tyler reclamava quando ela usava salto alto, porque ela ficava maior que ele e isso lhe era desconfortável. Mesmo assim ela usava. E queria usar salto com Klaus, então sou.
Eu respirei fundo e me olhei no espelho
Ele não gostava quando eu usava salto alto
Mas eu usava
Eu tranquei a porta e coloquei meus fones de ouvido
Ele sempre dizia que não entendia essa música
Mas eu entendo, eu entendo.
Tyler nunca gostou das músicas clássicas que Caroline ouvia, dizia não compreender o que levava alguém a escutar aquelas músicas tão depressivas. Ela simplesmente ignorava esses comentários, pois ela entendia. Ela sabia que esse tipo de música a deixava calma, relaxada.
Com os fones enfiados nos ouvidos, Caroline saiu e respirou fundo mais uma vez, parando em frente à porta de seu velho, porém bem cuidado, carro.
Ao entrar no Café ela esperava ter que ficar ali esperando, porque era isso que acontecia quando marcava um encontro com Tyler. Mas não. Klaus estava lá.
Eu entrei esperando que você se atrasasse
Mas você chegou cedo e você se levantou e esperou
Eu caminhei até você.
Você puxou minha cadeira e me ajudou a sentar
Você não sabe o quão gentil isso é
Mas eu sei
Klaus ficou tremendamente aliviado ao ver a loira entrar no Café, sentiu um peso sumindo de seu peito, deixando-o relaxado. Niklaus jamais havia ficado assim perto de uma mulher. Jamais havia se permitido amar alguém.
Ele se levantou sorrindo, e esperou ela se aproximar. Cumprimentou-a educadamente, e por hábito, agiu cavalheiramente, puxando a cadeira para ela sentar.
Caroline ficou surpresa com o ato de Klaus e tudo que soube fazer foi sorrir. Ninguém jamais arrancou tantos sorrisos dela quanto ele. E ela mal o conhecia.
E você joga sua cabeça para trás
Rindo feito uma criança
Eu acho estranho o fato de você me achar engraçada porque
Ele não achava
Klaus não era o homem mais engraçado do mundo, mas sua cara ao contar uma piada, sua expressão á espera de uma aprovação, de um riso dela, a fazia rir boba.
Mesmo que ela soubesse que não era hilária, acreditava que Klaus realmente achava graça nela, já que jogava a cabeça para trás enquanto ria solto, nunca desfazendo o sorriso.
– Sério, por que você ri tanto de mim? – Ela perguntou curiosa e alegre.
– Você é engraçada, Sweetie – Ela amava (sim, amava) a forma como ele a chamava de sweetie, ou love, ou sweetheart. Talvez fosse apenas por causa do sotaque inglês divinamente carregado.
– E você é um ótimo mentiroso – ela riu, bebendo um pouco de seu suco.
– Se achar você a mulher mais linda do mundo, me faz um mentiroso, ok. Eu sou. – ele disse.
Caroline ficou sem graça e suas bochechas ruborizaram, ela desviou o olhar e umedeceu levemente os lábios. Notando isso, Klaus mudou de assunto.
– Então, qual seu cantou favorito?
– Ah, definitivamente é James Taylor. Sou simplesmente muito fã dele! Tenho todos os álbuns!
– Todos? Todos mesmo? Não, porque eu também sou muito fã dele, mas nunca conseguir encontrar os primeiros discos. – Klaus parecia realmente surpreso. – Você é primeira garota que diz ter mais discos dele que eu.
Você disse que nunca conheceu uma garota
Que tem tantos CDs do James Taylor quanto você
Mas eu tenho
Nós contamos histórias e você não sabe
Por que eu começo a ficar tímida
Mas eu sei
Seguiram falando sobre seus tipos de músicas favoritas e Caroline ficou muito feliz ao saber que Klaus também curtia música clássica. E conforme o papo fluía, ela ficava mais tímida, tinha um pouco de medo em olhar nos olhos dele e nunca mais parar de fazer isso. Tinha um pouco de vergonha de querer olhar atentamente cada parte do corpo dele e guardar isso em sua mente.
Por mais cavalheiro que fosse, Klaus não conseguia parar de imaginar o quão bonito deveria ser o corpo de Caroline e ansiava por saber se um dia poderia tê-la em seus braços. Estava se sentindo muito atraído por aquela loira de pele clara e delicada. Talvez estivesse, na verdade, se apaixonando por ela.
E nós caminhamos pela quadra, até meu carro
Eu quase menciono ele
Mas você começa a falar dos filmes
Que sua família assiste todo natal
E eu quero falar sobre isso
E pela primeira vez
O que passou, passou
Depois de horas seguidas conversando sobre suas vidas, ambos começaram a caminhar até onde ela havia estacionado seu carro. Caroline teve uma vontade absurda de contar tudo para Klaus, esclarecer as coisas sobre Tyler, sobre seu passado tão recente. Mas Klaus interrompeu seus pensamentos ao falar de sua família e das coisas que costumam fazer aos natais. Ele disse, com descaso, que comparecia forçadamente a essas reuniões de final de ano, já que não se dava muito bem com seu pai.
E Caroline se interessou pelo assunto, ela queria saber por que Klaus tinha problemas com o pai, ela não queria mais falar do passado, apenas queria viver seu presente. Com Klaus.
Eu tenho passado os últimos oito meses
Pensando que tudo o que o amor faz
É quebrar, queimar e acabar
Então em uma quarta-feira, em um café
Eu vi começar de novo
Ao chegarem em frente ao carro, Klaus parou em frente a ela e mais uma vez sorriu, a fazendo sorrir também.
– Bem, chegamos. – ele disse. – Eu...
Caroline o interrompeu subitamente, com um beijo inesperado. Ela apenas desligou o medo da possível rejeição, e o beijou. Klaus levou as mãos ao rosto dela, enquanto se beijavam com extremo carinho e necessidade. Ela subiu com a mão pelo peito dele indo até sua nunca, acariciando o local. Ambos sentiram uma forte corrente de calor tomando seus corpos, os fazendo estremecer. Ao encerrarem o beijo, ficaram com as testas coladas, um a encarar o olhar do outro.
Os últimos oito meses de Caroline nem de longe foram os melhores de sua vida, mas aqueles dois últimos dias tinham feito tudo valer a pena. Ela sabia, e não escondia de si mesma, que havia se apaixonado por aquela figura totalmente diferente de Tyler e de todos os outros caras que já passaram em sua vida. Sabia que com ele existiam possibilidades de realmente ser feliz.
Sabia que estava começando de novo.

Notas finais
Preciso da opinião de vocês. Beijos.
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