Notas iniciais
Esse é um capítulo BEM esperado! hahahahhaha
Sim é percabeth. Acho que vocês vão gostar!!!

-Você quer ir á casa de madeira hoje? — Percy perguntou, enquanto nós estávamos na fila do café. Em plena quarta-feira de manhã e aquele lugar continuava cheio como se fosse um sábado.

-Claro.

Eu precisava me afastar um pouco. O primeiro bimestre estava chegando ao fim, e ás provas estavam me afundando direto para o fundo do mar; quero dizer, é difícil pegar o ritmo de uma escola nova quando a sua antiga não era tão exigente.

-Quando nós terminarmos de almoçar, então? — ele disse, e a fila andou um pouco.

-Porque a gente não faz um piquenique? Está calor. Nós podemos sentar perto do lago e respirar um pouco de ar puro e...

-Por mim tudo bem — ele respondeu, com um sorriso doce no rosto.

A ideia me animou. As outras aulas passaram rápido, o que foi bom, porque eu não estava prestando muita atenção; algo me bloqueava. Então veio na minha cabeça á música "Poison & Wine" e eu começava a pensar um pouco mais.

Fiquei com aquela música na cabeça até que chegou a hora da saída. Eu e Percy fomos o caminho inteiro combinando o que levar pro esconderijo. Logo que chegamos em casa ouvimos minha vó na sala de costura. Fui avisá-la, mas ela não deu muita atenção.

Arrumamos as coisas e logo fomos para a floresta. Hoje dava pra andar na trilha á vontade, porque o sol estava forte e o caminho, totalmente iluminado.

Colocamos a coberta no chão, um pouco longe da casa de madeira, e arrumamos as coisas.

-Coloca uma música — eu pedi, enquanto colocava os lanches nos pratos.

Começou á tocar "The Argument", do Aidan Hawken. Eu gostava muito dessa música, e parecia que ele também, pois não a mudou. Ele se sentou do meu lado e pegou o seu sanduíche, olhando para um ponto determinado do lago.

Eu podia sentir o vento batendo em meus cabelos. O ar puro, o cheiro de liberdade e sossego. Peguei o meu sanduíche também, e eu e Percy ficamos conversando sobre cavalos e grama. Um assunto estranho, claro, mas isso era o de menos; não faltava assunto quando eu estava com ele.

-Você vai sair com Jason, né? — ele perguntou, um pouco depois, enquanto nós estávamos deitados no cobertor, depois de bater aquela preguiça "pós almoço". Eu estava olhando para o céu, coberto pelas árvores saudáveis daquele lugar.

-Com a Bianca. — eu tentei me explicar.

-É um encontro duplo.

-Não é um encontro — eu disse, agora me virando para ele. — Não pra mim.

-Você não gosta do Jason, então?

-Eu já disse várias vezes... Eu não gosto dele. Nem um pouco.

-Mas ele gosta muito de você.

Fiquei um pouco em silêncio, observando sua expressão.

-Não sei o que ele vê em mim...

-Não sabe? — ele disse, em tom de zombamento.

-O quê? É verdade.

-Não é.

-Você tem medo de amar — ele disse, sorrindo.

-Não, não tenho — eu sorri, como se fosse automático. Ele tem um sorriso contagioso.

Começou á tocar "Please Don't Leave Quite Yet", do Adam Agin.

-Tem — ele disse, insistente.

-Você gosta de alguém? — eu perguntei. Eu precisava fazer essa pergunta; isso estava me matando, apesar de saber que eu me arrependeria depois, de alguma forma.

-Hm... — ele pareceu pensar.

-Seja sincero.

-Gosto.

-Quem é?

-Não sei se eu posso te contar.

-Mas porquê? Você vai começar á esconder coisas de mim agora, é? — eu disse, fazendo bico.

Ele riu.

-Não sei se você vai gostar da resposta.

-Porque eu não gostaria? — então eu franzi a sobrancelha.

Ele, de repente, levantou e sentou. Ele ficou olhando para o lago; e eu o observava, ainda deitada na toalha. Suas bochechas coradas, seus olhos verdes procurando por algo e sua boca. Sua boca é...

-Porque eu não tenho certeza dos sentimentos dela.

-Você já tentou contar pra ela?

-Não. Mas eu dou vários sinais — então ele suspirou.

Sentei-me do seu lado, tão perto que sua perna tocou a minha. Mas eu não me afastei; ao invés disso, fiquei observando sua expressão.

-Quem é? Me diga.

-Não vai fazer diferença.

-Porquê?

-Porque ela não ia gostar de mim, de qualquer jeito.

-Uma menina que não corresponda seu amor é uma burra, Percy.

Ele olhou pra mim.

-Quer mesmo saber?

Fiz que sim com a cabeça.

Então ele me surpreendeu.

Ele chegou perto de mim, lentamente, e eu senti nossos lábios se tocarem. Era como se eu estivesse experimentando o chocolate mais gostoso do mundo, sentindo o cheiro de um perfume bom ou como se eu houvesse recebido o presente mais lindo do mundo vindo de alguém especial.

Fechei meus olhos e me deixei levar. Eu queria aquilo, muito, apesar de sempre achar que tudo se resumiria em amizade.

Depois que nós nos afastamos, olhei em seus olhos verdes.

-Eu?

-Sempre foi... — ele disse, um pouco sem jeito.

Não pude deixar de sorrir.

Começou á tocar "Between Us", do Peter Bradley Adams. Tudo parecia um sonho... Um sonho lindo.

E nós nos beijamos.

De novo. De novo. De novo...

Eu me sentia feliz. A única pessoa que eu havia beijado, antes de Percy, era meu ex namorado. Nosso beijo foi meio que forçado, então eu nunca havia o considerado aquele como o meu primeiro beijo.

Portanto, esse era o meu primeiro beijo. Primeiro e único, o mais bonito.

Ficamos ali, a tarde inteira. De mãos dadas, abraçados, dizendo coisas bonitas um para o outro. Mas não era por obrigação; ambos de nós queríamos isso. E eu começava á perceber que isso havia sido desde o começo.

Agora eu começava á acreditar em destino. Meu coração fora reservado especialmente para o garoto que cuidava da minha vó e que me amava.