Before of Darkness
1 Prefácio - Olhos Negros
Notas iniciais
Before of Darkness
Prefácio
Bunkyou -Tóquio — Japão.
Victorestava, como sempre, concentrado em seus pensamentos, totalmente perdido na visão do satélite da Terra. Desde que o famoso grande demônio – Kishin – sumiu da Lua, ela, por sua vez, retomara seu esplendor. Deixara sua coloração negra, que permanecera por quase dez anos, e assumira o seu velho brilho amarelado, preguiçoso e hipnótico.
O rapaz continuava a olhar para o céu, no terraço da Torre Prateada, quando um estrondo há 5,22 km de distância o despertou. Victor sabia exatamente a localização do som, pois desde que se transformara em uma Death Scythe seus sentidos ampliaram e ganharam força a cada dia de treinamento. Atualmente, bastava concentrar-se para sua audição, olfato, tato e, agora, seu radar o mostrarem com detalhes as informações que queria.
Através de uma leve brisa o garoto sentiu um sentimento escuro o atingir. Ele estava normal em um momento e, no outro, sentia-se como uma mosca envolta de um furacão milhares de vezes mais poderoso. Era uma massa de escuridão tão densa que se seu antigo companheiro, Michel, estivesse vivo, já estaria no chão com o peso da energia negra em sua alma.
Mic, como era chamado, era um habilidoso Meister com as espadas, no entanto, ele era mais conhecido por sua detecção de alma impecável. Mesmo de longe poderia sentir as vibrações de alma mais verdadeiras de qualquer criatura. Ele não precisava de menos que alguns segundos para descobrir a fraqueza de seus oponentes. Não é a toa que em apenas um ano ele transformara Victor em uma Death Scythe. Um recorde para a Shibusen.
Uma explosão seguida de outra atravessou o ar, causando um barulho ensurdecedor. "O que diabos está acontecendo?" — Victor se intrigou e lutou com a sua vontade de ficar e, enfim, levantou e decidiu correr para o Centro do bairro japonês. — "Se eu fosse um Meister como o Mic tenho certeza que não conseguiria sequer me levantar".
Depois de alguns pulos pelos telhados do pequeno bairro, e, ainda lutando contra os sentimentos de inferioridade que o abatia, devido a energia negra que sondava o local, o garoto correu como o próprio vento em direção a Praça da Paz.
"De paz não tem nada esta praça! Parece que todas as coisas negativas de Tóquio, uma hora ou outra, são atraídas até ela" — pensou nervoso com a dificuldade de respirar que sentia com cada passo.
Ele pulou em uma calha de uma casa enorme e saiu escorregando através dela, para então pular novamente e fincar a espada em uma parede e usá-la como apoio na virada e caída do beco, que terminava na Praça da Paz. Quando se levantou para continuar a corrida seu coração bateu dolorosamente em seu peito. Ele teve que parar para se concentrar e lembrar o que o motivava a prosseguir. Não entendia que tipo de energia era essa que podia mexer até mesmo com uma arma e paralisá-la de medo. Porque era assim que ele sentia-se — com bastante medo. Até que escutou claramente em sua mente:
"Fique onde está!" — Victor paralisou, quase topando em suas próprias pernas com o ritmo de sua corrida.
Uma explosão ecoou repentinamente. Um globo de luz negra cobriu toda a extensão da Praça da Paz, logo a frente. O suficiente para que levasse embora qualquer vida que ali estivesse. Não houve som, nem gritos de socorro, nem clemência da parte das pessoas. Aconteceu tudo tão rápido que Victor não teve ação nenhuma. Ele continuou inerte, sem saber o que fazer. O medo o invadiu como nunca acontecera antes. Suas mãos, já transformadas em espadas, tremiam levemente. "Eu... Eu tenho que fazer alguma coisa... Mas eu não consigo sequer me mexer. Eu sei que no final do beco essa alma espera ansiosa para me matar, mas... "
"Vá com fé" — Ele escutava a voz de Mic através de suas memórias.
"Era isso que ele falaria comigo, sempre quando acontecia algo parecido".
Ele correu. Correu retirando qualquer tipo de pensamento de sua cabeça. Ou era naquele momento, enquanto não conseguia processar nada, ou não seria nunca. Ele tinha a responsabilidade de proteger os cidadãos de Tóquio. E o faria a qualquer custo.
Cinco passos foram suficientes para chegar na calçada da Praça. Com seu coração ainda mais acelerado, parou bruscamente ao encarar a realidade a frente.
Aproximadamente vinte pessoas que encontravam-se na Praça da Paz estavam espalhadas pelo lugar, mortas, como se simplesmente seus corações estivessem parado e levado consigo suas vidas. Victor encarou mais a frente e percebeu a figura de cabelos e olhos negros. Ele parecia um samurai do antigo império japonês com seu kimono preto aberto no peito, mostrando o peitoral bem definido, uma espada enferrujada na mão esquerda e os olhos puxados, fixos no recém-chegado.
Victor sentia raiva, medo, nojo, tudo de uma vez só. Mas conseguiu segurar seu olhar naquele homem desconfiado e cheio de ódio. Seus olhos brilhavam de pura indignação. Parecia que ele estava tentando matá-lo apenas com o olhar, ou surpreso pela aparição repentina do garoto albino.
"Você não sente medo?" — Ele o perguntou, através de seus pensamentos.
Sim. — A resposta foi imediata, um ato sem pensar talvez, mas era a verdade. — "Foi você quem matou todas essas pessoas?" — Indaga, apenas pensando a frase em sua mente, para testar suas suspeitas.
"Quem sabe?!" — O homem de preto responde calma e sarcasticamente brincando inconscientemente com a espada, como se não fosse mais que uma pena que estivesse segurando — "Agora que passei no seu teste, responda-me seu nome".
"..." — O susto pelos seus pensamentos serem lidos o toma a voz e o raciocínio.
- Responda! — Dessa vez ele fala, mostrando sua voz rouca e impaciente.
- Victor Silvery. — O garoto responde com raiva, enrubescendo em seguida.
"Por que diabos estou respondendo-o? Eu tenho que matá-lo! Eu tenho que pará-lo! Eu tenho que me mexer!"
- Você não tem que fazer nada — O samurai responde já aparecendo logo atrás do garoto, com seus braços envolvendo-o por trás, e apontando sua lâmina enferrujada para a garganta do alvo — A não ser esperar sua morte... — Um arrepio percorreu toda a espinha de Victor — Pa-ci-en-te-men-te. — Ele completa pausadamente, colocando seus lábios sobre a orelha do garoto. — Victor...
.-~~~-.
Notas finais
A história já está semi-feita. No entanto, nada melhor do que editar de acordo com os comentários xD
Fale com o autor