O apartamento era bem simples, tinha uma cor neutra e quase não havia móveis, só os mais necessários. Todos os colchões tinham sido repassados para a sala. Eles precisavam ficar juntos o tempo todo, e caso ouvissem algo dava para avisar à todos rapidamente.

Michael está pronto para sair, mas Brenda irá junto. A garota implorou muito para deixá-la ir com ele, já que a proteção de Teresa e dela é prioridade máxima. Mas ela acabou conseguindo.

– Vamos logo, Brenda! — ele chama sua filha.

– Tô indo, papai!

A garota chegou à sua frente com um rabo de cavalo. Porém, ele envolveu os ombros dela com o braço esquerdo e sairam.

– Já volto. — diz para as duas que ficaram.

Ele fecha a porta.

Uma idosa fica observando com desgosto para o pai e a filha enquanto descem a escada. Michael responde com um olhar inespressível até que suma de vista na escada. São quatro lances de escadaria, ele escolhe essa opção para não chamar atenção.

Os dois apressam o passo quando percebem que está ficando tarde. A noite da cidade, não só em essa mas em todas, não são muito seguras, principalmente essa que está em estado de contaminação. Os guardas dizem que são totalmente seguras, mas houve casos que provaram o contrário.

Dentro da padaria, eles conseguem ver um guarda imobilizando um homem. Depois, o guarda ajoelha perto da cabeça do homem desmaiado e um tipo de gosma azul o encobre fazendo-o pretificar.

– O quê aquele homem fez, pai?

– Ele violou as regras da cidade, filha.

A garotinha não falou mais nada depois, pois sabia que o que tinha acontecido, sabia que o homem estava contaminado, e é isso que acontece quando te descobrem. Ela só queria acalmar o pai, fazendo-o pensar que era inocente. Ela observa a fila e tem a impressão que vão ficar por um tempo lá.

Enquanto isso...

Karen senta de perna de chinês no centro do apartamento.

– Sente aqui. — A mulher chama Teresa.

Teresa se senta lentamente por causa dos machucados: primeiro encostada as mãos no colchão e depois se senta. Pelos joelhos ralados, ela pega sua perna e vai dobrando-a, faz o mesmo com a outra.

– Já estava na hora.

– Oh, tudo oque você pensa de mim é mentira.

– Nossa, ótimo começo. — diz com deboche.

– Fica quieta e me ouve. Eu não te sequestrei porque você ferraria um suposto plano, não exatamente.

– Como? — Teresa indaga contraindo as sobrancelhas.

– Eu estou tentando salvá-la. Quando te raptei, era para te afastar dos experimentos inúteis.

Teresa pensou em perguntar o porquê eles são inúteis, mas já sabia resposta. Sabia que a cura não iria ser descorberta, nunca concordava no modo de pensar deles, e por isso tentava convencer Thomas sobre isso. No dia da transcrição, ela só mentiu porque estava diante das câmeras.

– Somos partes de um grupo chamado Braço Direito, estamos juntando forças para derrotar o CRUEL, mas por enquanto, não podemos fazer quase nada.

– Então, aquela explosão na cidade eram vocês?

– Sim. Quanto menos recursos eles tiverem melhor, só que não podemos sair explodindo tudo porque: não temos explosivos o suficiente e precisamos guardar para a população, se não a epidemia vai matar todos.

– Quando começou isso?

– Um pouco antes do CRUEL ser criado. Na verdade, basicamente, recriamos essa ideia, porque eram só um grupo de cientistas com o Fulgor no cérebro.

Quando a garota ouviu a palavra "Fulgor", parece que ela foi atravessando tudo que tinha pelo caminho da sua cabeça, deixando restos somente. É isso que ele faz com você.

Teresa se levantou e olhou pela janela. Precisava de um tempo para refletir sobre a vida, não atual, mas futura.

Enquanto refletia ela avista os dois andando pela calçada rapidamente.

– E quanto a eles? Quando vai contar?

– Amanhã.

Pouco tempo depois eles entraram assustados e com pressa.

Jogaram o saco de pães no colchão e lá mesmo comeram. Estavam famintos. Esperaram até cair a noite para finalmente descansar.

No dia seguinte, quando o sol ainda estava nascendo, Michael preparava o café da manhã.

– Sou do Braço Direito. — Karen finalmente falou, encostando seu braço na porta da cozinha.

– Eu sei. Suas histórias não batiam com as minhas, mas tudo bem, eu já os apoiei por um tempo.

– E por quê desisitiu? — fala calmamente sem preocupação, já que ele não ficou nervoso por isso, ela não vai arrumar confusão.

– Botam outros em risco.

– Hum. Quanto tempo?

– Desde o primeiro dia.

– Queria te contar mais cedo, só que...não sabia como.

Ela prossegue:

– E quanto a sua família? Não se importa?

– É oque eu mais faço. Mas fazer o quê? Eles me caçariam de um jeito de outro.

Karen faz uma expressão de desetendimento, mas logo pega a idéia.

– Sua filha...é uma Imune.

– Só estava esperando a hora que faltasse recursos para eles. Mas agora, você adiantou o processo.

Ele desliga a água da torneira e vai para sala secando as mãos na calça. Abre as janelas da sala para ventilar o lugar, já que não podem fazer isso à noite. Ele se debruça em uma delas e inspira profundamente o ar fresco de fora. Mas a sensação de prazer logo acaba quando um bando de atiradores vem em direção ao prédio.

– Sabia. Droga!

A mulher rapidamente entendeu.

– Como nos acharam... — parou no meio do caminho quando olhou para Teresa. Eles deviam ter tirado o chip o mais rápido que pudessem. — Eles nos achariam de qualquer jeito, porque pediriam o histórico de entrada da cidade.

As crianças acordam com as sacudidas no corpo e com os gritos nos ouvidos.

– Peguem suas coisas rápido! Vamos voar daqui...literalmente.

Todos pegam suas mochilas, foi rápido porque elas já estavam prontas.

Michael pega sua arma na mesinha da sala e a destrava, Karen tira a sua debaixo do travesseiro e aponta para porta. Ele mete a mão na maçaneta e vira, Karen está dando cobertura um pouco atrás dele.

Uma mulher morena se encontra no outro lado da porta apontando a ponta da pistola para ele. Ninguém atira. Karen acha estranho porque ele não o faz. Os dois a conhecem.

– Ivy! — Os dois a reconhecem ao mesmo tempo.

A recém-chegada se aproxima e dá um curto abraço com tapinhas nas costas de Michael, em seguida, repete em Karen.

– Vamos dar o fora daqui. — ela diz pulando de adrenalina.

Ouvem a marcha dos atiradores se aproximando enquanto sobem para o terraço.

As duas crianças se olham perguntando-se mentalmente quem é a aquela, mas a resposta acaba em um balançar de ombros.

Chegam ao um pequeno corredor no último andar. Correm até uma porta de ferro, seu estado está um pouco enferrujada. Michael levanta a perna para arrombá-la, mas Ivy lhe imterrompe.

– O quê estava tentando fazer? — Sussurra.

Ela gira a maçaneta e a porta se abre. Sobem mais um pequeno lançe de degraus e chegam ao terraço. Ivy corre para o meio fio.

– Espera, mas oquê estamos fazendo... — Karen questiona, porém não continua quando vê a brilhante ideia.

– Como acham que cheguei aqui? — A recém-chegada diz segurando um fio de aço.

Então o restante corre em direção ao meio fio, pegam o fio comas duas mãos e começam a descer. A altura é bem alta, apesar de ter só 5 andares, olhar de baixo para cima se parece bem menor. Ivy vai na frente e logo atrás desce Brenda, Teresa e Karen, Michael ficou dando cobertura. Cada vez que as garotas trocavam de mão, calafrios percorriam todo seus corpos, parecia até que perderiam a força e cairiam.

Os soldados vão em direção ao terraço. Eles vasculham todo o apartamento, como nada encontram, seus pensamentos foram direto ao terraço.

– Já pode descer! — Ivy grita perto do chão, depois pula caindo com as duas mãos no asfalto.

Michael segura o cabo.

Pow!

O tiro ecoa no ar e o tempo anda lentamente, parecendo durar a eternidade, pelo menos para Brenda. O tiro demorou o tempo da vida de Brenda, enquanto ele rasgava o ar até atingir o braço de Michael, deixava uma cicatriz em sua história, como se ela fosse o próprio ar. O sangue respinga e demora uma década até atingir o rosto da filha.

– Pai! — Brenda solta um grito de dentro da alma.

– Brenda, presta atenção! — Teresa responde ao seu grito.

O atirador se aproxima do pai e pressiona o braço ferido com o pé no concreto. Michael solta um gemido.

– Você foi um erro no CRUEL. — O atirador protesta friamente.

– O CRUEL foi um erro para o mundo. — Michael cospe as palavras com sangue.

– Nunca deveríamos ter colocado um Imune como segurança chefe.

– Você achava oquê? Que íriamos ser domesticados igual animais por vocês? Nunca! — No final ele se esgasga com o próprio sangue. Ele cospe uma poça.

– Por quê liberou recursos para o Braço Direito? — Ele grita com Michael.

– Para salvar o resto que sobrou do planeta!

– Mentira! — O atirador responde ao seu grito, logo, encosta o cano do fuzil na testa dele. — Fale a verdade!

Brenda começa a escalar o prédio outra vez. As lágrimas dificultam sua visão.

– Brenda, desça agora! Você vai cair! — Karen grita. Logo após, começa a escalar o prédio o mais rápido que pode. Os braços fracos da garota não vão sustentar seu peso por muito tempo.

A garota apoia seu pé nas engrenagens de um ar concionado. Ele range.

– Me diga a verdade, seu cadáver em forma de gente. — O soldado insiste apertando mais e mais o gatilho.

Michael estava realmente parecido como um cadaver, pele pálida, olhos se ressecando, a única forma de dizer que não era um porque ainda suava, e seu suor continha pura dor, tanto física quanto emocional. Mentalmente, o pai pede desculpas à filha. Porém, usou a última gota de energia para dizer as últimas palavras destinadas, principalmente, ao soldado:

– Vai a merda!

O tiro estorou sua cabeça com um pedaço do meio fio.

– Cuida... — Karen tentou avisar.

O ar condicionado se soltou da parede, Brenda tentou se segurar na corda novamente, mas acabou pegando somente com as pontas dos dedos e caiu. O objeto quase arrancou o braço de Karen, mas ela jogou seu corpo para o lado contrário. Quando observou o céu acima, apenas visualisou uma sombra batendo em seu rosto fazendo-a cair. Uma sombra nunca doeu tanto.

karen colidiu com o chão abraçando Brenda. Por sorte, elas apenas estavam à um andar do chão. Ela girou o corpo e largou a garota. As duas ouviram um grito, mas não conseguiram reconhecer oque estava tentando passar. Sentiram dois braços puxando cada uma pelo chão, não se preocuparam para saber oque estava acontecendo: Karen pela dor profunda nas costas e Brenda pela dor no coração.

Um corpo, praticamente, entra dentro do asfalto quando colidi de bruços. O sangue se esvai dele e gotas pingam na lateral do rosto. Uma cena horrpilante.

Michael.

Notas finais
Espero que estejam gostando da fic :) Não se esqueçam de comentar para que a história continue. Vou tentar publicar o capitulo 12, mas não sei se vou conseguir, porque viajarei. Mas farei de tudo. Obrg a todos!