Before everything
10 O X da questão
pov de Minho
Já faz três dias que Teresa foi raptada, todos tentam nos enganar mas sabemos oque aconteceu, só não sabemos o porque. A explicações deles foram nos jogar dentro do domitório, e nos fazer dormir obrigatóriamente com um soro. Nós pedimos isso, mas é porque queremos pelo menossaber um pouco do assunto.Não estou mais com Thomas, me mandaram de volta para minha antiga ala. Ainda não sei porque fizeram isso, antes o chanceler nos avisou que iríamos ficar na mesma zona, que mudaria nossa rotina porque éramos grandes candidatos para eles, e agora mudam de repente todo o planejamento. Por mim, não acredito que esteja envolvido com caso de Teresa, mas ainda vou descobrir, e não vou fazê-lo sozinho.Estou no dormitório, esta zona não é muito boa porque são umas das primeiras, umas da diferenças dela com a zona D é porque não tem vista para o deserto. Pelo menos a que estou é mais perto do refeitório. Meu amigo Newt está na minha frente, contando várias historias da rotina dele e o oque aconteceu quando estava longe deles, alguns detalhes percebe-se que ele inventou, mas em um mundo como esse oque nos resta é imaginar tudo que queríamos fazer. Ele é meio engraçado, pelo menos eu não acho muito divertido suas piadas, os outros morrem de rir, mas Newt é menino bom. Não estou aprestando atenção, minha cabeça esta como um quebra-cabeça quase totalmente incompleto.– Cara, você perdeu muita coisa quando estava fora. – Quando você diz assim parece que eu viajei ou me mudei.– De novo essa historia? – Newt não pensa muito antes de falar, então fico corrigindo-o toda hora para saber se expressar bem.– Algum dia você vai falar assim e...– Já sei, já sei. Eu vou falar assim em alguma situação e vou acabar me ferrando.– Muito bem, por caso...– Você sabe alguma coisa da garota que foi sequestrada? – fui interrompido novamente, já estou acostumado. Quando tentei falar, ele começou a me dublar. – “Sim, eu sei, e vou te contar tudo por Tim-Tim por Tim-Tim” – Em seguida, ele cruzou os braços observando-me.– Caramba, Newt você quer saber de tudo.– Todo mundo quer saber sobre isso. Então...– Olha, ela não quis contar nada, nem sei como me meti nessa confusão.–Hum – Depois ele se deitou e se cobriu. – Boa noite. Estranho ele não ter implorado mais. Muitas vezes precisamos gritar com ele para parar de falar.– Boa noite. Vê se não me acorda dessa vez de madrugada. – Pode deixar hahaha.Impossível imaginar esse garoto de outro jeito, ele podia mudar parando de interromper as pessoas, mas mesmo assim não dá para imaginar ele educado. Às vezes agradeço que seja desse jeito, ele que deixa esse clima apocalíptico mais divertido, apesar de ele ser o mais bagunceiro e os supervisores fiquem com vontade de tacá-lo pelo penhasco, ele relaxa o pessoal.Estou com Thomas no dormitório, assistindo o pôr do sol pela vidraça. Pela expressão de Thomas, deve estar armando um plano para descobrir mais coisas sobre o assunto do rapto. Ele vira para mim com os braços cruzados e diz:– Precisamos fazer algo.– Você está delirando, Thomas?– Não, por quê?– Por quê?! Não podemos fazer nada por ela! – disse com uma voz exaltada.– Claro que podemos. Se ouvíssemos...– Se nós descobríssemos algo sobre o assunto, o quê iríamos fazer depois? Nada.– Podemos descobrir onde ela está.– É capaz de eles próprios não saberem. Também nós nem sabemos como ligar um Berg.– Mas temos que saber alguma coisa sobre isso, não podemos ficar parados aqui sem fazer nada enquanto Teresa está desaparecida. – Não sei, não.– Por favor, Minho. – implorou como uma criança de cinco anos.– Tá, vamos rápido.Em seguida, abrimos a porta do dormitório e paramos no meio do corredor.– Por onde nós começamos? – murmurei.– Deixa eu ver. – ele disse colocando a mão no queixo.– Como assim “deixa eu ver”?– Já sei... Vamos para a sala do projeto. Lá que eles fazem reuniões do chanceler.– Mas não é em outro prédio?– Isso mesmo.Ouvimos passos vindo de trás do corredor, então saímos correndo de disparada sem fazer barulho, uma coisa rara que acontece com agente.Chegamos à pequena clareira entre os prédios. O céu estava meio arroxeado e alaranjado, mais alguns minutos o sol iria desaparecer. O clima estava tenso naquele espaço, me deu até arrepios. Folhas formavam redemoinhos na terra, a floresta parecia que emitia algum tipo de energia negativa como se todos tivessem fugidos para floresta nos deixando sozinhos. Parecia mais com uma cena de terror.De algum modo nenhum guarda veio atrás de nós, apesar de ter câmeras de vigilância a cada metro quadrado desse lugar, isso aumentou ainda meu medo de todos terem ido embora.Thomas fez um sinal com o braço para segui-lo. Atravessamos a clareira do terror.– Vamos tentar ser o mais rápido possível, não estou gostando da ideia que ninguém não nos detectou.Subimos as escadas pulando em dois em dois degraus. Felizmente a sala do projeto era no segundo andar. Ao chegar ao corredor onde se localizava a sala, tomamos um susto com um guarda que estava parado em frente à porta, no mesmo instante, nos escondemos na parede ao lado. O palpite de Thomas estava certo.
– Mas que droga. – Thomas sussurrou.– O quê agente faz? – Sussurrei do mesmo jeito. Também se não fizermos isso o guarda nos ouviria.Paralisamos-nos por um momento, não sou bom em situações como essa, parece que minha mente para, sou daqueles que tem planejar tudo antes de fazer qualquer coisa. Já Thomas é o contrário. – Tive uma idéia. – ele tentou sussurrar, mas saiu um pouco alto.Thomas se virou contra a parede metálica e a chutou. O ruído percorreu todo o corredor.– O quê você fez? – Praticamente gritei.O barulho dos passos do homem foram ecoando pelo corredor. Observei para o rosto de Thomas com um olhar você-é-maluco-cara. De repente, o guarda surgiu em nossa frente com um teaser.O quê você fez,Thomas?Acordei com os tapas de Newt e ele me pegando pelos ombros puxando-me para cima e me jogando de volta para a cama.– Newt, eu já não disse para você não me acordar de madrugada? – falei sonolento.– Se oito horas da manhã for madrugada para você, é só avisar.– Mas o quê?! Que droga! Por quê você não me acordou antes? – disse levantando assustado– Estava bolando um jeito de te acordar. Dessa vez não foi fácil, estava com o sono pesado.Vesti-me rapidamente, dei uma ajeitada no cabelo com as mãos e joguei uma aguá no rosto para despertar, apesar de eu estar com os nervos lá em cima.Newt complementa:– Foi melhor do que ter jogado um balde d’água em cima de você.– Para de falar e vamos logo tomar o café da manhã, nós só temos mais meia hora.Não havia quase nenhuma criança no refeitório, acho que só tinha umas três crianças acabando de comer. Logo, uma moça de cabelos loiros chegou com duas cambucas dando-as uma para cada. Nelas continham, pelo menos pela quantidade, uma banana cortada, uma pêra, uma maçã e três morangos.– Sempre a dupla dinâmica, né? – A moça falou sorrindo.Veio um homem atrás da moça loira e nos entregou dois copos de suco de laranja, o moço era careca, alto e com a pele escura. Em seguida, os dois desapareceram porta adentro no final do refeitório.Comemos quase sem mastigar as frutas e bebemos o suco em 3 segundos, um pouco escorreu no meu queixo e esfreguei as costas das minhas mãos na boca, Newt soltou umas risadas, também não consegui conter as minhas.Por causa da correria chegamos atrasados na aula. A professora nem reclamou de nada, só fez um gesto com a mão para nos sentar, só tinha duas carteiras vazias, era a nossa. Quando nos sentamos um garoto estendeu a mão com duas canetas, e uma garota jogou quatro folhas na nossa mesa. Esquecemos o material.Thomas se localizava na primeira carteira, fissurava um só ponto do quadro com um olhar impenetrável. Eu e Newt nos sentávamos quase na ultima fileira, ou seja, em nossa diagonal dava para ver a única carteira sozinha e desocupada, a de Teresa.A voz da professora começou a me dar sono, tentava manter minhas pálpebras erguidas, mas não consegui, me belisquei e acabei caindo no sono profundo. O sussurro de Newt foi a ultima coisa que eu ouvi antes de tudo desaparecer.“Minho, acorde”.Cara, nunca mais confio em Thomas, o que ele tem na cabeça em chutar a parede se estamos tentando fazer menos barulho possível? Agora ele esta vindo até nós e quem sabe oque vai acontecer. Cada vez que ouvia seus passos se locomovendo rápido em nossa direção minhas pernas tremiam. Acho que meu sangue foi substituído por pura adrenalina.O guarda surgiu perante a nós com seu teaser brilhando em azul na ponta.Merda, Thomas!Thomas correu e o golpeou nos joelhos, consegui ouvir seu joelho estalando, em seguida, deu uma joelhada no nariz do homem fazendo respingar um pouco de sangue. Peguei o teaser no chão e pressionei um minúsculo botão na lateral do aparelho, ele emitiu uma luz azul, sem perder tempo encostei em seu pescoço lhe fazendo desmaiar sem dar um gemido se quer.– Mando bem... — disse Thomas soltando um suspiro ao mesmo tempo.– Cara, por favor, nunca faça mais isso. – pedi recuperando-me do susto.– Não prometo nada. Seguimos em direção à porta e nos agachamos um na frente do outro, como um procedimento clássico, fizemos uma forma de cone com as mãos e encostamos nossos ouvidos nela. Parece que as vozes que vinham de dentro da sala estavam falando sobre oque nós estávamos procurando.– Pelos dados que foram recebidos, encontramos Teresa – nos olhamos um para outro – mas ela fugiu com os supostos sequestradores. – Uma voz masculina se pronunciou, muito parecida com a do novo chanceler– Na área detectada houve uma explosão de uma das cidades no deserto. – Outra voz masculina só que mais fina.–Acredita-se que seja um grupo insurgente e terrorista contra o CRUEL. – o chanceler articulou-se.– Que seria? – a voz masculina fina se pronunciou novamente.– Um grupo que trabalhava para CPC que era contra as regras do CCP. Bem antes de o CRUEL ser criado.– Mas eles já não foram exterminados?– Esse é o X da questão. De acordo com os nossos dados foi só um grupo de cientistas contaminados com o Fulgor. Mas não entendemos por que continuam a nos enfrentar mesmos sem recursos?– Talvez eles queiram juntar os mesmos para acabar com agente, ou talvez, estejam nos estudando até a hora de atacar. – uma voz feminina entrou na conversação.– Iremos estudar todos os casos. Também foi registrado três quedas de Bergs, um deles era o de Teresa, mas por sorte ainda foi-nos enviado mais um ultimo sinal. O outro foi o nosso, mas o terceiro ainda continua desconhecido.O chanceler continuou:– Como isso não é uma simples historia de amizades, deveremos caçá-los e matá-los e recuperar a garota, sem mais nenhuma exceção, o resgate da menina é prioridade máxima, então matem todos que nos impedir de recuperá-la. Entendido?– Sim, senhor! – Toda sala lhe respondeu ao mesmo tempo.– Reunião encerrada. Voltem aos seus postes, já que o sistema está se reinicializando não devemos confiar muito, já aconteceram coisas demais.Agora sim a situação piorou, nem eles sabem onde ela está, e que talvez esteja com um grupo de terroristas que desapareceu a não sei quantos anos. Acho que hoje á noite vou ter que conversar com meu amigo Eddie, de novo. Eu nem sequer sei se ela está viva ou morta, nem eles próprios sabem. Pelo menos uma coisa teve explicação essa noite, o porque ninguém nos detectou.Corremos para nossos dormitórios desviando dos supervisores noturnos. Jogamo-nos na cama.– Você estava certo, Minho. – disse Thomas com menor entusiasmo possível. – Nem eles sabiam onde ela estava.– Viu, não disse para você. Porém, não podíamos ficar aqui sem saber de nada.– E também, o que nós podemos fazer não é mesmo? Acho que só nos resta é sentar e esperar. – No inicio da frase ele se exaltou um pouco, mas depois continuou depressivamente.– Vamos falar com o chanceler amanhã.– Falar o que, Minho?– Você sabe, iremos tentar pelo menos.– Talvez. Precisamos dormir, amanhã tem projeto, lembra?– É verdade.Em seguida, Newt me acordou fazendo-me voltar finalmente à realidade. Muitas vezes prefiro viver sonhando a enfrentar a própria realidade.
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