Before You - 3 Temporada
10 Limites
“Existem pessoas que chegam devagar…
e, quando você percebe, já são tudo.”
POV BELLA
O erro não foi te beijar.
O erro foi entender… que eu não queria parar.
Porque existem momentos em que o mundo não desacelera, ele simplesmente deixa de existir. Não há passado, não há consequência, não há análise. Só existe sensação. Presença. Corpo. E, principalmente… escolha.
E eu escolhi você.
Ou talvez… tenha sido você quem escolheu por mim.
Alguns segundos depois, eu estava te beijando de novo.
Não como antes.
Não com curiosidade, mas com necessidade.
Minhas mãos encontraram as suas como se já soubessem exatamente onde deveriam estar, como se aquilo já tivesse acontecido antes em algum lugar que eu ainda não lembrava. O espaço entre nós desapareceu rápido demais, e quando percebi… já não existia mais distância suficiente para voltar atrás.
Nós tropeçamos.
Não por falta de controle.
Mas por excesso de tudo.
O tapete recebeu o peso dos nossos corpos como se estivesse esperando por aquilo, como se aquele momento fosse inevitável desde o instante em que eu entrei naquele apartamento.
E talvez fosse.
O mundo ficou distante.
Silencioso.
Irrelevante.
Só existia a sua respiração contra a minha, o calor da sua pele, o ritmo descompassado que parecia sincronizar quanto mais eu me aproximava.
E pela primeira vez em muito tempo…
eu não pensei.
Eu não calculei.
Eu não controlei.
Eu apenas senti.
E isso…
isso foi o mais perigoso de tudo.
Quando tudo terminou, o silêncio não era vazio.
Era preenchido.
Eu estava deitada ao seu lado, o corpo ainda quente, a respiração lenta voltando ao ritmo, o cabelo espalhado pelo tapete como se tivesse perdido qualquer forma anterior.
Meu olhar subiu até você.
E por um segundo…
eu quase não reconheci a expressão no seu rosto.
Calma.
Mas não aquela calma superficial.
Era algo mais profundo.
Mais… conectado.
— Nós realmente fizemos isso…— murmurei.
E a minha própria voz parecia distante.
— Sim…— você respondeu.
Eu ri baixo.
Não por humor.
Mas por reconhecimento.
— Isso vai dar problema…— disse, deixando o ar escapar devagar.
E eu sabia.
Claro que sabia.
Mas pela primeira vez…
eu não me importava.
A manhã chegou sem pedir permissão.
A luz dourada atravessou as janelas, tocando o chão, as paredes… e nós.
Eu acordei devagar.
Sem pressa.
Sem susto.
O tipo de despertar que não machuca.
E isso era raro.
Meu corpo ainda estava relaxado quando percebi você.
Observando.
— Bom dia…— murmurei, a voz rouca, ainda carregada de sono.
— Bom dia…— você respondeu acariciando minhas costas nuas.
O jeito que você me olhava…não era normal.
Não era casual.
Era atenção demais e eu senti.
Claro que senti, mas eu não recuei.
Eu levantei, sem pressa, peguei sua camisa e vesti.
Não por necessidade, mas por escolha.
— Eu faço café…— disse, caminhando até a cozinha.
Eu senti seu olhar me acompanhando.
Cada passo.
Cada movimento.
E aquilo…aquilo me fez sorrir.
O cheiro de café começou a preencher o apartamento, misturado com o calor leve da manhã, com o silêncio confortável que não precisava ser preenchido por palavras.
Eu me movia com naturalidade.
Como se já estivesse ali antes.
Como se aquele espaço…já fosse meu.
— Você está me encarando…— falei, sem olhar.
— Estou admirando…— você respondeu.
E isso…isso ficou.
Porque não era elogio, era escolha e eu comecei a gostar disso.
Muito mais do que deveria.
Los Angeles parecia diferente naquele dia.
Ou talvez…eu estivesse.
Nós saímos sem destino claro, apenas caminhando, deixando a cidade nos conduzir, o sol batendo leve demais na pele, o vento suave o suficiente para não incomodar.
Você andava ao meu lado, mas não distante.
Nunca distante.
Sua mão encontrou a minha de forma natural, como se aquilo fosse inevitável, como se não existisse outra possibilidade além de nós dois naquele momento.
E pela primeira vez…eu deixei.
Sem questionar.
Sem analisar.
Nós paramos em uma cafeteria pequena, discreta, longe do movimento excessivo, onde o barulho era baixo e o tempo parecia mais lento.
— Você gosta daqui?— você perguntou.
— Eu gosto de lugares que não exigem nada…— respondi.
Você me observou.
De novo.
Sempre observando.
— Você parece alguém que exige muito…— disse.
Eu sorri.
Leve.
Controlado.
— Só quando importa…— murmurei.
Silêncio.
E naquele silêncio…eu senti.
Você estava se aproximando, de verdade.
E eu…estava deixando.
O resto do dia se perdeu em pequenos momentos, conversas que não precisavam de conclusão, olhares que diziam mais do que palavras, toques que não eram necessários… mas aconteciam.
E isso…isso construiu algo.
Rápido demais, forte demais e perigoso demais.
Quando você entrou na minha casa pela primeira vez…eu observei.
Claro que observei.
A forma como você analisava o espaço, como seus olhos percorriam cada detalhe, como se estivesse montando um quebra-cabeça invisível.
Mas você não disse nada e eu gostei disso.
— Bem-vindo…— murmurei.
E pela primeira vez…não pareceu uma encenação.
A noite veio diferente.
Mais silenciosa.
Mais íntima.
Não havia pressa.
Não havia necessidade de provar nada.
Apenas presença e aquilo foi suficiente.
Quando a manhã chegou, eu ainda estava envolvida naquele estado estranho onde realidade e sensação se misturam, onde o corpo desperta antes da mente.
E antes que eu pudesse abrir os olhos toque veio primeiro, leve e quente...Senti suas mãos firmes e grandes desligarem pelas minhas pernas em baixo do lençol...
Eu não abri os olhos de imediato, eu senti e sorri... principalmente quando você se aproximou e começou a me beijar, com uma mão entre as minhas pernas fazendo pressão no meio e a outra brincando pelo meu corpo.
Até que o som do celular quebrou tudo.
Vibração.
Insistente.
Errada.
Eu estiquei a mão, ainda meio perdida, tentando focar.
— Emmett…— murmurei, atendendo e me segurando para não gemer enquanto você ainda "trabalhava".
— Bella, você precisa...
A voz dele continuava.
Mas eu…já não estava ouvindo direito.
Porque você estava ali, brincando com as mãos em mim e beijando meu corpo.
E você não parou em nenhum moment
E o mundo…simplesmente ficou distante de novo.
— Bells?… você tá ouvindo?— Emmett insistiu.
— Emm, depois…Tô ocupada agora...— murmurei, desligando sem pensar.
Silêncio.
Respiração.
Presença.
E naquele momento…não existia mais nada além de você.
E isso…isso deveria ter me assustado.
Mas não assustou, porque você não parecia um problema.
Você parecia…uma solução.
E eu sempre escolho soluções.
Mesmo quando elas…destroem tudo depois.
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