Before Memories - Romanogers Fanfic
5 Capítulo 5
Notas iniciais
N: O que você pensa sobre o nosso mundo agora?
S: É meio difícil de dizer.
Natasha se curvou sobre a mesa, deu a tacada e se ergueu, olhando para Steve. Steve não a olha como um pedaço de carne e Natasha não sabe se gosta disso ou não. Por um lado é bom ter um homem que possa ser amigo sem segundas intenções, por outro lado isso não ajuda em nada a autoestima dela. Natasha decidiu então que flertaria com ele até ele demonstrar algum tipo de encantamento por ela. Ela apoiou o taco no chão, enquanto Steve estava concentrado na posição das bolas, ele deu a volta na mesa de sinuca para achar a melhor posição para jogar.
N: Você viu muito pouco.
S: Eu acho que já vi demais.
N: Então está achando ruim?
S: Não, eu não posso julgar com tão pouco tempo. Os prédios são diferentes e a maneira dos jovens se comportarem também, mas vejo que todos possuem uma liberdade que não tínhamos na minha época.
N: Como assim?
Steve finalmente achou o ponto ideal para dar a tacada. Antes de responder a Natasha, ele fez sua jogada, acertando uma bola na caçapa. Steve olhou para Natasha, mas logo olhou pra mesa porque o olhar dela o incomodava. Era difícil olhar ela nos olho, tem algo de muito perigoso sobre eles.
S: Um bar como esse, não funcionava até essa hora, mesmo para os mais boêmios.
N: Você quer dizer vagabundos.
Steve sorriu sem jeito, ele prefere termos menos ofensivos. Natasha percebeu e achou isso adorável.
N: Você costumava sair à noite no seu tempo?
S: Não... Eu só... Eu não tive tempo para viver, eu não tenho uma história rica sobre o meu passado.
N: O que quer dizer? Você é o Capitão.
S: É. Mas não era como eles me fantasiam por aí, desde cedo um herói.
N: É... Você era magro e horroroso.
S: Você sabe disso?
Natasha deu uma tacada e fez positivo com a cabeça.
S: Nunca ganhava uma briga. De fato, se não fosse por um amigo meu, eu estaria morto ou ao menos paraplégico.
N: Te batiam tanto assim?
S: É... Digamos que eu podia ter fugido, mas...
N: Sua honra impedia.
S: Exato.
N: Então o soro fez tudo que você é, hoje.
Steve se sentiu um pouco mal com essa frase. Ele tem uma pequena impressão que Natasha duvida do potencial dele, ainda mais por ela querer testar ele no bar e dizer que não estava impressionada. Ele sabe que muita gente o vê como apenas o super soldado e não Steve Rogers e Natasha definitivamente é uma dessas pessoas.
S: Acho que sim.
N: No outro dia quando estávamos no carro, você reconheceu alguém na rua.
S: Eu não tenho certeza. Eu achei que era, mas é impossível ter alguém que eu conhecia, vivo ainda.
Natasha notou como Steve fechou os olhos por um momento e como sua mandíbula se contraiu, demonstrando o quanto isso o está deixando triste, mas até que ele sabe disfarçar bem.
N: Eu acho que...
Steve ergueu o olhar até encontrar o de Natasha.
N: Eu acho que você devia voltar lá e ter certeza. Nunca se sabe.
S: Talvez eu vá.
N: Deve ser difícil não ter em volta as pessoas que se costumava ter mas todo mundo sofre perdas.
S: Você perdeu alguém?
N: Como eu disse... Todo mundo sofre perdas.
Foi o suficiente para Steve entender.
S: Eu sinto que não devo confiar em ninguém agora.
N: Você está completamente certo.

S: Não consigo confiar em Fury.
N: Eu não estou surpresa por isso. E quanto a mim?
S: Você tentou me matar, eu não posso confiar em você.
Natasha riu como se já esperasse essa resposta e ela não estava ofendida.
N: Você está certo, de novo.
Steve lembrou de quando acordou e foi nocauteado por Natasha e de como ela foi fria e mal educada com ele, sem ele ter feito nada pra ela para merecer um tratamento desses, mas... Ela está aqui hoje com ele, e ela está sendo agradável em passar um tempo com ele, na verdade a conversa está interessante a ponto dele ter esquecido o que ela fez ele passar quando entrou no bar. Parecem duas pessoas completamente diferentes. Qual delas será a real?
S: Você é uma espiã. Você sabe de tudo sobre todo mundo?
N: Só o necessário.
S: Por que tenho a impressão que você sabe muito mais sobre mim do que eu sei sobre você?
N: O que sabe sobre mim?
S: Nada, na verdade. Pelo seu sotaque, eu sei que é estrangeira. Russa provavelmente.
Natasha assentiu com a cabeça.
N: Só isso?
S: É...
N: Que bom.
Steve ficou parado esperando Natasha se abrir um pouco mais, falar mais alguma coisa sobre quem ela é, o que fazia, mas Natasha se silenciou ao tomar um longo gole de Vodka.
S: Como era na Rússia?
N: Frio.
Steve franziu um pouco a testa. Frio? É tudo que ela tem a dizer?
S: Por que veio pra cá?
N: Para roubar informações sigilosas do governo americano e executar alguns inimigos da KGB.
Steve ficou novamente confuso. Como alguém pode ser franca sobre um assunto como esse? E ela sequer está demonstrando que está brincando.
S: E agora você trabalha para o nosso governo?
N: Sim.
S: O que a fez mudar de ideia?
N: O arqueiro.
S: Agente Barton?
Natasha assentiu com a cabeça de leve.
S: Então vocês dois...?
N: O que?
S: Nada. Vocês devem ser bem próximos.
N: Nós somos.
S: Ele parece ser um cara legal.
N: Ele é.
Steve se sentiu incomodado pela forma como Natasha o olhava, justamente porque o olhar não continha nada agora, então ele não conseguia distinguir se ela o estava julgando, ou investigando. Estaria ela apenas sendo amigável? Ela não sorri e quase não pisca, não parece ser amigável.
N: Está atrasando o jogo.
S: Hã?
N: O jogo.
Natasha olhou para a mesa de sinuca, Steve olhou para a mesa e se posicionou, dando uma tacada e colocando mais duas bolas na caçapa.
N: Você é bom nisso.
S: Obrigado. Se você estudar a mesa antes de jogar, tem mais chances de acertar. Você não analisa, sua pressa a está fazendo perder.
Natasha semicerrou os olhos e fez uma expressão confusa. Ela terminou de tomar sua vodca, apoiou o copo sobre a mesa e deu uma tossida de leve. Ela apontou o taco na bola branca e deu uma tacada. Todas as bolas restantes que estavam na mesa foram encaçapadas. Steve ergueu as sobrancelhas, surpreso.
S: Estava me deixando ganhar?
N: Estava te deixando entretido o suficiente. Achei que você precisava de uma bebida para relaxar um pouco, mas você não pediu nenhuma bebida. Achei que o jogo iria fazer isso.
S: Eu não fico bêbado porque meu Soro impede.
N: Uau, isso é terrível. Ao menos você pode eliminar o estresse com as moças, certo?
Steve não respondeu, o sorriso dele foi um tanto estranho, foi o que chamamos de “sorriso amarelo”. Natasha franziu a testa, analisando a reação de Steve.
Deus, não. Não pode ser. Natasha pensou.
Agora Steve estava completamente corado.
Ele é totalmente virgem, meu Deus. Por que? Porque quer, só pode. Talvez ele seja gay e naqueles tempos era difícil de lidar com esse tipo de orientação. Só pode ser isso. Natasha concluiu o pensamento.
Natasha não tirou sarro, nem o olhou de maneira para deixa-lo ainda mais sem graça, mas em pensamento ela o julgou brevemente, mas ela tem mais coisas pra fazer do que se preocupar com a vida sexual de Rogers.
Steve olhou para o relógio.
S: Eu acho que está tarde.
Ah... Essa jogada de que está tarde, venha comigo pra minha casa porque é mais seguro... Talvez ele não seja tão inocente assim, finalmente ele está cantando ela. Natasha pensou.
S: Nós devíamos ir embora.
N: É... Me deixe apenas tomar mais uma dose.
Natasha deixou o taco na mesa de sinuca e caminho até o bar, seguida por Steve.
N: Bill?
Bill: Saideira?
N: Você me conhece tão bem.
Natasha sorriu, enquanto Bill servia uma dose de Vodka para Natasha. Natasha tomou a bebida num gole só, ela e Steve caminharam para fora do bar e foram até o carro.
Assim que entraram e colocaram o cinto de segurança. Steve fez uma pergunta que Natasha não esperava.
S: Eu não sei aonde você mora.
Na minha casa? Sério? Ele então não estava me cantando? Ele é tão estranho. Natasha pensou e dessa vez Steve notou que ela não estava esperando essa frase, ele achou que ela não confiava nele o suficiente para dizer onde morar, apesar de ser uma pergunta normal, ele não sabe se por ser espiã, ela não pode revelar.
S: Eu não quis me intrometer, apenas pensei que ia querer uma carona.
N: Eu quero. Eu te guio até lá.
Natasha explicou o caminho para Steve e no caminho eles conversaram sobre diversos assuntos, relacionados a trabalho e o modo como a SHIELD lida com as ameaças que o país e o mundo sofre. Ao chegar no prédio, Natasha tinha certeza que Steve ia pedir para subir com ela, mas ele não o fez e não demonstrava nenhum sinal de que queria. Apesar de isso ser novo pra ela, ela deu um pequeno sorriso, satisfeita por ele ser extremamente respeitador e ainda por cima não deu em cima dela.
S: Essa é a primeira vez.
N: O que?
S: Que você sorriu pra mim, sem estar prestes a me matar.
Natasha ergueu as sobrancelhas e os ombros.
N: Acho que você teve sorte.
S: Boa noite, Romanoff.
N: Boa noite, Rogers.
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