Before Memories - Romanogers Fanfic
23 Capítulo 23
Steve pilotou o mais rápido que podia e ao chegar no restaurante, fitou Natasha que estavam com um semblante de sem paciência.
Steve até esqueceu de deixar o capacete na moto, entrou e caminhou até Natasha com o capacete na mão.
S: Oi, me desculpe, eu fiquei distraído.
N: Hill tinha me convidado para almoçar e eu neguei porque íamos comer juntos, bastava você ter dito que ia sair com seus amigos e cancelado o almoço. Não é uma coisa difícil de se fazer.
S: É que eu achei que dava pra fazer os dois, me desculpe.
Steve se sentou e nem ousou dar um selinho em Natasha.
S: Sam e Bucky estão dizendo que passo tempo demais com você.
N: E o que você acha disso?
S: Eu acho que talvez, eu tenha deixado eles um pouco de lado.
N: Então quer ficar um tempo longe de mim?
S: Não! Não, de jeito nenhum, apenas é difícil pra mim, você de um lado, os meus amigos do outro.
Natasha suspirou, olhou para o lado e retornou o olhar para Steve.
N: Não era pra ser assim. Eu não quero que se sinta dividido. Você devia sair com eles mais vezes.
S: É, amanhã Sam fará aquela reunião só para homens e...
N: Você passará a noite lá?
S: Sim.
N: Okay.
S: Tudo bem pra você?
Natasha deu de ombros.
N: Claro.
— Com licença, aqui está o menu.
O garçom se aproximou.
Steve segurou o menu.
N: Eu quero o Pelmeni.
S: Você sempre pede isso.
N: É o meu favorito.
S: Então eu vou querer o mesmo.
Steve devolveu o menu ao garçom.
N: E me traga uma garrafa de vinho suave.
O garçom consentiu com a cabeça e se retirou.
Enquanto almoçavam, Natasha recebeu uma mensagem de Hill, pedindo para se encontrarem esta noite na SHIELD. Como Steve tinha passado um tempo com os amigos, ela faria o mesmo, mas sendo na SHIELD deve ser trabalho e não diversão ou desabafo.
N: Hoje à noite, eu vou sair com a Hill.
Steve parou de comer e a olhou com as sobrancelhas erguidas.
S: Vocês já não se viram hoje?
N: Sim, à trabalho. E mesmo que não fosse...
Natasha franziu a testa irritada e Steve ergueu as mãos em sinal de rendição.
Steve deu mais duas colheradas e ficou cabisbaixo um bom tempo e fazendo positivo com a cabeça, obviamente pensando no que dizer para Natasha.
S: É que eu estive pensando... Amanhã à noite eu estarei com os meus amigos e se você marcasse sua saída com a Hill para amanhã, ao invés de hoje, ficaria mais fácil...
N: Mais fácil de quê?
S: De passarmos mais tempo juntos.
Natasha suspirou.
N: Remarque a noitada com seus amigos para hoje.
S: Eu não posso fazer isso.
N: Bem, nem eu.
S: Ok. Já entendi seu ponto.
N: Ótimo.
Natasha tomou um gole do vinho e deu mais uma garfada no prato.
N: Eu estou cheia.
S: Eu também. Vamos?
Natasha concordou com a cabeça. Steve pediu a conta e os dois racharam as despesas.
Ao saírem do restaurante, Steve parou na calçada com o capacete na mão e olhou para Natasha.
S: Você está de carro?
N: Não, eu peguei um táxi. Eu queria voltar com você.
Steve sorriu e entregou um capacete para Natasha, enquanto caminhava até a moto e montava nela.
Natasha montou atrás de Steve.
N: Eu realmente não gosto de usar esse treco.
S: É a lei, Natasha.
N: Eu sei.
S: E é mais seguro...
N: Eu sei!
Natasha colocou o capacete e Steve deu partida com a moto.
Ao chegarem na base, eles deram um jeito de fazer uma rapidinha, até chegar o horário combinado com Hill, Natasha foi para o quarto, tomou banho e se dirigiu para SHIELD.
Ao chegar na SHIELD, haviam poucos agentes, já que o horário de trabalho já tinha terminado, havia somente os plantonistas.
Natasha foi até o pavimento de Hill, e ela a aguardava na porta da sala dela, Hill já havia sido notificada que Natasha estava no prédio, daí só checou as câmeras de segurança para saber quando ela chegaria.
Natasha a olhou.
N: Então...
H: Venha comigo.
Pelo semblante sério de Hill deve ser algum problema e dos grandes pois elas estavam indo rumo a sala de Nick Fury.
Assim que entrou na sala, Fury estava de pé em frente a uma tela de projeção ultramoderna.
Fury estava de costas e ao ouvir a porta sendo aberta, se virou para olhar Hill e Natasha.
N: O que está acontecendo?
NF: Romanoff, eu a chamei aqui porque você tinha interesse em saber mais sobre o seu passado, antes da lavagem que fizeram em você. Quero saber se ainda tem esse interesse?
Natasha fez positivo com a cabeça.
NF: Eu não sei se está pronta pra isso.
N: Fury. Você está me ofendendo.
NF: Eu sei que você é dura e forte, mas eu não sei se está preparada para isso.
Nick apontou para as cadeiras, pedindo para as duas se sentarem.
As duas se sentaram e Nick ligou a tela. A única imagem era de um livro todo preto com um aranha vermelha desenhada na capa, junto com os dizeres “Projeto Vermelho”.
NF: Esse livro... Similar com o que encontramos do Soldado Invernal.
N: Mas programado para mim.
Nick fez positivo com a cabeça.
N: Você tem o livro?
NF: Eu... Você sabia que teve influência indireta na escolha de Steve Rogers como Capitão América?
N: O que? Isso seria impossível. Mesmo que fosse, ele foi escolhido por acaso.
NF: Por acaso?
Nick riu em tom de deboche, como se estivesse decepcionado pela frase de Natasha. Era óbvio que estava programado Steve como Capitão, mas em partes apenas, algo deu errado no caminho, a intenção não era que ele fosse ser Capitão América e sim Capitão Hidra.
N: Nick... Posso ver o livro?
Nick pegou o livro de dentro de um armário, colocou sobre a mesa e olhou para Natasha.
NF: Eu não faria isso, se fosse você.
N: Eu posso lidar com isso.
NF: Você matou os pais dele.
N: O QUE?!
Nick estava sério e Natasha sabe que ele não é de brincadeiras, mas não poderia ser.
N: Impossível, eu sequer estava nascida para ter matado os pais dele.
NF: Você estava.
Nick empurrou o livro para Natasha, totalmente escrito em russo.
Natasha segurou o livro e começou a ler a história do início, quando a pegaram com três anos de idade e a colocaram num orfanato para meninas. Os pais de Natasha perderam a guarda dela, após uma vizinha denunciar que ela não estava sendo alimentada.
Era mentira, os pais dela fizeram de tudo para mantê-la saudável. De fato eram pobres, mas amavam a filha e faziam de tudo para que ela não passasse fome. Durante uma briga com essa vizinha, ela jurou se vingar da mãe de Natasha e fez a ligação que mudou para sempre a vida de Natasha.
Natasha não se comoveu com essa história, ela não lembra e não tem sentimento pelos pais.
Na sequência da história, mostrava que a partir dos 4 anos, ela passou a ter aulas de balé e mais uma série de cursos de aptidões. Quando ela fez cinco, três pessoas que observavam as crianças desse orfanato, disseram que levaria Natasha para outro orfanato especial. Eles escolheram Natasha e mais uma órfã, chamada Yelena Belova.
Nesse novo orfanato as coisas eram bem diferentes, elas ainda tinham aula de balé, mas passaram a treinar lutas. Quase que durante o dia todo elas lutavam, o pouco do tempo que restava era dividido para comer, estudar línguas e balé.
Nem todas as meninas aguentavam o ritmo pesado desse novo orfanato. O livro descrevia a reação de Natasha.
“Quando uma das meninas de 9 anos, ficou com as pernas fracas durante um ensaio de balé com a Sra. Mork, a mais nova das meninas chamada Natalia Alianovna, observava a sempre tão carinhosa Sra. Mork se aproximar da menina caída e mandar ela levantar, e a reação da pequena Natália ao ver a Sra. Mork usar uma régua de madeira e bater no pé da menina caída, até que ele ficasse com o triplo do tamanho, nos chamou a atenção. Ela estava surpresa pelo que a Sra. Mork fez, mas não estava preocupada com a colega que saía carregada da aula. É uma menina para se observar.”
Hill e Nick Fury ficaram em silêncio, tentando não demonstrar nenhuma reação sobre os horrores do livro.
Natasha parece ter se lembrado desse momento, mas muito vago, ela não sabia se lembrava ou se já tinha tido sonhos com essa cena
O livro continuou contando a história da formação de jovens assassinas que tinham um único objetivo na vida: Tornar-se Viúva Negra.
Os “padrinhos” acreditavam que apenas duas das meninas podiam competir pelo título. Cada uma provava o seu valor de algum jeito.
Depois de algumas páginas começou a ser contada a história de como Natasha passara a ser a candidata mais forte ao título.
... Estados Unidos da América, Ano 1936 ...
Na América, um jovem loiro, magro e pálido, insistia em se alistar ao exército, apesar de ter sido rejeitado diversas vezes.
Esse jovem sempre acompanhado por seu amigo mais velho, que o defendia de algumas surras que ele sempre levava pela rua.
Os dois caminhavam juntos pela calçada, Bucky em seu uniforme do exército e Steve com a roupa de sempre, ele não tinha muito dinheiro, basicamente nenhum.
B: Vai tentar de novo?
S: Não, eu cansei.
B: Tem certeza?
S: É. Eu já tinha colocado na cabeça que seria minha última tentativa. Minha mãe queria tanto que eu fosse alguém e eu queria ser alguém pra ela.
B: Eu sei. Você quer tirar ela daqui.
S: O mais rápido possível.
— James! James!
Os dois olharam para as duas belas damas do outro lado da rua chamando por Bucky. Bucky piscou, charmoso como sempre e Steve olhara para baixo, sem jeito.
B: Hey, são duas, quer vir?
S: Não, valeu. Não tive uma boa experiência da última vez.
B: Que isso, Steve, sempre há chances para recomeçar.
Bucky deu dois tapinhas nas costas de Steve e correu na direção das damas, enquanto Steve ficara na calçada, observando a desenvoltura do amigo com mulheres e ele sem nenhuma.
Steve seguiu seu caminho para casa, já estava anoitecendo. Depois de andar algumas quadras, porque ele morava numa região mais distante, mas não tinha dinheiro para transporte, Steve passou em frente a um beco e ouviu o que parecia ser alguém se escondendo.
Steve achou que era algum assaltante, ou apenas um gato. Sendo um ou outro, ele devia seguir seu caminho e ignorar, mas a curiosidade dele era enorme e mesmo com medo, ele adentrou o beco.
Steve foi até perto de umas caçambas e latas de lixo e não viu ninguém, ele se achou idiota demais por achar que ia encontrar alguma coisa nova. Nada de novo acontecia na vida dele, parece que essa ficha não cai na cabeça dele.
Steve suspirou frustrado e ia se virar para ir embora, mas ouviu um resmungo bem baixinho. Steve olhou na direção de uma grande porta enferrujada que alguém deve ter jogado fora ali, ele se aproximou e tirou a porta do lugar.
Steve ficou extremamente surpreso pelo que acabara de achar.
Uma menina de aproximadamente 8 ou 10 anos, não tinha mais que isso. A menina tinha os cabelos bem ruivos e estava sentada, abraçando os joelhos de maneira protetiva, com a cabeça enterrada no joelho. Quando a porta foi removida, ela apenas moveu o corpo para ficar de lado e evitar contato visual.
S: Hey. Esse é um lugar estranho para brincar. Na verdade é bem perigoso para uma menina. O que está fazendo aqui?
Nenhuma resposta. Steve observou que pelas roupas, ela não era pobre, não que fosse roupa de rico, mas ela estava sendo cuidada por alguém, mas ela parecia terrivelmente assustada.
S: Está se escondendo de alguém?
Steve viu a menina mover a cabeça positivamente.
S: Quer que eu a ajude a achar seus pais?
A menina fez negativo com a cabeça.
S: Eu me chamo Steven Rogers. Mas me chamam só de Steve. Qual é o seu nome?
Steve não sabia se ela responderia, mas a menina ergueu um pouco a cabeça.
— Natalia.

S: Natalia? É um nome muito bonito, Natalia. Escuta... Você está perdida? Machucada? Está com fome?
Natalia olhou para Steve, o permitindo ver seu rosto claramente agora. Apesar de nova, ela era muito bonita e tinha olhos expressivos e chamativos.
S: Fome?
Natalia fez positivo com a cabeça.
S: Eu posso te dar algo pra comer...
Natalia estendeu a mão, clamando por alimento.
S: Eu quis dizer, eu tenho em minha casa, mas eu te darei comida se você me disser de quem está se escondendo.
N: Homem mau.
S: Homem mau? Ele te fez mal?
Natalia fez positivo com a cabeça.
S: Talvez eu deva te levar pra delegacia.
A menina arregalou os olhos, demonstrando pavor da ideia.
S: Primeiro, cumprirei minha palavra. Venha comigo.
Steve estendeu a mão pra ela. A menina franziu a testa e demonstrou um pouco de surpresa, mas deu a mão a ele.
Steve chegou em casa e pediu para Natalia aguardar um pouco na entrada, ele entrou pela porta da cozinha e como não viu ninguém pediu para a menina entrar.
Assim que a menina entrou, a mãe de Steve apareceu na cozinha.
— Por onde andou, Steven?
A mãe dele parou de falar ao olhar a menina.
— Quem é essa?
S: Ela se chama Natalia.
— O que está fazendo aqui?
S: Ela está perdida e com fome.
— Não é problema nosso, Steven. Bote ela pra fora.
S: Mãe, por favor, não podemos dar nada pra ela comer?
— O que daremos? Você vai deixar de comer? Porque só vejo essa solução. Dê sua comida pra ela.
S: Ok.
A mãe de Steve o olhou com surpresa, ela olhou para a garotinha, que observava Steve pegar um prato e colocar duas boas conchas de sopa. Ele colocou na mesa e puxou a cadeira para Natalia.
Natalia se sentou e começou a devorar a sopa.
Steve a observada e sorriu, depois sentiu a mãe dele passar a mão pelo cabelo dele.
— Você é um garoto muito bom, Steven. Você é de ouro e eu te amo por ser assim.
Steve ficou um pouco sem graça, mas sorriu para a mãe.
Natalia observou toda a cena, mas continuou tomando a sopa, ela deixou bem pouquinho no prato e empurrou o prato na direção de Steve, oferecendo pra ele.
S: Você pode comer. Está com fome.
Natalia fez negativo com a cabeça.
Steve tomou o restante da sopa, enquanto a mãe dele se aproximou de Natalia na mesa e passou a mão pelos cabelos cacheados dela.
— Eu queria ter tido uma menina também.
S: Mãe...
— Eu disse também...
A mãe de Steve segurou o rosto de Natalia com ambas as mãos e ficou observando ela por alguns segundos.
— Olha para esse rostinho, ela é muito bonita. Querida, você sabe voltar pra casa?
Natalia fez negativo com a cabeça.
S: Ela... Ela não quer voltar pra casa.
A mãe de Steve entendeu o recado. De lares abusivos, ela entende bastante.
— Mas você precisa achar um lugar pra ficar.
Natalia olhou para Steve e ele olhou pra mãe em seguida.
S: Talvez ela...
— Não. Não. Nem pensar. Se seu pai chega aqui e a vê...
S: Ele não irá.
— Eu sei que quer ajudar, filho, mas não podemos.
S: Apenas uma noite. Daí eu vejo para onde levar ela.
— Ela ficará no seu quarto então.
S: Tudo bem.
— E nenhum pio. Eu não posso imaginar o que seu pai faria.
Steve fez positivo com a cabeça.
S: Ela ficará quieta. Certo?
Steve olhou para a menina Natalia. Natalia ainda tinha os olhos assustados, ela concordou com a cabeça.
— Vá, coloque ela lá e venha me ajudar, eu estou com muita dor.
Steve concordou com a cabeça, ele esticou a mão para Natalia, que segurou a mão dele mas ainda ficou um bom tempo olhando para a mãe de Steve, só parou quando chegaram na escada e Steve reparou a distração dela.
S: O nome da minha mãe é Sarah. Ela não é má, ela apenas se preocupa demais comigo. Nós não temos muito como você pode ver.
Natalia olhou para Steve e subiu as escadas para o andar de cima. Cada passo na escada, parecia que a mesma ia desabar pelo ranger que fazia, as peças da escada nem eram iguais, provavelmente criada com restos de materiais que acharam na rua.
Steve abriu a porta do quarto dele e Natalia ainda estava olhando em volta da casa. Steve já estava sem graça por ela estar reparando.
S: Não é confortável, mas é melhor que dormir na rua.
Natalia olhou pra ele e fez positivo com a cabeça. Steve achava ter visto uma espécie de sorriso no rosto dela, mas podia ser só impressão.
Natalia entrou no quarto e ficou observando o quarto, quase sem molduras. Alguns retratos sobre uma estante, muitos papéis e lápis sobre a mesa.
Natalia foi até a estante e tocou no porta-retratos.
S: É o meu pai. Nos seus dias de glória. Ele foi um grande soldado.
Natalia olhou para Steve.
S: Foi há muito tempo atrás. Ele não é mais esse homem. E aquela é minha mãe, ela era linda, ela não era como a viu agora pouco.
Natalia reparou a tristeza no tom de voz de Steve.
— STEVEN!
S: É a minha mãe. Espere aqui e por favor, não faça nenhum barulho, eu volto mais tarde.
Natalia caminhou até ele e segurou no pulso dele, demonstrando desespero por ficar sozinha ali.
S: Está tudo bem. Você está segura aqui. Eu prometo.
Natalia soltou o pulso dele aos poucos, tem algo nos olhos dele que a faz confiar que ele está dizendo a verdade.
Steve correu para fora do quarto e desceu as escadas correndo.
Sarah: Oh Steve, eu odeio ter que pedir pra você fazer isso.
S: Está tudo bem mãe.
A mãe de Steve estava sentada de frente para uma cadeira, ela tinha algumas lágrimas no rosto. Steve começou uma massagem nas costas dela, para tentar amenizar as dores que ela sentia.
Sarah: Filho, você é tão bom para mim. Você merece melhor que isso.
S: Mãe, não diga isso. Eu te amo.
Sarah: E eu amo você também. Muito, meu filho. Você precisa arrumar um emprego, senão aqui, em outro lugar, você precisa deixar essa casa.
S: Eu não vou a lugar nenhum sem você, mãe. Eu estou tentando, ninguém mas ninguém quer me contratar.
Sarah: E o exército?
S: Eles dizem que minhas doenças não permitem que me alistem.
Sarah: Eles são um tolo, não veem o que que vejo. Você seria o melhor soldado.
S: Como o pai?
Sarah: Não... Você seria o melhor de você mesmo. Seu pai não pôde lidar com a perda de um pedaço de perna, ele deixou se destruir.
Sarah virou um pouco de lado e segurou no rosto de Steve para olhar ele nos olhos.
Sarah: Me prometa que nunca vai se destruir, não importa o que aconteça, você será você.
S: Eu prometo, mãe.
Sarah acariciou o rosto dele e sorriu, ela voltou a sentar de frente para a cadeira e gemia de dores, apesar da massagem de Steve.
Apesar da promessa que fez para Steve, Natalia saíra do quarto, sem fazer nenhum pio. Ela se esgueirou até perto da escada e observou toda a conversa de Steve com a mãe. Uma hora depois, alguém estava abrindo a maçaneta da porta. Natalia arregalou os olhos e voltou correndo para o quarto de Steve.
Steve percebeu que a maçaneta se mexia desesperadamente, mas ninguém entrava.
Sarah: É o seu pai.
Steve suspirou e abriu a porta para o pai, que já entrou sendo amparado por Steve, que o ajudou a se sentar no sofá.
Sarah: Bebendo de novo. Todo dia.
O pai de Steve estava muito bêbado para responder agora.
Sarah: Steven, vai para o seu quarto, filho.
Steve concordou com a cabeça e subiu as escadas, ele entrou no quarto e Natalia estava sentada no chão, embaixo da janela, ainda encolhida.
S: Hey... Você ainda está com medo?
Natalia fez negativo com a cabeça.
N: Frio.
S: Está frio, me desculpe.
Steve caminhou até a cama e tirou a única coberta que tinha e colocou nas costas de Natalia, em seguida ele tirou o único lençol que tinha também e forrou o piso do quarto.
S: Eu dormirei aqui. Você pode ficar na minha cama.
N: Eu não posso me mover.
S: Está sentindo dor?
Natalia fez positivo com a cabeça.
S: Okay.
Steve foi até ela e a pegou no colo. Steve pôde ouvir ela segurando os gemidos de dor, ele a colocou gentilmente sobre a cama.
S: Melhor agora?
Natalia fez positivo com a cabeça. Steve puxou a manta e a cobriu.
S: Suas roupas são estranhas.
N: Balé.
S: Você dança balé?
Natalia fez positivo com a cabeça.
S: Isso é legal. Durma bem, amanhã eu ajudarei você.
Natalia apenas fechou os olhos e parecia ter pego no sono fácil. Steve foi até o lençol estendido no chão e se deitou, também encolhido pois fazia muito frio.
Tudo estava bem, mas já perto da meia noite, Natalia ouviu barulho de coisas sendo jogadas no chão, ela abriu os olhos, assustada e depois ouviu gritos e mais gritos.
Natalia se sentou bruscamente na cama e Steve também já estava acordado, ele se sentou também e olhou para Natalia.
S: Tudo bem. Isso acontece quase toda noite.
Natalia estava com os lábios tremendo e Steve se levantou para sentar ao lado dela na cama.
S: Ele não bate nela. Ele batia antes mas uma vez, eu entrei na frente dela, eu disse que o mataria. Ele riu de mim, mas nunca mais tocou nela.
N: Por que não vão embora?
S: Eu quero, isso é porque quero entrar no exército, eu ganharia dinheiro para tirar minha mãe daqui. Eu disse pra ela que devíamos ir ou botar o pai pra fora, mas ela disse que não pode fazer isso porque todo mundo já abandonou o pai. Ela é fiel a ele.
N: Isso não faz sentido.
S: Talvez.
Eles ouviram mais coisas caindo pela casa.
S: Não se preocupe, vai parar logo, apenas tente dormir.
Natalia concordou com a cabeça e voltou a deitar e fechar os olhos, Steve permaneceu alguns minutos ao lado dela para que ela se sentisse mais segura.
Depois que todos finalmente dormiram pesado, Natalia abriu os olhos, desceu da cama e saiu do quarto. Ela abriu a porta do quarto a frente e observou os pais de Steve dormindo, ela se aproximou da cama e ficou alguns minutos observando o pai de Steve dormir, ela só precisava memorizar o rosto dele.
Fale com o autor