Martha sorriu.

M: Você nunca me ligou.

S: Eu sei, e-eu... Me desculpe, estive ocupado.

Martha fez positivo com a cabeça e demonstrou bom humor.

M: Salvando o mundo.

S: É... Você sabe?

M: Claro, eu tenho uma TV e um smartphone... Quem não sabe que Steve Rogers é o Capitão América?

Steve ficou com cara de paisagem, algumas piadas ele não entende, mas se obriga a fingir que sim, ele dá meio sorriso e concorda com o que quer que seja.

M: Isso é para sua namorada?

S: N-não. Não, não, é só pra uma amiga.

M: Livro é algo muito pessoal, ela é especial não é?

Steve franziu a testa e desmanchou um pouco o sorriso. Um livro é muito pessoal? Se eu der isso pra ela, vai soar do jeito errado? Devo comprar ou não?

M: Está confuso... Ela é casada?

S: O que? Não. Não...

M: Então...

S: O que?

M: Vai comprar?

S: Sim...

M: Você pode comprar esse livro e depois me pagar um café.

Steve franziu a testa, confuso.

M: Você me deve isso, sabe? Você não me ligou e disse que iria...

S: Ham... Ok.

Martha riu e caminhou para o fim do corredor de prateleiras, ela olhou para Steve parado no mesmo lugar.

M: Você vem ou não?

S: Hã?

M: Você tem que pagar pelo livro, não?

Steve se sentiu o homem mais idiota na face da Terra, ele foi na direção de Martha e pensou que ela fosse entrar na fila junto com ele, mas ela passou direto pelas pessoas, foi para trás do balcão de atendimento e vestiu o avental de atendimento.

Martha atendeu as pessoas da fila e quando chegou a vez de Steve, ela sorriu.

M: Boa tarde, bem vindo ao Potter Books, como posso ajudar?

Steve riu pela apresentação formal. Ele colocou o livro sobre o balcão.

M: Oh, Agatha Christie, muito legal.

Martha registrou a compra.

M: São vinte dólares.

Steve pegou a carteira no bolso de trás da calça e tirou duas notas de 10, ele entregou para Martha.

M: Embrulho para presente?

S: Acho que sim.

M: Vou colocar o embrulho de presente dentro da sacola e quando você decidir, você embrulha.

S: É uma boa ideia.

Martha entregou a sacola para Steve.

M: Eu estou livre agora.

S: Então... Café?

Martha sorriu e tirou o avental, ela olhou para a outra atendente.

— Ana, eu vou dar uma saída, se o chefe perguntar por mim, diz que sumi e fui sequestrada.

Ana riu e Steve ficou ainda mais confuso. Os dois saíram da loja e caminharam pela calçada.

S: Então... Você pode falar com seu chefe assim?

M: Sim.

S: Ele não se importa?

M: Ele se importa, mas eu não ligo.

S: Uau, isso é... Muita... Audácia.

M: Talvez, ele me obriga a trabalhar lá.

S: Obriga? Está fazendo trabalho forçado? Porque eu posso resolver isso com ele e...

Steve já ficou pronto para defender a jovem bela e oprimida, mas Martha riu e fez negativo com a cabeça.

M: Eu tenho feito trabalho forçado desde pequena.

S: O que?

M: Ele.

S: Okay, eu vou voltar lá e falar com ele...

Steve já estava dando meia volta, Martha segurou no braço dele e o fez parar.

M: Steve! Ele é meu pai.

S: Oh... Mas... mesmo assim, ele te faz trabalhar desde pequena, é errado...

Martha riu e fez Steve continuar a caminhar com ela pela calçada.

M: É, os trabalhos eram: Arrumar minha cama, meu armário, lavar a louça, cuidar dos meus bichos de estimação e etc.

S: Ah! Você estava sendo irônica!

M: Claro!

Martha riu.

M: É aqui.

Martha entrou numa cafeteria. Ela e Steve se sentaram e quando o garçom veio atender, Martha pediu dois cafés e dois brownies.

M: Você precisa experimentar o Brownie daqui. É um pecado de tão gostoso.

Steve parecia não saber o que dizer. Ele sorria e olhava para os lados, parecendo ansioso e impaciente.

Steve deixou a sacola do livro em cima da mesa, para poder comer e tomar o café que o garçom trouxe pra eles.

M: Então me conte sobre ela.

S: Quem?

M: A mulher que vai receber esse livro. Há quanto tempo está apaixonado por ela?

S: O que? E-eu não estou.

M: Calma, eu estava brincando, mas você fica vermelho e desajeitado quando falo sobre ela... Eu não sei, mas... Geralmente isso é paixão.

Steve olhou para fora da loja e suspirou, depois ele tornou a olhar para Martha.

S: Eu acho que eu gosto dela.

M: Acha?

S: Eu tenho certeza.

M: Tem certeza que ela não é casada?

S: Não!

M: Por que não estão juntos?

S: Somos amigos e ela não me vê como...

M: É impossível alguma mulher não te ver como homem.

Steve ficou imediatamente corado.

M: Ela nunca deu nenhum sinal de que gosta de você?

S: Eu acho que ela gosta, mas só como amigo.

M: Há quanto tempo se conhecem?

S: Há alguns anos...

M: O que? E nada aconteceu? Nenhum beijo?

S: Não, nós beijamos, várias vezes aliás.

M: E ficou só no beijo?

Steve fez positivo com a cabeça.

M: Ela está apaixonada por outra pessoa?

S: Eu não sei, ela não me fala sobre outro homens na vida dela.

M: Hum... Ela não conversa sobre nada pessoal com você?

S: Ela conversa, ela me conta um monte de coisas pessoais, e eu conto pra ela também, mas nós não falamos de pessoas com as quais a gente tem algum tipo de romance.

M: Hum...

S: O que?

Martha deu de ombros.

S: O que?

M: Eu acho que ela sabe que você está apaixonado por ela.

S: Por que diz isso?

M: Ela evita falar dos romances dela com você, ela não quer te machucar. Ela sabe. Uma mulher sempre sabe.

Steve mudou a expressão para uma mais séria, pensando se é verdade. Se fosse, Natasha então não sente o mesmo, não retribui e ainda quer que ele não sinta nada por ela.

M: Por que você não fala da sua vida amorosa pra ela?

S: Primeiro porque eu não tenho uma.

M: Sei.

S: É verdade. Quando eu tive algumas garotas, nada sério, quando eu falava pra ela, ela parecia ficar com raiva de mim, então eu passei a não comentar mais.

M: Hum... Ela gosta de você. Eu não sei se está apaixonada, mas definitivamente tem ciúmes aí.

Steve sorriu e fez negativo com a cabeça, ele ficou todo bobo de imaginar Natasha com ciúmes dele, era tudo que ele queria.

S: Você acha que eu deveria causar ciúmes nela e ser mais frio, fingir que não ligo pra ela e tals?

M: Depende do tipo de mulher que ela é.

S: Como assim?

M: Se você a conhece há anos... Me diz uma coisa... Se um homem a ignorar, ela é do tipo que fica atraída por isso, ou é do tipo que logo perde a paciência e parte pra outra?

S: Ela parte pra outra. Definitivamente. Ela pode até gostar dele de verdade, mas ela não vai correr atrás.

M: Viu só?

Steve concordou com a cabeça.

M: Mas um pouco de ciúmes não faz mal a ninguém, até porque ela precisa saber que não estará disponível pra sempre.

S: Isso é verdade.

M: Ela deve ser muito bonita.

Steve deu uma longa suspirada e sorriu sozinho, lembrando do rosto de Natasha.

S: Ela é... Definitivamente ela é muito bonita, ela é linda.

M: Como ela é? Deixe-me adivinhar. Loira? Você tem cara de quem gosta de loiras...

Steve fez negativo com a cabeça.

S: Eu não sei se tenho um tipo, mas ela é ruiva, tem os olhos verdes que às vezes parecem cinzas, dependendo da luz do ambiente. Ela tem esses incríveis lábios, extremamente carnudos e...

Martha começou a rir.

M: Meu Deus, você realmente está apaixonado. E ela parece ser do tipo fatal pelo que está dizendo e eu acho que...

Martha olhou para a mulher ruiva na entrada da cafeteria, procurando alguém e logo depois olhando para Steve e vindo na direção dele.

M: Eu acho que ela está aqui.

S: Não, ela...

N: Steve!

Steve tomou um susto ao ouvir a voz de Natasha, ele até deixou a xícara de café tombar na mesa e esparramar tudo por lá. Steve se virou e fitou Natasha que parecia nervosa.

S: Natasha? O que está fazendo aqui?

N: Eu estou te procurando, todos estão! O que aconteceu com seu celular?

S: Mas...

Steve pegou o celular no bolso e percebeu que estava desligado, ele tentou religar o aparelho, mas sem sucesso.

S: Acabou a bateria e eu não percebi. O que aconteceu?

N: Eu não sei, Tony quer todos de volta na Base e ele não conseguiu contato com você, então eu vim te buscar.

S: Como soube que estava aqui?

N: Eu rastreei seu celular até aqui próximo, mas depois que desligou, tive que fazer buscas nas redondezas.

Martha forçou uma tosse e Natasha olhou pra ela, assim como Steve.

S: Ham... Natasha essa é Martha. Martha essa é a Natasha...

Natasha não sorriu.

N: E aí?

M: Oi.

Natasha tornou a olhar para Steve.

N: Eu não quis interromper vocês, mas você vem?

S: Sim, sim.

Steve se levantou e olhou para Martha.

S: Martha, me desculpe, eu preciso ir.

M: Tudo bem, eu entendo. Vejo você amanhã.

S: Amanhã?

Natasha desviou o olhar para fora da loja e Martha olhou para Steve e indicou Natasha com a cabeça. Steve entendeu o que Martha estava fazendo.

S: Sim, amanhã. Eu te ligo.

Martha sorriu.

Natasha caminhou para fora da loja e Steve a seguiu.

Natasha entrou dentro do carro e fechou a porta com força. Steve entrou e Natasha arrancou com o carro.

Steve se deu conta que deixou o livro na cafeteria.

S: Droga. Será que podemos voltar?

N: Por que?

S: Porque eu... Eu só... Eu... Deixa pra lá.

N: Uau, Rogers. Já está sentindo falta dela assim?

S: Ham?

N: Isso é muito patético pra alguém da sua idade.

S: Do que está falando?

Natasha revirou os olhos.

S: Você poderia ir mais devagar? Qual a pressa?

N: Não posso.

S: Por que?

N: Porque eu não quero!

Steve ficou olhando para a expressão séria no rosto de Natasha. Martha tinha razão, ela tem ciúmes dele, não há outro motivo para ela estar com tanta raiva assim.

Ao chegar na base, Steve e Natasha seguiram para o centro de conferência, onde já estavam reunidos todos os vingadores, exceto Bruce Banner. Tony era o único de pé e segurava um cronômetro na mão.

Assim que Steve e Natasha entraram, Tony parou o cronômetro e olhou para Steve e Natasha.

T: Falharam e falharam.

S: O que é isso Tony?

T: Um teste e vocês estão reprovados.

S: Um teste?

T: Sim, duas horas para conseguirmos nos reunir... Imagina numa real emergência.

S: Você me fez acreditar que era importante...

T: Era a intenção, estamos aqui para treinar e nos aperfeiçoar, certo?

S: Mas eu gostaria de ter sido informado sobre isso primeiro, eu fiquei preocupado e achei que...

N: Steve está irritadinho porque ele estava finalmente tendo um encontro com um mulher e você arruinou isso, Tony.

Steve olhou para Natasha, completamente indignado por ela falar da vida pessoal dele na frente de todos e ainda usar isso como motivo dele estar com raiva, quando ela nem sabe se era realmente um encontrou ou não.

Natasha se sentou ao lado de Clint Barton e ignorou Steve.

T: Oh... Dorito... Ela é gata?

Thor: Eu ficaria irritado também.

T: Claro, sabemos que Steve tem dificuldade nesse campo e... Gente, nós não devíamos falar disso aqui.

S: Obrigado!

T: Não na frente do Sam e do Bucky, vocês sabem que né...

Steve respirou fundo e se retirou da sala. Tony e Thor começaram a rir da irritação dele e principalmente da piada que Tony fez.

Sam e Bucky nem se irritam mais com isso.

...

No final do dia, Natasha já estava bem mais calma, foi a reação do momento que a fez ficar implicante e grosseira com Steve.

Na hora do jantar, Natasha fez o prato dela e se sentou com Wanda e Visão para comer, ela ficou esperando Steve entrar na sala de jantar, mas ele não apareceu.

Depois do jantar, alguns vingadores se retiraram para dormir e outros ficaram na sala de jogos, mais especificamente Thor, Clint e Sam Wilson.

Natasha estava na sala de jogos, observando eles jogando pebolim e praticamente se matando por causa de um jogo, ela olhou para a mesa de sinuca e sentiu falta de Steve jogando com ela, era para eles dois estrearem a sinuca juntos.

Natasha saiu da sala de jogos e foi para o pavimento dos quartos, ela passou em frente ao quarto de Wanda e viu ela tocando violão sentada no chão, e Visão sentado na cama dela a ouvindo tocar.

Natasha foi até o quarto em frente ao de Wanda e ela abriu a porta.

N: Steve?

Steve não estava no quarto. Natasha checou até o banheiro.

Quando Natasha retornou no quarto dele novamente, ela viu o bloco de desenhos dele em cima da mesa.

Não, Natasha. Ele não está aqui, não pode mexer nisso. Natasha pensou ao passar a mão pelo bloco.

Natasha pegou o bloco e o abriu.

O que é que está fazendo, Natalia? Isso é invasão de privacidade! Bota de volta no lugar, bota de volta! Natasha pensava com a testa franzida, mas seus dedos já estavam folheando o bloco. Ela já tinha visto alguns desenhos antes que Steve mostrou pra ela, mas poderia ter algo novo.

O que é isso? Sou eu? Sou eu. Natasha olhou para um desenho incompleto do rosto de uma mulher, ela sorriu ao notar que era ela. Nas folhas seguintes tinha uma coleção de desenhos dela. Como ele desenhou isso sem estar olhando pra mim diretamente? Ele tem uma mente muito fotográfica pra registrar até minhas expressões faciais... Natasha pensava.

Steve estava entrando no quarto agora, assim que Natasha viu a porta se mexendo, ela derrubou o bloco de desenhos no chão, com o susto.

Steve parou e a observou, Natasha estava totalmente sem jeito, ela levou alguns segundos até abaixar e pegar o bloco no chão, ela se levantou e botou o bloco na mesa.

N: Steve, eu... Estava procurando você.

S: Certamente eu não estava dentro do meu bloco de desenhos.

N: Eu sei...

S: O que está fazendo aqui?

N: Eu não te vi no jantar e eu estou sem sono, queria saber se você quer jogar sinuca. Os meninos estão lá na sala de jogos.

S: Não, obrigado.

Steve respondeu secamente e Natasha se sentiu mal por ter invadido o quarto de Steve, ela já fez isso antes, mas ele nunca pareceu se importar.

N: Steve...

S: Já acabou de vasculhar minhas coisas?

Natasha franziu a testa e não respondeu.

S: Pode sair agora...

Steve saiu da porta e fez um gesto com a mão indicando para Natasha sair.

Natasha ficou indignada, ela caminhou pra porta, parou e olhou pra ele.

S: Me faça um favor. Da próxima vez que estivermos em público, não fala sobre a minha vida pessoal, eu não me sinto confortável e você não tem nenhum direito de fazer isso.

N: Steve, eu estava só brincan...

S: Que isso não se repita mais. Fui suficientemente claro?

Natasha nunca viu Steve ser grosso com ela assim antes, ela fez positivo com a cabeça e ficou magoada, ela saiu e fechou a porta do quarto dele.

...

No dia seguinte, Steve deixou a base dos Vingadores e foi de volta para a cidade, ele foi até a livraria de Martha, mas não a encontrou lá.

S: Martha estará aqui hoje?

— Não.

S: Obrigado.

Steve se virou para ir embora.

— Mas ela está na outra loja, fica aqui perto.

S: Qual loja?

— Potter Brownies.

S: Ah... Ok. Obrigado.

Steve saiu e caminhou até a cafeteria, ele entrou e viu Martha atrás do balcão.

S: Você trabalha aqui também?

M: É. Viu como meu pai me explora?

Steve sorriu.

S: Ontem, eu...

M: Está aqui.

Martha pegou a sacola do livro embaixo do balcão e entregou para Steve.

M: Então... Ela está com ciúmes de mim?

S: É. E eu dei um gelo nela.

M: Como assim?

S: Ela me irritou e eu decidi dar um gelo nela.

M: Steve você disse que ela não é do tipo que corre atrás...

S: É.

M: Você não devia ter feito isso, ontem ela já estava me dando medo só de olhar pra mim.

S: Eu achei que...

Martha fez negativo com a cabeça.

M: Ela provavelmente não vai mais falar com você.

Steve ficou extremamente preocupado.

S: O que devo fazer?

M: Sinceramente, eu não sei. Tenta falar com ela, dá o livro... Talvez ela se amolece com isso.

S: Droga!

Martha riu.

M: Calma...

S: Eu vim aqui ontem a noite, mas estava tudo fechado.

M: Sim, nós não trabalhamos 24 horas, aí seria demais. Por que não me ligou?

S: Porque eu... Eu não tenho seu número.

Martha sorriu.

M: Grava aí.

Steve pegou um bloquinho de anotações e uma caneta, Martha franziu a testa, pensando que ele salvaria no celular, mas ele anotou o número no bloquinho.

S: Eu preciso ir, mas será que...

M: Claro.

S: Okay. Tchau.

Martha acenou e Steve saiu da loja com a sacola do livro na mão. E não, ele não tem a menor intenção de ficar com a Martha, ela é linda, ele acha isso, mas ela é a primeira mulher com quem ele se abriu sobre Natasha, ele não tem coragem de falar dela nem com seus melhores amigos como Sam e Bucky, mas com Martha parecia ser fácil falar, ele fez uma nova amiga e isso é exatamente o que ele precisava.

Notas finais
Pobre Steve, não sabe a merda que fez com o gelo na Natasha.