N: Eu não pretendo ir a lugar nenhum.

S: Eu senti sua falta, Nat.

N: Mesmo?

Steve fez positivo com a cabeça. Natasha sorriu.

N: Eu acho que eu posso dizer o mesmo.

Novamente aquele velho silêncio que se segue entre eles quando não se tem mais o que dizer, mas eles ainda querem ficar na presença um do outro e não se incomodam que seja para fazer absolutamente nada, juntos.

N: Vai me convidar para entrar ou está com alguém no seu apartamento?

Natasha brincou.

S: Na verdade, sim. Há alguém aqui. Entre.

Steve abriu mais a porta e Natasha entrou no apartamento, se deparando com Bucky Barnes no sofá da sala de estar. Os dois se entreolharam e depois Natasha mudou para uma expressão mais séria.

S: Ele... Ele é ele mesmo agora. O Bucky de quem eu sempre te falei.

N: Ele é?

Natasha perguntou, ainda encarando Bucky, que se sentiu intimidado e desviou o olhar.

Bucky se levantou e colocou as mãos no bolso.

B: Eu... Eu vou sair para deixar vocês à vontade.

S: Não é preciso.

N: Você devia.

Steve olhou para Natasha, confuso, sem entender a grosseria, mas ela é Natasha, se tratava ele mal, vai tratar Bucky assim também.

Bucky apenas passou por eles dois e saiu do apartamento.

S: O que foi isso?

N: Isso o quê?

S: Você e Bucky...

N: Você tem algo pra comer? Eu estou faminta.

Natasha caminhou para a cozinha de Steve e abriu a geladeira, ela pegou uma cerveja.

N: Você continua comprando cerveja, mesmo não ficando bêbado.

S: Você pediu para comprar porque você bebe.

N: É, mas isso foi quando a gente tinha acabado de se conhecer e eu vivia invadindo sua casa.

S: Você reclamava de não ter bebida. Eu não sabia quando você iria retornar, então deixei aí, esperando por você.

Natasha abriu a cerveja e olhou para Steve.

Natasha sorriu e tomou um gole da cerveja.

N: Por quanto tempo Bucky está morando aqui?

S: Ele está, desde que encontrei ele.

N: É um bom tempo. Ele está procurando um lugar pra morar?

S: Acho que não, eu disse que ele podia ficar comigo, eu moro aqui sozinho e tem dois quartos de qualquer jeito.

N: Oh...

Natasha caminhou de volta para a sala e Steve a seguiu.

Natasha se sentou no sofá e colocou os pés sobre a mesinha de centro.

S: Oh? O que é que você tem contra o Bucky?

N: Ele é perigoso.

S: Não mais.

N: Você confia nele?

S: Com a minha vida.

N: Okay.

S: Okay?

Steve se sentou ao lado de Natasha e a observou.

N: É. Se você confia nele, eu confio também. Porque eu confio em você.

Steve sorriu.

N: E Sam? Ele está namorando Sharon agora?

S: Eu não sei, eu acho que sim. Eu não entendo o que o pessoal faz hoje em dia...

N: Eu disse para agarrá-la enquanto era tempo. Por que não tentou ficar com mais ninguém?

S: Porque eu estou esperando.

N: Esperando o quê?

S: A pessoa certa.

Natasha revirou os olhos e riu em tom de deboche.

N: Você é um amor quando fala essas coisas. Eu odeio quebrar suas ilusões, mas não existe isso de pessoa certa, Steve. Vai tentando ficar com várias até você achar ela, experimente novas mulheres, homens... O que você gostar...

S: Existe sim. Eu já encontrei ela na verdade.

N: Mesmo?

Natasha sentou de lado para se virar mais para Steve, ela apoiou o cotovelo no encosto do sofá e a cabeça na mão, enquanto tomava mais um gole de cerveja, olhando Steve.

S: É. Ela... sempre esteve aqui. Era ela esse tempo todo. Levei um tempo para descobrir.

N: Oh Deus, não me diz que é a... É a Maria?

S: O que? Não!

N: Ela é quem encaixa nessa sua descrição.

S: Não só ela.

Natasha estava sorrindo, fazendo de tudo para ignorar a possibilidade de ser ela, mas Steve estava completamente sério, o que a fez rir de nervoso e desviar o olhar.

N: Eu acho que é melhor eu ir emb...

A fala de Natasha foi interrompida por Steve que colocou as mãos no rosto dela e pressionou os lábios contra os dela.

Natasha foi pega de surpresa e ainda estava de olhos arregalados, até fechar os olhos por instinto e ter a iniciativa de enfiar a língua entre os lábios de Steve e caçar a língua dele.

Steve apoiou o joelho no sofá e soltou as mãos do rosto de Natasha para apoiar no encosto do sofá. Natasha deslizou a língua por debaixo da de Steve e movimentou a língua em círculos em volta da língua de Steve, até ele quase a engasgar deslizando a língua mais fundo pela extensão da língua de Natasha.

Steve estava quase montando sobre Natasha no sofá e se esforçou para se controlar, ele se sentou de volta no sofá mas garantiu de trazer o corpo de Natasha para cima do dele, segurando ela pela cintura e a levitando como se fosse feita de papel.

Natasha sentou sobre as pernas de Steve e em seguida apoiou os joelhos sobre o sofá para se erguer e fazer a cabeça de Steve ficar pendente pra trás. Natasha deslizou os dedos no rosto de Steve e entraminhou os mesmo pelo cabelo dele, segurando com força e aproveitando para explorar cada cantinho da boca dele.

Steve apenas colocou as mãos nas almofadas e apertou com força, mas na verdade ele queria mesmo era estar deslizando a mão pelo corpo de Natasha, mas ele não quer desrespeitar ela. Natasha soltou um pouco os lábios de Steve e jogou a cabeça pro lado, fazendo o cabelo todo ficar para um lado somente.

Natasha deslizou os lábios pelo rosto de Steve e parecia estar sussurrando algo indistinguível, enquanto espalhava beijos pelo rosto de Steve, ela aproximou os lábios da orelha de Steve e mordeu a pontinha dela. Natasha sussurrou ao pé do ouvido de Steve...

N: Você não fez a barba.

S: O que?

N: Você devia fazer.

Natasha prendeu os dentes na orelha de Steve, puxou com força e soltou. Natasha beijou a área logo em seguida. Steve acabou estourando a almofada de tanta força que estava fazendo para se conter, as veias dos braços estavam saltando, como se ele estivesse malhando pesado. Natasha soltou um leve riso e mordiscou o pescoço dele, logo abaixo da orelha de Steve. Steve estava tão sem fôlego que parecia ter corrido uma maratona, Natasha nunca o viu tão vermelho antes, ela deslizou as mãos pelos braços dele, até alcançar as mãos dele e colocou as mãos dele direto sobre o bumbum dela. Natasha afastou um pouco o rosto, o suficiente para olhar Steve nos olhos e mordeu os lábios, enquanto fazia as mãos de Steve apertarem o bumbum dela.

N: Você gosta?

Steve não conseguia emitir nenhum som, ele e apenas fez positivo com a cabeça e lambeu o próprio lábio, enquanto fitava Natasha.

N: Bom.

Natasha sorriu e logo cravou o rosto no pescoço de Steve e deu um chupão na base do pescoço dele. Natasha podia sentir o corpo dele tendo movimentos involuntários e ela imprensou o corpo dela contra o peitoral de Steve, fazendo ele ficar com o rosto bem na altura dos seios dela. Natasha deslizou o corpo para baixo lentamente, fazendo questão de se sentar sobre o volume na calça de Steve.

Steve prendeu a respiração e finalmente estava disposto a se soltar e experimentar tocá-la. Steve deslizou a mão do bumbum de Natasha até as costas dela, por debaixo da blusa, mas parou quando bateram na porta do apartamento.

Natasha também parou e olhou pra porta, assim como Steve.

N: Você vai atender?

S: E-eu... Eu tenho que atender.

N: Por que?

S: Porque pode ser Bucky.

N: Ele saiu.

S: Sim, mas acho que ele não levou a chave.

Natasha suspirou e passou a mão pelo rosto e em seguida pelo cabelo. Natasha se levantou do colo de Steve e fez positivo com a cabeça.

N: Okay...

S: Okay...

Steve ainda levou alguns segundos para levantar, ele foi até a porta e a abriu.

S: Hill?

N: O que?

H: Eu estou te ligando há meia hora, Natasha! Cadê seu telefone?

N: Meu telefone?

Natasha ainda estava um pouco desnorteada, ela mordeu o lábio inferior e passou a mão no cabelo de novo. Natasha colocou as mãos nos bolsos da calça, procurando o celular.

Maria Hill olhou para a almofada estourada e para Natasha com o pescoço vermelho, depois olhou para Steve, completamente vermelho e desconsertado. Hill olhou para a calça de Steve e arregalou os olhos.

H: Meu Deus!

N: O que?

H: Vocês....

N: Não, nós não... Droga, Hill, eu não acho meu celular.

Steve teve que cobrir sua virilha com as mãos para poder caminhar, sem que Hill olhasse diretamente para essa área dele.

S: Está aqui.

Steve foi até a mesinha de centro e pegou o celular de Natasha.

H: Eu não acredito. Eu não a-cre-di-to. Eu vou ligar para o Clint.

N: Não!

Natasha segurou a mão de Hill, pegou o celular da mão de Steve e empurrou Hill para fora do apartamento.

Natasha já estava descendo as escadas com Hill, quando olhou rapidamente pra trás e viu que Steve estava parado na porta do apartamento, provavelmente questionando porque ela nem se despediu, depois de tudo isso.

Natasha preferiu ignorar e desceu as escadas com Hill.

Enquanto Natasha saía do prédio de Steve com Hill, ela revirou os olhos, já imaginando quantas perguntas teria que responder.

N: Vamos entrar no carro primeiro.

H: Tudo bem.

Hill entrou no carro e Natasha logo em seguida.

Hill deu partida.

H: Ok. Primeiramente, é grande?

N: Eu não sei.

H: O que? Como não sabe? É médio por isso não dá pra saber se grande ou pequeno? É bonito o negócio dele? Ai ele tem cara de quem tem um pênis lindo, eu sempre imagino ele pelado, ele deve ser muito bonito pelado, ele é bonito pelado?

N: Hill, eu não sei! Eu não vi, eu só senti.

H: Nossa, foi direto assim? Minha nossa. É grosso?

N: Hill! Nós não transamos, só beijamos.

H: Só beijo, ele estava muito acelerado para um beijo.

N: Foi um amasso, ok?

H: Eu sabia que ia acontecer. Eu tenho que ligar para o Clint.

N: Por que?

H: Porque nós apostamos. Eu disse que vocês se pegariam dentro de um ano e ele disse que seria antes disso.

N: Ele ganhou.

H: O que?

Natasha ergueu a sobrancelha.

N: Ele venceu.

H: Droga! Você não vale nada, você não me disse.

N: Eu disse. No avião e na escada rolante. E no carro.

H: Ei ei ei, pera aí. No carro? Do avião eu sabia, mas você disse que estava curtindo com a cara dele, da escada rolante, você deu a desculpa esfarrapada pra ele que foi apenas para disfarçar, quando você conhece mil outros métodos de disfarce.

Natasha deu um pequeno sorriso de canto de boca.

H: Mas do carro... Foi quando?

N: Nós estávamos indo pra New Jersey e ele tinha roubado um carro para chegarmos numa fonte de informação.

H: Sim, você me disse.

N: Nós conversamos...

H: Sim... E...?

N: E... Foram quase quatro horas de viagem, nós fizemos algumas paradas no caminho para comer e acabamos conversando sobre diversos assuntos e você sabe...

H: Não, eu não sei.

N: Ok. Você conhece uma pequena estrada de terra que tem na rodovia pra New Jersey?

H: Tem várias.

N: Sim, mas tem essa que nos conduz para um enorme precipício que o pessoal gosta de ir para tirar fotos e tem uma paisagem ótima.

H: Aham...

N: Então... O Steve não conhecia quase nada e eu só queria mostrar algo novo pra ele, ele estava bastante abalado pela queda da SHIELD, ele parecia tão triste e decepcionado com o mundo.

H: E com você.

Natasha ficou um pouco mais séria e olhou para Hill.

N: É...

H: Você quis compensar ele...

N: Sim, eu só queria que ele se sentisse bem.

H: Por que?

N: Eu não sei, eu só queria, não me faça perguntas.

H: Ok, desculpe, não está mais aqui quem falou. Mas continua...

N: Então, eu pedi a ele para pegar a estrada de terra, alegando ser um atalho e ele estava com medo que fosse uma armadilha minha.

Natasha riu e fez negativo com a cabeça.

N: Ele estava com um pouco de medo, eu acho. Não tinha nada além de mato e depois só terra, que formou uma cortina de poeira na nossa frente e...

~Memórias de Natasha~

S: Aonde estamos indo?

N: New Jersey.

S: Esse caminho parece perigoso.

N: Está tudo bem, eu conheço esse lugar.

S: Mas eu não, eu não consigo ver nada.

N: Eu te digo quando deve parar.

S: Eu vou parar agora, não posso dirigir sem ver onde estou indo. Posso atropelar alguém ou algum bicho.

N: Diminua a velocidade. A poeira vai baixar se for mais devagar.

Steve nem entendia porque obedecia Natasha, ela ia acabar matando ele uma hora ou outra, com certeza.

Steve fez o que Natasha pediu e a cortina de poeira começou a diminuir, mas não o suficiente para ver o que tinha adiante.

N: Para! Para! Agora!

Steve freou bruscamente, o que fez a cortina de poeira aumentar.

Eles ficaram dentro do carro em silêncio por minutos até toda a poeira baixar. Steve olhou para frente e avistou um desfiladeiro enorme e o carro parecia estar prestes a cair lá embaixo.

Natasha abriu a porta do carro e saiu.

N: Você não vem?

Steve ainda estava paralisado, não se sabe se pela paisagem de tirar o fôlego ou pela proximidade do carro do abismo. Enquanto Steve ainda pensava se devia sair ou não do carro, Natasha bateu no vidro da porta de Steve.

N: Vem.

Natasha o chamou com a mão.

Steve parecia impaciente, ele tirou o cinto e saiu do carro.

S: Isso não é New Jersey.

N: Claro que não.

S: Por que estamos aqui?

N: Eu queria te mostrar isso.

S: O que?

Natasha esticou os braços na direção do desfiladeiro.

N: Isso.

Steve olhou em volta.

S: Você queria me mostrar isso?

N: Você não gostou?

S: Desde quando você gosta de natureza?

N: Desde... Eu não sei, eu acho que não gosto, mas eu achei que você ia gostar.

Steve suspirou e olhou em volta, o nervosismo e o medo, o impedia de curtir o momento.

Steve entrou de volta no carro e ligou o motor.

S: Vamos.

Natasha o olhou e desmanchou o sorriso, ela deu a volta no carro e entrou.

Steve tentou manobrar o carro, mas logo o carro morreu e não queria mais ligar. Steve socou o volante com raiva. Natasha o olhou, impressionada.

N: Eu estou com raiva também, Steve.

Steve olhou para Natasha.

N: Eu trabalhava para a SHIELD. Eu achei que era uma coisa, mas era outra... Eu estou desapontada também.

Steve suspirou e olhou para o desfiladeiro por alguns segundos. Ele recostou as costas no banco e depois olhou para Natasha.

S: É bonito.

Natasha olhou para Steve e fez positivo com a cabeça.

S: Obrigado por ter me trago aqui e me desculpe se fui rude com você.

N: Está tudo bem, eu mereci.

Steve desencostou a cabeça do banco e continuou a olhar para Natasha.

S: Eu não acho que você é fria como tenta parecer.

N: Por que não?

S: Porque você se importa comigo.

N: Não, eu não me importo com você.

S: Sim, você se importa. Está tudo bem, eu não contarei a ninguém.

Natasha não respondeu a isso, não adiantaria negar se era verdade, ela se importa com ele, até demais.

S: Eu me importo com você também.

Natasha deu um pequeno sorriso e abaixou a cabeça. Steve colocou a mão no queixo dela para fazer ela erguer o rosto, e ao erguer, ela fitou diretamente nos olhos dele. Natasha notou alguns tons de cinza no azul dos olhos dele sob aquela claridade.

S: Você sempre me diz para não olhar pra baixo, lembra?

N: Sim...

Steve aproximou os lábios dos de Natasha e encostou levemente os lábios nos dela, mas Natasha afastou o rosto e olhou pra fora do carro. Steve abaixou o olhar e sentiu como se tivesse assediado ela gravemente. Ele ficou tão sem graça, que não conseguiu dirigir a palavra a ela durante toda a viagem para New Jersey.