Na manhã seguinte, Steve esperou o pai sair de casa para poder descer com Natalia.

A mãe de Steve olhou para os dois, ela ainda chorava de vergonha pelo que teve que passar na noite anterior e pelo que tem que passar toda noite, ela tentou disfarçar o choro e olhou para o filho.

Sarah: Ela precisa partir.

S: Eu vou levar ela, mãe. Nós temos algum pão?

Sarah: Só sobrou o seu.

Steve não pensou duas vezes, foi até a cesta sobre a mesa e pegou o único pão e deu para Natalia.

Natalia ficou segurando o pão, sem coragem de comer.

S: Coma, você precisa.

Natalia entregou o pão para Steve.

Steve sorriu e partiu o pão ao meio.

S: Nós dois comemos.

Ele não partiu exatamente no meio, digamos que ele deixou 70% do pão para ela e comeu os outros 30%.

Todos ouviram batidas na porta, em seguida o jovem Bucky Barnes entrava na casa, com um sorriso contagiante.

B: Bom dia, família.

Bucky beijou o rosto da mãe de Steve.

B: Sua mãe continua linda depois de todos esses anos, se ela não fosse casada...

A mãe de Steve riu e deu um tapinha de leve no rosto de Bucky.

Sarah: Você não presta, Barnes. Nunca prestou.

A mãe de Steve se retirou, enquanto ria.

Bucky olhou para Steve e depois para a pequena pessoa escondida atrás dele.

B: Quem é essa?

Steve deu um passo para o lado.

S: O nome dela é Natalia. Natalia, esse é o Bucky, meu amigo. Não precisa ter medo dele.

Natalia olhava para baixo, cabisbaixa. Bucky a observou.

B: Hey, tudo bem?

Natalia apenas fez positivo com a cabeça.

S: Eu tenho que leva-la para a delegacia.

Natalia ergueu o rosto e sua respiração acelerou, com medo.

S: Calma, eles são bons, tomarão conta de você.

Natalia fazia negativo com a cabeça.

N: Por favor.

Steve suspirou e Bucky se aproximou dos dois, mas não muito, porque Natalia segurou a mão de Steve e se encolheu atrás dele.

B: Ela é muito assustada.

Bucky agachou e ficou olhando para Natalia.

B: Nós não te levaremos pra delegacia. Ok? Mas não podemos deixa-la nas ruas, e você não pode morar aqui, não é sua casa... Você pode vir com a gente para o Centro da cidade, lá veremos o que fazer, mas só se você quiser. Pode ser?

Natalia fez positivo com a cabeça.

B: Mas pra isso, eu gostaria de ver um sorriso.

Natalia franziu a testa e em seguida deu um pequeno sorriso.

B: Ah agora sim, olha como você é bonita.

S: Devemos ir.

Os três saíram de casa e Bucky caminhava para o ponto de ônibus.

S: Bucky, eu não tenho dinheiro para ônibus.

B: Mas eu tenho.

S: Não, eu vou andando.

B: Você está com uma menina, vai fazê-la andar tanto assim? Ela não pode andar isso tudo.

Steve suspirou.

S: Você pode leva-la, eu te encontrarei lá.

Natalia fez negativo com a cabeça.

S: Está tudo bem.

N: Eu posso andar.

S: Eu sei que a fiz andar demais ontem, mas eu não devia. Vá com ele.

B: Nós nos divertiremos. Vem...

Bucky estendeu a mão pra ela. Natalia soltou a mão de Steve e segurou na de Bucky. Natalia ficou observando Steve caminhar em direção ao centro, e quando ele chegou na esquina, ele olhou para trás para ver ela, ele sorriu e Natalia ergueu alguns dedos para acenar.

B: O ônibus, vamos.

Depois de se acomodarem no banco, uma moça muito atraente no banco da frente olhou para trás pra fitar Bucky e em seguida Natalia.

— Ela é muito bonita, espero que seja sua irmã e não sua filha.

B: Oh não, ela é apenas uma amiga.

A moça olhou para Bucky de forma sedutora e deu um sorriso, ela entregou um cartão para Bucky.

— Eu trabalho nesse endereço, se você quiser me ver qualquer dia...

Bucky sorriu e pegou o cartão, ele fez positivo com a cabeça. Natalia observou cada movimento da mulher e reparou como um homem se distrai fácil com mulheres atraentes, basicamente ela estava vendo que uma mulher pode conseguir o que quiser, usando sua imagem.

Ao chegarem no Centro, Bucky ficou no ponto, esperando Steve aparecer. Natalia estava de mãos dadas com ele e viu um homem de chapéu e bigode próximo a um beco, ela conhece ele, é um de seus padrinhos.

Em um momento de distração de Bucky com algumas mulheres, ela correu para dentro do beco.

— Então.

N: Ele é bom.

— Acha que ele serviria para nossos planos?

Natalia fez negativo com a cabeça.

N: Eu não sei.

O homem suspirou em sinal de frustração.

— Então, você sabe o que fazer. A mãe, o pai... E se você sentir que ele não vai ficar revoltado com o governo, elimine ele também.

Natalia abaixou a cabeça e ficou quieta.

— O que? Você se apegou a ele? És fraca, assim?

Natalia fez negativo com a cabeça.

— Ótimo, você precisa permanecer na casa deles. Ele vai te levar na delegacia.

N: Ele não vai, ele prometeu.

O homem riu em tom de deboche.

— Ele não liga pra você, Natalia, já te disse várias vezes, ninguém nesse mundo se importa com você, ele te levará, mas não se preocupe, os policiais estão sob minhas ordens.

Enquanto isso, Steve estava finalmente chegando no ponto, ele viu Bucky conversando com um amigo de exército e mais duas damas.

S: Bucky, onde está Natália?

Bucky olhou em volta.

B: Ela estava bem aqui.

S: Você a perdeu? Eu preciso leva-la pra delegacia, eu não sei como ajudar ela de outro jeito. Como pôde perde-la?

— É aquela menina?

Natalia vinha correndo pela rua, ela foi até Steve.

S: Onde estava?

Natalia apontou para a loja de sorvetes que ficava perto do beco.

S: Eu não posso te dar um sorvete.

Um dos amigos de Bucky deu uma moeda para Natalia.

— Vai.

Natalia sorriu e correu para a loja, ela comprou um sorvete e voltou até eles.

S: Está bom?

Natalia estendeu o sorvete para Steve, mas ela recusou.

S: Temos que ir.

Steve a levou até a delegacia, Natalia parou em frente e abaixou a cabeça. Naquele momento ela viu que o padrinho estava certo, ele quebrou a promessa, ele não liga pra ela, ninguém liga.

S: Me desculpe, eles podem te ajudar aqui, eu não posso. Eu queria muito poder...

N: Você pode. Eu ficarei quieta.

S: Eu sei que vai ficar, mas minha mãe...

N: Você prometeu. Ela não precisa saber.

S: Eu sinto muito.

Steve suspirou e a levou para dentro da delegacia. Os policiais disseram estar muito ocupados, que iam registrar ela e que ele deveria ficar com ela, até alguém vir reclamar alguma criança perdida, ou até surgir vaga em algum orfanato.

Steve protestou de todas as formas, mas ameaçaram prender ele por desacato e ele saiu da delegacia com a Natalia.

N: Eu ficarei nas ruas. Não se preocupe comigo.

S: Não. Eu... Eu não posso deixa-la nas ruas. De jeito nenhum... Talvez algum orfanato abra vaga, eu só não sei como te alimentar enquanto esperamos...

N: Eu consigo comida.

S: Como? Você... Você rouba?

N: Não, eu peço. Observe.

Natalia atravessou a rua e ficou em frente a um restaurante, ela estendia a mão para todos que entravam, e ganhava muitas moedas pelo rosto triste que fazia.

Steve se preparou para correr até ela, quando viu o dono do restaurante aparecer na porta e segurar o braço dela e gritar. Natalia conseguiu puxar o braço dele e correu. Steve correu atrás dela e a mandou parar.

Steve teve que esperar dez minutos pra falar por causa da asma.

S: Você... Não pode... É muito perigoso.

Natalia abriu as mãos e mostrou todas as moedas que tinha.

N: Podemos comprar comida.

Era óbvio que ela estava com mais moedas do que recebera, isso porque ela roubou as carteiras dos clientes também, mas ela é ligeira e ninguém viu, muito menos Steve.

S: Podemos. É muito dinheiro.

Os dois compraram alguns pães e itens para se fazer sopa. Quando chegaram em casa, a mãe de Steve achou que tinham roubado e fez Steve jurar que não tinha, ele explicou o que Natalia fizera e o que o delegado disse sobre Natalia ficar com eles.

Sarah: Ao menos ela consegue comida. Duas noites, é o que vou permitir, agora preciso me deitar, eu não me sinto bem.

S: Mãe, o que você tem?

Sarah: Eu não sei, eu vomitei o dia todo e eu me sinto fraca.

S: Eu vou te ajudar.

Sarah: Eu dormirei por apenas dez minutos e eu farei o jantar.

S: Não se preocupe, mãe, eu farei.

Sarah: Você é um bom filho.

Steve subiu as escadas com a mãe e a pôs na cama, ele a cobriu e sentou um pouco ao lado dela, ele segurou a mão dela e observou como ela estava pálida. Steve sabe que tem algo de errado, que ela está fraca demais e que deveria tomar algum remédio. Mas como se eles não tem dinheiro para médico e remédios?

Depois de quinze minutos, Steve desceu as escadas e Natalia estava cozinhando.

S: Você cozinha?

Natalia fez positivo com a cabeça.

S: Isso cheira diferente. Parece diferente.

N: É ruim?

S: Não, pelo contrário, cheira muito bem.

Steve ajudou Natalia a preparar o restante da sopa.

N: Eu levarei o da sua mãe. Você disse que seu pai chega a essa hora.

S: É verdade, eu esqueci. Você tem uma boa memória.

N: Eu ficarei no seu quarto em silêncio.

Steve concordou com a cabeça.

N: Coma, há o suficiente para todo mundo.

Steve concordou com a cabeça. Natalia pegou o prato de sopa e subiu as escadas com cuidado, ela parou no corredor e tirou um pequeno frasco de dentro da roupa e pingou na sopa da mãe de Steve.

Natalia entrou no quarto e Sarah parecia pior que mais cedo, ela moveu a cabeça na direção de Natalia e estava suando frio.

Sarah: Preciso me levantar, mas eu não consigo, o que está acontecendo comigo?

Natalia se sentou ao lado da cama.

N: Tome isso, você se sentirá melhor.

Natalia se encarregou de dar a sopa na boca da mãe de Steve, ela tomou menos da metade.

N: Me desculpe.

Natalia sussurrou e sentiu um certo desespero. Sarah fechou os olhos e caiu num sono profundo.

Natalia saiu do quarto dela e foi para o de Steve, e ouviu quando o pai dele chegou em casa.

— O que você está fazendo na cozinha? Você é um homem! Cadê a imprestável da sua mãe?

Dizia ele cambaleando e se arrastando até a escada. Ele começou a gritar por Sarah.

S: Pai, ela não está bem, precisamos leva-la ao médico.

— Ao médico? Você tem dinheiro?

S: Eu não tenho, mas você tem.

— Eu não tenho nenhum dinheiro.

S: Você bebe todo dia, você tem algum.

— É para a minha bebida, você devia entender que quando se é homem...

O pai de Steve caiu na escada, e como Steve estava com raiva, ele não foi ajudar ele.

S: Ela precisa de remédios, pai!

— Que cheiro é esse? Parece bom, seja um bom menino e traga uma sopa para seu pai.

Steve suspirou e pegou o prato de sopa, ele entregou para o pai.

S: Eu estou mesmo preocupado com a mamãe. Pai, por favor, ela é tudo que tenho.

— Você não tem a mim?

S: Pai, eu quase nunca te vejo, mãe está sempre aqui, ela toma conta de mim e de você.

O pai de Steve resmungou alguma coisa, e tirou a carteira do bolso, ele entregou algumas notas para Steve.

S: Isso pagaria os remédios, mas não o médico.

— É tudo o que tenho! Se você ao menos fosse forte o suficiente para ser do exército, nenhum de nós estaríamos assim!

O prato de sopa caiu no chão e sujou toda a escada. Steve ajudou o pai a subir até o quarto e o colocou ao lado da mãe dele.

Os dois olharam para Sarah completamente imóvel.

S: Mãe?

— Sarah, querida?

Steve sacudiu a mãe desesperadamente ela parecia morta, Steve já estava chorando, quando ouviu a mãe gemer.

S: Mãe!

— Precisamos de dinheiro!

S: Eu te disse! Você nunca acredita!

Steve saiu correndo do quarto e Natalia estava na porta do quarto dele, ela o olhou espantada com o estado dele, ele estava desesperado.

Steve desceu as escadas e saiu de casa, ele correu até a casa de Bucky e bateu nervosamente na porta.

Bucky atendeu a porta.

S: Bucky!

B: Steve, o que aconteceu?

S: É a minha mãe! Eu odeio te pedir isso, mas eu preciso de algum dinheiro emprestado.

B: Claro. Espere aqui.

Bucky subiu as escadas e voltou com dinheiro, ele entregou a Steve e o seguiu até a casa, os dois carregaram a mãe de Steve para o táxi que chamaram. O pai de Steve desceu as escadas cambaleando e disse que iria junto e eles tiveram que levar ele junto.

Natalia observou toda a agitação da janela do quarto de Steve, ela tinha lágrimas no rosto e fazia negativo com a cabeça, lutando contra os próprios demônios dentro da cabeça dela.

N: Me desculpe.

No hospital, o pai de Steve saiu e voltou com uma garrafa de conhaque e bebeu direto do gargalo.

Steve o pegou pelo colarinho e o botou pra fora do hospital.

S: A sua bebedeira nos levou até aqui. Não volte mais! Não precisamos de você! Eu odeio você!

Steve voltou para o hospital. Após muitas horas, o médico disse que ela estava estabilizada, mas doente, sem causa aparente, que deveria manter o repouso e tomar os remédios que ele prescreveu.

Bucky ajudou Steve a levar a mãe de volta para casa. Ele também ajudou a colocar a mãe de Steve na cama.

Steve agradeceu a ajuda e Bucky se retirou.

Steve finalmente foi para o quarto.

Natalia fingiu estar dormindo, ela não queria falar disso tudo com Steve, mesmo que ele estivesse precisando. Natalia ouviu o choro de Steve durante horas e ela começava a pensar se devia ter eliminado ele primeiro, ela não quer que ele seja uma arma para HIDRA e além do mais, se ela o tivesse eliminado primeiro, ele não sofreria com a perda dos pais.

Mas os pais dele ainda não estão mortos, então ainda dá tempo de amenizar a dor de Steve.

Natalia puxou um pequeno canivete que carregava consigo em sua roupa, ela desceu da cama de Steve, depois que ele finalmente tinha embalado no sono, ela encostou o canivete no pescoço dele e antes de cortar, ela parou um segundo para olhar para o rosto dele.

Ela não conseguia cortar. Ela recolheu o canivete e voltou para a cama.

...

Na manhã seguinte, Steve contou para Natalia tudo que acontecera e o que o pai dele fizera no hospital, e que Steve o expulsou de casa e disse que odiava o pai. Steve disse estar determinado a entrar para o exército de qualquer jeito e que hoje tentaria de novo, para ajudar a mãe dele.

Steve levou Natalia para o centro da cidade com ele, ele disse que ia no quartel e que ela devia ficar sem se meter em encrencas e que o encontrasse duas horas depois nesse ponto de ônibus.

Enquanto Steve tentava sua admissão para o exército mais uma vez, Natalia foi até o beco onde seu “padrinho” sempre a espera.

— Então?

N: A mãe dele tem mais 3 dias no máximo.

— Três dias? Por que tudo isso?

N: Ela é uma boa pessoa. Ela...

O homem ficou impaciente.

— Se você tentar salvar a vida dela...

N: Eu não irei! Eu apenas dei algo para que ela sentisse mais confortável, mas ela morrerá de qualquer jeito.

— Eu vi o pai dele há alguns quarteirões daqui, e sóbrio dessa vez.

N: Eu cuidarei dele.

— Não envenenou ele?

Natasha fez negativo com a cabeça.

N: Não, eu usarei minhas mãos.

— Essa é a minha menina! Vá e faça parecer obra de alguma gangue ou brigar de bar.

Natalia concordou com a cabeça e se preparou parar sair do beco.

— Natalia? Não esqueça de eliminar o garoto.

Natalia franziu a testa, suspirou e saiu correndo do beco. Ela achou o pai de Steve na rua e fingiu estar perdida, e pediu ajuda para achar sua casa. O pai de Steve concordou por estar sóbrio, Natalia o levou até uma região deserta, ela correu para dentro de um beco e o pai de Steve a olhou sem entender.

— O que está fazendo, menina? Não pode entrar aí, é sujo e perigoso.

Natalia ficou de costas e parecia estar chorando, mas era apenas uma forma de atrai-lo para dentro de sua teia e o pai de Steve foi atraído. Uma vez dentro do beco, ele não teve nenhuma chance.

Apesar de ter apenas dez anos, ela já tinha força e sabia lutar muito bem.

Mesmo depois do pai de Steve ficar abatido no chão, ela continuou batendo, não por raiva dele, mas por raiva do que ela teve que fazer a Steve e às outras pessoas, ela começou a chorar e chutar sem parar e nesse momento ela aprendeu que a forma de descontar raiva é o próprio uso da violência.

Natalia estava já chamando atenção pela barulheira no beco, o lugar era deserto, mas uma hora ou outra passava alguém e um homem passou pelo beco e a viu batendo no sujeito sem vida no chão.

— HEY! Você!

O homem que gritou levou um tiro na cabeça, antes que pudesse chamar alguém ou tentasse parar Natalia. Natalia olhou pra o homem baleado e depois viu seu “padrinho” se aproximar do homem, segurando a arma que o matou na mão.

O padrinho de Natalia a olhou para e fez negativo com a cabeça.

O homem chamou mais cinco homens para pegar o corpo do homem na calçada. Dois foram remover o corpo desse homem e os outros dois entraram no beco para pegar o corpo do pai de Steve.

As narinas de Natasha estavam dilatadas, ela fechou as mãos com força e atacou os dois homens que se aproximaram do corpo do pai de Steve, era estranho porque agora ela sentia um dever de proteger o corpo do pai de Steve.

Natasha enfiou o canivete no pescoço de um deles, causando uma hemorragia intensa, e logo em seguida chutou o outro homem com força, o que o fez se desequilibrar e chocar as costas contra um vergalhão que atravessou a barriga dele.

— NATALIA! Chega!

Ordenou o quinto homem, que era um general da organização e estava próximo do padrinho de Natalia. Os dois olharam seriamente para Natalia.

Natalia estava ofegante e completamente coberta de sangue, ela pegou o canivete de volta, se levantou e olhou os dois com ódio, eles sabiam que seriam atacados e chamaram mais agentes para deter ela. Natalia correu até eles e os homens iam sacar armas, mas o padrinho mandou que não atirassem, ele a queria viva.

Logo depois que Natalia abateu esses agentes, ela não precisou nem ir até o general, dali do beco, ela arremessou o canivete certeiramente na coxa dele, pegando uma das veias principais do corpo, ele não sobreviveria e ainda sofreria com o tanto de sangue que perderia aos poucos.

Natalia olhou para o padrinho.

— Natalia, eu estou te avisando, obedeça e pare!

Ele sabia que ela não ia parar, ela estava fora de controle e vinha para atacar ele. O padrinho dela puxou uma outra arma do bolso e atirou contra Natasha, ela desviou, ele atirou novamente e somente o terceiro tiro conseguiu atingir a barriga dela.

Quando Natalia acordou, ela estava num lugar que conhece bem, a cela solitária, todas as paredes de concreto, e a porta era revestida com o mesmo material, o que dava a impressão de não ter portas e nem janelas, ela era claustrofóbica e a sala sempre era usada como forma de punir ela, fora os abusos físicos que sofria.

Natalia não sabia quantos dias já tinham se passado, se estava ali há horas ou há dias...

A porta foi aberta e seu padrinho entrou.

— Natalia, você matou o general... Diga-me o que acha que devo fazer com você?

O homem caminhou na direção de Natasha e ela correu para o canto da parede para se proteger.

— Relaxe, eu não vou tocar você.

N: Eles estão mortos?

— Quem?

N: Steve e os pais.

— Estão. Você fez um bom trabalho.

N: Eu matei ele? Eu matei Steve?

— Sim.

Natalia imediatamente começou a chorar.

N: Eu não consigo lembrar de nada.

Steve não estava morto, mas estava de luto pelo pais, perdera os dois quase seguidamente, ele tentou encontrar Natalia, perguntou por ela em vários lugares e ele foi consumido de culpa por tê-la perdido e por ter perdido os pais.

O padrinho de Natalia decidiu mentir para ela para que ela não tentasse criar afeições por mais ninguém.

...

Testemunho do padrinho de Natasha sobre essa missão: Ela é exatamente o que estávamos procurando, ela será a Viúva Negra, eu não tenho mais nenhuma dúvida disso, mas nessa missão observamos como é difícil fazê-la parar, é necessário um treinamento mental para poder controla-la. Podemos observar ainda que ela tem a capacidade de se apegar a pessoas que demonstram ser verdadeiramente honestas, honradas e boas com ela. Isso é algo que poderá ser revertido, se for obtido sucesso no projeto S.I. Tiraremos qualquer lembrança para eliminar qualquer traço de resistência com novas missões. Vale ressaltar que devido ao descontrole que ela apresentou, fui obrigado a dar um tiro tranquilizante nela e a missão ficou incompleta, mas gerou os resultados que esperávamos.

... Tempos atuais...

Todos ficaram em silêncio, enquanto Natasha fechava o livro e o arremessava longe.

N: Não pode ser eu!

NF: Eu sinto muito, Romanoff, mas é você.

Hill colocou a mão sobre a de Natasha.

H: Nós não diremos nada a ele.

N: Eu não devia ter lido isso.

NF: Eu avisei.

H: Eu garantirei que isso jamais saia daqui, Natasha, ninguém saberá.

N: Mas eu irei! Como pude?

H: Você não sabia. Você sequer se lembrava, eles a fizeram acreditar que nasceram em 1986, mas não é verdade. Mas isso é o que você queria, saber seu passado e nós encontramos eles, Natasha.

Natasha olhou para Hill.

H: Seus pais. Eles estão vivos.

Notas finais
Acabou o flashback, cês sempre reclamam u.u